Universo está parando de fabricar novas estrelas, mostra levantamento

SALVADOR NOGUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Já não se fazem mais estrelas como antigamente. Um novo estudo mostra que 95% de todas elas já nasceram.

Também, pudera. Lá se vão 13,7 bilhões de anos, dos quais durante todo o tempo, salvo os 500 milhões de anos iniciais, o Cosmos vem fabricando novas estrelas.

A essa altura, a matéria-prima para a formação estelar –nuvens de gás– está em vias de se tornar insuficiente para novas fornadas.

O trabalho, sob a batuta de David Sobral, da Universidade de Leiden (Holanda), teve observações de três diferentes instalações: o Ukirt e o Subaru, no Havaí, e o VLT (Very Large Telescope), no Chile.

Graças a essa combinação, astrônomos conseguiram observar diversas amostras de galáxias. Embora seja difícil distinguir estrelas individuais nesses casos, é possível analisar o espectro (a “assinatura” de luz) e identificar o nível de formação estelar.

 Editoria de Arte/Folhapress

E, como a luz desses objetos que chega até nós tem velocidade finita, viajando a 300 mil km/s, quanto mais longe olhamos, mais velha é a luz (o que permite estudar estados antigos do Universo).

“Obtivemos amostras grandes e robustas de galáxias que correspondem a 4,2 bilhões, 7 bilhões, 9,2 bilhões e 10,6 bilhões de anos atrás”, diz Sobral. Seu artigo foi aceito pela publicação “Monthly Notices of the Royal Astronomy Society”.

A referência buscada no espectro é uma emissão na chamada linha H-alfa do hidrogênio. “É a mais confiável de todas”, afirma Laerte Sodré Junior, do IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas) da USP.

Segundo ele, as principais conclusões estão de acordo com outros trabalhos. “Todos eles sugerem que a ‘época de ouro’ da formação estelar ocorreu há muito tempo e, essencialmente, em todo o intervalo de tempo coberto pelo estudo, a taxa de formação estelar vem decrescendo.”

Não deixa de surpreender o fato de que restam só 5% para que o “download de estrelas” seja completado. Dali para frente, o Universo terá de se resignar a, calma e lentamente, se encaminhar para um tedioso apagar das luzes. Isso se a tendência for mantida, diz Sodré.

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