Pesquisador suíço candidato ao Nobel de Química desenvolve técnica vencedora em Campinas

A técnica da microscopia crioeletrônica que revolucionou a observação de biomoléculas e levou o Nobel de Química deste ano é desenvolvida em Campinas (SP) por um dos pioneiros na área. Marin Van Heel, de 68 anos, é suíço, também concorreu ao prêmio e trocou colaborações com os premiados ao longo de 40 anos de estudos sobre essa tecnologia.

Com ela, é possível ver as moléculas no estado em que se encontram em solução e acompanhar o desenvolvimento delas com visualização tridimensional. O início do processo foi dividido com o alemão Joachim Frank, premiado no Nobel, no final da década de 1970.

“A minha contribuição é a diferença entra a imagem em 2D e 3D. A primeira coisa que fiz foi a introdução de um método para fazer o reconhecimento de padrões. […] Isso é muito importante pra biologia porque mostra como funcionam essas máquinas moleculares. A gente quer entender como funcionam, para definir e calcular os resultados”, explica Van Heel.

Segundo ele, o escocês Richard Henderson, também contemplado, já estudava a estrutura em três dimensões em cristais. Marin, Joachim e Richard ganharam juntos o Wiley Prize in Biomedical Sciences 2017, que costuma ser uma prévia do Nobel.

Único no Brasil

O físico, que passou parte da infância no interior paulista, escolheu o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) para dar continuidade ao desenvolvimento de metodologias essenciais para a criomicroscopia. Assim, pode desvendar o comportamento molecular de doenças epidemiológicas e viabilizar tratamentos na indústria farmacêutica – como ocorreu com o estudo do vírus da zika.

Professor aposentado pela Universidade de Leiden, na Holanda, ele veio ao Brasil e se fixou no CNPEM para ter acesso ao único microscópio capacitado no Brasil para a técnica da microscopia eletrônica. O equipamento e os estudos na área estão concentrados no Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano).

“Embora a técnica seja madura do ponto de vista da excelência dos resultados obtidos, ainda vai avançar muito. As tecnologias usadas para analisar essas moléculas ainda estão em evolução”, explica o pesquisador do CNPEM e seguidor de Van Heel, Rodrigo Portugal.

Em 2018 o laboratório receberá um novo microscópio com tecnologia de ponta a nível internacional, que, assim como os atuais, será aberto à comunidade científica. O CNPEM também oferece treinamento para que os cientistas possam utilizá lo.

“O Brasil é um pais importante e essa tecnologia é fundamental. O país tem que ter essa infraestrutura pronta para quando acontecerem as epidemaias”, completa Van Heel.

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