O que a mudança brusca de temperatura durante o eclipse da superlua pode ajudar a revelar?

Os eclipses lunares como o que se viu nesta quarta-feira (31) são um grande espetáculo.  Quem observou o céu conseguiu apreciar uma lua mais brilhante e maior, conhecida como superlua, que também coincidiu com um eclipse, com uma lua azul e uma lua de sangue, que resultou em imagens incríveis.

Mas os cientistas que investigam as características do satélite natural da Terra ganharam mais um presente. Eclipses como o de quarta-feira são uma oportunidade perfeita para estudar a Lua usando uma câmera térmica astronômica, de acordo com a agência espacial norte-americana Nasa. “Durante um eclipse lunar, a oscilação da temperatura é tão dramática que é como se a superfície da Lua passasse de um forno a um freezer em poucas horas”, explica o cientista Noah Petro, do Orbitador de Reconhecimento Lunar da Nasa. A temperatura na superfície lunar durante um eclipse varia entre 93°C e -128°C.

O regolito

A mudança de temperatura é extrema e ocorre em um período relativamente curto. Do Observatório Haleakala, na Ilha de Maui, no Havaí, pesquisadores americanos fizeram testes medindo comprimentos de ondas invisíveis para detectar o calor. O principal objetivo foi estudar as características do regolito, a camada que recobre as rochas tanto na Lua quanto na Terra – formada por materiais diferentes em cada um desses astros -, diz a Nasa.

Ter uma compreensão clara de qual é a composição do solo na Lua é valioso para que as futuras missões tripuladas localizem pontos confiáveis para fazer um pouso lunar. “Se você quiser pousar em um ponto, você quer ter certeza de que é um lugar seguro e relativamente livre de rochas”, disse o cientista da Nasa Rick Elphic à NPR (Rádio Pública Nacional dos Estados Unidos, na sigla em inglês). “Um lugar onde suas botas não vão afundar em 18 polegadas (45 cm) ou algo assim”, diz ele.

O lado escuro das crateras

O eclipse desta quarta-feira também ajudou no mapeamento da superfície lunar, uma tarefa que centros como o Orbitador de Reconhecimento Lunar têm a oportunidade de realizar uma ou duas vezes por ano, quando ocorrem eclipses lunares totais. “Toda a natureza da Lua muda quando é observada com uma câmera térmica durante um eclipse”, diz Paul Hayne, do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial da Universidade de Colorado Boulder. Como explica a Nasa, quando ocorre um eclipse, crateras desconhecidas ficam expostas, uma vez que as rochas perdem calor com mais ou menos rapidez, dependendo de seu tamanho. “Algumas crateras começam a brilhar porque as rochas das quais são formadas ainda estão quentes”, diz Hayne.

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