Bóson de Higgs é eleito a descoberta do ano pela “Science”

Folha de S.Paulo

RAFAEL GARCIA
EM WASHINGTON

A detecção do bóson de Higgs, a partícula elementar que confere massa à matéria, chegou ao fim de 2012 no topo da lista da revista “Science” que elege as descobertas mais importantes do ano.

Editada pela AAAS (Associação Americana para o Avanço da Ciência), a revista também destacou o pouso do jipe Curiosity em Marte e o experimento que usou células-tronco para criar óvulos de camundongos.

A escolha do bóson de Higgs pelo comitê da AAAS que determina a lista era esperada.

A revista, porém, deu boa parte do crédito pela descoberta a físicos teóricos que previram as manifestações da partícula -trabalho feito ao longo de 40 anos.

A detecção do bóson no acelerador de partículas LHC, anunciada na Suíça em julho, foi o ápice de uma empreitada que completou, finalmente, o Modelo Padrão, a teoria que explica as partículas elementares, como o elétron e o fóton (partícula de luz). O bóson foi a última peça da teoria a ser observada.

“A descoberta não foi uma surpresa, porque era o que se esperava achar. Ela veio mais como um alívio”, diz Robert Coontz, vice-editor da “Science”, sobre as razões da escolha do prêmio. “Se o bóson não tivesse sido encontrado, seria preciso repensar tudo seriamente.”

Editoria de Arte/Folhapress

Logo após o anúncio, especulou-se que o Prêmio Nobel em Física de 2012 seria dado a Peter Higgs e aos outros cientistas responsáveis pela previsão teórica da partícula, o que não ocorreu.

Os físicos já sabem que o bóson de Higgs existe, mas ainda não têm dados suficientes para saber quais exatamente são as propriedades da partícula.

A despeito da importância da descoberta, esse tipo de incerteza costuma impor uma certa lentidão à escolha do Nobel.

Em 2013, de qualquer forma, o LHC passará por um processo de manutenção que permitirá dobrar sua potência.

Espera-se que, quando o acelerador de partículas estiver produzindo colisões mais fortes, novas descobertas fiquem ao alcance dos físicos.

ENGENHEIROS EM MARTE

O único item da lista da “Science” que denota mais um sabor de ansiedade do que de vitória foi a escolha do jipe Curiosity como um dos destaques do ano.

Havia grande expectativa de que os cientistas do projeto anunciariam a descoberta de moléculas orgânicas complexas no solo marciano, o que não ocorreu.

Apesar de o principal objetivo científico da missão marciana ainda estar em aberto, o sucesso da meta de engenharia do projeto -pousar um jipe de 3,3 toneladas em Marte- foi comemorado com estardalhaço.

A Nasa já fala em enviar a Marte um jipe similar, mas com instrumentos científicos diferentes.

 

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