Avião movido a energia solar voa por 25 horas e deve influenciar carros

Aeronave tem a missão de funcionar mesmo à noite, quando não há sol

As tecnologias presentes no avião experimental Solar Impulse, que é movido a energia solar e decolou nesta quarta-feira (7) para um voo de 25 horas, devem ter aplicações em setores como o automobilístico e o espacial.

O Solar Impulse partiu da pista em Payerne, região oeste da Suíça, alcançando 35 km/h antes de piloto Andre Borschberg executar a operação de decolagem às 6H51 (1H51 de Brasília). O avião tem como única fonte de energia 12 mil células fotovoltaicas que cobrem suas asas e alimentam os quatro motores elétricos.

O aparelho demonstrou funcionar bem durante o dia, com um primeiro voo de sucesso em 7 de abril e outros dez realizados desde aquela data. Agora, precisa ser aprovado no teste noturno, que vai analisar a capacidade das baterias de serem carregadas suficientemente durante o dia e alimentar o avião durante horas sem sol. Pascal Vuilliomenet, da EPFL (Escola Politécnica Federal de Lausanne), diz que “no que diz respeito à aviação comercial, ainda se está relativamente longe de mover um avião com a força da energia solar”.

Para ele, que coordena os projetos entre o EPFL e a equipe do Solar Impulse, o avião não proporcionará de imediato aplicações comerciais, mas vários de seus subelementos poderão ser utilizados no futuro. Segundo Vuilliomenet, as pesquisas com os painéis solares levam muito tempo, mas os avanços no terreno dos materiais compostos (resinas e plásticos) utilizados no avião parecem muito promissores.

Os motores elétricos, utilizados para mover as quatro hélices do Solar Impulse, poderão ser aplicados no setor automobilístico. Apesar de o protótipo ser muito avançado para ser adaptado para um voo comercial, suas novidades tecnológicas devem servir para o desenvolvimento de energias verdes, diz o autor do projeto, Bertrand Piccard.

– Estamos convencidos de que se um avião pode voar dia e noite sem nenhum combustível, ninguém poderá depois dizer que é impossível utilizar as mesmas tecnologias para os carros, o ar condicionado, a calefação, os computadores ou os eletrodomésticos.

Anil Sethi, diretor-geral da empresa Flisom, especializada em painéis solares ultrafinos e flexíveis, prevê que a energia solar terá, sim, um futuro na aviação, e que projetos como o Solar Impulse podem também ter aplicações em terra, com veículos alimentados por elegantes painéis solares.

(Foto: Denis Balibouse/AFP)

Veja o vídeo abaixo:

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