Astrônomos encontram sistema planetário que não deveria existir

Um grupo internacional de astrônomos identificou um sistema planetário que, em tese, não deveria existir.

A descoberta, publicada no periódico “Astronomy and Astrophysics”, pode aumentar ainda mais as chances de se encontrar outros planetas com condições similares às da Terra no Universo.

O par de planetas foi descoberto pelo satélite Kepler, da Nasa, em torno de uma estrela similar ao Sol, mas ligeiramente maior e mais velha, com cerca de 6 bilhões de anos. (Para efeito de comparação, o Sistema Solar tem 4,6 bilhões de anos).

Os dois mundos descobertos em nada se assemelham aos do Sol, pois ambos giram em órbitas muito próximas de sua estrela. O mais interno deles, Kepler-101b, completa uma volta em 3,5 dias terrestres. O mais externo, Kepler-101c, em seis dias.

Por isso, ambos são quentes demais para abrigar vida. Mas o que mais chama atenção é que o planeta mais próximo é um gigante gasoso, pouco menor que Saturno, e o segundo parece ser rochoso, como a Terra.

NO LUGAR ERRADO

Uma configuração como essa, em princípio, não deveria existir. Segundo as teorias de formação planetária, planetas gigantes gasosos surgem mais distantes da estrela, e os rochosos, mais perto.

Sabe-se que, em alguns sistemas, planetas gigantes gasosos podem migrar logo após seu nascimento, até se estabelecer perto da estrela.

Mas, ao realizar essa travessia para as regiões mais internas do sistema, o planeta gigante deveria destruir ou ejetar quaisquer mundos que existissem por ali.

É aí que o sistema Kepler-101 parece contrariar a lógica. De algum modo, o planeta rochoso não só sobreviveu à migração do planeta gasoso como conseguiu trocar de lugar com ele.

Já está claro pelas estatísticas que essa é uma configuração rara. “A arquitetura do sistema Kepler -101 não segue as tendências”, diz Aldo Bonomo, do Observatório Astrofísico de Turim, na Itália, primeiro autor do trabalho.

Mas o fato de ela existir reabre a possibilidade de que sistemas que tenham um Júpiter Quente (um gigante gasoso colado à estrela) ainda assim podem ter mundos como a Terra em regiões propícias para a existência de vida.

“Até agora não foi observado nenhum sistema desse tipo, com um Júpiter Quente e um rochoso na zona habitável, mas o Kepler-101 mostra que talvez existam sistemas assim”, diz Jorge Melendez, astrônomo da USP que não participou da pesquisa.

A caracterização dos dois mundos foi possível porque os cientistas combinaram as observações do Kepler, que fornecem o diâmetro dos planetas, a medições feitas em solo, que propiciam uma estimativa da massa.

Compartilhe:

Share on facebook
Facebook
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on twitter
Twitter
Share on email
Email

Postagens relacionadas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *