janeiro 23, 2015

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Via Láctea ‘pode ser buraco de minhoca para viagens no tempo’

Nossa galáxia pode ser, em teoria, um grande túnel semelhante a um buraco de minhoca (ou túnel de viagens no espaço e no tempo), possivelmente “estável e navegável” e, portanto, “um sistema de transporte galático”. É o que sugere um artigo publicado no periódico Annals of Physics.

O estudo – que, ressaltam os cientistas, ainda é uma hipótese – é resultado de uma colaboração entre pesquisadores italianos, americanos e indianos.

Para chegar a essas conclusões, os estudiosos combinaram equações da teoria da relatividade geral, desenvolvida por Albert Einstein, com um mapa detalhado da distribuição de matéria escura (que representa a maior parte da matéria existente no Universo) na Via Láctea.

“Se unirmos o mapa da matéria escura na Via Láctea com o modelo mais recente do Big Bang para explicar o Universo e teorizarmos a existência de túneis de espaço-tempo, o que obtemos é (a teoria) de que nossa galáxia pode realmente conter um desses túneis e ele pode ser do mesmo tamanho da própria galáxia”, disse Paolo Salucci, um dos autores do estudo e astrofísico da Escola Internacional de Estudos Avançados de Trieste (Sissa, na sigla em italiano).

“Poderíamos até viajar por esse túnel, já que, com base em cálculos, ele seria navegável. Assim como o visto recentemente no filme Interestelar.”

Ainda que túneis desse tipo tenham ganhado popularidade recentemente com o filme de ficção científica, eles já chamam a atenção de astrofísicos há muito tempo, explica comunicado do Sissa.

Salucci afirmou não ser possível dizer com absoluta certeza que a Via Láctea é igual a um buraco de minhoca, “mas simplesmente que, segundo modelos teóricos, essa hipótese é possível”.

O cientista explicou que, em teoria, seria possível comprovar essa hipótese fazendo uma comparação entre duas galáxias – aquela à qual pertencemos e outra parecida. “Mas ainda estamos muito longe de qualquer possibilidade real de fazer tal comparação.”

Matéria escura
Estudos prévios já haviam demonstrado a possível existência desses buracos de minhoca em outras regiões galáticas. Segundo o estudo do Sissa, os resultados obtidos agora “são um importante complemento aos resultados prévios, confirmando a possível existência dos buracos de minhoca na maioria das galáxias espirais”.

O estudo também reflete sobre a matéria escura, um dos grandes mistérios da astrofísica moderna. Essa matéria não pode ser vista diretamente com telescópios; tampouco emite ou absorve luz ou radiação eletromagnética em níveis significativos. Mas a misteriosa substância compõe 85% do universo.

Salucci lembra que há tempos os cientistas tentam explicar a matéria escura por meio de hipóteses sobre a existência de uma partícula específica, o neutralino – o qual, porém, nunca foi identificado pelo CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, que pesquisa o Bóson de Higgs, a chamada “partícula de Deus”) ou observado no Universo. Mas há teorias alternativas que não se baseiam nessa partícula.

“Talvez a matéria escura seja uma ‘outra dimensão’, talvez um grande sistema de transporte galático. Em todo o caso, realmente precisamos começar a nos perguntar o que ela é.”

Fonte: Portal G1

novembro 12, 2012

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Cientistas detectam luz estelar do início do Universo

Pesquisadores da Universidade de Berkeley usaram telescópio de raios gama para encontrar emissões luminosas das primeiras estrelas do Universo

 

Ilustração mostra a luz do início do Universo que pesquisadores de Berkeley encontraram

 

Luz estelar antiga, emitida pelas primeiras estrelas do universo, foi detectada com o uso do Telescópio Espacial Fermi, que detecta raios gama.

Marco Ajello, astrofísico da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e seus colegas relataram a descoberta no periódico Science. Ajello realizou a pesquisa quando trabalhava na Universidade Stanford.

“É provável que tenham sido os primeiros objetos a se formarem em nosso universo”, afirmou. “Eles se formaram aproximadamente 500 milhões de anos depois do Big Bang.”

Os cientistas supõem que o Big Bang, ou grande explosão, tenha ocorrido há aproximadamente 13 bilhões de anos e resultado na criação de nosso universo, que continua em expansão. As primeiras estrelas do universo eram maciças e constituídas principalmente de hidrogênio. É bem provável que o hidrogênio tenha queimado por completo rapidamente e elas tenham explodido, formando supernovas, logo no início. Embora essa primeiras estrelas tenham desaparecido há muito tempo, a luz que emitiram continua chegando até nós, afirmou Ajello.

É impossível medir diretamente a luz de uma estrela antiga, porque a luz de nossa galáxia é mais forte e impede que a vejamos. Por isso, os pesquisadores usaram os raios gama. Eles contaram com os blazares – galáxias distantes que emitem raios gama – para fazer isso.

“Eles são como faróis que estão muito distantes daqui”, afirmou Ajello. “As distâncias delas em relação a nós são diferentes e, com base nessas distâncias podemos medir a quantidade de luz estelar de épocas diferentes.”

Os pesquisadores coletaram dados sobre a luz presente no universo 4, 8 e 11 bilhões de anos após o Big Bang. Futuramente, Ajello espera realizar medições em pontos ainda mais próximos do princípio do universo.