junho 20, 2013

Adesivos podem substituir agulhas em vacina do futuro, dizem cientistas

Inventor de tecnologia diz que seu uso é mais eficiente e pode transformar prevenção de doenças no mundo

 

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Um adesivo que é colocado na pele para aplicar vacinas de forma barata e eficaz foi apresentado durante a conferência TEDGlobal em Edimburgo, na Escócia. Substituir a agulha por um nanoadesivo pode transformar a prevenção de doenças mundo afora, disse o inventor da tecnologia, o pesquisador Mark Kendall, da University of Queensland, em Brisbane, Austrália.

 

Segundo ele, o novo método abre caminho para vacinas de uso fácil para doenças como a malária, por exemplo. Outros especialistas deram boas vindas à novidade, mas disseram que o método pode não ser apropriado para todos os pacientes.

 

A série de conferências TEDGlobal (a sigla inglesa TED quer dizer “Think, Exchange, Debate” ou “Pense, Troque, Debata”) é realizada anualmente em diferentes partes do mundo. Ela é financiada pela fundação privada sem fins lucrativos Sapling Foundation, que promove a circulação de grandes ideias pelo mundo.

 

Método antigo
A palestra de Kendall em Edimburgo teve uma simbologia histórica: há 160 anos, na capital escocesa, Alexander Wood pediu a primeira patente para a agulha e a seringa. “A patente era quase idêntica às agulhas que usamos hoje. É uma tecnologia de 160 anos”, disse Kendall.

 

Aliada à água limpa e saneamento, ela cumpriu um papel fundamental no aumento da longevidade em todo o mundo, acresentou. Mas para Kendall, talvez tenha chegado a hora de atualizarmos essa tecnologia.

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O nanoadesivo é baseado na nanotecnologia – que permite manipular a matéria em escala atômica e molecular, ou seja, em dimensões infinitamente pequenas. Ele supera algumas das desvantagens mais óbvias de vacinas convencionais, como o medo da agulha e a possibilidade de contaminação provocada pelo uso de agulhas sujas. Mas há outras razões pelas quais o método pode ser transformador, disse o professor.

 

Milhares de minúsculas saliências no adesivo perfuram a pele e liberam a vacina, que é aplicada, seca, sobre a pele.

 

“As saliências no adesivo trabalham com o sistema imunológico da pele. Nosso alvo são essas células, situadas a um fio de cabelo de distância da superfície da pele”, disse Kendall. “Talvez estejamos errando na mira e deixando de atingir o ponto imunológico exato, que pode estar na pele e não no músculo, que é onde as agulhas tradicionais vão”.

Em testes feitos no laboratório de Kendall na University of Queensland, o adesivo foi usado para administrar a vacina contra gripe. A equipe australiana disse ter notado que as respostas para vacinas aplicadas por meio do nanoadesivo foram completamente diferentes daquelas aplicadas com o uso da seringa tradicional.

 

“Isso significa que nós podemos trazer uma ferramenta completamente diferente para a vacinação”, disse o pesquisador.

 

A quantidade de vacina necessária, por exemplo, é muito menor – até um centésimo da dose normal. O preço de “uma vacina que custa US$ 10 pode ser reduzido para US$ 0,10, o que é muito importante no mundo em desenvolvimento”, acrescentou.

 

Vacinas sem efeito
Outro ponto fraco das vacinas tradicionais é que, por serem líquidas, precisam ser mantidas no refrigerador, desde o laboratório até a clínica onde é feita a vacinação. “Metade das vacinas aplicadas na África não estão funcionando direito por causa de falhas na refrigeração em algum momento”.

 

Quando Kendall disse, durante a conferência, que a vacina nanoadesiva poderia ser mantida a 23ºC durante um ano, a plateia respondeu com aplausos calorosos. Um representante da Brithish Society for Immunology, a sociedade britânica de imunologia, deu boas vindas à tecnologia, mas fez algumas ressalvas.

“Essa abordagem traz esperanças de vacinação fácil e em grande escala, já que ela tem como alvo um tipo de célula imunológica chamada célula Langerhans, que existe em abundância na pele”, disse Diane Williamson. “Essas células absorvem avidamente a vacina e são capazes de desencadear a resposta imunológica”.

 

“Porém, um dos problemas em potencial na aplicação (da vacina) sobre a pele é o tempo de aplicação e como garantir a administração da quantidade adequada de vacina. Além disso, talvez haja problemas de tolerância do adesivo em alguns pacientes. Mas se esses problemas puderem ser superados, o nanoadesivo tem o potencial de substituir a aplicação convencional, baseada em aplicação intramuscular por agulha”.

 

O nanoadesivo começará a ser testado em breve na Papua Nova Guiné, onde suprimentos de vacina são escassos. Kendall disse que acha difícil imaginar um mundo sem agulhas e seringas tradicionais, mas espera que o novo método possa ser utilizado em grande escala.

Fonte: TERRA

 

outubro 22, 2012

Governo dos EUA prevê tecnologias disponíveis em 2032

Engenheiro testa modelo de exoesqueleto durante feira de tecnologia no Reino Unido: médicos “biônicos” deverão ser realidade dentro dos próximos 20 anos
Foto: Getty Images

Na tentativa de prever o avanço da tecnologia no futuro, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos acredita que nos próximos 20 anos estará disponível a primeira geração de aparelhos capazes de antecipar desastres ambientais e ataques terroristas, entre outras inovações. O foco da pesquisa foi a aplicação das possíveis novidades na segurança e na saúde. As informações são do Gizmag.

As previsões foram publicadas no relatório Project Responder 3. Em 2032, o órgão do governo americano espera que policiais estejam utilizando óculos de realidade aumentada (como os criados pelo “laboratório secreto” do Google) e telefones celulares carregados no pulso que podem funcionar para obter informações instantâneas de um suspeito no momento em que ele é abordado, identificar um criminoso em meio à multidão e encontrar armas. A ideia é que as forças de segurança sejam capazes de antecipar crimes além de combater ou investigar os que já foram cometidos.

Essa mesma tecnologia permitiria que médicos fizessem diagnósticos complicados fora dos grandes centros hospitalares e realizassem cirurgias complexas em campo. Smartphones serão capazes de fazer ligações de emergência automaticamente, caso ocorra um acidente, e fornecer instruções de primeiros socorros até uma equipe médica chegar ao local. Sangue artificial estará disponível aos profissionais, que contarão ainda com exoesqueletos para aumentar em muitas vezes sua força, segundo previsões do departamento.

Enquanto isso, bombeiros terão à disposição robôs para remover destroços e adentrar ambientes perigosos. Essas máquinas contarão com diversos sensores, óculos capazes de ver através de fumaça e equipamentos que possibilitarão o estudo de mapas e avisos sobre níveis de oxigênio e fatores de risco nas proximidades. A língua não será barreira, já que tradutores universais ajudarão as equipes de resgate.

O objetivo dessas previsões é analisar como a polícia, bombeiros e médicos irão operar daqui a duas décadas, em um mundo cada vez mais interconectado. O departamento quis descobrir como toda essa tecnologia afetaria serviços básicos à população, como segurança, e prever que soluções estarão disponíveis para a ação oficial.

Fonte: Terra

janeiro 15, 2012

Nova entidade quântica é meio som e meio matéria

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Como quase tudo no mundo quântico, esse novo “ser” é um cara bem estranho. As setas brancas descrevem um fónon, um quantum de som, em termos dos efeitos de deslocamento que ele induz sobre os átomos da rede atômica de um cristal.

As cores mostram o estado quântico de um elétron “doador”, pertencente a um átomo de fósforo, em termos da probabilidade da presença do elétron em qualquer ponto.

Segundo a nova teoria, esses dois estados se conectam para formar um híbrido, um fóniton, um sistema quântico artificial resultado de um fónon e um elétron.

Ou seja, um fóniton é meio som e meio matéria.

Sensores e computadores quânticos

Os pesquisadores, que afirmam que o híbrido poderá ser encontrado em uma nanoestrutura cristalina, dizem também que o fóniton poderá ser útil nas pesquisas dos computadores quânticos.

A estrutura quântica poderá ainda funcionar como um sensor magnético, eventualmente mais preciso do que aquele proposto para um Microscópio definitivo será feito de diamante microscópio definitivo, feito de diamante.

“O fóniton pode melhorar as ferramentas atuais de manipulação das vibrações quantizadas em sistemas mecânicos em nanoescala, ajudando-nos a entender a natureza do som e do calor, além de servir como componente básico em novos sistemas quânticos artificiais em dimensões macroscópicas,” propõe o professor Charles Tahan, da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos,

Gerador de fónitons

Tahan e seus colegas afirmam que o fóniton poderá ser encontrado em uma pastilha de silício dopada com fósforo.

Cada átomo de fósforo substitui um átomo de silício, mas fica com um elétron sobrando, que pode ser compartilhado.

Se a estrutura for comprimida ou esticada na intensidade correta, propõem os físicos, o estado fundamental e o estado de mais baixa energia desse elétron terão uma discrepância de apenas alguns mili-elétron-volts.

Com isso, um fónon será capaz de forçá-lo a mudar de nível, e o elétron poderá emitir um fónon similar quando cair de volta para seu estado fundamental.

Mas, para gerar o novo híbrido, é necessário manter o fónon que chega e o elétron doador acoplados por um longo período, dentro de uma coluna do material feita com camadas de silício e germânio.

Como as redes atômicas do silício e do germânio não coincidem perfeitamente, isso gerará uma tensão permanente no silício. Segundo a teoria, isso será suficiente para produzir um fóniton que sobreviva por alguns milissegundos.

Bibliografia

Sound-Based Analogue of Cavity Quantum Electrodynamics in Silicon
Ö. O. Soykal, Rusko Ruskov, Charles Tahan
Physical Review Letters
Vol.: 107, 235502
DOI: 10.1103/PhysRevLett.107.235502

janeiro 5, 2012

Autoria da Bíblia é decodificada por algoritmo

Sistema comparou a estrutura textual dos livros do Antigo Testamento com o objetivo de procurar estilos semelhantes de escrita.

Um grupo de pesquisadores israelenses desenvolveu um algoritmo para decodificar o livro que é considerado por muitos como o mais importante da cultura ocidental: a Bíblia. Os estudiosos da Universidade Bar-Ilan utilizaram o software criado para analisar o Antigo Testamento.

De acordo com a ABC, o algoritmo compara conjuntos de sinônimos juntamente com palavras próximas a eles chamadas de “funcionais” – como as preposições. Posteriormente, o sistema verifica a distribuição das palavras mais comuns na Bíblia. Ao encontrar estruturas semelhantes nesses dois blocos de análise, o programa pode agrupar os trechos que possuem o mesmo estilo de construção.

Para testar o algoritmo, os estudiosos usaram os livros de Jeremias e Ezequiel. Eles misturaram tais partes aleatoriamente e o sistema conseguiu separá-los com quase 99% de exatidão – o que mostrou a validade do método.

Dessa forma, os cientistas observaram que o livro sagrado foi escrito com dois estilos diferentes, os quais se enquadram nos moldes sacerdotais e não sacerdotais explicitados em outras teorias. Todavia, Moshe Koppel, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do algoritmo, salienta que o sistema não é capaz de dizer exatamente quantos autores elaboraram a Bíblia.

Apesar de não revelar um dos maiores enigmas em torno do livro sagrado, o método abre uma nova brecha para o debate sobre a autoria das diretrizes do catolicismo.