setembro 19, 2017

Nave espacial Cassini entra para a história após duas décadas de missão

A confirmação chegou ao Laboratório de Propulsão a Jato da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) às 11h55 UTC (8h55, de Brasília): depois de duas décadas de missão, a nave espacial Cassini fez seu mergulho final em Saturno, a 1,4 bilhão de quilômetros da Terra. O último sinal do equipamento, antes de se desintegrar na atmosfera do planeta gasoso, porém, não foi motivo de tristeza. Pelo contrário, a equipe comemorou: “Espero que estejam muito orgulhosos desse êxito extraordinário. Essa foi uma missão incrível, uma nave incrível, e vocês, uma equipe incrível”, disse o chefe da missão Cassini, Earl Maize, sob o aplauso dos colegas. Era exatamente isso que a Nasa planejava. Encerrar, com sucesso, uma aventura que revolucionou o conhecimento que se tem sobre o planeta anelado.

Cassini passou os últimos cinco meses se preparando para o fim, mergulhando entre os anéis de Saturno e sua atmosfera em uma série de 22 grandes órbitas, que culminaram em uma despedida da lua Titã (o maior satélite saturnino, que possui um oceano aparentemente salgado) na terça-feira. Lá, ela se aproveitou do empurrão gravitacional do satélite para se colocar em órbita entre os anéis de Saturno e a parte superior da sua camada nebulosa. Tratou-se da primeira exploração desse espaço vazio de 2,7 mil quilômetros. O encontro final de Cassini com Titã foi apelidado pelos cientistas de “beijo da despedida”.
A entrada na atmosfera saturnina começou cerca de um minuto antes da perda de sinal e, mesmo nos últimos momentos, a nave trabalhou, enviando dados científicos em tempo quase real por ondas de rádio, até que sua antena não conseguisse mais apontar para a Terra. Suas últimas imagens foram enviadas na sexta-feira, antes da manobra derradeira, e revelaram as medidas mais profundas que se teve até agora da densidade do plasma, do campo magnético, das temperaturas e da composição atmosférica de Saturno.
“Essa missão mudou a forma como vemos os mundos oceânicos no Sistema Solar, oferecendo sugestões tentadoras sobre lugares com ambientes potencialmente habitáveis, como Titã, e nos dando um verdadeiro laboratório planetário para estudar processos que podem ser relevantes até mesmo para a compreensão da origem da vida na Terra”, avalia Alvaro Giménez, diretor científico da Agência Espacial Europeia (ESA). “Cassini revolucionou nossas opiniões sobre Saturno por incríveis 13 anos, desde o momento em que chegou ao planeta até seu fim, hoje (ontem)”, completou.
Série de descobertas
Cassini foi lançada de Cabo Canaveral, na Flórida, em 1997. Viajou durante sete anos até alcançar a órbita de Saturno, onde permaneceu por outros 13 anos. Nesse tempo, descobriu seis novas luas a seu redor, estruturas tridimensionais sobre os anéis e uma gigantesca tempestade que se estendeu por todo o planeta durante quase um ano. A sonda de 6,7 por 4 metros também achou gêiseres gelados e lagos de hidrocarbonetos compostos de etano e metano em Titã. Em 2005, a nave lançou até a lua a Huygens, da Agência Espacial Italiana, marcando a primeira e única alunissagem no Sistema Solar exterior em um corpo celeste além do cinturão de asteroides.
“A missão mudou a maneira de pensarmos sobre locais onde a vida poderia se desenvolver, além de nossa Terra”, avalia Andrew Coates, chefe do Grupo de Ciências Planetárias do Laboratório de Ciências Espaciais Mullard, da Universidade College de Londres. “Assim como Marte, satélites como Encelado, Europa e, inclusive, Titã, são agora os melhores aspirantes à vida extraterrestre. Reescrevemos completamente os livros sobre Saturno”, acrescenta. Linda Spilker, cientista do projeto Cassini, comparou a missão a uma maratona. “Durante 13 anos, corremos uma maratona de descobertas científicas e, agora, estamos na última volta.”
A missão de Cassini pode ter acabado, mas vai demorar muito tempo para que todo o material coletado por ela seja estudado. “Quem sabe quantas teses de doutorado sairão desses últimos segundos de dados?”, questiona Mathew Owens, professor de física espacial da Universidade de Reading, na Inglaterra, sobre as informações enviadas pela sonda pouco antes de se desintegrar. De acordo com Owens, até hoje, cerca de 4 mil artigos científicos foram produzidos baseados nos dados da missão.

Outros voos

Outras três naves espaciais voaram perto de Saturno: a Pioneer 11 em 1979, seguida pelas Voyager 1 e 2 nos anos 1980. Mas nenhuma estudou o planeta tão detalhadamente quanto Cassini, que leva o nome do astrônomo franco-italiano Giovanni Domenico Cassini, que, no século 17, descobriu que o planeta tem várias luas, além de uma brecha entre os anéis.

setembro 15, 2017

Veja as interpretações dos novos sinais que estão surgindo por Robson Rodovalho

De maneira enfática, o físico e bispo Robson Rodovalho fala sobre os novos sinais dos tempos, não somente os fenômenos que já aconteceram, bem como os próximos, como o alinhamento dos planetas, que ocorrerá no próximo dia 23 de setembro.  “Será talvez o dia mais perigoso do ponto de vista da ciência em que a humanidade já passou”, destaca.

Confira na íntegra as interpretações de Robson Rodovalho em seu canal no Youtube

setembro 12, 2017

As sondas espaciais que espantam os cientistas 40 anos após o lançamento

Lançada há 40 anos, a sonda Voyager 1 já está a 28,8 bilhões de km de distância da Terra.

“Nunca paro de me surpreender. É uma tecnologia dos anos 1970”, diz Enrique Medina, o principal controlador da missão. “É uma das obras de engenharia mais exemplares já feitas.”

Em 1977, ela foi lançada ao espaço com uma “irmã”, a Voyager 2, para explorar os limites do Sistema Solar.

As sondas usaram um raro alinhamento para se lançarem até Júpiter e Saturno.

Além de fazerem registros, elas levam gravações de sons da Terra e outras informações sobre a humanidade.

Os transmissores operam com apenas 20 watts, o mesmo que uma lâmpada de geladeira. Mesmo assim, mandaram imagens espetaculares de Júpiter, revelando que sua grande mancha vermelha é na verdade uma tempestade gigantesca.

As sondas também fotografaram os anéis de Saturno e descobriram novas luas.

Anos depois, a Voyager 2 passou por Netuno e Urano e fez mais imagens.

Em 1990, a Voyager 1 tirou uma foto da Terra à distância, em que o planeta parecia ser apenas um pontinho, o que inspirou o apelido de “pálido ponto azul” para nosso planeta.

“É um pontinho, uma coisinha minúscula flutuando no espaço. Um único evento cósmico poderia acabar com toda a vida que conhecemos”, Emily Lakdawalla, membro da Sociedade Planetária, uma organização voltada à promoção da exploração espacial.

Viajando a 61 mil km/h, a Voyager 1 já chegou ao espaço interestelar.

Ela é hoje o objeto criado pelo homem que está mais distante da Terra. E, junto com a Voyager 2, vai continuar a viajar pelo espaço sideral por muito tempo, mesmo depois que suas fontes de energia se esgotarem.

Clique aqui e confira o vídeo

Fonte: bbc.com/portuguese

agosto 22, 2017

Existem sinais espirituais por trás do fenômeno Eclipse Solar? Bispo Rodovalho fala sobre o assunto

Nesta terça-feira, 21 de agosto, ocorreu o Eclipse Solar nos Estados Unidos e pode ser visto, também, em algumas regiões do Brasil. O assunto ainda é um tema bastante discutido entre estudiosos de como a lua consegue cobrir o sol completamente. Existiriam  fenômenos espirituais por trás dessa temática?

“A Bíblia sempre fala que haveriam fenômenos no céu e a história mostrou que sempre que houve um eclipse completo, veio precedido de algum fenômeno como grandes revoluções, a Segunda Guerra Mundial, ou seja, houve aí um mau presságio, mas oremos para que seja apenas um fenômeno físico”.

Quer saber mais? Em vídeos gravados em português, inglês e espanhol, o físico e bispo Robson Rodovalho fala sobre o assunto. Confira em youtube.com/bisporodovalho ou na sua página Facebook.com/BispoRobsonRodovalho/

 

agosto 18, 2017

Eclipse Solar acontece dia 21 de agosto e com ele serão cumpridas as profecias contidas na Bíblia?

Na próxima segunda-feira, 21 de agosto, acontecerá um dos eventos mais esperados dos últimos anos – O Eclipse Solar Total, que poderá ser visto na América do Norte, na América Central, no Caribe, ao norte da América do Sul e ao oeste da Europa e da África. Já no Brasil, o Eclipse será parcial, podendo ser visto  na maior parte do país, principalmente nas regiões norte e nordeste.

Mas por trás do fenômeno, também poderá vir tsunamis e furacões, foi o que alertou a Nasa. Seriam os sinais espirituais que estão contidos na Bíblia prestes a acontecer? “Definitivamente estamos começando a ter maus presságios. Por isso, vamos estar em oração, perto da presença de Deus e crer no Seu amor e no Seu poder que guarda a nossa geração”, diz Bispo Robson Rodovalho.

Confira o que Rodovalho diz a respeito em seu canal no Youtube.  Para ver em outras versões, acesse facebook.com/bisporobsonrodovalho

agosto 1, 2017

Cérebro valoriza respostas imediatas, sem avaliar consequências futuras

A psicopatia geralmente é relacionada à falta de caráter e à ausência de empatia. Pesquisadores dos Estados Unidos propõem um novo olhar sobre esse intrigante distúrbio. Eles analisaram o cérebro e o comportamento de 49 prisioneiros diagnosticados psicopatas e perceberam que alterações cerebrais podem levar esses indivíduos a valorizar respostas imediatas, sem uma preocupação com os impactos das escolhas. Divulgado recentemente na revista Neuron, o resultado, segundo os investigadores, amplia a compreensão sobre o distúrbio e pode ajudar a explicar a prática de comportamentos repugnantes, como os crimes em série.

A equipe decidiu recorrer às facilidades da tecnologia de imagem para tentar mudar a direção tomada pela maioria de estudos realizados sobre o tema. “Durante anos, seguimos concentrados na ideia de que os psicopatas são pessoas que não podem gerar emoção e, por isso, fazem todas essas coisas terríveis (…) Embora os psicopatas sejam frequentemente retratados como predadores de sangue frio, quase alienígenas, mostramos que o deficit emocional pode não ser o principal motor dessas escolhas ruins”, ressalta Joshua Buckholtz, principal autor do estudo e pesquisador da Universidade de Harvard.
Buckholtz e os colegas defendem que é necessário analisar uma outra característica presente no distúrbio psiquiátrico: o imediatismo das escolhas. “O que nós nos preocupamos com os psicopatas não são os sentimentos que eles têm ou não têm, são as escolhas que eles fazem. Eles cometem uma quantidade surpreendente de crimes, e esses atos são devastadores para as vítimas e astronomicamente caros para a sociedade como um todo”, diz.
Os 49 prisioneiros participantes do estudo estavam em duas prisões de segurança média localizadas na cidade de Wiscosin. Todos foram submetidos a exames de ressonância magnética enquanto participavam de um teste de gratificação monetária. No experimento, tinham que escolher entre duas opções: a primeira faria com que recebessem uma quantia menor imediatamente; a segunda,  um montante maior, mas posteriormente.  O monitoramento de cada psicopata durou mais de duas horas.

Como resultado, os cientistas descobriram que aqueles diagnosticados com alto índice de psicopatia apresentaram maior atividade na região estriado ventral, uma área do cérebro envolvida com as escolhas mais imediatas. “Portanto, quanto mais psicopática é uma pessoa, maior a magnitude dessa resposta estriatal. Isso sugere que a maneira como elas estão calculando as recompensas de valor é desregulada”, resume Buckholtz.

Em uma segunda etapa, os pesquisadores mapearam a atividade de regiões do cérebro conectadas ao estriado ventral dos prisioneiros e constataram fenômenos que reforçaram os achados da primeira observação. “Nós mapeamos as conexões entre o estriado ventral e outras regiões envolvidas na tomada de decisões, especificamente as do córtex pré-frontal, conhecido por regular a resposta estriatal. Descobrimos que as conexões entre o corpo estriado e o córtex pré-frontal medial ventral eram muito mais fracas em pessoas com psicopatia”, detalha o investigador. “Precisamos do córtex pré-frontal funcionando estavelmente para fazer julgamentos prospectivos, sobre como uma ação nos afetará no futuro”, complementa.

Aval biológico

Segundo João Armando, psiquiatra do Instituto Castro e Santos, em Brasília, a dificuldade em controlar os impulsos, que ocorre pela falta de um mecanismo adequado de avaliação das consequências futuras e pela valorização de situações momentâneas, é uma situação observada em todos os transtornos de personalidade, incluindo a sociopatia. “Essa pesquisa corrobora de forma biológica sintomas que são características na prática clínica. Sabemos que resumir a sociopatia apenas à falta de empatia e emoções era algo muito simplista”, diz.
Guido Palomba, psiquiatra e diretor cultural da Associação Paulista de Medicina e autor do livro Insania Furens — Casos verídicos de loucura e crime, ressalta que o diferencial do estudo é o uso de tecnologias inovadoras para reforçar achados anteriores. Segundo ele, europeus e brasileiros também estudam esse tema e correlacionaram a impulsividade com a psicopatia. “Isso ocorre muito na física. Temos teorias de Einstein que foram comprovadas recentemente. Como agora há aparelhos que mostram detalhadamente o que desconfiávamos, podemos ter a confirmação do que era suspeito. O imediatismo é algo muito presente na psicopatia e faz com que esse transtorno gere consequências graves, como os crimes”, complementa.

Tratamento limitado

Tanto os especialistas quanto os pesquisadores acreditam que os resultados da pesquisa não poderão contribuir diretamente para o tratamento da psicopatia, um dos maiores desafios da área psiquiátrica. “A sociopatia é um dos transtornos de maior dificuldade de tratamento e com poucas respostas positivas. Creio que o estudo ajude a entender o funcionamento cerebral de algumas características, mas tenha pouco impacto na abordagem clínica, que continua a ser baseada em psicoterapia por longos períodos e, mesmo assim, com resultados, na maioria das vezes, discretos”, explica João Armando.
Segundo o psiquiatra, os cientistas têm se envolvido na busca por intervenções mais efetivas. “O número de pesquisas que tenta demonstrar a forma como os sintomas atuam no cérebro está crescendo bastante. Elas são bem-vindas, pois corroboram nossa prática no dia a dia, mas ainda há pouco impacto no tratamento clínico. A sociopatia tem muito que ser entendida, principalmente porque não temos um tratamento adequado. Creio que o grande desafio seja descobrir um tratamento com melhor resposta”, diz.

julho 14, 2017

Nasa divulga imagens da Grande Mancha Vermelha de Júpiter

Fonte: internet

Fonte: internet

Miami, Estados Unidos – A Nasa divulgou na quarta-feira (13/7) uma série de impressionantes imagens da tempestade de Júpiter conhecida como Grande Mancha Vermelha, obtidas através de uma sonda não tripulada. A sonda Juno, da agência espacial americana, sobrevoou a tormenta na segunda-feira, oferecendo a visão mais próxima desta icônica característica do maior planeta do nosso sistema solar.

“Durante centenas de anos os cientistas têm observado e teorizado sobre a Grande  Mancha Vermelha de Júpiter”, destacou Scott Bolton, principal pesquisador da Juno no Southwest Research Institute, em San Antonio. “Agora temos as melhores imagens da história”. As imagens podem ser vistas em https://www.missionjuno.swri.edu/junocam/processing

Os pesquisadores esperam saber mais sobre o que impulsiona esta tempestade, e Bolton avaliou que levará algum tempo para analisar os dados capturados por oito instrumentos de Juno quando sobrevoou a tormenta, a 9.000 km de altitude.
A Grande Mancha Vermelha tinha 16.350 km de largura no dia 3 de abril passado. O fenômeno é monitorado desde 1830 e existe, possivelmente, há mais de 350 anos. A Nasa tem fotografado o fenômeno ao longo dos anos através de telescópios e sondas.
Juno partiu em 5 de agosto de 2011 de Cabo Canaveral, Flórida, e orbita Júpiter há pouco mais de um ano. “Estas imagens tão esperadas da Grande Mancha Vermelha de Júpiter são a ‘tempestade perfeita’ de arte e ciência”, opinou Jim Green, diretor de ciência planetária da Nasa. “Estamos encantados de compartilhar a beleza e a emoção da ciência espacial com todos”.

julho 7, 2017

Como um bispo medieval adiantou a teoria do Big Bang no século 13

Ilustração de Julius Schnorr von Carolsfeld (1852-60)
Direito de imagemGETTY IMAGES O primeiro dia da criação em ilustração de Julius Schnorr von Carolsfeld (1852-60)

O livro bíblico do Gênesis, no capítulo 1, versículo 3, conta: “E Deus disse: faça-se a luz! E a luz foi feita”.

Mas esse foi apenas o começo da criação do universo. Isso, de acordo com a Bíblia, é o que Deus fez depois da luz:

“E disse Deus: Haja luzeiros no firmamento do céu para dividir o dia e a noite, e para sinais e para estações, e para dias e anos;

e sirvam de luminares no firmamento do céu para alumiar a terra. E assim foi.

E fez Deus os dois grandes luminares, o luminar maior para governar o dia e a luz menor para governar a noite; fez também as estrelas.

E Deus os pôs no firmamento do céu para alumiar a terra, e para governar o dia e a noite, e para separar a luz das trevas. E Deus viu que isso era bom.”

Desenho de Robert Grosseteste em livro medieval
Direito de imagemCREATIVE COMMONS
Image captionRobert Grosseteste era um bispo curioso pela origem do universo

No século 13, um estudioso inglês da ordem dos franciscanos mergulhou nesse tema.

Robert Grosseteste trabalhou em um dos grandes centros de aprendizagem em Oxford, local que as pessoas já tinham começado a chamar de “faculdade”.

Para Grosseteste, tudo tinha a ver com a luz, até o ato divino primordial da própria criação.

Mas como exatamente Deus fez a criação?

A resposta do religioso foi a primeira tentativa de descrever os céus e a Terra usando um conjunto de leis.

Do ponto de vista de Grosseteste, tudo começou com a luz e a matéria explodindo a partir de um centro: uma versão medieval do Big Bang.

Sua história mostrou como a fé em princípios científicos, combinada com a crença em um cosmos ordenado por Deus, resultou em uma ideia surpreendentemente profética.

Inicia com luz…

A Coroação da Virgem, 1635-1648Direito de imagemGETTY IMAGES
Image captionA luz sempre foi um elemento presente no cristianismo

Mas o que é a luz? Essa pergunta nunca foi simples.

Alguns dos primeiros escritores cristãos pensavam que havia dois tipos diferentes de luz.

A lux, como era chamado em latim, era o que Deus usou para fazer o cosmos, uma espécie de força criativa divina, quase uma manifestação do próprio Deus.

A outro era lúmen, luz comum que emana de corpos celestes e nos permite ver as coisas.

Essa visão fica evidente para qualquer pessoa que tenha estado em uma catedral gótica inundada pela luz que entra através dos vitrais das janelas.

Sacerdotes e teólogos pensavam que, ao contemplar a bela lúmen da igreja, os fiéis seriam atraídos pela lux bendita de Deus.

Religião e ciência

Obra de James Barry, 1795.
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Image captionEm obra de 1795, um arcanjo releva a natureza física do universo a um grupo de filósofos; entre eles, Robert Grosseteste

Embora hoje pareça haver um conflito entre ciência e religião, durante grande parte da história a religião foi uma grande motivação para a busca de conhecimento no mundo.

Nas escolas das catedrais dos séculos 11 e 12 – predecessoras das universidades – alguns estudiosos pensavam que era seu dever aprender mais sobre o universo que, para eles, havia sido criado por Deus.

Eles não consultavam apenas a Bíblia: liam os escritos dos antigos gregos como Platão, Aristóteles e Hipócrates, que tinham sido preservados em traduções feitas por escritores islâmicos.

O aprendizado sobre o mundo natural floresceu na era das grandes catedrais góticas, e muitos historiadores falam de um primeiro Renascimento no século 12.

A mais bela das entidades

Vitral con o nome de GrossetesteDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionGrosseteste nasceu por volta de 1175 em Suffolk, na Inglaterra, e morreu em 1253.

Robert Grosseteste nasceu em meio a essa época emocionante.

No início do século 13, ele era um professor proeminente, erudito e, como todos os pesquisadores em Oxford, cristão devoto. Em 1235, tornou-se bispo de Lincoln, na Inglaterra.

Para ele, a luz era uma das mais maravilhosas criações de Deus.

“A luz física é a melhor, a mais deleitável, a mais bela de todas as entidades que existem. A luz é o que constitui a perfeição e a beleza de todas as formas físicas”, escreveu.

Mas Grosseteste não se conformava com apenas apreciar a luz que entrava pelas grandes janelas da catedral gótica de Lincoln. Ele começou a estudá-la como um cientista.

Analisou, por exemplo, a passagem da luz através de um copo de água.

Ele percebeu que lentes poderiam ampliar objetos, e quando alguém lê o que o bispo escreveu sobre o assunto, começa a se perguntar por que demorou mais de 300 anos para que telescópios e microscópios fossem inventados.

“Esta parte da ótica, quando bem compreendida, mostra-nos como podemos fazer as coisas que estão a uma distância muito grande parecerem como se estivessem muito próximas, e as coisas grandes que estão perto parecerem muito pequenas, e como podemos fazer as pequenas coisas que estão distantes parecerem de qualquer tamanho que queremos, de modo que poderia ser possível ler as letras mais pequenas a distâncias incríveis ou contar a areia ou sementes ou qualquer tipo de objetos minúsculos”, escreveu Grosseteste.

Um dos primeiros telescópiosDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionApesar de descobertas de Grosseteste adiantarem mecanismo de telescópios, eles só foram inventados 300 anos depois

Além disso, ele notou que a luz muda de trajetória ao passar do ar para a água, um efeito chamado de refração.

Como outros antes dele, Grosseteste viu que a luz poderia dividir-se em um espectro colorido como um arco-íris, e escreveu um tratado sobre o fenômeno, no qual chegou perto de explicar sua origem: pensou que as nuvens agiam como uma lente gigante que refratava a luz e a enchia de cor.

“De luce”

Em 1225, Grosseteste reuniu o que havia concluído sobre a luz em um livro chamado “De Luce” (Sobre a Luz).

Era uma mistura de teologia, ciência, metafísica e especulação cósmica.

Mas tratava, em particular, da questão de como Deus fez todo o cosmos usando a luz.

Em vez de tratar a criação como uma espécie de ato mágico, Grosseteste começou a transformá-la em um processo natural, algo que hoje chamaríamos de “estudo científico”.

Como muitos de seus contemporâneos, ele acreditava que Deus trabalhava com princípios simples, baseados em regras que a humanidade poderia compreender pela lógica, geometria e matemática.

“Todas as causas de efeitos naturais devem ser expressadas por meio de linhas, ângulos e figuras, porque caso contrário seria impossível ter conhecimento da razão destes efeitos”, escreveu.

E como o universo era governado pela matemática, era também ordenado e racional – e seria possível deduzir suas regras.

Na verdade, a descrição de Grosseteste da criação divina é tão precisa, que pode ser expressada em um modelo matemático, algo que historiadores e cientistas da Universidade de Durham, no Reino Unido, fizeram com a ajuda de um computador.

A máquina do mundo

Ilustração do universo geocêntrico
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Image captionNa época do bispo, a Terra ainda era o centro do universo

Para Grosseteste e seus contemporâneos, o universo consistia na Terra, que ficaria no centro, e todos os corpos celestiais – o Sol, a Lua, os sete planetas conhecidos e as estrelas que giravam ao seu redor em círculos perfeitos.

Mas, para ele, tudo começou com uma espécie de Big Bang, no qual uma explosão de luz – do tipo lux – fez com que uma densa esfera da matéria se expandisse, tornando-se cada vez mais leve e diluída.

“Essa expansão dispersaria a matéria ‘dentro de uma esfera do tamanho da máquina do mundo’, que é como ele chama o cosmos”, diz Tom McLeish, um dos físicos da Universidade de Durham que traduziu a teoria cosmológica de Grosseteste para um modelo matemático.

“Mas logo encontra um problema: (a matéria) não pode se expandir infinitamente, porque nessa época o universo era enorme, mas finito. Como pará-lo? Com uma brilhante ideia científica. Pensando como um físico, recorre a algo simples para explicar não apenas como (o universo) deixa de expandir, mas como as esferas são formadas.”

Uma luz brilhante na escuridão

“Se você não pode alcançar o vazio, porque a natureza tem aversão a ele”, reflete Grosseteste, “deve haver uma densidade mínima, e quando chega-se a ela, a (matéria) tem que cristalizar”.

Seguindo essa linha de raciocínio, isso ocorreria em primeiro lugar na parte mais distante: o firmamento. Esse se cristaliza primeiro e se aperfeiçoa, adquirindo luz – lúmen-, que também empurra a massa, neste caso, para dentro, e, portanto, são criadas as esferas nas quais residem os planetas, o Sol, a Lua e a Terra.

Robert Grosseteste
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Image captionRetrato de Robert Grosseteste como bispo de Lincoln, dando as benções com a mão direita

“Outro pensamento moderno que ele teve foi que, quando olhamos para o céu, o universo que vemos de alguma forma contém os rastros ou eco dos processos que o formaram”, disse McLeish.

“Isso é precisamente o que os cosmólogos pensam hoje em dia. Lembre-se da busca por microondas no eco do Big Bang”, acrescentou com entusiasmo.

“A única parte obscura da Idade das Trevas (entre a queda de Roma e o Renascimento) é a nossa ignorância sobre essa época. Grosseteste é um pensador impressionante”, disse McLeish.

“A história que me contaram quando era jovem era que antes de 1600 não havia mais do quemisticismo, teologia e dogmatismo. E de repente apareceram Galileu, Kepler, uau! Tudo é luz e iluminação, e voltamos a andar com a ciência “, diz o físico.

“Mas a verdade é que a ciência não funciona assim. Todos nós damos pequenos passos e, como disse Isaac Newton, todos nós subimos nos ombros de gigantes. E Grosseteste é um daqueles gigantes em cujos ombros subiram os primeiros cientistas modernos.

junho 30, 2017

Por que tanta gente ainda tem dúvidas sobre a veracidade da Bíblia?

Muitas pessoas ainda têm duvida quanto a veracidade da Bíblia Sagrada. Seria ela uma uma farsa ou uma revelação de Deus? E este é um dos temas mais importantes do cristianismo, talvez apenas menos importante que a ressurreição do Senhor Jesus.

Creio que os homens passam por situações sérias de definições do seu destino. Em alguns momentos de nossa vida precisamos tomar algumas decisões que têm o poder de mudar completamente nosso destino, nossa família, portanto devemos rever a maneira como vamos construir nossa sociedade, famílias, cultura etc.

Uma das decisões mais importantes na vida de um homem é se ele crê ou não quanto à Bíblia ser uma revelação de Deus ou uma farsa. Tenho encontrado muitas pessoas que não acreditam na veracidade da Bíblia Sagrada, acham que é uma montagem, um engano, um livro muito bem preparado e trabalhado pela igreja ao longo dos séculos para convencer os homens, aprisionar suas almas, a fim de manipulá-las, e mantê-las debaixo de sua influência.

Mas decidir se a Bíblia é mesmo uma revelação divina de Deus, ou uma farsa, muda completamente a sua história, e o seu destino. Primeiro porque se a Bíblia é realmente a Palavra de Deus, então nós podemos ter a segurança de que ela traz para nós todo edifício espiritual, moral, de todos os bons princípios. Se por outro lado ela é uma farsa, apenas um meio que a religião cristã utiliza para tentar imprimir seus valores na sociedade, manipulando as pessoas, então precisa ser realmente esquecida e colocada de lado.

Não se deve aceitar a Bíblia ora como algo humano, ora como algo divino. Ou a Bíblia é realmente uma revelação verdadeira, e não tem contradição, ou é uma farsa. E, se ela é uma farsa, é uma mentira, um engano, estamos apenas anestesiando nossa consciência para suportarmos a dor dessa existência. Em qual lado você quer estar?