março 5, 2019

Projeto pretende “ressuscitar” Mar Morto

O diretor-executivo da Empresa Governamental para a Preservação do Mar Morto, Nir Kedmi, pretende desenvolver a região sul do Mar Morto para oferecer aos turistas hotéis e opções de lazer.

“Setenta por cento dos turistas estrangeiros visitam o Mar Morto, mas não costumam pernoitar, ou o fazem por apenas um ou dois dias, e queremos que façam parte da grande comunidade de israelenses que vêm atualmente”, disse ele à agência EFE.

O projeto é construir mais 17 hotéis, de luxo e alto padrão, entre os já existentes complexos de Ein Bokek e Hamei Zohar. Hoje os complexos hoteleiros oferecem 4 mil leitos, a ideia é dobrar a capacidade e aproveitar a inauguração do aeroporto internacional de Eliat, no sul de Israel, para atrair mais turistas.

“Esta região tem enorme potencial, com o deserto e um clima perfeito no inverno, quando na Europa o tempo é horrível. Aqui não há chuvas em 99% do ano, e as temperaturas no inverno ficam entre 25 e 11 graus”, explicou Amir Halevi, diretor-geral do Ministério do Turismo para o Conselho Regional de Tamar.

Halevi considera o Mar Morto como um dos lugares mais importantes do país, pelo seu significado e também pelo potencial turístico que passará a ser uma das prioridades para investimentos.

Fonte: gospelprime

março 1, 2019

Astrofísica brasileira vence importante prêmio da ciência mundial

Uma das “melhores jovens cientistas trabalhando hoje” em todo o mundo é brasileira, negra e tem apenas 37 anos. A astrofísica capixaba Marcelle Soares-Santos acaba de ser reconhecida pela Fundação Alfred P. Sloan, que desde 1955 escolhe os mais proeminentes jovens cientistas para receber uma bolsa de US$ 70 mil para gastar de qualquer maneira que o bolsista julgar melhor em seu trabalho.

Professora assistente de Física na Universidade Brandeis, nos Estados Unidos, ela estuda a natureza da expansão acelerada do universo usando dados de alguns dos telescópios mais poderosos já construídos.

Soares-Santos coordena uma equipe no Fermilab, um dos mais renomados centros de pesquisa em física de partículas, que ajudou a detectar uma fusão de estrelas de nêutrons pela primeira vez e atualmente está ajudando a criar um método novo para determinar a constante de Hubble.

“Os Sloan Fellows se destacam pela criatividade, pelo trabalho duro, pela importância dos problemas que enfrentam e pela energia e inovação com as quais lidam com eles”, disse Adam F. Falk, presidente da fundação Sloan em um comunicado. “Ser Sloan Fellow é ser na vanguarda da ciência do século 21.”

Para se ter uma ideia da importância do prêmio, 47 dos vencedores da bolsa foram posteriormente reconhecidos pelo Nobel. “É uma honra receber a Bolsa de Pesquisa Sloan”, disse Soares-Santos. “Encontrar-me ao lado das pessoas de destaque que foram reconhecidas ao longo dos anos é o que me deixa mais orgulhosa com esse prêmio.”

Fonte: revistagalileu

agosto 31, 2018

Foto de eclipse solar feita por brasileiros ganha destaque na Nasa

O Astronomy Picture of the Day (foto de astronomia do dia), tradicional site de divulgação de fotos da Nasa, a agência espacial americana, destaca nesta segunda-feira (27) a imagem obtida pelo Projeto Kuaray, realizado em parceria por brasileiros e americanos, durante o eclipse solar total de 21 de agosto de 2017 (quase exatamente um ano atrás).

O registro foi captado por uma câmera de 360 graus instalada num balão estratosférico, lançado para que sua permanência no ar coincidisse com a fase de totalidade do eclipse em Idaho, nos EUA. A iniciativa é fruto de trabalho conjunto do CAsB (Clube de Astronomia de Brasília) e da UnB (Universidade de Brasília), em parceria com o Grupo Mutum, a Universidade Estadual de Montana e a própria Nasa.

A imagem mostra a circunferência da sombra da Lua projetada sobre o solo, conforme ela se interpõe entre o Sol e a Terra. Tão bela quanto impressionante.

Confira o vídeo em 360 abaixo.

Fonte: Folha.uol

 

agosto 10, 2018

Arqueólogos encontram ruínas de igreja em Armagedom

O fim de “Armagedon” está próximo. Pelo menos para a antiga prisão israelense que fica perto das ruínas de Megido. Depois de vários anos de atraso e muita burocracia, a prisão será transferida e o local será liberado para futuras escavações arqueológicas, previstas para 2021.

Entre os detentos de Armagedon estão militantes do Hamas e membros adeptos ao movimento da “jihad islâmica”. O nome da prisão pode ter sido um erro de tradução da palavra hebraica Har Meggido. O correto seria Monte Megido. Mas é assim que o local ficou conhecido desde então.

Estes nomes chamam a atenção dos cristãos pelos seus significados bíblicos. A palavra “Armagedon” é interpretada como o lugar onde acontecerá a batalha final entre o bem e o mal. E “Megido” é a localização geográfica dessa batalha.

Descobertas Arqueológicas

Em 2005, arqueólogos israelenses encontraram na prisão de Armagedon evidências de que ali existiu uma igreja que pode ter funcionado entre os séculos III e IV, provavelmente numa época em que os romanos perseguiam os cristãos. Onde parece ter sido uma sala de orações, havia um mosaico com a inscrição “Deus Jesus Cristo”.

O local que os arqueólogos passaram a chamar de “Grande Megido” foi escavado durante 18 meses e alguns artefatos foram encontrados. “Ficamos animados por um minuto, mas depois percebemos que há uma prisão de segurança máxima ali, então não poderíamos avançar com nossos planos”, disse Matthew Adams, diretor do W.F. Albright Institute of Archaeological Research.

Ele explica que agora que o governo decidiu mudar a prisão de local, será possível explorar a área para novas descobertas. As autoridades turísticas israelenses estão planejando um complexo no local para combinar arqueologia e turismo, visando o público cristão. Eles esperam atrair 300 mil visitantes ao ano, quase o dobro do número atual.

Fonte: gospelprime.com.br

julho 24, 2018

Gênio de 11 anos se forma na faculdade: “Quero provar que Deus existe através da ciência”

Captura de Tela 2018-07-24 às 14.33.26Um gênio de 11 anos, que já havia declarado sua intenção de se tornar um astrofísico para provar aos ateus que Deus existe, se formou no sábado (21) na Faculdade St. Petersburg, na Flórida, apenas dois anos depois de terminar o ensino médio.

“Quero provar que Deus existe através da ciência, para que o mundo possa saber”, disse William Maillis ao site Tampa Bay Times.

William acredita que o ateísmo e algumas partes da ciência dependem da fé e da religião. Ele argumenta que é mais provável que um poder maior tenha criado o universo do que um evento aleatório.

“A ciência e a religião não são diferentes. A ciência é uma ferramenta para explicar o mundo. A ciência não desmente Deus”, disse o garoto, que é filho de um sacerdote da Igreja Ortodoxa Helênica, em Palm Harbor.

William começou a montar frases completas aos sete meses, aprendeu a somar e subtrair aos dois anos e foi declarado um gênio aos cinco anos de idade. Ele acredita que seus dons são divinamente inspirados. “Todo mundo tem dons de Deus. Eu fui dotado de conhecimento, ciência e história”, disse William à WTFS.

Seu pai, Peter Maillis, disse que o atual desafio da família é arrecadar fundos para a faculdade, pois devido à idade, seu filho não pode se qualificar para o programa federal de auxílio financeiro para os estudos.

Nos Estados Unidos, é possível concluir o ensino médio mais cedo e entrar na faculdade através de um exame concedido pelo governo, independentemente da idade do estudante.

Tonjua Williams, presidente da Faculdade St. Petersburg, elogiou o desempenho do garoto. “Estou totalmente fascinado por William e pelo trabalho que ele fez”, disse ele ao Bay News 9. “Ele é extremamente brilhante, muito aberto e colaborativo”.

William vai iniciar aulas na Universidade do Sul da Flórida ainda este ano, com o objetivo de obter um PhD quando completar 18 anos.

Joanne Ruthsatz, ex-psicóloga da Universidade Estadual de Ohio que declarou William um gênio, disse que o histórico de autismo da família poderia explicar por que ele nasceu com tanta habilidade.

“Prodígios têm esse desejo de fazer o bem. Eles estão muito sintonizados com o bem maior da humanidade”, explica Ruthsatz.

Fonte: guiame.com.br

maio 25, 2018

As civilizações perdidas da Amazônia e a evangelização dos indígenas

Após 10 anos de pesquisas, arqueológicas no Alto Xingu, cientistas do Brasil e dos EUA constataram que, antes de Colombo, os índios da região moravam em conglomerados comparáveis a algumas cidades da Grécia ou da Idade Média.

Há 2.000 anos, essas cidades de até 50 hectares eram dotadas de muros, praças e centros cerimoniais, e estavam ligadas por uma densa rede de estradas.

Excavações no Alto Xingu

Seus habitantes desmatavam, construíam canais, tinham roças, pomares, tanques para criar tartarugas, pescavam em larga escala e faziam uso contínuo e sistemático da terra.

As conclusões desses trabalhos foram sendo publicadas numasérie de artigosda reputada “Science”, revista da Associação Americana para o Progresso da Ciência (American Association for the Advancement of Science ‒ AAAS).

Na região amazônica de Beni, Bolívia, arqueólogos haviam observado de avião o traçado muito bem definido de canalizações e divisórias de roças, bem como a existência de intrigantes “terras negras”, que só podiam provir da adubação.

Os trabalhos tiveram dificuldades para avançar devido à hostilidade dos ambientalistas.

Para o escritor científico Charles C. Mann, autor de “1491”, obra que ganhou o prêmio da U.S. National Academy of Sciences para o melhor livro do ano (2005), os ambientalistas temiam que o trabalho científico trouxesse um desmentido ao “prístino mito”.

O livro premiado sobre cidades perdidas

Segundo esse mito ideológico e teológico, antes da descoberta e evangelização de América, os índios viviam num relacionamento edênico com a selva amazônica.

Pertencendo eles, porém, ao gênero humano, é natural que fizessem o que os homens fazem e sempre fizeram: construir casas, cidades e estradas, plantar, criar animais para se alimentar, tecer para se vestir e acumular para garantir o sustento de seus filhos.

Muitas das observações dos cientistas já haviam sido parcialmente publicadas, e as fotos podem se obter na Internet.

O antropólogo Carlos Fausto e a linguista Bruna Franchetto, ambos do Museu Nacional, estiveram entre os pesquisadores no Alto Xingu; como também o arqueólogo americano Michael Heckenberger, da Universidade da Flórida, autor principal do estudo.

Para Heckenberger, o planejamento urbano amazônico pré-Colombo era mais complicado que o da Europa medieval, e incluía, segundo Fausto, “uma distribuição geométrica precisa”.

A diferença dos tons de verde patenteia a adubação das terras em tempos remotos

Ficou assim comprovado que a Amazônia pré-colombiana viu florescer remarcáveis concentrações urbanas.

Na plenitude de sua expansão, a civilização do Xingu incluía 50 mil habitantes, dotados de autoridades políticas e religiosas que governavam as cidades menores a partir das principais.

Algumas de suas estradas – que podiam ter entre 20 e 50 metros de largura – foram identificadas como tendo cinco quilômetros de extensão. Para atravessar alagamentos foram construídas pontes, elevações de terreno e canais para canoas.

Também foram erigidas barragens que formavam lagos artificiais, sinais que mostram o grau de civilização daquele conjunto humano.

Os pesquisadores detectaram perto de 15 grupos principais de aldeias, espalhados numa superfície de dois milhões de hectares.

As cidades tinham formas geométricas, muros e fossos protetores, visíveis após o desmatamento

As tradições orais dos índios kuikuro – habitantes da região que, segundo Fausto, “têm um nome para cada uma das aldeias” – orientaram as pesquisas e foram confirmadas pelos achados. Existiram, portanto, civilizações política, religiosa, econômica e culturalmente definidas.

O arqueólogo Heckenberger sublinha que aquilo que até agora se supunha ser “uma floresta tropical virgem”, de fato é uma região altamente influenciada pela ação humana.

Segundo o arqueólogo, o planejamento urbano amazônico pré-histórico era mais complicado que o da Europa medieval. “Lá você tinha a “town” [vila] e a “hinterland” [zona rural] sem integração. Aqui estava tudo junto”, diz.

Mapa satelital das “cidades jardim” no Alto Xingu

“A organização espacial xinguana também denota uma hierarquia política entre vilas que remete às cidades-estado gregas. Cada “aglomerado galáctico” era um centro independente de poder, que provavelmente mantinha relações com outros aglomerados.

“Você não encontra uma capital da região”, diz Carlos Fausto. “O maior nível de organização é a vila cerimonial”.

Embora o escopo dos trabalhos no Alto Xingu e no Beni fosse apenas científico, eles acabaram por mostrar que o mito de uma floresta intocada é um sonho ideológico anti-histórico.

Uma propaganda da qual o ambientalismo e o comuno-tribalismo são useiros e vezeiros quer fazer crer que o próprio da cultura dos índios da Amazônia é de viverem como selvagens, vagando nus pelo mato e incapazes por natureza de constituir uma civilização.

Segundo tal propaganda, essa forma de vida selvagem seria uma fase da evolução do macaco ao homem.

Localização de “civilizações perdidas” já detetadas na Amazônia.
Fonte: “Washington Post”

E, mais ainda, os civilizados teríamos sido “desviados” da evolução “boa” pela civilização.

Agora se pode, a partir de dados científicos, sustentar com tranquilidade que a lamentável situação em que vivem certos índios não é decorrente de uma fatalidade cultural imposta pela “evolução”, mas sim uma decadência de povos que tiveram uma cultura mais alta.

Obviamente, esta constatação é um convite para ajudar esses índios a se recuperarem, inclusive do ponto de vista civilizatório.

As descobertas patenteiam um princípio que sempre orientou a obra missionária da Igreja: embora pagãos e decaídos, os índios são seres humanos beneficiados pelos frutos infinitos da Redenção conquistados por Nosso Senhor Jesus Cristo no alto da Cruz.

Assim, também a eles se aplica o mandamento evangélico: “Ide e evangelizai todos os povos”.

É portanto injusto e anticristão atribuir-lhes uma condição de entes integrados na floresta, privados de entrar em contato com a civilização, de progredir e receber a pregação da Palavra de Deus; em suma, de se tornarem parte da grei abençoada da Santa Igreja Católica.

Marcas das antigas cidades e vias de comunicação

Eles têm alma e estão chamados a serem filhos de Deus, a conhecerem a Igreja, a receber a graça divina e conquistar a vida eterna!

Se outra prova fosse necessária, os referidos achados arqueológicos apontam-nos como provenientes de um elevado estágio civilizatório que defeitos e/ou vícios morais rebaixaram até o lamentável estado em que se encontram.

Porém, nada disso pode ser empecilho para levar até eles as palavras de salvação da Igreja, a graça do batismo e os sacramentos, sinais sensíveis da graça divina.

E, junto com a vida sobrenatural, os tesouros culturais da Civilização Cristã.

As descobertas no Alto Xigu constituem assim mais um estímulo caritativo à obra de evangelização dos indígenas. Evangelização que é ponto de partida natural para uma cultura genuinamente cristã e brasileira.

Os silvícolas serão destarte beneficiados com a plenitude de bens hauridos pelos filhos de Deus na Santa Igreja Católica em decorrência da prática de seus santos e salutares ensinamentos.

Fonte: cienciaconfirmaigreja.blogspot.com.br

maio 18, 2018

Nasa planeja lançar primeiro helicóptero a Marte em 2020

A agência espacial americana disse na última sexta-feira (11/5) que planeja lançar o primeiro helicóptero a Marte em 2020, um veículo em miniatura não-tripulado que poderia ajudar a melhorar nossa compreensão sobre o Planeta Vermelho.
Conhecido simplesmente como “The Mars Helicopter”, o dispositivo pesa menos de 1,8 kg, e sua seção principal do corpo, ou fuselagem, é aproximadamente do tamanho de uma bola de futebol.
Ele será anexado à barriga do Mars 2020, um robô de rodas que busca determinar a habitabilidade do ambiente marciano, procurar sinais da vida antiga e avaliar os recursos naturais e os perigos para futuros exploradores humanos.
O Mars 2020 deverá ser lançado em julho de 2020, e sua chegada à superfície de Marte está prevista para fevereiro de 2021. O empreendimento começou em agosto de 2013 como um projeto de desenvolvimento de tecnologia no Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa.
Para voar na fina atmosfera de Marte, o helicóptero espacial deve ser super leve, mas o mais potente possível. “O recorde de altitude de um helicóptero voando aqui na Terra é de cerca de 12.100 metros”, disse Mimi Aung, gerente de projeto do Mars Helicopter no Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa.
“A atmosfera de Marte é apenas 1% da da Terra, então quando nosso helicóptero está na superfície marciana, já está no equivalente da Terra a 30.500 metros”, acrescentou. O helicóptero é equipado com “células solares para carregar suas baterias de íons de lítio e um mecanismo de aquecimento para mantê-lo aquecido nas frias noites de Marte”.
Os controladores da Terra comandarão o helicóptero Mars, projetado para receber e interpretar comandos do solo. A Nasa disse que considera o helicóptero uma “demonstração de tecnologia de alto risco e alta recompensa”. Se for bem-sucedido, poderia ser um modelo para explorar nas futuras missões de Marte, capaz de acessar lugares que os robôs não podem alcançar.

maio 1, 2018

Uso do vírus zika contra câncer abre caminho a novos tratamentos em humanos

O zika surgiu na África, mas o aumento de casos de infecção fez com que o vírus se espalhasse pelo mundo. Essas viagens provocaram alterações perigosas nesse agente infeccioso. A versão brasileira, por exemplo, é a única que causa microcefalia, problema de má-formação neural de fetos. Esse impacto nas células cerebrais, extremamente perigoso, foi usado como uma arma por cientistas da Universidade de São Paulo, que trataram tumores neurais humanos em ratos com o vírus. A experiência foi altamente positiva, com a eliminação completa de cânceres considerados comuns à infância, em cobaias. Os resultados estão na última edição da revista Cancer Research e podem contribuir para o surgimento de  tratamentos mais eficazes na área oncológica.

Por meio da análise de amostras de tumores, os cientistas brasileiros notaram que a linhagem de células cancerígenas era bastante parecida com a de células-tronco neurais. A semelhança fez com que os pesquisadores levantassem a hipótese de que o zika poderia ser usado no combate aos tumores. “Pensamos que, se o vírus afeta as células neurais causando a microcefalia, ele também poderia combater o câncer já que suas estruturas são similares”, explicou ao Correio Carolini Kaid,  pesquisadora da USP e primeira autora do estudo.

Os cientistas testaram, em laboratório, a ação do vírus brasileiro em células de tumores de próstata, mama e cólon, bem como em três linhagens de tumores embrionários cerebrais. O zika se mostrou mais efetivo no combate aos últimos. Ele também foi avaliado em culturas tridimensionais, com efeito ainda mais perceptível, o que reforçou a preferência do zika pelos tumores embrionários cerebrais. “Vimos que ele não tinha grandes efeitos no câncer de mama e de cólon, mas, depois de apenas três dias, ele já matava as células dos tumores neurais. O cancro de próstata também sofreu impacto, só que menor. Acreditamos que isso tenha a ver com o fato de o zika se alojar nos testículos dos homens, mas ainda não investigamos essa questão a fundo”, detalhou Kaid.

Com base nos resultados iniciais, os cientistas testaram a ação do vírus em ratos. Os animais receberam enxertos de células humanas derivadas de dois tipos de tumores embrionários: meduloblastoma e o tumor teratoide rabdoico atípico, cancros que afetam principalmente crianças com menos de 5 anos. “Depois da leucemia, esses dois são os tipos mais comuns de câncer em crianças, e são bastante agressivos. No caso do meduloblastoma, por exemplo, mesmo os pacientes que sobrevivem, muitas vezes, precisam viver com sequelas. Eles sofrem um impacto no seu desenvolvimento neural”, ressaltou a principal autora do estudo.
Os tumores regrediram em 20 dos 29 roedores tratados com o vírus zika. Em sete deles, a remissão foi completa e o cancro desapareceu. Em alguns casos, o vírus também foi efetivo contra metástases (quando o câncer se espalha para outros órgãos) — ou eliminou o tumor secundário, ou estimulou sua remissão. “Acompanhamos os camundongos uma vez por semana e tivemos uma surpresa quando vimos uma regressão total, em média de três a quatro semanas após o início do tratamento”, destacou Kaid.

Segurança

Na avaliação dos pesquisadores brasileiros, um dos pontos positivos da pesquisa foi a segurança constatada no tratamento, uma vez que o zika atacou apenas as células tumorais, sem causar infecções aos ratos tratados. “Vimos que, quando colocávamos apenas o vírus, o rato morria em duas semanas, mas, se inseríamos o vírus com o tumor, o zika aumentava a sobrevida do animal”, especificou Carolini Kaid. A autora do estudo explicou que isso ocorre porque o zika prefere as células tumorais, e depois de combatê-las, perde seu poder. “Fomos investigar a causa e vimos que o tumor dentro do corpo funciona como uma esponja. O zika prefere as células tumorais. E, depois de atacá-las, ele deixa de ser infectante. É como se o tumor consertasse o vírus”, resumiu a cientista.

Por causa da segurança e do combate eficaz aos tumores nos roedores, os pesquisadores pretendem realizar testes com humanos em uma próxima etapa. “Vamos entrar em contato com os órgãos reguladores e pretendemos dar continuidade ao trabalho com humanos. É importante destacar que esse é um estudo completamente brasileiro, que usou o vírus do Instituto Butantan e amostras de pacientes daqui”, frisou Kaid.

Fernando Cotait Maluf, fundador do Instituto Vencer o Câncer e chefe do Centro de Oncologia do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, assinalou que o estudo brasileiro usou uma estratégia que tem sido bastante explorada na área de tumores. “Existe uma série de pesquisas com outros vírus usados contra o tumor, como o herpes, por exemplo. É o que chamamos de vírus oncolíticos, que podem ser usados como arma potencial contra os tumores, algo que tem sido bastante utilizado. São dados interessantes, mas ainda muito preliminares, que precisam de estudos mais maduros, com humanos, para testar ainda mais a segurança da técnica”, ponderou o especialista, que não participou do estudo.
Os cientistas da USP apontaram que outro ponto importante, que pode render frutos futuros, foi a identificação de uma via molecular chamada Wnt como um dos mecanismos principais nos efeitos positivos do zika. “Vimos que essa via, que é mais ativa na fase fetal, quando era ativada influenciava mais na ação do vírus. Quando ela era silenciada, ele tinha um impacto menor. Essa informação pode ajudar a gerar o mesmo efeito de combate do zika em outros tipos de tumores”, salientou a autora.
Para Fernando Maluf, explorar o uso do zika no tratamento de outros tipos de cancros é um caminho que deveria ser mais abordado. “Esses tumores do estudo representam apenas uma pequena parcela na área mundial. Seria ainda mais interessante fazer com que ele atingisse outros tipos de tumores, os que são mais frequentes na população, como o glioblastoma multiforme, câncer cerebral de alta incidência, que é muito difícil de ser tratado”, opinou o oncologista.

Palavra de especialista

“Holofote no fim do túnel”

“Os resultados in vitro e in vivo dessa pesquisa foram bastante positivos, porém é preciso avaliar em humanos, e sabemos que o genoma do homem é diferente, o que pode influenciar os resultados. Por isso, mais testes são necessários. Mesmo assim, essa é uma notícia positiva, pois dá esperança às mães. Tenho muitos pacientes que sofrem com essas enfermidades e vejo como para eles é difícil. Essa não seria apenas uma luz, mas sim um holofote no fim do túnel, na esperança de um tratamento. E o interessante é ver como esses cientistas usam um mecanismo ligado a algo ruim, a microcefalia, em um ponto positivo. Uma estratégia altamente criativa”
Fabiana Mendes, pediatra e Presidente do departamento de Saúde Escolar e de Pediatria do Desenvolvimento da Sociedade de Pediatria do Distrito Federal (SPDF)

março 30, 2018

O que os historiadores dizem sobre a real aparência de Jesus

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Concepção artística do designer gráfico especialista em reconstituição facial forense Cícero Moraes mosta que judeus que viviam no Oriente Médio no século 1 tinham a pele, o cabelo e os olhos escuros (Foto: Cícero Moraes/BBC Brasil)

Foram séculos e séculos de eurocentrismo – tanto na arte quanto na religião – para que se sedimentasse a imagem mais conhecida de Jesus Cristo: um homem branco, barbudo, de longos cabelos castanhos claros e olhos azuis. Apesar de ser um retrato já conhecido pela maior parte dos cerca de 2 bilhões de cristãos no mundo, trata-se de uma construção que pouco deve ter tido a ver com a realidade.

O Jesus histórico, apontam especialistas, muito provavelmente era moreno, baixinho e mantinha os cabelos aparados, como os outros judeus de sua época.

A dificuldade para se saber como era a aparência de Jesus vem da própria base do cristianismo: a Bíblia, conjunto de livros sagrados cujo Novo Testamento narra a vida de Jesus – e os primeiros desdobramentos de sua doutrina – não faz qualquer menção que indique como era sua aparência.

“Nos evangelhos ele não é descrito fisicamente. Nem se era alto ou baixo, bem-apessoado ou forte. A única coisa que se diz é sua idade aproximada, cerca de 30 anos”, comenta a historiadora neozelandesa Joan E. Taylor, autora do recém-lançado livro What Did Jesus Look Like? e professora do Departamento de Teologia e Estudos Religiosos do King’s College de Londres.

“Essa ausência de dados é muito significativa. Parece indicar que os primeiros seguidores de Jesus não se preocupavam com tal informação. Que para eles era mais importante registrar as ideias e os papos desse cara do que dizer como ele era fisicamente”, afirma o historiador André Leonardo Chevitarese, professor do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor do livro Jesus Histórico – Uma Brevíssima Introdução.

Em 2001, para um documentário produzido pela BBC, o especialista forense em reconstruções faciais britânico Richard Neave utilizou conhecimentos científicos para chegar a uma imagem que pode ser considerada próxima da realidade. A partir de três crânios do século 1, de antigos habitantes da mesma região onde Jesus teria vivido, ele e sua equipe recriaram, utilizando modelagem 3D, como seria um rosto típico que pode muito bem ter sido o de Jesus.

Esqueletos de judeus dessa época mostram que a altura média era de 1,60 m e que a grande maioria deles pesava pouco mais de 50 quilos. A cor da pele é uma estimativa.

Ilustração feita por especialista Richard Neave para documentário da BBC em 2001 (Foto: BBC)Ilustração feita por especialista Richard Neave para documentário da BBC em 2001 (Foto: BBC)

Ilustração feita por especialista Richard Neave para documentário da BBC em 2001 (Foto: BBC)

Taylor chegou a conclusões semelhantes sobre a fisionomia de Jesus. “Os judeus da época eram biologicamente semelhantes aos judeus iraquianos de hoje em dia. Assim, acredito que ele tinha cabelos de castanho-escuros a pretos, olhos castanhos, pele morena. Um homem típico do Oriente Médio”, afirma.

“Certamente ele era moreno, considerando a tez de pessoas daquela região e, principalmente, analisando a fisionomia de homens do deserto, gente que vive sob o sol intenso”, comenta o designer gráfico brasileiro Cícero Moraes, especialista em reconstituição facial forense com trabalhos realizados para universidades estrangeiras. Ele já fez reconstituição facial de 11 santos católicos – e criou uma imagem científica de Jesus Cristo a pedido da reportagem.

“O melhor caminho para imaginar a face de Jesus seria olhar para algum beduíno daquelas terras desérticas, andarilho nômade daquelas terras castigadas pelo sol inclemente”, diz o teólogo Pedro Lima Vasconcellos, professor da Universidade Federal de Alagoas e autor do livro O Código da Vinci e o Cristianismo dos Primeiros Séculos.

Outra questão interessante é a cabeleira. Na Epístola aos Coríntios, Paulo escreve que “é uma desonra para o homem ter cabelo comprido”. O que indica que o próprio Jesus não tivesse tido madeixas longas, como costuma ser retratado. “Para o mundo romano, a aparência aceitável para um homem eram barbas feitas e cabelos curtos. Um filósofo da antiguidade provavelmente tinha cabelo curto e, talvez, deixasse a barba por fazer”, afirma a historiadora Joan E. Taylor.

Chevitarese diz que as primeiras iconografias conhecidas de Jesus, que datam do século 3, traziam-no como um jovem imberbe e de cabelos curtos. “Era muito mais a representação de um jovem filósofo, um professor, do que um deus barbudo”, pontua ele.

“No centro da iconografia paleocristã, Cristo aparece sob diversas angulações: com o rosto barbado, como um filósofo ou mestre; ou imberbe, com o rosto apolíneo; com o pálio ou a túnica; com o semblante do deus Sol ou de humilde pastor”, contextualiza a pesquisadora Wilma Steagall De Tommaso, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e do Museu de Arte Sacra de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Teologia e Ciências da Religião.

Imagens

Joan acredita que as imagens que se consolidaram ao longo dos séculos sempre procuraram retratar o Cristo, ou seja, a figura divina, de filho de Deus – e não o Jesus humano. “E esse é um assunto que sempre me fascinou. Eu queria ver Jesus claramente”, diz.

A representação de Jesus barbudo e cabeludo surgiu na Idade Média, durante o auge do Império Bizantino. Como lembra o professor Chevitarese, eles começaram a retratar a figura de Cristo como um ser invencível, semelhante fisicamente aos reis e imperadores da época. “Ao longo da história, as representações artísticas de Jesus e de sua face raras vezes se preocuparam em apresentar o ser humano concreto que habitou a Palestina no início da era cristã”, diz o sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

“Nas Igrejas Católicas do Oriente, o ícone de Cristo deve seguir uma série de regras para que a imagem transmita essa outra percepção da realidade de Cristo. Por exemplo, a testa é alta, com rugas que normalmente se agrupam entre os olhos, sugerindo a sabedoria e a capacidade de ver além do mundo material, nas cenas com várias pessoas ele é sempre representado maior, indicando sua ascendência sobre o ser humano normal, e na cruz é representado vivo e na glória, indicando, desde aí, a sua ressurreição.”

Como a Igreja ocidental não criou tais normas, os artistas que representaram Cristo ao longo dos séculos criaram-no a seu modo. “Pode ser uma figura doce ou até fofa em muitas imagens barrocas ou um Cristo sofrido e martirizado como nas obras de Caravaggio ou Goya”, pontua Ribeiro Neto. “O problema da representação fiel ao personagem histórico é uma questão do nosso tempo, quando a reflexão crítica mostrou as formas de dominação cultural associadas às representações artísticas”, prossegue o sociólogo. “Nesse sentido, o problema não é termos um Cristo loiro de olhos azuis. É termos fiéis negros ou mulatos, com feições caboclas, imaginando que a divindade deve se apresentar com feições europeias porque essas representam aqueles que estão ‘por cima’ na escala social.”

Essa distância entre o Jesus “europeu” e os novos fiéis de países distantes foi reduzida na busca por uma representação bem mais aproximada, um “Jesus étnico”, segundo o historiador Chevitarese. “Retratos de Jesus em Macau, antiga colônia portuguesa na China, mostram-no de olhos puxados, com a forma de se vestir própria de um chinês. Na Etiópia, há registros de um Jesus com feições negras.”

O ator Jim Caviezel interpretou Jesus no filme 'A Paixão de Cristo', de 2004, dirigido por Mel Gibson (Foto: Icon Productions/Divulgação)O ator Jim Caviezel interpretou Jesus no filme 'A Paixão de Cristo', de 2004, dirigido por Mel Gibson (Foto: Icon Productions/Divulgação)

O ator Jim Caviezel interpretou Jesus no filme ‘A Paixão de Cristo’, de 2004, dirigido por Mel Gibson (Foto: Icon Productions/Divulgação)

No Brasil, o Jesus “europeu” convive hoje com imagens de um Cristo mais próximo dos fiéis, como nas obras de Cláudio Pastro (1948-2016), considerado o artista sacro mais importante do país desde Aleijadinho. Responsável por painéis, vitrais e pinturas do interior do Santuário Nacional de Aparecida, Pastro sempre pintou Cristo com rostos populares brasileiros.

Para quem acredita nas mensagens de Jesus, entretanto, suas feições reais pouco importam. “Nunca me ocupei diretamente da aparência física de Jesus. Na verdade, a fisionomia física de Jesus não tem tanta importância quanto o ar que transfigurava de seu olhar e gestos, irradiando a misericórdia de Deus, face humana do Espírito que o habitava em plenitude. Fisionomia bem conhecida do coração dos que nele creem”, diz o teólogo Francisco Catão, autor do livro Catecismo e Catequese, entre outros.

Joaquin Phoenix interpretou Jesus no filme 'Maria Madalena', de 2018 (Foto: Divulgação)Joaquin Phoenix interpretou Jesus no filme 'Maria Madalena', de 2018 (Foto: Divulgação)

Joaquin Phoenix interpretou Jesus no filme ‘Maria Madalena’, de 2018 (Foto: Divulgação)

Fonte: g1.globo.com