janeiro 29, 2020

Dois milênios após a morte de São Paulo restauradores descobriram sua mais antiga imagem

Em 19 de junho de 2009 foi descoberta a mais antiga representação conhecida de São Paulo. Ela se remonta ao fim do século IV.


Arqueólogos no momento que desvendaram a pintura.

Segundo informaram as agências ReutersAleteia Zenit, entre outras, foi localizada enquanto se praticavam escavações na catacumba de Santa Tecla, na via Ostiense, não longe da basílica do Apóstolo, fora das antigas muralhas de Roma.

Os arqueólogos limpavam com raios laser uma abóbada quando descobriram um exuberante afresco.

No centro estava representado o Bom Pastor. Em volta, tinha quatro círculos com as esfinges de São Pedro, São Paulo, e mais dos apóstolos.

Os arqueólogos Fabrizio Bisconti e Barbara Mazzei forneceram todos os detalhes da descoberta. Bisconti, que é secretario da Pontifícia Comissão de Arqueologia Sacra e presidente da Academia Pontifícia do Culto dos Mártires, ponderou que “pode ser considerado o ícone mais antigo do Apóstolo encontrado até agora”.

O achado, entretanto, suscitou mal-estar entre aqueles ‒ inclusive “católicos de esquerda” ‒ que gostam dizer que a tradição da Igreja Católica baseia-se em mitos inverificáveis.

Na pintura, São Paulo aparece com um ar pensativo, olhar penetrante, a frente alta e barba em ponta.

Aquela face, uma vez indo a Damasco para perseguir os cristãos, viu subitamente Nosso Senhor que lhe apareceu envolvido numa nuvem de luz e o derrubou por terra.

‒ “Saulo! Saulo! Por quê me persegues?” (Atos, 9, 4-ss)

Ele então perguntou:

‒ “Quem és, Senhor?”

‒ “Eu sou Jesus a quem tu persegues! Duro te é recalcitrar contra o aguilhão.”

São Paulo tremeu. O sopro da graça há tempo vinha chamando o Paulo para se converter, e ele recalcitrava. E Nosso Senhor lhe disse:

‒ “Levanta-te, entra na cidade. E aí te será dito o que deves fazer”. (Atos, 9, 4-ss)

O murro tinha valido. Paulo estava embasbacado e com medo. Levou um tranco que sacudiu sua alma.

Mas, respondeu com o radicalismo dele. Não perdeu tempo. Viu que estava errado, pôs-se logo ao serviço de Deus.

Saulo levantou-se cego! Foi tateando, passo ante passo, pé ante pé, sem saber se ficaria cego a vida inteira.

Ele, o grande Paulo, fariseu, excelente e ilustre, entrou como uma criança cega, conduzido por outro na cidade de Damasco.

A cena foi de uma violência peculiar. Pois, Paulo era, ele próprio, muito violento.

Prova disso é que quando Deus, em sonhos, aconselhou Ananias acolhê-lo.

Ananias respondeu, segundo os Atos dos Apóstolos (Atos, 9, 13-ss):

‒ “Senhor, muitos já me falaram deste homem, quantos males fez aos teus fiéis em Jerusalém. E aqui ele tem poder dos príncipes dos sacerdotes para prender a todos aqueles que invocam o teu nome.”

Mas Deus lhe respondeu:

‒ “Vai, porque este homem é para mim um instrumento escolhido, que levará o meu nome diante das nações, dos reis e dos filhos de Israel”.

Ananias então entrou na casa e pondo as mãos sobre ele, disse:

‒ “Saulo, meu irmão, o Senhor, esse Jesus que te apareceu no caminho, enviou-me para que recobres a vista e fiques cheio do Espírito Santo.”

E acrescentam os Atos dos Apóstolos:

“No mesmo instante caíram dos olhos de Saulo umas como escamas, e recuperou a vista. Levantou-se e foi batizado.

“Depois tomou alimento e sentiu-se fortalecido. Demorou-se por alguns dias com os discípulos que se achavam em Damasco.

“Imediatamente começou a proclamar pelas sinagogas que Jesus é o Filho de Deus.

“Todos os seus ouvintes pasmavam e diziam: Este não é aquele que perseguia em Jerusalém os que invocam o nome de Jesus? Não veio cá só para levá-los presos aos sumos sacerdotes?

“Saulo, porém, sentia crescer o seu poder e confundia os judeus de Damasco, demonstrando que Jesus é o Cristo.” (Atos, 9, 18-ss)

Quem sabe se esta descoberta não traz uma mensagem para nós, para o mundo.

Não precisaríamos de uma “queda” como a de São Paulo, uma chacoalhada providencial, para o mundo, nós mesmos, endereçar nossos caminhos e nos engajar pela causa da Igreja?

Fonte: cienciaconfirmaigreja

janeiro 28, 2020

Você não precisa gastar tanto para conseguir explorar o céu

Você adora astronomia. Gosta tanto, tanto mesmo, que quer sair para comprar aquele telescópio bacana e passar a noite toda desvendando os céus. E agora, o que fazer? Escuto muito essa pergunta, e tenho algumas dicas para quem quer começar nessa aventura. Vamos lá então.

Qual telescópio devo comprar? Na minha opinião, nenhum. É isso mesmo. Pelo menos para iniciantes, telescópios não são necessariamente a melhor ideia. São caros e difíceis de utilizar na maioria das vezes.

A melhor solução é, na verdade, um binóculo. É algo muito mais portátil, fácil de carregar, e principalmente se você mora em uma cidade grande, não vai conseguir ver muita coisa mesmo nos céus contaminados pela poluição luminosa.

Com bons binóculos – mais baratos que os telescópios, inclusive – você pode ir para um lugar escuro, afastado de centros urbanos, e aproveitar muito. Sugiro algo como 8×40, o que significa um aumento de 8x (já dá pra ver bastante coisa) e abertura de 40 mm (quanto maior a abertura, mais luz entra, e fica mais fácil de ver objetos mais fracos). No máximo um 10×50 para começar, mais que isso é muito pesado para aguentar com a mão.

Se você gostar da coisa, aí vale investir em um telescópio bacana. Mas a qualidade óptica é fundamental! Não compre aquelas lunetas baratas que prometem aumentos de centenas de vezes! São dinheiro jogado fora: a imagem fica borrada e você vai ver muito menos que com bons binóculos.

Tenho binóculos, o que faço agora? Você pode estar se perguntando, dá para observar algo com um binóculo? Pode acreditar, mesmo com um aumento de 10x, já dá para ver muita coisa. Aponte pra Lua e você vai entender o que eu digo. Conseguir ver as crateras é uma experiência e tanto.

Mas você pode querer mais, e tem toda a razão. Tem gente que pensa em olhar estrelas com binóculos ou telescópios, e o resultado em geral é… decepcionante. Afinal, uma estrela é um pontinho brilhante no telescópio também.

No entanto, não se preocupe, há muitos objetos lindos no céu para apreciar. Aglomerados de estrelas, planetas, nebulosas. Muitos destes astros estão ao alcance de binóculos. O problema é encontrar.

(Breve parênteses para uma confissão: sou astrônomo profissional, mas também sou péssimo encontrando objetos no céu. Sei fazer isso matematicamente, mas não me peça para apontar para sua constelação favorita!)

Nesse caso, algo que me ajuda muito são os aplicativos de telefone. Dois que posso recomendar são o Sky Map (grátis – está disponível no Google Play) e o Stellarium (pago – disponível no Google Play e no App Store). São softwares geniais: você pode apontar o telefone para o céu e ele te diz o que está na frente. Ou então você pode fazer uma busca por objetos interessantes, e o aplicativo te leva até lá.

Saia e aproveite! Agora é só sair e se divertir. Volto a dizer, dá para fazer algo de uma cidade grande, mas a contaminação luminosa impede que vejamos muitas coisas. O mais legal é quando você pode ir para algum lugar bem escuro, no campo ou na praia, e aproveitar uma noite de céus limpos.

Algumas últimas dicas: a Lua é linda, mas você consegue ver melhor as outras coisas sem ela. Afinal, o céu fica bem mais claro, principalmente com Lua cheia. Aliás, para ver a própria Lua, o melhor é evitar a Lua cheia. Na crescente, por exemplo, a luz do Sol bate de lado, e podemos ver muito melhor as sombras das crateras.

Por último, lembre-se de que você pode aproveitar até mesmo sem binóculos! Em um lugar mais escuro é possível ver a Via Láctea, a própria galáxia que habitamos, como um traço de estrelas leitoso (daí o nome) atravessando os céus.

O importante é curtir. Contemplar o universo e lembrar de como somos pequenos diante de toda essa imensidão. Uma sensação ao mesmo tempo de espanto e inspiração, inesquecível.

  ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Fonte: Coluna Thiago Signorini Gonçalves – Portal Uol

janeiro 22, 2020

Israel combate ação subterrânea do Hezbollah com novo sistema de defesa de túneis

No último domingo (19), militares israelenses iniciaram uma operação para a instalação do novo sistema de defesa de túneis ao longo da fronteira, com o objetivo de impedir ação subterrânea do grupo terrorista Hezbollah, do Líbano, que é apoiado pelo Irã.

As Forças de Defesa de Israel (IDF) estão atuando ao longo da fronteira com o Líbano, iniciando a construção do sistema de defesa subterrânea, que usará tecnologia sofisticada para detectar túneis transfronteiriços do Hezbollah.

Nos últimos meses o grupo terrorista tem atuado para tentar criar túneis que possibilitem a invasão do país, a fim de promoverem ataques contra o Exército de Israel.

Segundo informou a CBN News, o último túnel encontrado tinha uma milha de extensão, o que equivale a 1,6 quilômetros, além de uma profundidade equivalente a um prédio de 22 andares.

Um porta-voz da IDF, Jonathan Conricus, informou que o túnel estava quase operacional quando foi descoberto e que integrantes do Hezbollah pretendiam usá-lo para entrar no território israelense e invadir uma das comunidades.

Fonte: gospelprime

janeiro 15, 2020

Estagiário de 17 anos descobre novo planeta em terceiro dia na Nasa

Wolf Cukier, de 17 anos, descobriu no seu terceiro dia de estágio de verão na agência espacial americana (Nasa), um planeta com dois sois, a 1.300 anos-luz da Terra. O jovem fazia parte de uma comissão para analisar dados de um satélite. 
De acordo com a rede de TV BBC, ainda falta um ano para Cukier terminar o ensino médio em Nova York (EUA). Apesar disso, ele conseguiu um estágio de verão em um grupo de voluntários, o Goddard Space Flight Center, instituto de pesquisa da Nasa em Greenbelt, no estado de Maryland, no Leste dos EUA.
A missão do estagiário era analisar o Satélite de Pesquisa Exoplaneta em Transição (Tess) para estudar como duas estrelas se cruzaram e formariam um eclipse solar. O satélite tem quatro câmeras que registram um pedaço do espaço a cada 30 minutos, ao longo de 27 dias. Ele é conhecido informalmente como o “caçador de planetas”.
Continua depois da publicidadeOs olhos do estagiário notaram, no entanto, algo incomum na órbita de duas estrelas que bloqueiam a luz, “encontrando” o planeta. A descoberta foi feita no meio do ano passado, mas só veio a público há poucos dias depois de ter passado por checagem no programa Eleanor. 

Fonte: correioraziliense.com.br

janeiro 7, 2020

Desenho de demônio é encontrado em tábua de argila de mais de 2.700 anos

Assírios acreditavam que a epilepsia era causada por um demônio com chifres e língua de cobra.

Um pesquisador da Universidade de Copenhague encontrou o desenho de um demônio com língua bifurcada em uma tábua de argila assíria de 2.700 anos.

Troels Pank Arbøll encontrou o desenho ao analisar escritos antigos no Museu Vorderasiatisches, em Berlim, quando viu que estava diante de uma imagem de demônio retratado com chifres, cauda e língua bifurcada como de cobra.

A tábua de argila pertencia a uma biblioteca de uma família de exorcistas que viveu em Assur, hoje norte do Iraque, por volta de 650 a.C. Arbøll, porém, acredita que os escritos foram copiados de um documento muito mais antigo.

Segundo o LiveScience, a tabuleta é escrita em cuneiforme – um sistema muito antigo de letras formado pressionando uma caneta triangular na argila amolecida.

Na época o demônio era culpado por ataques epiléticos, tanto que a inscrição da tábua descreve curas para convulsões, contrações musculares e outros movimentos musculares involuntários – uma aflição chamada “Bennu” pelos assírios e agora interpretada como sintomas de epilepsia.

“Fui o primeiro a perceber o desenho, apesar de o texto ter sido conhecido pelos pesquisadores há décadas”, disse Arbøll ao Live Science, “então ele não é visto com facilidade hoje, a menos que se saiba que existe devido aos danos causados ​​no manuscrito”.

Tábua de argila redesenhada. (Foto: © Staatliche Museen zu Berlin – Vorderasiatisches Museum)

“Demônio da epilepsia”

Arbøll determinou os contornos do desenho danificado ao longo dos meses que se seguiram à sua descoberta; o texto, sugere, mostra o demônio que causa Bennu em nome do deus da lua mesopotâmico Sîn.

Os antigos assírios acreditavam que a epilepsia estava relacionada à loucura e que ambas eram causadas pelo deus da lua, disse ele. Essa ideia antiga se reflete em uma palavra em inglês para loucura que implica uma conexão com a lua, chamada “luna” em latim.

Desenhos em tabletes cuneiformes são raros, e retratos de demônios são ainda mais raros: “Este desenho específico é uma representação do demônio real, em vez de outros desenhos comparáveis, que geralmente representam uma estatueta feita durante um ritual para remover a doença”, disse Arbøll.

Os assírios não distinguiam entre magia e medicina, e remédios mágicos como rituais e encarnações eram usados ​​juntamente com remédios que seriam vistos como médicos hoje em dia, como poções ingeridas, pomadas externas e curativos.

Fonte: gospelprime.com.br

dezembro 19, 2019

Arqueólogos encontram duas tumbas e um tesouro de mais de 3,5 mil anos na Grécia

Arqueólogos descobriram duas tumbas e um tesouro com mais de 3,5 mil anos de idade próximo a um palácio na região do Peloponeso, no sul da Grécia. Pesquisadores da Universidade de Cincinnati, Estados Unidos, trabalham na região há dois anos e já tinham localizado a cova de um soldado, segundo a agência Associated Press.Arqueólogos descobrem 20 sarcófagos do Egito antigo

Os exploradores conseguiram recuperar o tesouro que estava em tumbas erguidas perto do sítio arqueológico do palácio de Pylos. As estruturas são do período micênico. Os pesquisadores acreditam que as tumbas tiveram telhados em forma de domo, e essas coberturas foram destruídas ainda durante a antiguidade. E foi justamente a queda do telhado que ajudou na preservação: os objetos ficaram soterrados e acabaram sendo preservados, longe dos saqueadores de tumbas.

Uma das tumbas descobertas no sul da Grécia datada de mais de 3,5 mil anos atrás. — Foto: Ministério da Cultura da Grécia/AP

Uma das tumbas descobertas no sul da Grécia datada de mais de 3,5 mil anos atrás. — Foto: Ministério da Cultura da Grécia/AP

Entre os artefatos recolhidos agora pelos arqueólogos estão um anel de ouro com o selo real e um amuleto com a imagem da deusa Hator, do Egito antigo. O governo grego destacou esta descoberta e a classificou como importante para os estudos sobre a civilização e a formação do país.

Presente de grego

A civilização micênica ocupou a península e as ilhas gregas durante a Idade do Bronze (entre 1650 e 1100 a.C) e foi com ela que surgiram importantes figuras da mitologia e lendas da Grécia Antiga, como o Cavalo de Troia.

Todas as descobertas são anteriores à construção do castelo de Pylos, que foi registrada em um dos cantos da Odisseia de Homero, como a moradia do sábio rei Nestor.

A maior das duas tumbas tem doze metros de comprimento e paredes de quase cinco metros de altura. Durante a sua fundação este tamanho chegava a mais de dez metros.

Já a outra tumba ocupa uma área um pouco menor e suas paredes têm apenas dois metros de altura. Ambas tinham na sua criação uma cobertura em formato de domo e construções subterrâneas, dedicadas apenas a membros da realeza micênica.

Pingente com a imagem da deusa egípcia Hator — Foto: Ministério da Cultura da Grécia/AP

Pingente com a imagem da deusa egípcia Hator — Foto: Ministério da Cultura da Grécia/AP

Fonte: g1.globo.com

dezembro 4, 2019

Alimentação e ecossistema: cientistas tentam desvendar a relação intrincada

Nos últimos anos, o campo da pesquisa de microbiomas cresceu rapidamente, o que trouxe novos conhecimentos — e questões adicionais — sobre os micro-organismos que habitam os corpos de humanos e outros animais. Agora, um estudo da Universidade de Princeton usou a análise genética para examinar a relação entre dieta, meio ambiente e a microflora. De acordo com os pesquisadores, a abordagem pode apontar novos caminhos para se estudar e compreender esse elemento tão importante ao funcionamento do corpo e que, quando em desequilíbrio, está por trás de uma ampla gama de doenças.

“A mudança ambiental pode influenciar o que os animais comem e, como consequência, ter um efeito em seu microbioma e na saúde de várias maneiras que só podem ser entendidas em ambientes naturais”, diz o principal autor do estudo, Tyler Kartzinel, professor assistente de ecologia e biologia evolutiva na Universidade de Brown e ex-pesquisador de pós-doutorado na Universidade de Princeton. Para isso, a equipe de cientistas foi a campo e estudou a relação de dieta/meio ambiente/microbiota em animais. Foram coletadas e analisadas mais de 1 mil amostras de material fecal de 33 espécies de herbívoros — que variaram de antílopes diminutos a gigantescas girafas e elefantes — em uma savana africana.
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Grande parte do trabalho de campo foi realizada no Centro de Pesquisa Mpala, no Quênia, administrado pela Universidade de Princeton. “Uma amostra fecal abre uma incrível janela para a biologia de um animal selvagem, revelando desde o que ele come até as bactérias que vivem em seu intestino e os tipos de parasitas que possui”, explica Robert Pringle, professor-associado de ecologia e biologia evolutiva em Princeton e autor sênior do estudo. “Estamos apenas começando a explorar o potencial das abordagens forenses baseadas em DNA para estudar a ecologia da vida selvagem. Isso pode nos ensinar muito sobre questões que, historicamente, têm sido muito difíceis, se não impossíveis, de investigar.”

Diferenças

Depois de analisar o DNA nas amostras para inferir as dietas e os microbiomas dos animais, os pesquisadores chegaram a três conclusões principais. Consistente com o que esperavam, eles descobriram que espécies estreitamente relacionadas tinham microbiomas semelhantes e, em menor grau, dietas semelhantes. A segunda descoberta foi que as espécies (e animais individuais de uma espécie) que consumiam dietas diversas tendiam a ter microbiomas diferentes.

Por fim, o estudo constatou que os animais cujas dietas sofrem mudanças sazonais significativas também tendem a experimentar grandes alterações em seus microbiomas. Mas a equipe ficou surpresa ao verificar que a flora de espécies domesticadas, como gado, ovelhas, cabras, burros e camelos, tende a mudar mais com as estações do que a dos animais selvagens.

Kartzinel observa que os métodos utilizados no estudo permitiram um nível mais profundo de análise da microbiota. No passado, os pesquisadores estudavam microbiomas de duas maneiras: alguns realizavam pesquisas entre espécies, comparando, por exemplo, a microbiota de uma ovelha à de uma vaca. Outros conduziam pesquisas intraespécies, fazendo comparações entre indivíduos da mesma espécie em situações (como a estação do ano) diferentes. No entanto, como os pesquisadores de Princeton e Brown usaram a abordagem genética para avaliar amostras individuais de muitas espécies diferentes habitantes do mesmo ambiente, eles conseguiram fazer comparações entre e intraespécies.

Segundo Kartzinel, uma variedade de perguntas adicionais surge da pesquisa. “Por exemplo, a sensibilidade sazonal no microbioma é um sinal de saúde ou um problema? Você pode imaginar animais mudando suas dietas e microbiomas porque são bons em se adaptar às mudanças no ambiente. Mas também pode imaginá-los fazendo isso porque estão estressados e apenas tentando sobreviver à medida que o ambiente muda”, diz.

Os pesquisadores também esperam determinar qual fator — dieta ou microbioma — tende a ser mais sensível ao ambiente do animal. “A mesma planta pode fornecer frutas suculentas para os animais comerem em uma estação e oferecer apenas galhos mastigáveis na próxima. Se ele comê-la nas duas estações, nossos métodos não registrariam uma mudança na dieta dele, mas o microbioma intestinal seria afetado”, explica Kartzinel. O cientista conta que pretende fazer mais pesquisas para determinar a importância da mudança de dieta e da microbioma na saúde dos animais selvagens.Continua depois da publicidade

“A sensibilidade do microbioma de um herbívoro ajudará a manter uma dieta saudável em um mundo em mudança?”, questiona. “Ou outros ajustes têm precedentes quando o animal toma decisões sobre como sobreviver? Talvez seja um pouco de ambos. Estamos falando de várias espécies ameaçadas de extinção, e as pessoas dependem do gado, por isso é importante considerar as possibilidades.” Se o microbioma influenciar significativamente a saúde e o comportamento dos animais, diz Kartzinel, isso poderá “afetar teias alimentares, comunidades e ecossistemas inteiros, porque determinaria quem sobrevive e quem é extinto”. “É incrível pensar nisso”, enfatiza.

A equipe também começou a explorar como os resultados da pesquisa podem ser aplicados para seres humanos. “O mundo biomédico está realmente interessado em descobrir se — e como — podemos gerenciar o microbioma intestinal humano para melhorar a saúde, o estresse e a nutrição. Junto a diversas outras abordagens de pesquisa, acreditamos a nossa abordagem genética pode fornecer uma camada adicional de informações”, diz Kartzinel.

Fonte: correiobraziliense.com.br

novembro 19, 2019

O que é a fusão nuclear, que promete ser a energia limpa que o mundo procura?

Cientistas dizem que produção de energia através de fusão nuclear é uma questão de tempo — resta saber se a tempo de nos salvar do aquecimento global.


O reator do tipo 'tokamak' deve ser usado no projeto internacional de cooperação para fusão nuclear, o Iter — Foto: Iter/Divulgação/BBC

O reator do tipo ‘tokamak’ deve ser usado no projeto internacional de cooperação para fusão nuclear, o Iter — Foto: Iter/Divulgação/BBC

As perspectivas para o desenvolvimento de fusão nuclear como fonte de energia na Terra melhoraram de forma significativa, dizem especialistas.

O governo do Reino Unido anunciou recentemente um investimento de 200 milhões de libras para desenvolvimento de um reator de fusão nuclear até 2040. Empresas privadas disseram à BBC que querem ter protótipos sendo testados em cinco anos.

Críticos afirmam que, com o preço da energia eólica e solar caindo cada vez mais, essas energias renováveis já existentes podem fornecer um método de lidar com as mudanças climáticas mais econômico que a fusão — e no tempo certo, já que o aquecimento global é um problema urgente.

A fusão nuclear é um tipo de energia nuclear diferente do processo de fissão nuclear que é usado desde 1950 nos reatores de energia atômica. Na fusão, a energia é gerada a partir da união de átomos, enquanto na fissão a energia é gerada pela divisão de átomos.

A fusão é o mesmo processo que acontece no Sol, e exige calor e pressão extremos, sendo muito mais difícil de controlar do que a fissão.

Mas o processo não gera o lixo radioativo produzido pelos reatores de fissão, que é um dos principais problemas atravancando o uso de energiar nuclear atualmente. A fissão também é um método muito caro e gera preocupações quanto à segurança e à proliferação de armas.

O sistema de compressão do reator da General Fusion tem enormes pistolas de pressão — Foto: General Fusion/Divulgação/BBC
O sistema de compressão do reator da General Fusion tem enormes pistolas de pressão — Foto: General Fusion/Divulgação/BBC

O sistema de compressão do reator da General Fusion tem enormes pistolas de pressão — Foto: General Fusion/Divulgação/BBC

O que é exatamente a fusão nuclear

A fusão é o processo que ocorre no Sol continuamente, responsável pelo seu calor e sua luz.

A cada segundo, bilhões de toneladas de átomos de hidrogênio colidem uns com os outros em condições de temperatura e pressão extrema dentro de nossa estrela. Isso os força a quebrar suas ligações químicas e se fundirem, formando um elemento mais pesado, o hélio.

A fusão solar gera quantidades enormes de calor e luz.

Por décadas pesquisadores vêm tentanto replicar esse processo na Terra, produzir “um sol na caixa”, como dizem alguns físicos. A ideia é pegar certo tipo de gás de hidrogênio, aquecê-lo a mais de 100 milhões de graus Celsius até formar uma nuvem de plasma, e controlá-lo com um poderoso campo magnético até que os átomos se fundam e liberem energia.

Potencialmente, a energia da fusão nuclear é muito limpa: não gera CO² como subproduto, não gera lixo tóxico (já que o resultado da reação é o hélio, que não é radioativo), não gera riscos de explosão.

Mas até agora a tecnologia para obter energia através do processo ainda não existe.

Para tentar desenvolvê-la, diversos países concentraram seus esforços em projeto de cooperação internacional chamado Iter.

Grande avanço ou elefante branco?

Trinta e cinco países participam do projeto Iter, que no momento está construindo um reator de teste gigante no sul da França.

O plano é ter o primeiro plasma produzido em 2025. No entanto, da produção do plasma até a obtenção de energia ainda há um longo caminho.

O projeto também foi prejudicado por longos atrasos e estouros no orçamento que fazem com que seja improvável que haja uma usina nuclear de fusão até 2050.

“O que estamos fazendo é desafiar as fronteiras do que é conhecido no mundo da tecnologia”, diz o físico Ian Chapman, presidente da Agência Britânica de Energia Atômica. “E é claro que você encontra obstáculos e precisa superá-los, o que fazemos o tempo todo.”

“O Iter vai ser bem sucedido, eu tenho certeza total disso”, diz ele.

Até o Iter estar funcionando em 2025, o chamado JET (Joint European Torus), no Reino Unido, continuará sendo o maior experimento com fusão nuclear existente.

O JET tem financiamento da União Europeia até 2020, mas o que vai acontecer depois disso não está claro. A participação do Reino Unido no Iter após a provável saída do país da União Europeia também ainda não foi acertada.

Mas o governo do país recentemente anunciou um investimento de 220 milhões de libras para o desenvolvimento de uma usina de fusão até 2040. Durante os próximos quatro anos, pesquisadores vão desenvolver projeto para uma usina de fusão chamada Tokamak Esférico para Produção de Energia, ou Step, na sigla em inglês (Tokamak é um tipo de reator experimental de fusão).

Essa base do Iter no sul da França quer ter seu primeiro plasma produzido em 2025 — Foto: Iter/Divulgação/BBC

Essa base do Iter no sul da França quer ter seu primeiro plasma produzido em 2025 — Foto: Iter/Divulgação/BBC

Como funciona um reator de fusão?

O método mais conhecido de fusão envolve o reator do tipo Tokamak, que tem uma câmara de vácuo em formato de donut. Nela, o hidrogênio é aquecido a 100 milhões de graus Celsius, e então se torna um plasma. Um campo magnético fortíssimo é usado para confinar o plasma para que ele não derreta o reator e encaminhá-lo para que a fusão ocorra.

No Reino Unido, pesquisadores desenvolveram um tipo diferente de Tokamak, que parece mais uma maçã do que um donut. Chamado de Tokamak esférico, ele tem a vantagem de ser mais compacto, potencialmente permitindo que usinas futuras sejam localizadas e áreas urbanizadas.

“Se você olha para algumas unidades, com as grandes máquinas que precisamos instalar, pode ver que a tarefa de encontrar um local para colocá-los por si só já é difícil”, diz Nanna Heiberg, da Agência de Energia Atômica do Reino Unido.

“O ideal é colocá-las perto de onde a energia é usada. E se você conseguir criar reatores em espaços menores, você pode colocá-los mais próximos a usuários e criar mais deles pelo país.”

De onde vem a empolgação com a fusão?

Enquanto governos internacionais tentam fazer o Iter ir para a frente, alguns países também têm suas iniciativas nacionais. A China, a Índia, a Rússia e o Estados Unidos estão trabalhando no desenvolvimento de reatores comerciais.

O Banco de Investimento da Europa também está colocando centenas de milhões de euros em um programa de produção de energia de fusão nuclear italiano que prevê operações a partir de 2050.

A marinha americana já registrou a patente de um “dispositivo de fusão de plasma por compressão”, que usaria campos magnéticos para criar uma rotação acelerada e produzir energia para o funcionamento de navios e submarinos. A ideia é criar reatores pequenos o suficiente para que sejam portáteis. Há muitas dúvidas sobre a possibilidade de que isso seja possível na prática.

A General Fusion acredita que seu método poderá ser testado em cinco anos — Foto: General Fusion/Divulgação/BBC

A General Fusion acredita que seu método poderá ser testado em cinco anos — Foto: General Fusion/Divulgação/BBC

Fusão no setor privado

Talvez a maior expectativa venha do setor privado. São empresas menores, mais ágeis, e se desenvolvem cometendo erros e aprendendo com eles rapidamente.

Hoje, há dúzias delas no mundo todo, levantando fundos e avançando com abordagens diferentes das tradicionais.

A First Light, por exemplo, surgiu na Universidade de Oxford, no Reino Unido, e envolve lançar um projétil em um alvo que contém átomos de hidrogênio. A onde de choque do impacto pressiona o combustível e produz o plasma.

A Commonwealth Fusion Systems (CFS) foi criada por ex-funcionários do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e conseguiu levantar mais de US$ 100 milhões. Seu objetivo é desenvolver um reator Tokamak com imãs supercondutores que permitiriam produzir um reator menor e mais barato.

A TAE Technologies, da Califórnia, conseguiu investimento de empresas como o Google e quer usar um tipo diferente de combustível: uma mistura de hidrogênio e boro, ambos elementos abundantes e não-radioativos. O protótipo deles é um reator cilíndrico que forma dois anéis de plasma que são unidos e mantidos juntos com raios de partículas não reagentes para que fiquem mais quentes e durem mais.

Uma bola de metal líquido

Uma das empresas mais competitivas é a empresa canadense General Fusion. Sua abordagem atraiu bastante atenção ao ser apoiada por bilionários como o criador da Amazon, Jeff Bezos.

A General Fusion nomeou o seu sistema de “magnetised target fusion”, algo como “fusão magnetizada direcionada”, em inglês.

O método funciona inserindo plasma quente injetado em uma bola de metal líquido dentro de uma esfera de aço. A mistura então é comprimida por gigantescas pistolas de pressão, mais ou menos como um motor a fissão.

“As pistolas disparam simultaneamente e colapsam a cavidade com o combustível dentro”, diz Michael Delage, diretor de tecnologia da empresa.

“No pico da compressão, quando a reação acontece, ela está cercada por todos os lados por metal líquido, então a energia vai para o metal, que depois é usado para ferver água e produzir vapor, que por sua vez é usado para produzir energia elétrica.

A General Fusion diz que espera que seu protótipo esteja funcionando em cinco anos.

Porque ainda não conseguimos produzir energia por fusão?

Apesar das altas expectativas, ninguém até hoje conseguiu obter mais energia de um experimento de fusão do que gastou viabilizando-o.

Os cientistas têm confiança de que a ideia vai funcionar, mas acreditam que é uma questão de escala. Para fazer dar certo, você precisa que o experimento seja grande.

“A fusão precisa de recursos para realmente funcionar”, diz Ian Chapman, da agência britânica de energia atômica. “O experimento pode ser feito por um país ou pela iniciativa privada, o que você precisa é da escala e dos recursos.”

“Quando o Iter funcionar, e eu digo ‘quando’ e não ‘se’, vai ser um grande avanço para a fusão e você um investimento massivo no campo”, afirma Chapman.

Há décadas, os cientistas tentam replicar a reação química que acontece no Sol — Foto: Getty Images/BBC

Há décadas, os cientistas tentam replicar a reação química que acontece no Sol — Foto: Getty Images/BBC

A energia renovável vai tornar a fusão irrelevante?

Em 2018, o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) relatou que as emissões de CO² precisam ser reduzidas em 45% até 2030 para manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5° C.

Para atingir esse objetivo é preciso que se faça uma rápida “descarbonização” do setor de produção de energia, ou seja, que a produção de energia não produza mais tanto CO² como subproduto. O Reino Unido se compremeteu a, até 2050, atingir “zero emissões líquidas” de carbono (quando a produção de carbono é balanceada com a retirada de carbono do ambiente), o que vai exigir o uso de energia solar e eólica em grande escala.

Algumas pessoas argumentam que isso deveria ser a prioridade do país, em vez de gastar grandes quantias de dinheiro em reatores experimentais de fusão.

“O custo de energias renováveis caiu, enquanto o custo do projeto de fusão internacional, o Iter, subiu”, diz o físico britânico Chris Llewellyn Smit, que já foi presidente do conselho do Iter. “Agora parece bem improvavél que consigam completar o projeto sem novas ideias.”

“Eu não acho que isso seja motivo para desistir da fusão, há maneiras de torná-la mais barata, mas não é algo que estará disponível para nós imediatamente quando precisarmos.”

Outras pessoas na indústria, no entanto, têm uma visão diferente.

“Se você é um país como a Malásia, que tem um sistema energético altamente dependente de carbono, e você está tentando mudar sua matriz energética baseada em queima de carvão, não há muitas opções hoje em dia”, diz Chris Mowry, presidente da empresa General Fusion.

“Este é o tipo de aplicação na qual focamos. E até países como o Canadá, que têm uma quantidade razoável de energia renovável, ainda não conseguem ser 100% renováveis.”

“Então precisamos de uma fonte de energia livre de carbono para complementar as renováveis no futuro”, afirma Mowry.

Fonte: g1.globo.com

outubro 16, 2019

Sonda da ESA revela antigo vale por onde a água percorreu em Marte

ESA (Agência Espacial Europeia) divulgou nesta quinta-feira (10/10) imagens registradas por sua sonda espacial Mars Express que mostram um extenso vale de cerca de 700km de comprimento por onde já percorreu água em Marte. O antigo sistema fluvial, que agora está seco, tem entre 3,5 e 4 bilhões de anos, e é uma das maiores redes de vales existentes no planeta.

O vale, chamado de Nirgal Vallis, fica situado ao sul do planeta. É conhecido por ter sido moldado por uma mistura de fatores como água corrente e crateras causadas pelo impacto de rochas espaciais na superfície do solo marciano.
Nas imagens capturadas pela sonda, é possível ver tanto o extremo oeste do sistema fluvial, onde os canais já estão se espalhando, quanto a parte situada ao extremo leste, onde os canais se unem, formando um único vale. Este vale desemboca em Uzboi Vallis, onde se supõe ter existido um grande e antigo lago.
O Nirgal Vallis é um exemplo típico de vale em forma de anfiteatro. “Como o nome sugere, em vez de terminar bruscamente ou de forma direta, as extremidades desses sistemas têm como característica as formas circular e semicircular de um anfiteatro grego antigo”, explicam os cientistas. Vales como estes costumam costumam ter paredes íngremes, pisos lisos e, se cortados em uma seção transversal, adotam a forma de ‘U’.

Tubos de areia

Os vales retratados pela sonda têm cerca de 200m de profundidade e 2km de largura, com pisos cobertos por dunas de areia. A aparência das dunas indicam que os ventos em Marte costumam soprar paralelamente às paredes do vale.
O planeta vermelho também hospeda outros vales com características parecidas, como o Nanedi Valles e o Echus Chasma. “Ambas as características também se assemelham a sistemas de drenagem do solo em que vales sinuosos e íngremes abriram caminho por centenas de quilômetros de rochas marcianas, forjando antigas planícies vulcânicas, fluxos de lava, e material depositado pelos fortes ventos marcianos ao longo do tempo”.
Os pesquisadores acreditam que Nirgal Vallis se formou de maneira semelhante a vales morfologicamente semelhantes que vemos na Terra, como os situados no Deserto do Atacama, no Chile, e em ilhas no Havaí. “Como parece não haver afluentes semelhantes a árvores que se ramificam no vale principal de Nirgal Vallis, é provável que a água tenha sido reabastecida em Marte por uma mistura de precipitação e fluxo por terra do terreno circundante.”
Os cientistas pensam ainda na hipótese do sistema fluvial ter surgido de um processo de esgotamento hídrico subterrâneo, “no qual a água luta para viajar verticalmente e, em vez disso, escoa continuamente lateralmente por meio do material em camadas abaixo da superfície”.

Fonte: correiobraziliense