junho 26, 2019

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Café pode estimular ‘gordura boa’ e ajudar na perda de peso

Acostumados que estamos às notícias negativas sobre os males causados por excesso de gordura no corpo e aos muitos alertas de que o consumo de café pode ser igualmente maléfico, causaram surpresa as mais recentes divulgações científicas sobre os temas: a primeira, que existe um tipo de gordura no corpo que, quanto mais, melhor; a segunda, que tomar café pode ser benéfico ao ajudar essa gordura a entrar em ação, contribuindo para a perda de peso – para alguns pesquisadores, uma aposta no combate à obesidade.

É o que indica um artigo de cientistas da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, publicado nesta semana no periódico “Scientific Reports”.

O estudo analisou os efeitos de um copo de café na gordura marrom em humanos, um tipo de tecido descoberto recentemente em adultos e que, diferente da gordura mais famosa, a branca, é inversamente proporcional ao peso – ou seja, pessoas obesas tendem a apresentar menos gordura marrom no corpo e as mais magras, mais gordura deste tipo.

Outra característica dessa gordura recentemente confirmada em adultos é seu papel fundamental no controle da temperatura do corpo, esquentando-o e aumentando a atividade no frio – tanto que, há até pouco tempo, o comum era mostrar sua presença em mamíferos que hibernam e em bebês.

“Era apontado o papel da gordura marrom na termorregulação no corpo dos bebês, que precisam se adaptar a temperaturas diferentes do ambiente intrauterino”, explica José Carlos de Lima Júnior, médico e pesquisador de pós-doutorado em biologia vascular na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

“Mas, nos últimos dez anos, a gordura marrom ganhou muito destaque depois que pelo menos três grupos de pesquisa descreveram que ela existe em adultos”.

“Ela se tornou então o ‘Santo Graal’ na busca por tratamentos para obesidade”, diz Lima Júnior, pesquisador no Centro de Pesquisa de Obesidade da Unicamp, que já divulgou trabalhos importantes acerca da gordura marrom.

Mas, segundo o pesquisador, a possibilidade de um medicamento que mire a gordura marrom para tratar a obesidade ainda é distante e até frustrada – até agora, pareceu difícil contornar efeitos colaterais importantes, como o aumento da frequência cardíaca.

É aí que entram os cientistas de Nottingham.

Pimenta e café

Os autores da pesquisa publicada na “Scientific Reports” testaram o papel da cafeína em duas frentes: em uma, colocando uma dose em contato com células in vitro; em outra, deram para nove voluntários saudáveis um sachê de 1,8 g de café instantâneo dissolvido em 200 ml de água e depois observaram alterações corporais através de exames de imagens.

As células mostraram atividade metabólica aumentada, como no consumo de oxigênio e abundância de proteínas. Nos indivíduos, a região do pescoço teve aumento de temperatura, o que segundo os autores indica também mais atividade em uma região que coincide com a presença da gordura marrom.

“Juntos, esses resultados demonstram que a cafeína pode estimular as funções da gordura marrom (…) e que esta tem o potencial de ser utilizada terapeuticamente em humanos adultos”, diz um trecho do artigo.

Os autores dizem ainda que, na literatura, já houve diversos trabalhos que associaram o consumo de cafeína à perda de peso, mas nenhum analisou especificamente este papel na gordura marrom.

Lima Júnior diz que muitos pesquisadores têm apostado no papel que os alimentos e alguns compostos naturais podem ter para estimular a gordura marrom, apesar de ser incerto ainda o alcance real da dieta – por exemplo: O quanto de café precisaria ser ingerido para que isso de fato tivesse impacto no tratamento da obesidade?

De todo modo, ele lembra que pesquisadores americanos já demonstraram os impactos positivos da pimenta no aumento da atividade da gordura marrom.

“Mas o principal estímulo (à gordura marrom) é o frio. Tanto é que, inicialmente, ela foi descrita em trabalhadores que atuam em áreas externas de países escandinavos. Eles tinham maior volume desse tecido no pescoço”, menciona o brasileiro, apontando que um clima tropical como o nosso pode limitar a ação deste tecido na perda de peso.

O pesquisador explica ainda que, em geral, pessoas mais velhas e diabéticos apresentam menor quantidade de gordura marrom.

E, se a gordura marrom foi o “Santo Graal” há alguns anos, agora parece que existe também uma “menina dos olhos” – a gordura bege, que parece ter origem como uma célula branca mas ser capaz de transformar-se em marrom.

“As células de gordura bege estão presentes em todo corpo, e em quantidade cerca de dez vezes maior que a marrom. Ela parece ser capaz de se modificar entre a branca e a marrom”, aponta.

Fonte: Portal G1

junho 19, 2019

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Pesquisadores realizarão “censo” inédito das galáxias do Hemisfério Sul

O universo é tão imenso que já se acreditou que havia 100 bilhões de galáxias, somente na parte observável do cosmos. Esse número então foi atualizado para 2 trilhões por pesquisadores da Universidade de Nottingham, no Reino Unido. A porto-riquenha Karín Menéndez-Delmestre agora quer pegar uma pequena parte dessa imensidão e fazer um levantamento inédito de galáxias, criando um “censo” para entender os aglomerados do Hemisfério Sul.

O projeto coordenado por ela ocorre em parceria com um time de pesquisadores e ganhou o nome de Canga (Census of Austral Nearby Galaxies), ou Censo das Galáxias Austrais Próximas.  Menéndez-Delmestre foi uma dos 12 cientistas selecionados pelo Instituto Serrapilheira que receberão apoio de R$ 1 milhão para investir em seu projeto pelos próximos três anos.

Com o objetivo final de levantar cerca de 1.500 galáxias situadas até 120 milhões de anos-luz, a Professora Adjunta no Observatório do Valongo (UFRJ) e Jovem Cientista do Nosso Estado da FAPERJ,  tem desenvolvido campanhas observacionais em grandes telescópios –  neste semestre, o estudo foi no Soar, aparelho localizado a 2.400 metros de altitude nos Andes chilenos.

Em entrevista à GALILEU, a pesquisadora explica que as imagens dos telescópios são como “fósseis”, pois foram tiradas no passado, uma vez que as galáxias estão muito distantes. “ Em cada pixel da imagem conseguimos estudar o histórico de formação das estrelas de uma região. Conseguimos dizer se ela passou por um surto de formação estelar ou se parou de formar estrelas”, afirma a pesquisadora, em entrevista à GALILEU.

O objetivo do estudo é caracterizar estruturas que são observadas em galáxias locais, como seus discos, núcleos, braços espirais, barras etc. Com isso, é possível estabelecer  um censo da distribuição de massa estelar em diferentes tipos de galáxias  e determinar como se distribui a matéria dentro de uma galáxia.

Menéndez-Delmestre conta que no ano passado, o foco foi estudar “galáxias grandes com grandes riquezas de estruturas”, mas agora ela quer analisar galáxias-anãs, que tem poucas estrelas e muito gás. “ Essas galáxias são muito difíceis de se estudar pois elas são pouco brilhantes.  Elas são rapidamente afetadas pela passagem de outras galáxias e as estrelas são simplesmente arrancadas do sistema delas”, relata a pesquisadora.

A astrônoma também investiga o Universo distante, ou seja, as galáxias mais antigas, localizadas em aglomerados que se juntam na matéria escura. Essa energia chega a representar 85% de toda a matéria do Universo e funciona como um ímã gravitacional, atraindo gases e estrelas que, eventualmente, formam agrupamentos de várias galáxias. “Cada galáxia está imersa em um halo de matéria escura. Se tivermos a ideia do formato dessa matéria em galáxias parecidas com a nossa, poderemos estimar a quantidade de matéria escura que existe na Terra”, explica Menéndez-Delmestre.

Fonte: Revista Galileu


junho 12, 2019

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Vitamina D não previne o diabetes, afirma estudo norte-americano

Tomar uma dose diária de vitamina D não previne o surgimento do diabetes 2 em adultos com alto risco da doença, segundo um estudo financiado pelo Instituto Nacional de Diabetes e de Doenças Renais e Digestivas dos Estados Unidos (NIDDK, sigla em inglês). Pesquisas anteriores sugeriam essa associação mas, de acordo com o novo trabalho, publicado na revista New England Journal of Medicine e divulgado em um congresso científico em San Francisco, o suplemento não traz benefícios nesse caso. Participaram 2.423 adultos de 22 cidades norte-americanas.

O estudo é o maior até hoje a examinar diretamente se a suplementação de vitamina D ajuda pessoas em risco para diabetes 2 desenvolverem a doença. A pesquisa incluiu adultos com mais de 30 anos, divididos aleatoriamente em dois grupos: ou tomavam 4 mil unidades internacionais (UI) da forma D3 da vitamina D diariamente, ou ingeriam uma pílula de placebo. Todos os participantes tiveram os níveis da substância medidos no início dos testes. Naquele momento, 80% apresentavam quantidades suficientes para os padrões estabelecidos.

“Estudos observacionais (que não analisam causa e efeito) sugeriam que baixas doses de vitamina D estavam relacionadas ao risco aumentado para diabetes tipo 2”, diz Myrlene Staten, cientista que projetou o trabalho atual no instituto norte-americano. “Além disso, pequenas pesquisas concluíram que a vitamina D poderia melhorar a função das células beta, que produzem insulina. Porém, se a suplementação poderia ajudar a prevenir ou adiar o diabetes 2 era algo desconhecido”, afirma.

Para responder a essa questão, os participantes foram testados a cada três ou seis meses por uma média de 2,5 anos, com objetivo de determinar se o diabetes havia se desenvolvido. Os pesquisadores, então, compararam o número de pessoas em cada um dos dois grupos (suplemento real ou placebo) que progrediram para a doença. No fim, 293 (24,2%) dos 1.211 participantes incluídos no grupo da vitamina D apresentaram o problema, comparado com 323 dos 1.212, ou 26,7%, dos demais, uma diferença insignificante do ponto de vista estatístico. Os pesquisadores acreditavam, no início, que poderiam detectar uma redução de risco de 25% ou mais.

Perfis variados

O estudo contou com participantes com características diversas, incluindo sexo, idade e índice de massa corporal (IMC), assim como etnia. Essa representação ajuda a garantir que os resultados sejam aplicáveis a todo tipo de pessoas em risco alto para desenvolvimento de diabetes 2, segundo os cientistas. “Além do tamanho, uma das maiores forças do estudo é a diversidade de participantes, o que nos permitiu examinar o efeito da vitamina D em uma grande variedade de pessoas”, justifica Anastassios G. Pittas, principal autor e pesquisador do Centro Médico Tufts, em Boston. “No fim, não detectamos diferenças significativas entre os dois grupos, independentemente de idade, sexo ou etnia.”

No mercado brasileiro, o consumo das suplementações de aminoácidos, vitaminas e minerais, entre outros, chegou a 53% em uma pesquisa com 1 mil pessoas acima de 17 anos, encomendada por associações do setor. Nos Estados Unidos, mais de 50% dos adultos tomam suplementos nutricionais, e o uso da vitamina D aumentou substancialmente ao longo dos últimos 20 anos.

Dose segura

Por causa dessas tendências, a pesquisa financiada pelo NIDDK avaliou também a segurança de se tomar 4 mil UI de vitamina D diariamente, uma quantidade maior que a dose diária recomendada (600 a 800 UI). Os pesquisadores não viram diferença no número e na frequência de efeitos colaterais, como níveis altos de cálcio na corrente sanguínea ou pedras nos rins, comparando os grupos de placebo e da suplementação.

Quanto ao diabetes, Griffin P. Rodgers, diretor da NIDDK, frisa que há outras formas já constatadas cientificamente de prevenção da doença. “O diabetes tipo 2 não é algo inevitável, mesmo para aqueles com alto risco para a doença. Em busca de novas formas de preveni-la, sabemos que a mudança de estilo de vida ou o uso da metformina permanece como  métodos eficazes”, conclui.

“O diabetes tipo 2 não é algo inevitável, mesmo para aqueles com alto risco para a doença. Em busca de novas formas de preveni-la, sabemos que a mudança de estilo de vida ou o uso da metformina permanece como métodos eficazes”, Griffin P. Rodgers, diretor do Instituto Nacional de Diabetes e de Doenças Renais e Digestivas dos Estados Unidos, que financiou a pesquisa.

Fonte: Correio Braziliense