outubro 26, 2018

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Estresse pode diminuir o tamanho do cérebro, indica novo estudo

Um novo estudo publicado no jornal científico Neurologyafirma que, não bastassem todos os problemas ocasionados pelo estresse, essa condição também pode afetar o cérebro humano de maneira irreversível, causando perdas de memória e até o encolhimento do órgão antes dos 50 anos de idade.

“Níveis elevados de cortisol, que é o hormônio do estresse, podem prejudicar as funções cerebrais, seu tamanho, além de afetar a performance e a cognição do indivíduo”, disse o autor do estudo e professor de neurologia no Centro de Ciências da Saúde na Universidade do Texas em Santo Antônio, Sudha Seshadri.

Analisando mais de 2 mil voluntários saudáveis de meia-idade, os médicos descobriram que quem possuía altos níveis de cortisol no sangue também tinha um baixo desempenho nos testes de memória. Os voluntários tiveram que realizar diversos testes psicológicos para que suas habilidades pudessem ser avaliadas. A síndrome da exaustão ou do esgotamento profissional já atinge 30% dos brasileiros

Além disso, os indivíduos altamente estressados apresentavam um volume ligeiramente encolhido do cérebro em comparação aos voluntários com níveis normais do hormônio cortisol. O estudo também evidenciou que as mulheres eram as mais afetadas com essa condição. “Nunca é tarde para reduzir os níveis de estresse”, ressaltou Seshadri, em entrevista à CNN.

Outra descoberta foi que pessoas relativamente jovens também apresentaram falhas de memória e encolhimento do cérebro, antes mesmo de que algum sintoma se manifestasse. Alguns estudos anteriores chegaram a analisar a relação do estresse e o cérebro, mas sempre utilizando uma amostra de pessoas com a idade mais avançada e examinando apenas a área responsável pela memória, chamada de hippocampus. Seshadri frisa que o novo estudo, contudo, contou com pessoas na faixa dos 40 anos, tanto homens quanto mulheres e analisou o cérebro como um todo, mas que são necessárias mais pesquisas sobre o assunto.

Fonte: revistagalileu.globo.com 

outubro 23, 2018

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Alta de 1,5ºC na temperatura vai aumentar desigualdades e afetar mais pobres, dizem cientistas brasileiros

Cientistas brasileiros que participaram da elaboração do mais recente relatório sobre o clima divulgado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas discutiram as consequências de um aumento na temperatura terrestre na quinta-feira (18) durante videoconferência. O relatório, apresentado no dia 7 deste mês, destacou a necessidade de limitar o aquecimento da Terra a até 1,5ºC, adotando medidas para que não atinja os 2ºC. As consequências dessa diferença, dizem os cientistas brasileiros, vão desde o aumento do nível do mar até mais pessoas atingidas pela fome.

“Mesmo 1,5ºC de aquecimento traria significantes riscos para erradicação da pobreza e redução de desigualdade. Nas zonas costeiras, traz impacto para a biodiversidade, a atividade pesqueira. Pode haver risco de fome principalmente em países da África. São 12 milhões de pessoas afetadas a 1,5ºC. Com 2ºC, são 55 milhões”, afirma Patrícia Pinho, pesquisadora do Centro de Resiliência de Estocolmo e uma das autoras do capítulo do relatório sobre desenvolvimento sustentável.

Os efeitos, afirma a cientista, poderão também ser sentidos na Amazônia, onde cerca de 30 milhões de pessoas seriam afetadas. “São das populações mais pobres do Brasil”, lembra. Outro coautor do relatório, Marcos Buckeridge, pesquisador associado da Universidade de São Paulo e coordenador do programa Cidades Globais, chama atenção para as consequências na região Nordeste. “É um ponto focal importante em termos de extremos de seca — mais ainda do que já temos. As populações que vivem ali vão estar em grande risco se o aquecimento passar de 1,5ºC. Vão ter que sair, não vão ter mais condição de ficar”, alerta.

Zonas costeiras

Conforme projeção da cientista Thelma Krug, vice-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês), a projeção para o ano de 2100 é que limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC pode significar uma diferença de 10cm no nível do mar. “Vai significar muito nas pequenas ilhas e todas as cidades em áreas baixas. E o nível do mar é o mais complicado de tudo, porque vai aumentar por décadas e centenas de anos, mesmo que parem todas as emissões”, afirma.

O pesquisador José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais e professor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, destaca as consequências para os trópicos.

“Para o caso de um aquecimento de 2ºC, a geração de hidroenergia na bacia do São Francisco poderia diminuir 15% até 2040 e em 28% ao final do século”, alerta. Nas zonas tropicais, acrescenta, o problema não é só o aquecimento, mas também a falta de chuvas e os desastres naturais.

Mudanças

Os cientistas reiteram a necessidade de “mudanças sem precedentes” no padrão de consumo de alimentos, de modernização da indústria brasileira e de maior conscientização quanto à necessidade de evitar o aumento excessivo na temperatura terrestre. “Com a população chegando a 13 bilhões por volta de 2040, vamos ter que produzir mais alimentos, e a nossa forma de produzir emite muito carbono. Uma das maiores emissoras é a produção de carne. Vamos ter que mudar as tecnologias usadas na agricultura, integrar às florestas, e essas tecnologias não estão maduras”, afirma Buckeridge. As mudanças, segundo ele, precisariam ser feitas o mais rápido possível, de forma a evitar gastos ainda maiores no futuro.

Ele alerta, ainda, que o aumento na temperatura pode influenciar na qualidade dos alimentos: as culturas de milho, por exemplo, começam a cair quando os termômetros vão acima de 35ºC. Para a soja, o limite é de 39ºC. Há, ainda, mudanças a serem feitas na geração de energia — que, segundo Buckeridge, talvez já tenha atingido o seu potencial máximo na forma hidroelétrica. “Nada disso pode ser feito se o Brasil não modernizar a indústria. Precisa de tecnologia, não é só mudança de costume e atitude”, pontua.

outubro 16, 2018

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Físicos publicam o último trabalho de Stephen Hawking

físico Stephen Hawking trabalhou até os últimos dias de sua vida. Pouco antes de morrer, em março deste ano, concluiu um estudo em que buscava entender o que acontece com a informação quando os objetos caem em buracos negros. Não entendeu nada? O assunto é complexo mesmo. O artigo, concluído por seus colegas das universidades de Cambridge e Harvard, Sasha Haco, Malcolm J. Perry e Andrew Strominger, se chama “Entropia do buraco negro e cabelo macio”, e trata do que os físicos teóricos chamam de “paradoxo de informação”.

A crença geral é que nada, nem mesmo a luz, pode escapar da força de um buraco negro, mas para Hawking e seus colegas não é bem assim. Para eles, as coisas não desaparecem sem deixar rastros no universo. Algumas informações podem ser preservadas em estruturas hipotéticas na borda de um buraco negro, chamados de “cabelos macios”.

Em 1915, Albert Einstein publicou sua teoria da relatividade geral, que descreve como a gravidade se origina dos efeitos de flexão do espaço-tempo da matéria, e por que os planetas circulam o sol. Mas a teoria de Einstein também fez importantes previsões sobre os buracos negros, que poderiam ser definido por apenas três características: sua massa, carga e rotação.

Sessenta anos depois, Hawking acrescentou um quarto elemento: a temperatura. E, como os objetos quentes perdem calor no espaço, o destino final de um buraco negro é evaporar e desaparecer. O problema é que essa afirmação fere as regras do mundo quântico, afinal, nada desaparece. De acordo com o trabalho, ao jogar um objeto em um buraco negro, sua temperatura muda. Assim como uma propriedade chamada entropia, que é a medida da desordem de um sistema, que se eleva de acordo com o aumento da temperatura.

Os pesquisadores mostram que a entropia de um buraco negro pode ser registrada por fótons que circundam o ponto do qual a luz não consegue escapar, no centro do buraco negro. Esse brilho foi chamado de cabelo macio. “O que este trabalho faz é mostrar que ‘cabelo macio’ pode explicar a entropia”, disse ao jornal The Guardian Malcolm J. Perry, da Universidade de Harvard.

No entanto, não põe fim ao paradoxo da informação. “Não sabemos se a entropia de Hawking é responsável por tudo o que você poderia jogar em um buraco negro, então isso é um passo ao longo do caminho”, afirmou Perry. “Se eu jogar algo dentro, é toda a informação sobre o objeto  que é armazenada no horizonte desse buraco negro?”, continuou. “É isso que é o que necessitamos saber para resolver o paradoxo da informação. Se é apenas metade disso, ou 99%, não é o suficiente para resolver o problema.”

Fonte: revistagalileu

outubro 9, 2018

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Nobel de Física: quem é a primeira mulher a ganhar após 55 anos

O prêmio Nobel de Física de 2018 foi dado a uma mulher pela primeira vez após 55 anos. Donna Strickland, do Canadá, é apenas a terceira mulher a receber o Nobel de Física desde que a premiação foi criada. Antes dela, ganharam o Nobel a polonesa Marie Curie, pioneira no estudo da radiação, em 1903, e a germano-americana Maria Goeppert-Mayer, que recebeu a honraria em 1963 por seus estudos de física teórica.

Strickland divide o prêmio deste ano com Arthur Ashkin, dos Estados Unidos, e Gerard Mourou, da França. A honraria é um reconhecimento às pesquisas do trio no campo da física dos lasers. Ashkin criou uma técnica conhecida como “pinça óptica”, usada para o estudo de sistemas biológicos. Mourou e Strickland, por sua vez, pavimentaram o caminho para a obtenção dos pulsos de laser mais curtos e intensos já feitos. Eles desenvolveram uma técnica chamada Chirped Pulse Amplification (CPA, na sigla em inglês). O nome poderia ser traduzido como “amplificação do pulso entrecortado” – chirp, em inglês, é um som agudo que sobe e silencia em intervalos muito rápidos, como o ruído feito por alguns pássaros.

A técnica CPA desenvolvida pelo francês e pela canadense é agora usada em terapias para o câncer e também em milhões de cirurgias corretivas dos olhos todos os anos. À BBC, Strickland disse que era “surpreendente” fazer tanto tempo que uma mulher não recebia o prêmio.

Apesar disso, ela frisou que sempre foi “tratada como uma igual” por seus pares na comunidade científica, e que “dois homens ganharam o prêmio comigo, sendo que eles o merecem tanto ou mais que eu”, disse. O prêmio vem pouco dias depois de um físico conhecido – Alessandro Strumia, da Universidade de Pisa – dizer em um discurso que a Física “foi inventada e construída por homens”. Discursando num evento em Genebra, na Suíça, Strumia disse que cientistas homens estavam “sofrendo discriminação” por parte de instituições que agem ideologicamente. Strumia foi suspenso do centro de pesquisa em que atuava após a fala misógina. Para Donna Strickland, o comentário de Strumia foi “tolo”. Ela disse, no entanto, que nunca tomou tais provocações para o lado pessoal.

Surpresa com o prêmio

O Nobel vem acompanhado de uma premiação em dinheiro de 9 milhões de coroas suecas (o equivalente a US$ 998 mil, ou R$ 3,9 milhões). “A princípio você pensa que é loucura, esta foi a minha primeira reação. Você se pergunta se aconteceu de verdade”, disse Strickland, que trabalha na Universidade de Waterloo, no Canadá, a respeito da vitória.

“Sobre dividir o prêmio com Gerard (Mourou), ele foi meu supervisor e mentor e elevou a (técnica) CPA a sua potência atual, então, é claro que ele merece este prêmio. E também estou muito feliz de que Ashkin também tenha sido agraciado”, diz ela. “Ele fez várias descobertas a partir das quais outras pessoas fizeram coisas muito relevantes, então, é fantástico que ele finalmente tenha sido reconhecido”, diz.

Em uma declaração oficial, o Instituto Americano de Física (AIP, na sigla em inglês) cumprimentou todos os vencedores, acrescentando que “as várias aplicações tornadas possíveis pelo trabalho deles, como cirurgias oftalmológicas a laser, lasers de alta potência e a capacidade de apreender e estudar vírus e bactérias individuais têm grande potencial”. “Também é um prazer pessoal ver Strickland quebrar o hiato de 55 anos desde que uma mulher venceu o Nobel de Física, tornando o prêmio deste ano ainda mais histórico”.

O que é o trabalho que venceu o Nobel?

Antes do trabalho pioneiro de Strickland e Mourou, a força máxima de um pulso de laser era limitada: a partir de um certo ponto, o próprio pulso destruía o material usado para amplificar sua energia. Para contornar o problema, os cientistas primeiro estenderam a duração dos pulsos de laser no tempo para reduzir o ponto máximo de força atingido por eles. Depois, amplificaram os pulsos de laser, e, finalmente, os comprimiram.

Quando um pulso de laser é comprimido no tempo e fica mais curto, mais luz é concentrada em um espaço menor. Isso aumenta dramaticamente a potência do pulso de laser. A técnica CPA, desenvolvida por Strickland e Mourou, se tornou o padrão para o uso de lasers de alta intensidade.

Já Arthur Ashkin realizou um antigo sonho da ficção científica: usar a força da luz para mover objetos físicos. Ao fazê-lo, ele criou a chamada pinça óptica, usada hoje para pegar objetos minúsculos – como partículas, átomos individuais, vírus e até células vivas. No começo da pesquisa, Ashkin usou os lasers para empurrar pequenas partículas até o centro de um feixe de lasers, e mantê-las lá. Então, em 1987, ele conseguiu usar as pinças ópticas baseadas em lasers para capturar bactérias vivas sem danificá-las. A técnica hoje é amplamente usada para estudar o funcionamento da vida.

Fonte: www.bbc.com

outubro 5, 2018

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Selfie mortal: busca pela foto perfeita já matou 259 pessoas no mundo

A busca por selfies perigosas já matou 259 pessoas entre 2011 e 2017, revelou um novo estudo, mas os autores da pesquisa acreditam que esse número pode ser ainda maior. O estudo compilou notícias sobre mortes de pessoas enquanto tentavam tirar fotos de si mesmas em situações arriscadas.

São casos como o do jovem Gavin Zimmerman, de 19 anos, que, em julho deste ano, caiu de um penhasco na Austrália enquanto fazia uma foto. O mesmo aconteceu com Tomer Frankfurter, que caiu de uma altura de 250 metros enquanto registrava uma selfie no Parque Nacional Yosemite, nos Estados Unidos.

Afogamento, acidentes de transporte e quedas foram as causas mais comuns. Também foram frequentes eletrocuções e mortes causadas por incêndio, animais e armas de fogo. Analisando os dados, pesquisadores da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos recomendaram que sejam criadas áreas proibidas para selfies em locais perigosos para prevenir estas mortes. Isso incluiria topos de montanhas, edifícios altos e lagos, onde muitas das mortes ocorreram.

Mortes por selfie vêm aumentando

Lee Thompson tira selfie no topo do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro
Direito de imagemFLASH PACK
Image captionLee Thompson disse que não correu riscos ao fazer essa foto no topo do Cristo Redentor

Os pesquisadores afirmam que mortes relacionadas a selfies foram mais comuns na Índia, nos Estados Unidos, na Rússia e no Paquistão. Cerca de 72% das vítimas eram homens.

A pesquisa também mostra que no número de mortes está aumentando. O estudo encontrou apenas três relatos de mortes do tipo em 2011. Foram 98 em 2016 e 93 em 2017.

Os pesquisadores ainda afirmam que o número pode ser maior, porque fazer uma selfie quase nunca é registrado como a causa da morte.

“Acredita-se que mortes por selfies são subnotificadas. A verdadeira magnitude do problema é subestimada”, diz o estudo.

“É preciso lidar com este problema. É importante entender as causas e motivos para que intervenções adequadas sejam feitas.”

Camelo morde cabeça de blogueira australiana
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Image captionA blogueira australiana Justine descobriu que ficar muito próximo de animais pode ser arriscadoFonte: BBC Brasil

outubro 2, 2018

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Poluição do ar chega aos bebês durante a gravidez, indica estudo

Pesquisadores da Universidade Queen Mary, no Reino Unido, acabam de colocar mais uma peça no quebra-cabeça dos efeitos da poluição atmosférica no corpo humano. Em um estudo inicial, eles encontraram partículas de materiais poluentes, comumente detectados em grandes cidades, nas células da placenta de cinco mulheres.

É a primeira evidência científica de que os componentes da poluição do ar atingem a placenta depois de passar pelos pulmões e cair na corrente sanguínea. A nova pesquisa examinou as placentas de cinco mulheres não fumantes que tiveram bebês saudáveis no hospital da Universidade. Com o consentimento delas, os pesquisadores examinaram os macrófagos – células do sistema imunológico que “comem” partículas danosas ao corpo – presentes suas placentas. Estas células estão presentes nos pulmões e também fazem parte do sistema que protege o feto no tecido da placenta. O estudo foi apresentado neste mês de setembro no Congresso Internacional da Sociedade Respiratória Europeia (ERS, na sigla em inglês), mas ainda não foi publicado em revistas científicas.

Usando um microscópio óptico, os pesquisadores encontraram 72 partículas negras entre 3.500 células. As partículas, examinadas com instrumentos ainda mais potentes, se parecem com as partículas de sujeira encontradas nos macrófagos dos pulmões. “Ainda não sabemos se as partículas que encontramos podem passar para o feto, mas as pesquisas sugerem que isso é possível”, disse à BBC News Brasil a pediatra Norrice Liu, parte da equipe de pesquisadores da Queen Mary. “O nosso próximo passo é examinar mais mulheres, mas também queremos entender como elas vivem e qual o nível de exposição que elas têm à poluição.”

O sistema respiratório funciona como uma espécie de peneira para as partículas de poluentes. As maiores costumam ser destruídas pelas células de defesa pulmonares, mas as mais finas podem cair na corrente sanguínea e chegar a outros órgãos do corpo. Em 2016, um estudo da Universidade de Lancaster feito em 37 pessoas encontrou partículas de poluentes em suas células cerebrais.

Menos troca de nutrientes e oxigênio entre mãe e bebê

No Brasil, pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP são alguns dos principais produtores de pesquisas que tentam compreender os efeitos da poluição urbana no corpo humano. “O que sabemos? Que existe uma associação entre poluição e baixo peso ao nascer bastante consistente, mas não se sabe exatamente o porquê. Estudando um grupo de gestantes também vimos que as mulheres mais expostas à poluição têm mais alterações no fluxo de sangue da mãe para o bebê via placenta”, disse à BBC Brasil o professor Paulo Saldiva, do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP.

Em dezembro de 2017, um estudo brasileiro comprovou, em camundongos, que a exposição a poluentes atmosféricos, antes ou durante a gravidez, altera algumas características da placenta, além de causar distúrbios em um sistema hormonal que controla a troca de substâncias entre a mãe e o bebê. Os animais foram expostos a partículas PM 2,5 – poluentes comuns no ar em centros urbanos – dentro dos limites diários permitidos pela Organização Mundial de Saúde. Um grupo foi exposto 15 dias antes da gestação, outro grupo teve contato com a poluição por 15 dias a partir do sexto dia da gravidez. Um terceiro grupo foi exposto das duas formas e um quarto foi poupado da poluição.

“A placenta das ratas diminuiu com a exposição às partículas de poluição em todos os casos de exposição. A superfície da placenta que fica em contato com a parede do útero diminuiu”, disse à BBC News Brasil o médico Joel Claudio Heimann, professor da USP e orientador do experimento, que fazia parte de uma tese de doutorado. “Essa superfície é um indicador funcional da transferência de alimentos e oxigênio da mulher para o feto. Quanto menor é ela, menor é a transferência.”

Diferentemente da nova pesquisa britânica, no entanto, os brasileiros não chegaram a examinar as células placentárias em busca das partículas de poluentes que estariam lá. “No resultado que obtivemos, não tínhamos outro fator de interferência que não a poluição. Então, as alterações que encontramos eram, sim, referentes à poluição”, afirma a pesquisadora Sônia de Fátima Soto, a autora do estudo. “Estamos indo para um caminho interessante de provar que a poluição, mesmo dentro desse limite que a OMS diz ser seguro, causa problemas à nossa saúde e à nossa prole. Mas é preciso solidificar mais esses estudos para poder, por exemplo, questionar os limites da OMS.”

‘Catástrofe de saúde pública’

Nos últimos anos, cientistas vêm demonstrando que a exposição a poluentes durante a gravidez aumenta o risco de um parto prematuro e de que o bebê tenha um peso menor ao nascer. Um estudo britânico que analisou 500 mil nascimentos e foi publicado em dezembro confirmou a conexão, e os pesquisadores afirmaram que o caso é uma “catástrofe da saúde pública mundial”.

Em trabalhos anteriores, pesquisadores brasileiros e estrangeiros estabeleceram ligações entre a poluição e uma maior probabilidade de que o feto exposto desenvolva hipertensão e outras doenças. “Já temos evidências suficientes de que as nanopartículas de poluição chegam a todos os órgãos. Mas qual vai ser a resposta do feto depende da genética do bebê, de características familiares e epigenéticas, ou seja, do que acontece durante gravidez”, explica Saldiva. Uma revisão de estudos coordenada pelo pesquisador e publicada em 2016 afirma que “a exposição pré-gestacional, gestacional e no início da vida aos poluentes do ar está associada com o comprometimento da função pulmonar e outras condições respiratórias negativas na infância e esses efeitos podem durar até a vida adulta”.

Os mecanismos pelos quais isso acontece, segundo o artigo, ainda não são completamente conhecidos, mas podem incluir alterações no DNA do feto e alterações no corpo da mãe, como stress e inflamação das células e hipoxia – baixa concentração de oxigênio nos tecidos. “A verdade é que a mãe não pode fazer nada do ponto de vista individual para se proteger dessa chegada de partículas tóxicas ao bebê”, alerta Saldiva. “Só podemos tentar diminuir a exposição à poluição.”

Fonte: BBC Brasil