março 30, 2018

Nenhum comentário

O que os historiadores dizem sobre a real aparência de Jesus

1-concepcao-artistica-do-designer-grafico-especialista-em-reconstituicao-facial-forense

Concepção artística do designer gráfico especialista em reconstituição facial forense Cícero Moraes mosta que judeus que viviam no Oriente Médio no século 1 tinham a pele, o cabelo e os olhos escuros (Foto: Cícero Moraes/BBC Brasil)

Foram séculos e séculos de eurocentrismo – tanto na arte quanto na religião – para que se sedimentasse a imagem mais conhecida de Jesus Cristo: um homem branco, barbudo, de longos cabelos castanhos claros e olhos azuis. Apesar de ser um retrato já conhecido pela maior parte dos cerca de 2 bilhões de cristãos no mundo, trata-se de uma construção que pouco deve ter tido a ver com a realidade.

O Jesus histórico, apontam especialistas, muito provavelmente era moreno, baixinho e mantinha os cabelos aparados, como os outros judeus de sua época.

A dificuldade para se saber como era a aparência de Jesus vem da própria base do cristianismo: a Bíblia, conjunto de livros sagrados cujo Novo Testamento narra a vida de Jesus – e os primeiros desdobramentos de sua doutrina – não faz qualquer menção que indique como era sua aparência.

“Nos evangelhos ele não é descrito fisicamente. Nem se era alto ou baixo, bem-apessoado ou forte. A única coisa que se diz é sua idade aproximada, cerca de 30 anos”, comenta a historiadora neozelandesa Joan E. Taylor, autora do recém-lançado livro What Did Jesus Look Like? e professora do Departamento de Teologia e Estudos Religiosos do King’s College de Londres.

“Essa ausência de dados é muito significativa. Parece indicar que os primeiros seguidores de Jesus não se preocupavam com tal informação. Que para eles era mais importante registrar as ideias e os papos desse cara do que dizer como ele era fisicamente”, afirma o historiador André Leonardo Chevitarese, professor do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor do livro Jesus Histórico – Uma Brevíssima Introdução.

Em 2001, para um documentário produzido pela BBC, o especialista forense em reconstruções faciais britânico Richard Neave utilizou conhecimentos científicos para chegar a uma imagem que pode ser considerada próxima da realidade. A partir de três crânios do século 1, de antigos habitantes da mesma região onde Jesus teria vivido, ele e sua equipe recriaram, utilizando modelagem 3D, como seria um rosto típico que pode muito bem ter sido o de Jesus.

Esqueletos de judeus dessa época mostram que a altura média era de 1,60 m e que a grande maioria deles pesava pouco mais de 50 quilos. A cor da pele é uma estimativa.

Ilustração feita por especialista Richard Neave para documentário da BBC em 2001 (Foto: BBC)Ilustração feita por especialista Richard Neave para documentário da BBC em 2001 (Foto: BBC)

Ilustração feita por especialista Richard Neave para documentário da BBC em 2001 (Foto: BBC)

Taylor chegou a conclusões semelhantes sobre a fisionomia de Jesus. “Os judeus da época eram biologicamente semelhantes aos judeus iraquianos de hoje em dia. Assim, acredito que ele tinha cabelos de castanho-escuros a pretos, olhos castanhos, pele morena. Um homem típico do Oriente Médio”, afirma.

“Certamente ele era moreno, considerando a tez de pessoas daquela região e, principalmente, analisando a fisionomia de homens do deserto, gente que vive sob o sol intenso”, comenta o designer gráfico brasileiro Cícero Moraes, especialista em reconstituição facial forense com trabalhos realizados para universidades estrangeiras. Ele já fez reconstituição facial de 11 santos católicos – e criou uma imagem científica de Jesus Cristo a pedido da reportagem.

“O melhor caminho para imaginar a face de Jesus seria olhar para algum beduíno daquelas terras desérticas, andarilho nômade daquelas terras castigadas pelo sol inclemente”, diz o teólogo Pedro Lima Vasconcellos, professor da Universidade Federal de Alagoas e autor do livro O Código da Vinci e o Cristianismo dos Primeiros Séculos.

Outra questão interessante é a cabeleira. Na Epístola aos Coríntios, Paulo escreve que “é uma desonra para o homem ter cabelo comprido”. O que indica que o próprio Jesus não tivesse tido madeixas longas, como costuma ser retratado. “Para o mundo romano, a aparência aceitável para um homem eram barbas feitas e cabelos curtos. Um filósofo da antiguidade provavelmente tinha cabelo curto e, talvez, deixasse a barba por fazer”, afirma a historiadora Joan E. Taylor.

Chevitarese diz que as primeiras iconografias conhecidas de Jesus, que datam do século 3, traziam-no como um jovem imberbe e de cabelos curtos. “Era muito mais a representação de um jovem filósofo, um professor, do que um deus barbudo”, pontua ele.

“No centro da iconografia paleocristã, Cristo aparece sob diversas angulações: com o rosto barbado, como um filósofo ou mestre; ou imberbe, com o rosto apolíneo; com o pálio ou a túnica; com o semblante do deus Sol ou de humilde pastor”, contextualiza a pesquisadora Wilma Steagall De Tommaso, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e do Museu de Arte Sacra de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Teologia e Ciências da Religião.

Imagens

Joan acredita que as imagens que se consolidaram ao longo dos séculos sempre procuraram retratar o Cristo, ou seja, a figura divina, de filho de Deus – e não o Jesus humano. “E esse é um assunto que sempre me fascinou. Eu queria ver Jesus claramente”, diz.

A representação de Jesus barbudo e cabeludo surgiu na Idade Média, durante o auge do Império Bizantino. Como lembra o professor Chevitarese, eles começaram a retratar a figura de Cristo como um ser invencível, semelhante fisicamente aos reis e imperadores da época. “Ao longo da história, as representações artísticas de Jesus e de sua face raras vezes se preocuparam em apresentar o ser humano concreto que habitou a Palestina no início da era cristã”, diz o sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

“Nas Igrejas Católicas do Oriente, o ícone de Cristo deve seguir uma série de regras para que a imagem transmita essa outra percepção da realidade de Cristo. Por exemplo, a testa é alta, com rugas que normalmente se agrupam entre os olhos, sugerindo a sabedoria e a capacidade de ver além do mundo material, nas cenas com várias pessoas ele é sempre representado maior, indicando sua ascendência sobre o ser humano normal, e na cruz é representado vivo e na glória, indicando, desde aí, a sua ressurreição.”

Como a Igreja ocidental não criou tais normas, os artistas que representaram Cristo ao longo dos séculos criaram-no a seu modo. “Pode ser uma figura doce ou até fofa em muitas imagens barrocas ou um Cristo sofrido e martirizado como nas obras de Caravaggio ou Goya”, pontua Ribeiro Neto. “O problema da representação fiel ao personagem histórico é uma questão do nosso tempo, quando a reflexão crítica mostrou as formas de dominação cultural associadas às representações artísticas”, prossegue o sociólogo. “Nesse sentido, o problema não é termos um Cristo loiro de olhos azuis. É termos fiéis negros ou mulatos, com feições caboclas, imaginando que a divindade deve se apresentar com feições europeias porque essas representam aqueles que estão ‘por cima’ na escala social.”

Essa distância entre o Jesus “europeu” e os novos fiéis de países distantes foi reduzida na busca por uma representação bem mais aproximada, um “Jesus étnico”, segundo o historiador Chevitarese. “Retratos de Jesus em Macau, antiga colônia portuguesa na China, mostram-no de olhos puxados, com a forma de se vestir própria de um chinês. Na Etiópia, há registros de um Jesus com feições negras.”

O ator Jim Caviezel interpretou Jesus no filme 'A Paixão de Cristo', de 2004, dirigido por Mel Gibson (Foto: Icon Productions/Divulgação)O ator Jim Caviezel interpretou Jesus no filme 'A Paixão de Cristo', de 2004, dirigido por Mel Gibson (Foto: Icon Productions/Divulgação)

O ator Jim Caviezel interpretou Jesus no filme ‘A Paixão de Cristo’, de 2004, dirigido por Mel Gibson (Foto: Icon Productions/Divulgação)

No Brasil, o Jesus “europeu” convive hoje com imagens de um Cristo mais próximo dos fiéis, como nas obras de Cláudio Pastro (1948-2016), considerado o artista sacro mais importante do país desde Aleijadinho. Responsável por painéis, vitrais e pinturas do interior do Santuário Nacional de Aparecida, Pastro sempre pintou Cristo com rostos populares brasileiros.

Para quem acredita nas mensagens de Jesus, entretanto, suas feições reais pouco importam. “Nunca me ocupei diretamente da aparência física de Jesus. Na verdade, a fisionomia física de Jesus não tem tanta importância quanto o ar que transfigurava de seu olhar e gestos, irradiando a misericórdia de Deus, face humana do Espírito que o habitava em plenitude. Fisionomia bem conhecida do coração dos que nele creem”, diz o teólogo Francisco Catão, autor do livro Catecismo e Catequese, entre outros.

Joaquin Phoenix interpretou Jesus no filme 'Maria Madalena', de 2018 (Foto: Divulgação)Joaquin Phoenix interpretou Jesus no filme 'Maria Madalena', de 2018 (Foto: Divulgação)

Joaquin Phoenix interpretou Jesus no filme ‘Maria Madalena’, de 2018 (Foto: Divulgação)

Fonte: g1.globo.com

março 27, 2018

Nenhum comentário

Cientistas mostram controle de ligação entre neurônios pela 1ª vez

Cientistas conseguiram mostrar pela 1ª vez como células especiais do cérebro, as microglias, realizam o controle das ligações entre neurônios. As imagens foram feitas pelo Laboratório Europeu de Biologia Molecular e publicadas na “Nature Communications” nesta segunda-feira (26).

As microglias comumente atuam como células de defesa do cérebro e de outras regiões do sistema nervoso central. Quando há infecções e problemas nessas áreas, são elas que intervêm.

O que as imagens mostram, no entanto, é que elas também atuam em processos importantes da conexão entre células nervosas.

“Esse é um processo que os neurocientistas fantasiaram por anos, mas ninguém tinha visto antes”, disse Cornelius Gross, pesquisador do Laboratório Europeu de Biologia Molecular.

A equipe de Gross tentou três sistemas diferentes de última geração antes de conseguir mostrar o mecanismo. No total, foram cinco anos de desenvolvimento tecnológico:

Por fim, eles combinaram microscopia eletrônica com microscopia de fluorescência de lâminas de luz e fizeram o primeiro filme em que demonstram que a microglia “come” sinapses.

Entenda o mecanismo

Para controlar as funções do corpo, os neurônios passam informações uns para os outros sem se tocarem. Esses processos são conhecidos por sinapses.

Apesar de muito importantes, as sinapses devem ser controladas para que o nosso organismo não se desequilibre com o envio de muitas informações.

Neurocientistas costumam chamar esse controle de “poda” — uma ação que é muito comum no início do desenvolvimento humano e cerebral.

Nas imagens, pesquisadores mostram como a microglia ajudam nessa poda sináptica, meio como “mordiscando” as sinapses para que elas sejam direcionadas.

Imagem mostra detalhe da microglia interagindo com sinapse (Foto: L. Weinhard/EMBL Rome)Imagem mostra detalhe da microglia interagindo com sinapse (Foto: L. Weinhard/EMBL Rome)

Imagem mostra detalhe da microglia interagindo com sinapse (Foto: L. Weinhard/EMBL Rome)

Os cientistas também demonstraram que as microglias impedem que os neurônios realizem sinapse dupla — quando uma célula nervosa acaba se comunicando com duas, em vez de com apenas uma.

É esse processo mediado pela microglia que garante a comunicação efetiva entre um neurônio e outro — e é com isso também que processos importantes para a cognição (como a memória) se estabilizam.

Um outro ponto que os cientistas demostraram é que a poda é feita mais no sentido de direcionar melhor as sinapses e não de enfraquecê-las.

“Estávamos tentando ver como a microglia elimina as sinapses, mas percebemos que elas induzem seu crescimento na maior parte das vezes”, diz Laetitia Weinhard, pesquisador associado ao estudo.

Fonte: g1.globo.com

março 23, 2018

Nenhum comentário

Mudanças climáticas permitiram evolução dos primeiros Homo sapiens

Por volta de 800 mil anos atrás, as várzeas que ocupavam boa parte do território onde hoje é o Quênia começaram a passar por uma transformação dramática. No lugar da umidade persistente, períodos de aridez se revezavam aos de chuva, fazendo com que as planícies inundadas se transformassem em um pasto. Essa mudança exigiu adaptações da fauna local. Ao longo do tempo, animais que demandavam um consumo energético excessivo foram extintos. Por outro lado, os de estrutura física menor emergiram. Passado meio milhão de anos, o cenário era outro. Fértil, com uma grande variedade de alimentos e possibilitando deslocamentos extensos, a região tornou-se ideal para o florescimento de uma nova espécie, que começava a se proliferar no leste africano: o Homo sapiens.

Ao avaliar evidências arqueológicas e naturais da Bacia Olorgesailie, um dos mais ricos sítios com vestígios de ocupação humana da África, pesquisadores descobriram que as alterações ecológicas moldadas, em primeiro lugar, pelas variações climáticas foram essenciais para a evolução do homem moderno e de características culturais marcantes da espécie, como a mobilidade, a coleta de alimentos, a tecnologia e até o comércio. De acordo com os autores da pesquisa, publicada em três artigos na edição desta semana da revista Science, isso implica uma “revisão significativa do comportamento do hominídeo africano na época em que o Homo sapiens se originou”.

Terremotos

Liderado pelo Museu Nacional de História Natural do Instituto Smithsonian, o trabalho indica que atividades como comércio, uso de pigmentos coloridos e ferramentas sofisticadas estavam presentes há 320 mil anos, época que coincide com os fósseis do homem moderno mais antigos já encontrados. Até agora, acreditava-se que essas características cognitivo-comportamentais tinham surgido algumas dezenas de milhares de anos depois do surgimento do Homo sapiens, já no neolítico, ou idade da pedra polida.

Segundo Rick Potts, diretor do Programa de Origem Humana do museu, as descobertas realizadas na região de Olorgaesilie indicam que a emergência desses comportamentos coincide com uma grande variação ambiental, marcada não só por alterações no clima, mas em toda a infraestrutura local. “À medida que terremotos remodelaram a paisagem e o clima passou por flutuações entre seca e umidade, a inovação tecnológica, as redes de troca sociais e as primeiras comunicações simbólicas podem ter ajudado os primeiros humanos a sobreviver e obter recursos que precisavam, apesar dessas condições imprevisíveis”, diz. “Isso levou a um conjunto de comportamentos muito sofisticados, que envolveram grande habilidade mental e vidas sociais mais complexas. Talvez isso tenha sido o que nos distinguiu dos outros humanos primitivos”, acredita Potts, principal autor de um dos três artigos da Science.

O antropólogo explica que as primeiras evidências de vida humana na Bacia Olorgesailie datam de cerca de 1,2 milhão de anos atrás. Por centenas de milhares de anos, os hominídeos da região fabricaram e usaram ferramentas de pedra rudimentares conhecidas como handaxes. Em 2002, Rick Potts e Alison Brooks, professora de antropologia da Universidade de George Washington, descobriram diversos instrumentos menores e muito mais bem-acabados nesse local. A datação revelou uma surpresa: elas foram fabricadas entre 320 mil e 305 mil anos atrás, bastante tempo antes do imaginado. Cuidadosamente trabalhadas, as ferramentas foram esculpidas para vários propósitos: algumas se adequavam a projéteis, outras eram perfeitas para cortadoras ou sovelas.

Redes sociais

Essa não foi a única surpresa. Além das peças fabricadas com material local, a equipe de pesquisadores encontrou pontas de pedras do período neolítico feitas com obsidiana, matéria-prima que não é natural da bacia. Também foram detectadas peças maiores e não trabalhadas retiradas de pedras vulcânicas. A avaliação da estrutura química desses artefatos apontou que viriam de diversas fontes obsidianas provenientes de localidades de 25km a 90km distantes de Olorgesailie. Isso sugere a existência de redes sociais na região.

“Essas inovações comportamentais podem ter representado muito bem uma resposta às rápidas mudanças no ambiente”, disse, em nota, Tyle Faithy, curador de arqueologia no Museu de História Natural de Utah e coautor de um dos artigos. “Uma resposta como essa deve ter ajudado as populações humanas a suportar mudanças climáticas e ambientais que provavelmente contribuíram para o fim de outras espécies na região”, acredita.

Outra importante descoberta da equipe foram rochas pretas e vermelhas (manganês e ocre, respectivamente) associadas a evidências de que haviam sido processadas para serem usadas como pigmento. “Não sabemos a coloração que eles utilizaram, mas podemos dizer que é um indício de comunicação simbólica complexa. Assim como hoje as roupas ou bandeiras levam cores que expressam identidade, esses pigmentos podem ter ajudado as pessoas a manter vínculos e a formar alianças com grupos distantes”, suspeita Potts. “O transporte de obsidiana e a coleta e processamento de pigmentos implica o desenvolvimento de redes sociais que conectavam membros de nossa espécie por longas distâncias. Essa prática é uma das características da nossa espécie”, ressalta Alison Brooks.Isso levou a um conjunto de comportamentos muito sofisticados, que envolveram grande habilidade mental e vidas sociais mais complexas. Talvez isso tenha sido o que nos distinguiu dos outros humanos primitivos”. Rick Potts, diretor do Programa de Origem Humana do Museu Nacional de História Natural do Instituto Smithsonian

Sequenciado mais antigo DNA de fóssil africano

Uma equipe internacional de pesquisadores liderada por Johannes Krause e Choongwon Jeong, do Instituto Max Planck para Ciência da História Humana, na Alemanha; e por Abdeljalil Bouzouggar, do Instituto Nacional de Ciências de Arqueologia e do Patrimônio, no Marrocos, sequenciou o mais antigo DNA nuclear de um fóssil africano. O material genético tem cerca de 15 mil anos e pertenceu a indivíduos da idade da pedra polida. Os cientistas descobriram que essas pessoas, que viviam onde hoje é o Marrocos, tinham uma herança genética em parte similar à das populações do Oriente Próximo e em parte associada à de grupos da África Subsaariana.

O norte da África é uma área importante na história da evolução da espécie humana. A geografia faz do local uma interessante área para estudar como humanos saíram de lá. Embora parte do continente africano, o Deserto do Saara acaba sendo uma barreira para viajar para lá, desde o sul. Similarmente, o norte é parte da região mediterrânea, mas, no passado, o mar pode ter sido um impeditivo para a interação com outros povos também. “Uma compreensão melhor da história do norte-africano é crítica para compreender a história da nossa espécie”, explica Saaïd Amzazi, um dos coautores do trabalho, publicado na Science.

Os pesquisadores estudaram um sítio funerário na Gruta dos Pompos, no Marrocos, local associado à cultura ibero-americana da idade da pedra lascada. Acredita-se que esse povo foi o primeiro na área a produzir ferramentas de pedra mais elaboradas, chamadas microlitos. “A gruta é um lugar essencial para a compreensão da história humana no nordeste da África, já que humanos modernos frequentemente habitaram essa caverna, de forma intensiva, durante períodos prologados, desde meados da idade da pedra. Cerca de 15 mil anos atrás, há evidência de uso mais intensivo do local, e os ibero-maurisianos (nome do povo que morava lá) começaram a enterrar seus mortos na caverna”, conta Louise Humphrey, do Museu de História Natural de Londres.

Avanço

Os pesquisidores analisaram o DNA de nove indivíduos de Taforalt, no Marrocos, usando sequenciamento avançado e métodos analíticos. Conseguiram retirar dados mitocondriais de sete dos fósseis e o genoma completo de cinco deles. Devido à idade das amostras e à pobre conservação característica da área, esse é uma grande vitória, disseram os pesquisadores. “Esse é o primeiro e mais antigo DNA de nossa espécie recuperada na África”, disse Abdeljalil Bouzouggar. De acordo com ele, cerca de dois terços da herança genética dos indivíduos associa-se às populações contemporâneas do Levante e um terço é mais similar à dos africanos subsaarianos, particularmente os ocidentais.

A alta proporção de ancestralidade do Oriente Próximo mostra que a conexão entre o norte da África e o Oriente Próximo começou muito antes do que se acreditava anteriormente. Embora as associações entre essas regiões tenham sido mostradas em estudos anteriores para períodos mais recentes, não se acreditava que os humanos estivessem interagindo por essas distâncias durante a idade da pedra. “Claramente, as populações humanas estavam interagindo muito mais em áreas mais distintas do que o assumido previamente”, diz Johannes Krause, diretor do Departamento de Arqueogenética do Instituto Max Planck.

Fonte: correiobraziliense.com.br

 

 

 

março 20, 2018

Nenhum comentário

Arqueólogos descobrem tumba de 3.600 anos em cidade citada no Apocalipse

Arqueólogos descobrem esqueleto humano, do período cananeu de 1.800 a.C. (Foto: REUTERS/ ALI HASHISHO)
Arqueólogos descobrem esqueleto humano, do período cananeu de 1.800 a.C. (Foto: REUTERS/ ALI HASHISHO)

Arqueólogos dizem que estão surpresos com a descoberta de uma câmara de sepultura “magnífica e intocada” de 3.600 anos na antiga cidade-estado cananita de Megido, que é mencionada no livro de Apocalipse, na Bíblia.

A National Geographic informou quarta-feira que o achado “extraordinário” poderia oferecer pistas potenciais na dinastia real que governou a área ao sul de Haifa, hoje parte de Israel, antes da conquista pelo Egito no século 15 a.C.

Por quase cinco milênios, a partir de 3000 aC. Para 1918, Megido serviu como uma importante passagem estratégica para rotas internacionais militares e comerciais, oferecendo o palco para inúmeras batalhas históricas.

É descrito em Apocalipse 16:16 como um lugar chamado “Armageddon”, que deriva de Har-Megiddo, ou “Monte de Megido”.

Os arqueólogos agora dizem que descobriram uma tumba do século 15 a.C, quando Megido foi assediado por sete meses pelas forças do faraó egípcio Thutmose III, até se render posteriormente. Thutmose III mudou-se para incorporar Canaã como uma província de seu império.

Os arqueólogos Israel Finkelstein e Mario Martin, da Universidade de Tel Aviv e Matthew Adams do Instituto de Arqueologia ‘W.F. Albright’, que têm conduzido as escavações em Megido desde 1994, encontraram primeiro um corredor subterrâneo perto dos palácios da Idade do Bronze na área que levava a uma câmara funerária em 2016.

A câmara continha os restos de três pessoas, um homem, uma mulher e uma criança, adornadas com joias elaboradas de ouro e prata. O homem tinha sido coroado com um diadema de ouro, o que sugeria um alto nível de habilidade e talentos artísticos.

“Estamos falando de um enterro familiar de elite por causa da monumentalidade da estrutura, dos achados ricos e do fato de que o enterro está localizado próximo ao palácio real”, disse Finkelstein.

Além disso, os arqueólogos descobriram que outros restos humanos também foram enterrados no túmulo em um estágio anterior, seguindo a prática de ritos funerários antigos na região.

Além da joia, a natureza imperturbável dos três corpos após o enterro, em comparação aos outros que foram retirados, dá crédito à teoria de que eles eram de grande importância, de acordo com a integrante da equipe de escavação, Melissa Cradic.

Um estudo de DNA dos corpos encontrados enterrados em Megido está buscando determinar se os habitantes comuns da cidade-estado cananita eram da mesma forma que os governantes de elite.

Os resultados poderiam mudar as percepções sobre as populações de Canaã, já que os estudiosos acreditavam há muito tempo que os Hurrianos, um povo itinerante das montanhas que surgiu na região no quarto e terceiro milênio aC, poderia ter desempenhado um papel importante na construção das primeiras cidades no Oriente Próximo.

“Esses estudos têm o potencial de revolucionar o que sabemos sobre a população de Canaã, antes da formação da Bíblia”, disse Finkelstein.

Os restos humanos descobertos em outros locais cananeus antigos também intrigaram pesquisadores.

Arqueólogos revelaram em julho de 2017 que os restos de um adulto e uma criança foram descobertos no local bíblico de Gezer em Israel. As vítimas aparentemente morreram há cerca de 3.200 anos atrás, quando um edifício que foi incendiado entrou em colapso e foi enterrado sob cinzas e restos de tijolos de barro.

A descoberta levou os pesquisadores a confirmar os relatos sobre o faraó egípcio Merneptah e como ele sitiou e conquistou Gezer, queimando muitos dos seus edifícios em sua campanha de controle.

Fonte: guiame.com.br

março 14, 2018

Nenhum comentário

Stephen Hawking, físico britânico, morre aos 76 anos

steStephen William Hawking, físico e pesquisador britânico, morreu aos 76 anos nesta quarta-feira (14) em sua casa na Inglaterra. Hawking se tornou um dos cientistas mais conhecidos do mundo ao abordar temas como a natureza da gravidade e a origem do universo. Também foi um exemplo de determinação por resistir muitos anos à esclerose lateral amiotrófica, uma doença degenerativa.

A morte foi comunicada por sua família à imprensa inglesa. “Estamos profundamente tristes pela morte do nosso pai hoje”, disseram seus filhos Lucy, Robert e Tim. “Era um grande cientista e um homem extraordinário, cujo trabalho e legado viverão por muitos anos”, afirmaram em um comunicado. A causa da morte ainda não foi divulgada.

Hawking nasceu em 8 de janeiro de 1942, exatamente 300 anos após a morte de Galileu, e morreu na mesma data do nascimento de Albert Einstein (14 de março de 1879).

No final da década de 1960, Stephen Hawking ganhou fama com sua teoria da singularidade do espaço-tempo, aplicando a lógica dos buracos negros a todo o universo. Ele detalharia o tema ao público em geral no livro “Uma breve história do tempo”, best-seller lançado em 1988.

Em 2014, sua história de vida foi contada no filme “A teoria de tudo”, que rendeu o Oscar de melhor ator a Eddie Redmayner, que interpretou o físico no cinema.

Fonte: g1.globo.com

março 13, 2018

Nenhum comentário

Estudo pioneiro explica o que acontece com o cérebro no exato momento em que morremos

O que passa em nossa cabeça no momento da morte? Não se sabe exatamente e, embora os cientistas tenham alguma sugestão, a resposta continua sendo um grande mistério. Além de difícil solução, tentar respondê-la pode criar implicações éticas.

No entanto, uma equipe de cientistas da Universidade Charitée, em Berlim, e também da Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos, encontraram uma maneira de realizar um pioneiro estudo sobre a neurobiologia da morte. A pesquisa foi liderada pelo cientista Jens Dreier.

O título da pesquisa foi “Depolarização da difusão terminal e silêncio elétrico na morte do córtex cerebral humano”. Para realizá-la, os cientistas precisaram do consentimento dos parentes de vários pacientes terminais. O estudo exigia um monitoramento neural considerado invasivo.

Os pacientes tinham sofrido terríveis acidentes de trânsito, acidentes vasculares cerebrais ou paradas cardíacas. Ou seja, nesses casos, não havia mais como salvá-los, segundo os pesquisadores. Ao trabalhar com essas pessoas, os cientistas descobriram que os cérebros dos animais e dos seres humanos morrem de uma maneira parecida. Eles agora dizem mas que também existe um exíguo momento em que o funcionamento do cérebro pode ser restaurado, ao menos de forma hipotética.

O objetivo do estudo não era apenas observar os últimos momentos de um cérebro, mas também compreender como seria possível salvar vidas no futuro.

Cérebros de animais

Grande parte do que até então se sabia sobre a morte cerebral era produto de experimentos com animais, realizados no século passado. Até então, o que se conhecia era o seguinte: “A lesão total e irreversível dessas células se desenvolve em menos de dez minutos quando a circulação cessa completamente”, explica um dos cientistas no estudo.

Cérebro humano

A equipe de pesquisadores queria ter mais detalhes sobre o que acontece com o cérebro dos humanos, algo que ainda estava cheio de enigmas. Para isso, à medida que o paciente terminal piorava, os cientistas monitoraram sua atividade neurológica usando dezenas de eletrodos.

Em primeiro lugar, em oito dos dez pacientes, os pesquisadores detectaram o movimento de células cerebrais que tentavam impedir o inevitável, ou seja, a morte que já se avizinhava. De maneira geral, os neurônios funcionam com íons carregados, o que cria desequilíbrios elétricos entre eles e seu ambiente – isso permite que pequenos choques, ou sinais, sejam criados. Para os autores do estudo, a manutenção desse sistema fica mais difícil quando a morte está chegando.

Para se alimentar, essas células “bebem” oxigênio e energia química da corrente sanguínea. Quando o corpo morre e o fluxo de sangue que chega ao cérebro para, os neurônios – privados de oxigênio – tentam uma de suas últimas saídas: acumular os recursos que sobraram, dizem os pesquisadores. Enviar sinais de um lado para o outro, como normalmente ocorre, acaba se tornando um desperdício nos últimos momentos da vida. Portanto, os neurônios se “calam” e, ao invés de enviar sinais, usam suas reservas de energia para manter cargas elétricas internas, esperando o retorno de um fluxo de sangue que nunca virá.

Esse fenômeno foi chamado de “depressão não dispersa”, pois ele ocorre simultaneamente em todo o cérebro. Depois, o que se segue é a fase da “despolarização da difusão”, conhecida como “tsunami cerebral”. Ocorre uma grande liberação de energia térmica, porque o equilíbrio eletroquímico que mantinha as células vivas entram em colapso – esse “tsunami” leva à intoxicação e destruição das células.

Todas essas reações foram observadas pelos cientistas nos pacientes terminais. E à medida que os níveis de oxigênio caíam, a atividade elétrica também silenciava em todo o cérebro.

É então que a morte chega.

No entanto, o estudo revelou que, no futuro, todo esse processo pode não ser tão inevitável como é agora. “A despolarização expansiva marca o início das mudanças celulares tóxicas que eventualmente levam à morte, mas não é o ponto chave da morte por si só, pois essa despolarização é reversível até certo ponto, com a restauração do suprimento de energia”, disse o principal autor do estudo, Jens Dreier, do Centro de Pesquisas de Acidentes Cardiovasculares da Universidade Charité, de Berlim.

Os dados obtidos pelo aestudo, publicados pela revista científica Annals of Neurology, apontam que a ressurreição celular continua sendo possível. Porém, novas pesquisas devem ser feitas até que isso seja possível. Como Dreier assinala, “a morte é um fenômeno complexo” para o qual “não há respostas fáceis.”

Fonte: g1.globo.com

março 9, 2018

Nenhum comentário

Mosaico milenar que reconhece a divindade de Jesus Cristo será revelado ao público em Israel

Um mosaico que teria sido montado em 230 d. C. como reconhecimento à divindade de Jesus será revelado ao público em um museu israelense. Esse é o registro histórico mais antigo do reconhecimento do nazareno como Filho de Deus de que se tem notícia, já que a Igreja, oficialmente, só o fez no Concílio de Niceia, em 325 d. C.

Descoberto em 2005, na região de Othnay, próxima a Megido, na região norte de Israel, o artefato tem a chancela da Autoridade de Antiguidades de Israel e da Universidade de Tel Aviv, duas instituições consideradas sérias e especializadas em arqueologia. Relatórios apontam que o mosaico era parte do piso do que se acredita ter sido um local de culto que funcionava em uma casa.

O mosaico traz três inscrições em grego, que dizem “a Akeptous, que ama a Deus, que ofereceu a mesa ao Deus Jesus Cristo como memorial”. De acordo com informações do portal Christian Today, Akeptous seria uma mulher que teria disponibilizado sua mesa para a celebração da ceia. Dessa forma, o mosaico funcionava como uma “placa” de reconhecimento.

Yotam Tepper, da Universidade de Haifa, líder da escavação que descobriu o mosaico, explica que a peça, provavelmente, era parte de uma sala de oração na casa de uma família cristã, e como costume da época, o local terminava funcionando como um ponto de encontro e reunião dos cristãos da época, que ainda não haviam adquirido autonomia suficiente para construção de templos.

Imagens de peixe – um dos símbolos mais comumente usados por cristãos da Igreja Primitiva – também estão presentes no mosaico. Os historiadores se referem a ele como Icthys (termo grego para ‘peixe’), e descobriu-se que ele funcionava como uma mensagem ‘cifrada’ em tempos de persgeguição intensa, significando “Jesus Cristo, Filho de Deus, o Salvador”, que correspondiam a um acrônimo com as letras do termo grego.

Os arqueólogos destacaram ainda que, mesmo oficialmente perseguida pelo Império Romano à época, os cristãos gozavam de certa tolerância, pois havia na região um acampamento militar. “Aqui, os romanos tinham até oficiais cristãos. A perseguição pode ter sido exagerada ou acorreu mais tarde aqui”, comentou Tepper.

A afirmação do especialista se baseia em indícios que apontam que o doador do mosaico teria sido um centurião romano chamado Gaianus, também conhecido como “Porophrius, nosso irmão”.

Fonte: GospelMais

março 6, 2018

Nenhum comentário

Cientistas usam a inovação no enfrentamento da crise hídrica

Situada ao norte do Cabo da Boa Esperança, a Cidade do Cabo é utilizada, desde o século 17, como importante parada nas principais rotas de navegação com destino à Índia e a outros países asiáticos. A indústria náutica é essencial para a capital legislativa sul-africana. É de cruel ironia, portanto, que ela esteja prestes a ficar sem água. Se as medidas de racionamento não surtirem efeito, a população deve ficar desabastecida até 9 de julho, o que levará a cidade a ser a primeira grande metrópole a ver suas torneiras secarem no atual cenário de crise hídrica global.
Melbourne, na Austrália; Los Angeles, nos Estados Unidos, e Brasília são algumas das outras cidades que enfrentam dificuldade parecida. Enquanto a conscientização da população e o uso racional da água são as ferramentas mais eficientes para lidar com o problema, considerado um dos maiores desafios do século, a tecnologia pode se provar uma grande aliada, ajudando, por exemplo, a reduzir o consumo do recurso e as perdas por vazamento, responsáveis por grande parte do desperdício, segundo especialistas. Cientistas têm se dedicado a buscar soluções nesse sentido e apresentado resultados promissores.
Um dos focos é o uso da água do mar, medida empregada em cidades costeiras e na desértica Arábia Saudita. Sua exploração, porém, nem sempre é viável: o processo de dessalinização, além de difícil, custa caro. Pesquisadores da Universidade Monash, de Melbourne, Austrália, porém, tentam mudar isso. Eles propõem o uso de materiais conhecidos como estruturas metalorgânicas — com cristais porosos, como esponjas — para retirar sais e íons da água de forma eficiente e com baixo custo. A tecnologia, descrita no último dia 9, na revista Science Advances, promete facilitar o emprego em grande escala da dessalinização.
“Podemos usar nossas descobertas para enfrentar os desafios da dessalinização da água. Em vez de confiar nos atuais processos intensivos em energia, essa pesquisa abre o potencial de remoção de íons de sal da água de uma forma mais eficiente e ambientalmente sustentável”, ressalta, em comunicado, Huanting Wang, pesquisador e professor da universidade australiana. A equipe acredita que a solução também poderá ser usada para tratar a água poluída de mineradoras, permitindo a sua reutilização.

Reaproveitamento

Mais perto de casa, Jorge Vianna, engenheiro civil e mestre em recursos hídricos, mostrou que as fontes alternativas podem gerar boa economia para áreas residenciais. Em seu trabalho de mestrado, realizado pela Universidade de Brasília (UnB) e defendido em maio de 2017, ele criou e instalou sistemas de reaproveitamento de água em um prédio da Asa Norte usando bactérias no processo de tratamento. “Foram dois projetos, um para reaproveitamento da água da chuva e outro para reúso da água do tanque. O tratamento é feito só com princípios biológicos, e o único químico usado é o cloro”, detalha Vianna.
O engenheiro explica que a água é coletada dos tanques de lavar e passa por um sistema de tratamento em dois filtros onde estão as bactérias que se alimentam dos nutrientes do esgoto e o limpam. “Mais dois filtros retiram resíduos de terra e outras partículas e, por fim, cloro é adicionado à água já tratada, que sai com boa qualidade”, complementa. Nos sistemas com produtos químicos, há, segundo Vianna, liberação de resíduo sólido, o que acaba poluindo, de alguma forma, o meio ambiente. A escolha pelos micro-organismos evita esse problema. “Com as bactérias, pelo contrário, o que sai dali é adubo. Você acaba ajudando a recuperar solos degradados. Além disso, a maioria dos materiais do meu sistema é reciclável, o que ajuda o meio ambiente também”, compara.
Com a medida, o bloco passou a não utilizar água fornecida pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) para irrigar os jardins e fazer a lavagem das áreas comuns. Mesmo com a ajuda tecnológica, o especialista chama a atenção para a necessidade de mudança de comportamento. “Você economiza mais com a conscientização do que com qualquer tecnologia”, justifica.

Coleta da chuva

Na Austrália, aparelhos como o desenvolvido por Vianna foram importantes para diminuir o consumo de água da rede principal. Em Melbourne, por exemplo, grande parte dos moradores das casas começou a coletar a água da chuva para uso próprio, como um esforço da cidade para recorrer a fontes alternativas e não depender apenas de um sistema central. “Agora, a cidade tem um suprimento de água de um grande número de reservatórios, uma planta de dessalinização e os tanques de coleta da chuva nas casas”, conta Andrew Western, professor do Departamento de Engenharia de Infraestrutura da Universidade de Melbourne.
Segundo Western, a vantagem do processo de dessalinização é que ele não depende da água da chuva. “Isso diminui a dependência das flutuações climáticas”, ressalta. “Por outro lado, a desvantagem da água da chuva é que os sistemas são normalmente mal instalados e malcuidados. Então, eles não vêm sendo tão eficientes quanto se espera”, compara. A cidade australiana enfrentou uma grave crise hídrica entre 1997 e 2010.

Aposta alta

Especialistas acreditam que a água do mar pode ser uma importante fonte no cenário de escassez atual, uma vez que 60% da população mundial vive a menos de 60 quilômetros da costa. Baseados nessa estatística, químicos da Universidade Swansea, no Reino Unido, publicaram, no fim do ano passado, um manual de referência com as principais tecnologias desenvolvidas para a dessalinização. As previsões, segundo a obra, é de que esse mercado global atinja US$ 52,4 bilhões em 2020, um aumento de 320% em relação a 2010.

março 2, 2018

Nenhum comentário

Astrônomos detectam sinais relacionados com primeiras estrelas do universo

Paris, França – Um grupo de astrônomos conseguiu detectar pela primeira vez sinais relacionadas com o aparecimento das primeiras estrelas, surgidas há 13,6 bilhões de anos, pouco depois do nascimento do Universo, indica um informe publicado na quarta-feira (28/2) pela revista científica Nature.
Embora estes sinais, obtidos graças a um pequeno radiotelescópio na Austrália, ainda tenham que ser confirmados com outros instrumentos, sua intensidade deixa supor que em suas primeiras dezenas de milhões de anos o universo esfriou mais rápido do que se pensava até agora.
Esta descoberta poderia levar a revisar os modelos cosmológicos em vigor e poderia ajudar a compreender melhor o mistério da matéria escura, invisível para os telescópios.
“A aparente detecção do sinal das primeiras estrelas no Universo será uma descoberta revolucionária”, disse Brian Schmidt, prêmio Nobel de física em 2011, que confessou sua “emoção” pela descoberta.
“É preciso ser muito prudente”, disse à AFP Benoit Semelin, um astrofísico do Observatório de Paris. “Mas se for confirmada a observação, é uma grande descoberta porque implicará mudar os modelos sobre o nascimento do universo”, afirmou.