fevereiro 27, 2018

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Forma de caminhar pode ajudar no diagnóstico da demência

A demência tem um diagnóstico complexo, vinculado a uma avaliação clínica. Identificar o tipo de demência que acomete um paciente também não é diferente. Segundo cientistas da Alemanha, esse processo poderá ser facilitado observando a forma como as pessoas caminham. Em experimento com 103 voluntários, eles conseguiram diferenciar os transtornos analisando como eles andavam por pouco mais de 20 metros. Os resultados foram apresentados na última edição da revista Neurology e podem contribuir para a área de tratamento cognitivo.

O envelhecimento da população foi um dos fatores que motivaram os cientistas a desenvolver um método de diagnóstico. “Por conta da melhora na expectativa de vida em todo o mundo, a parcela de idosos está crescendo. Isso inevitavelmente acompanhará um aumento do número total de demências e distúrbios de marcha (caminhada) em todo o mundo”, diz ao Correio Charlotte Selge, pesquisadora da Universidade Ludwig Maximilian de Munique e uma das autoras do estudo.

O teste desenvolvido consegue diferenciar pacientes que sofrem com hidrocefalia de pressão normal idiopática (iNPH, pela sigla em inglês) daqueles com paralisia supranuclear progressiva (PSP), dois tipos de demência bastante parecidos. “O que ambas têm em comum é o fato de que são clinicamente caracterizadas por disfunção da marcha e comprometimento cognitivo. Além disso, parecem compartilhar mecanismos fisiopatológicos. Existem critérios de diagnóstico aceitos para PSP e iNPH. No entanto, o diagnóstico diferencial pode ser difícil”, detalha Selge.

Participaram da pesquisa 27 pessoas com iNPH, 38 pessoas com PSP e 38 pessoas saudáveis. Todas foram submetidas a um exame neurológico completo, análises oculares, ressonância magnética, além de testes cognitivos e de memória. Para avaliar como os voluntários andavam, eles tiveram que caminhar sobre um tapete sensível à pressão com 22 metros de comprimento. Primeiro, foram instruídos a caminhar em três velocidades: lenta, a preferida e o mais rápido possível. Em seguida, tiveram que caminhar de costas e, ao mesmo tempo, contando de forma decrescente. Como última tarefa, andaram para frente carregando uma bandeja.

Os pesquisadores descobriram que, na segunda tarefa, houve maior redução da velocidade de caminhada nos voluntários com PSP, quando comparados aos com iNPH. Ao caminhar e carregar uma bandeja, a marcha piorou para aqueles com PSP, mas melhorou consideravelmente para os voluntários de iNPH. O resultado, segundo os autores, pode significar que o teste de dupla tarefa não foi suficientemente desafiante para os participantes com iNPH. “As pessoas com PSP parecem ser mais sensíveis a esses testes de caminhada de duas tarefas do que as que sofrem com iNPH”, frisa Selge.

Ao avaliar apenas a caminhada, a equipe diagnosticou com precisão de 82% quem tinha PSP e os pacientes de iNPH.  Ao adicionar outra tarefa aos testes, a precisão diagnóstica aumentou para 97%. Os cientistas acreditam que a abordagem pode  ajudar na melhora do diagnóstico das doenças. “Nossas descobertas sugerem que adicionar esses testes de dupla tarefa seria uma forma econômica de refinar o diagnóstico de iNPH. Estudos futuros podem até aumentar a complexidade das tarefas para avaliar se elas fornecem ainda mais precisão, bem como informações sobre como as duas doenças afetam a marcha”, diz Selge.

Reversão

O diagnóstico precoce pode ter efeitos determinantes. Segundo a pesquisadora, a iNPH é uma das causas raras de desordem de demência potencialmente tratável e reversível, mas ainda é pouco identificada. “Ela é causada por excesso de líquido no cérebro e, muitas vezes, pode ser revertida, mas, geralmente, não é diagnosticada porque compartilha sintomas como problemas ao andar e se equilibrar, que também estão presentes em outras condições neurológicas, principalmente na paralisia supranuclear progressiva (PSP), que é causada por danos nas células nervosas no cérebro”, explica.

Thalita Dayrell Leite Quinan, neurologista e professora da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), avalia que a pesquisa alemã traz dados que podem ser úteis principalmente na área de diagnóstico cognitivo. “O que mais se destaca nessa pesquisa são a aplicabilidade e praticidade do dual task — um teste cognitivo e motor de duas tarefas simultâneas, como caminhar segurando algo — e sua alta sensibilidade para o diagnóstico de hidrocefalia de pressão normal”, frisa.

A neurologista ressalta ainda a necessidade de mais dados que auxiliem no diagnóstico da demência em casos classificados como potencialmente reversíveis. “Na hidrocefalia de pressão normal, o tratamento é eminentemente cirúrgico. Ou seja, destoa potencialmente do tratamento das demais demências, como Alzheimer, corpúsculos de Lewy, fronto-temporal e vascular”, diferencia. “Assim, o diagnóstico correto pode mudar o tratamento da doença e o prognóstico do paciente, que, em alguns casos, pode ter possibilidade de cura.”

Fonte: correiobraziliense

fevereiro 23, 2018

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Arqueólogos encontram menções a rei bíblico debaixo da tumba do profeta Jonas

Antigas inscrições, com cerca de 2.700 anos de idade, foram descobertas sob o túmulo do profeta Jonas, na região de Nínive, Iraque. O local foi destruído pelos jihadistas do Estado Islâmico em 2014, mas agora está sendo restaurado.

Debaixo da tumba, que preserva uma tradição milenar, foram feitas escavações e encontradas inscrições sobre o rei assírio Esar-Hadom, citado várias vezes no Antigo Testamento. Ele era filho de Senaqueribe, e governou o império Neoassírio entre 681 a.C. e 669 a.C.

 Os arqueólogos iraquianos, que trabalhado nos túneis descobriram no ano passado inscrições de “touros e leões alados” que eram símbolos ao reinado Esar-Hadom. “O palácio de Esar-Hadom, rei forte, rei do mundo, rei da Assíria, governador da Babilônia, rei da Suméria e Acade, rei dos reis do Egito inferior, do alto Egito e de Cuxe [um antigo reino ao sul do Egito, atual Sudão]”, diz uma das gravuras decifradas e que foi revelada a público recentemente.

Outra inscrição diz que Esar-Hadom “reconstruiu o templo do deus Assur [principal divindade dos assírios]” e também restabeleceu as antigas cidades de Babilônia e Esagila, onde “renovou as estátuas dos grandes deuses”. Há indícios que ele também renovou um palácio construído por Senaqueribe, cujo exército invadiu Israel, conforme descrito em 2 Crônicas 32: 1.

Além de suas obras, há registros de suas conquistas, como da cidade de Cilicia (no sul da atual Turquia) e Sidon (no Líbano). Há outros registros mostrando que tinha sob seu domínio cerca de 20 reis vassalos, inclusive Manassés de Judá.

Embora não seja nominado, o registro de 2 Crônicas 33:10-13 mostra uma referência indireta a ele quando narra que o rei Manassés foi capturado pelos “comandantes do exército do rei da Assíria”, que o levaram para a Babilônia. O local onde acredita-se que o profeta Jonas está enterrado é considerado sagrado para alguns grupos de cristãos e muçulmanos. Os jihadistas destruíram a tumba por considera-la um local de idolatria. Após as derrotas do EI na cidade de Nínive, no início de 2017, estudiosos e arqueólogos vem estudando a complexa rede de túneis no subterrâneo e que foram reveladas pela destruição.

A arqueóloga Layla Salih disse que após terem explodido o local, os soldados do EI saquearam o local, para negociar os achados no mercado negro de antiguidades. “Acreditamos que eles levaram muitos dos artefatos, como cerâmica e peças menores, para vender. Mas o que eles deixaram será estudado e acrescentará muito ao nosso conhecimento sobre o período”.

Chamou a atenção doa arqueólogos as esculturas de pedra outras divindades antigas, que não foram destruídas. “Há uma grande quantidade de história aqui, não apenas pedras ornamentais. É uma oportunidade para finalmente mapearmos o tesouro do primeiro grande império do mundo, datado de seu período de seu maior sucesso”, comemora Salih.

Fonte: gospelprime 

fevereiro 20, 2018

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Estudo relaciona ansiedade ao Alzheimer – descoberta ajuda no diagnóstico

Identificar pistas precoces do Alzheimer é um desafio que move cada vez mais cientistas, já que estratégias de cura avançam pouco nos laboratórios. Um grupo dos Estados Unidos tenta encontrar esses primeiros vestígios em outra complicação cada vez mais incidente e temida no planeta: a ansiedade. Segundo eles, o acúmulo da proteína beta-amiloide, considerado um dos pontos-chave do surgimento do Alzheimer, começa a correr no cérebro de ansiosos bem antes das limitações cognitivas e comportamentais da demência. Se identificado, portanto, funcionaria como um biomarcador preventivo. O estudo foi publicado recentemente na revista The American Journal of Psychiatry e, segundo os autores, pode melhorar estratégias de combate à doença neurodegenerativa.
O trabalho conta com o auxílio de uma investigação maior, o Harvard Aging Brain Study (HABS), uma pesquisa observacional sobre idosos iniciada em 2010 nos Estados Unidos. Desse banco, a equipe selecionou 270 americanos, homens e mulheres, cognitivamente normais, com idade entre 62 e 90 anos e sem distúrbios psiquiátricos. Os participantes foram, então, submetidos a exames de imagem de base, comumente usados em estudos de Alzheimer, e a avaliações anuais com a Escala de Depressão Geriátrica de 30 itens (GDS), utilizada para detectar a depressão em adultos mais velhos.
“Essa escala foi incluída como uma das medidas clínicas porque sabemos que a depressão é um fator de risco para o declínio cognitivo, embora os mecanismos biológicos que explicam essa associação ainda não sejam entendidos”, explica ao Correio Nancy Donovan, psiquiatra geriátrica no Brigham and Women’s Hospital e uma das autoras do estudo. A cientista conta que, em vez de olhar para a depressão como um todo, ela e os colegas optaram por investigar a ansiedade, um dos sinais depressivos. “Ao compará-los com outros sintomas característicos da depressão, como tristeza ou perda de interesse, os de ansiedade aumentaram com o tempo nos pacientes que demonstraram um nível mais alto de beta-amiloides no cérebro”, afirma.
A equipe analisou os dados considerando três sintomas de depressão: apatia anedonia (falta de energia e capacidade de sentir prazer), disforia (mudança repentina de humor) e ansiedade. Todos os dados foram avaliados ao longo de cinco anos. Os cientistas também chegaram à conclusão de que níveis mais altos de beta-amiloide podem estar associados com sintomas de ansiedade crescente, e que esse fenômeno pode ocorrer 10 anos antes do surgimento do Alzheimer. “Nós hipotetizamos que a ansiedade pode ser uma manifestação neuropsiquiátrica da doença de Alzheimer precoce e que a acumulação da proteína dessa doença pode dar origem a uma depressão aumentada ao longo do tempo”, ressalta Nancy Donovan.
Prevenção
Para Luciano Talma, neurologista do Instituto Castro e Santos, em Brasília, o trabalho norte-americano utiliza uma via investigativa promissora. “É um tema que tem sido bem explorado nos últimos anos. Antes de desenvolver o comprometimento da doença, o Alzheimer tem seus biomarcadores, como o acúmulo de beta-amiloide. Os cientistas relacionaram esse aumento com os sintomas psiquiátricos. Essa é uma busca de possíveis sintomas precoces da doença que poderia ajudar em intervenções realizadas mais cedo”, afirma. “O objetivo de estudos como esse é identificar grupos que possam se beneficiar de tratamentos de prevenção, mostrando como as doenças neuropsiquiátricas podem ser consideradas um fator de risco para esse problema de saúde.”
Nancy Donovan ressalta a aplicabilidade do seu estudo seguindo a mesma linha. “Em última análise, esperamos ser capazes de identificar subgrupos importantes de adultos de alto risco, mesmo antes do comprometimento cognitivo, com base em fatores biológicos, alterações de comportamento da beta-amiloide e sintomas neuropsiquiátricos”, diz. “Se mais pesquisas comprovarem a ansiedade como um sintoma precoce, a descoberta seria importante não apenas para identificar pessoas com a doença, mas também para iniciar o tratamento e potencialmente diminuir ou prevenir o seu desenvolvimento.”
A cientista americana destaca, ainda, que um maior acompanhamento dos pacientes é necessário para determinar se os sintomas depressivos crescentes darão origem a depressões clínicas e estados de demência. O próximo passo da equipe será avaliar outros fatores que expliquem melhor a relação entre ansiedade e Alzheimer. “Será importante estudar possíveis efeitos recíprocos: maior depressão leva ao aumento da carga da beta-amiloide ao longo do tempo no estágio pré-clínico da doença de Alzheimer?”, questiona Nancy Donovan.
Já com os atuais resultados, Luciano Talma acredita ser possível fazer um alerta sobre a importância dos cuidados com distúrbios de comportamento na população idosa. “Essas pesquisas reforçam a necessidade de tratamentos adequados para pacientes que sofrem desses transtornos, principalmente a depressão. Não só ela, também a hipertensão, a obesidade e outros fatores cardiovasculares que precisam ser bem tratados para evitar o surgimento de complicações maiores, como o Alzheimer”, explica. O especialista reforça, ainda, que os cuidados preventivos não se limitam a abordagens médicas. “É importante cuidar da alimentação, realizar a psicoterapia, ou seja, é um conjunto de fatores que fazem parte da prevenção desse problema de saúde”, lista.

fevereiro 16, 2018

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Espectógrafo no Chile é considerado aliado na busca de vida extraterrestre

Astrônomos de todo o mundo estão em contagem regressiva para o início oficial das atividades do Espresso, um poderoso espectrógrafo instalado no Observatório de Paranal, no norte do Chile. Com uma inigualável precisão para detectar e analisar as características dos exoplanetas, o equipamento desde já é considerado o melhor aliado dos especialistas na busca de vida extraterrestre.
Quando começar a funcionar, em outubro próximo, o sofisticado instrumento permitirá a ampliação do alcance e a potência dos quatro enormes telescópios VLT (Very Large Telescope) montados em Paranal, sob a tutela do Observatório Europeu Austral (ESO), em pleno deserto do Atacama.

A região tem um dos céus mais limpos do planeta, com características favoráveis para a observação do espaço. Por esse motivo, é lá que estão os maiores observatórios. Em um ambiente tão propício, estima-se que 70% da infraestrutura astronômica do mundo estará concentrada no Chile até 2020.

Especialistas são unânimes em afirmar que o Espresso (Echelle Spectrograph for Rocky Exoplanet and Stable Spectroscopic Observations, ou Espectrógrafo para Exoplanetas Rochosos e Observações Espectroscópicas Estáveis, em tradução livre) representa um projeto sem precedentes que ajudará a lançar mais luz sobre os exoplanetas.

Exatidão

Atualmente considerado o espectrógrafo mais preciso instalado no Observatório La Silla (também no deserto do Atacama), o Harps se verá superado pelo Espresso, em função de sua maior precisão para medir exoplanetas. “O Espresso terá uma precisão 10 vezes maior do que o instrumento mais preciso que existe no mundo, que é o Harps”, afirmou o astrônomo italiano Gaspare Lo Curto, do ESO, um dos líderes desse projeto.

Lo Curto destacou, ainda, que o Espresso estará disponível nos quatro telescópios ao mesmo tempo, algo nunca antes realizado. “Motivo pelo qual as probabilidades de encontrar planetas similares à Terra em massa e em tamanho, ou em condições para vida, são maiores”, enfatizou o astrônomo italiano.

O espectrógrafo também aproveitará os 8,2 metros de diâmetro dos espelhos dos telescópios de Paranal, superior aos 3,6 metros do instrumento de La Silla. Todas essas potencialidades permitirão ao Espresso ser capaz de detectar planetas menores, parecidos em tamanho e massa com a Terra.

O trabalho do espectrógrafo consistirá em reunir toda luz que os telescópios VLT coletam de alguma estrela orbitada pelo exoplaneta, o que permitirá medir o deslocamento de ambos os corpos. Por meio desse método, conhecido como “velocidade radial”, os cientistas obterão informações sobre o exoplaneta, como sua atmosfera, se conta com oxigênio, nitrogênio, dióxido de carbono, ou mesmo água, elementos vitais para a vida.

A luz que os telescópios recebem viaja por túneis que atravessam a superfície e chega mediante lentes ópticas até o Espresso, onde a informação desembarca por cabos de fibra óptica. O Espresso será operado da sala de controle do Observatório Paranal.

Desde 1995, quando os astrônomos suíços Michel Mayor e Didier Queloz descobriram o primeiro exoplaneta (planetas que se encontram fora do Sistema Solar), os especialistas assumiram a tarefa de esquadrinhar os confins do Universo para estudar esses corpos celestes. Ainda não conseguiram determinar, porém, se algum deles tem condições parecidas com as da Terra.

“É uma grande oportunidade ter um instrumento tão avançado quanto o Espresso. Por suas capacidades, vai nos ajudar a responder a uma das grandes perguntas que temos na astronomia, que é analisar e entender planetas extrassolares”, declarou o astrônomo chileno Rodrigo Herrera Camus, do Instituto Max Planck, da Alemanha.

Testes

Atualmente em fase de testes, o Espresso foi instalado no início do ano passado a cerca de quatro metros de profundidade da plataforma, na qual se encontram os telescópios VLT, no Monte Paranal, a 2.600 metros de altitude. O novo instrumento astronômico está no interior de um contêiner metálico como proteção, já que conta com sofisticados e delicados instrumentos ópticos, e porque deve estar a uma temperatura média de 150ºC abaixo de zero.
Inaugurado em 1998, o Observatório óptico Paranal é catalogado como o mais complexo de sua classe por seus diferentes instrumentos e telescópios, que permitem aos astrônomos uma ampla gama de pesquisas em áreas limitadas para os outros observatórios.

Fonte: correiobraziliense.com.br

fevereiro 9, 2018

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Camada de ozônio se recupera, mas melhora ainda é irregular

A camada de ozônio — que protege o planeta da perigosa radiação ultravioleta — está se recuperando nos polos, mas o mesmo não vem ocorrendo em latitudes baixas, que são as áreas mais populosas. Desde a década de 1970, o ozônio entrou em declínio devido à alta concentração de alguns produtos químicos. Com a proibição dessas substâncias, partes da camada vêm se recompondo, particularmente nos extremos da Terra. Porém, segundo um estudo da União Europeia de Geociências publicado na revista Chemistry and Physics, a base da camada de ozônio não se recuperou, e a causa desse fenômeno é desconhecida.

O ozônio é uma substância formada na estratosfera, a região da atmosfera entre 10km e 50km de altitude, acima da troposfera, onde vivemos. Ele é produzido em latitudes tropicais e distribuído ao redor do globo. Uma grande porção da camada da substância reside na parte baixa da estratosfera. A camada de ozônio absorve muito da radiação do Sol, que, se alcançar a superfície da Terra, pode causar danos ao DNA das plantas, dos animais e dos humanos.Nos anos de 1970, foi reconhecido que químicos chamados CFCs, usados, por exemplo, em refrigeração e aerosol, estavam destruindo o ozônio na estratosfera. O efeito era pior na Antártida, onde se formou um buraco. Em 1987, o Protocolo de Montreal foi assinado, levando à extinção dos CFCs. Recentemente, surgiram os primeiros sinais de recuperação na região do polo. A estratosfera superior a baixas latitudes também está mostrando claros sinais de recuperação, mostrando que o protocolo foi importante.

Contudo, apesar desse sucesso, os cientistas europeus revelaram que o ozônio estratosférico não está se recuperando nas baixas latitudes, entre 60 Norte e 60 Sul, devido a declínios inesperados na camada que se localiza na parte baixa da estratosfera. “O ozônio vem caindo seriamente no mundo desde 1980, mas, enquanto o banimento dos CFCs está levando a uma recuperação nos polos, o mesmo não parece ser verdade para baixas latitudes”, afirma Joanna Haigh, coautora do trabalho e codiretora do Instituto de Mudanças Climáticas e Ambientais do Imperial College Londres. “O potencial para provocar danos nas latitudes baixas pode ser menor do que vimos nos polos antes de o Protocolo de Montreal ser assinado, mas a radiação UV é mais intensa nessas regiões e mais pessoas vivem aí”, observa.

A causa desse declínio não é certa, embora os autores sugiram algumas possibilidades. Uma é o fato de as mudanças climáticas estarem alterando o padrão da circulação atmosférica, fazendo com que mais ozônio seja levado dos trópicos. A outra possibilidade é que substâncias de vida muito curta (VSLSs, pela sigla em inglês), que contêm cloro e bromo, estejam destruindo o ozônio na baixa estratosfera. Os VSLSs incluem químicos usados como solventes e tintas. Um deles é utilizado, inclusive, para substituir os CFCs em produtos “ozônio-friendly” (amigos da camada de ozônio).

Surpresa

“A descoberta do declínio de ozônio na baixa latitude é uma surpresa, já que nossos melhores modelos de circulação atmosférica não predizem esse efeito. Substâncias de vida muito curta podem ser o fator que falta nesses modelos”, acredita William Ball, pesquisador do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique que liderou a análise dos dados. Acreditava-se que essas substâncias não persistiriam muito na atmosfera a ponto de alcançar a altura da estratosfera e afetar o ozônio, mas, agora, mais pesquisa terá de ser feita.
Para conduzir a análise, a equipe desenvolveu novos algoritmos que combinam dados de satélite obtidos por diferentes missões internacionais, desde 1985. “O estudo é um exemplo de um esforço concentrado para monitorar e entender o que está acontecendo com a camada de ozônio”, observa Ball.

Embora alguns bancos de dados tenham apontado previamente para o declínio do ozônio, a aplicação de técnicas avançadas e análises seriais revelou um padrão de longo prazo na queda do ozônio em altitudes e longitudes mais baixas da estratosfera. Os pesquisadores dizem que o foco, agora, deveria ser conseguir dados mais precisos sobre esse declínio e determinar o que provavelmente está provocando o fenômeno, por exemplo, examinando a presença de VSLSs na estratosfera.

Fonte: correiobraziliense

fevereiro 6, 2018

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Descoberta pode explicar enigma bíblico sobre a última semana de Jesus na Terra

A mensagem de um dos dois últimos rolos do Mar Morto ainda não traduzidos pode conter uma pista importante para ajudar os estudiosos da Bíblia a reconstituírem a cronologia da última semana de Jesus na Terra. Pesquisadores da Universidade de Haifa conseguiram reunir e traduzir 42 fragmentos codificados de um pergaminho que explica a estrutura de um ano, segundo o calendário de 364 dias usada pela seita judaica que vivia na região de Qumran do primeiro século. Conhecidos como “essênios”, eles viviam no deserto da Judeia e são os autores dos rolos encontrados nas cavernas, contendo 15.000 fragmentos de mais de 200 livros.

Embora esse grupo cismático de Qumran usasse um calendário de 364 dias, fato conhecido a partir de documentos antigos anteriormente traduzidos, o material que veio à luz recentemente, publicado no Journal of Biblical Literature, revela o nome hebraico de um festival que os essênios observavam a cada mudança de estação: Tekufah [período]. Em contraste com o calendário de 364 dias, os fariseus e saduceus geralmente usavam o calendário lunar, que às vezes colocava festividades judaicas em dias um pouco diferentes.

Discípulo essênio

Jim Sibley, professor na Faculdade de Israel da Bíblia, explica que Jesus e seus discípulos podem ter seguido o calendário essênio durante a última semana de Sua vida. Isso poderia explicar “a aparente discrepância” entre o relato de João 19:14 – que Jesus morreu no dia imediatamente anterior à noite da refeição da Páscoa judaica – e o relato dos outros evangelhos sobre a última refeição de Cristo ser na véspera da Páscoa.

“O sinal para os discípulos sobre onde eles fariam a ceia era um homem carregando um cântaro de água”, disse Sibley. Provavelmente os discípulos o encontraram no sudoeste de Jerusalém, o local tradicional do Cenáculo. Alguns estudiosos acreditam que nessa área moravam os essênios durante o primeiro século, deixando aberta a possibilidade de o homem ser um essênio que observava a Páscoa de acordo com a calendário de 364 dias.

“Esse essênio pode ter crido em Jesus e se juntado aos seus demais seguidores em Jerusalém”, defende o professor. O rolo de calendário recentemente traduzido, conhecido como 4Q324d “aponta a importância dada ao calendário no primeiro século”, explica Sibley. Ele lembra que o Antigo Testamento estabelece os meses do calendário judaico, mas não estipula se os dias dos meses devem ser calculados pelo método lunar ou por um calendário de 364 dias.

Entre outras características únicas do pergaminho, destaca-se que ele foi escrito em um código e faz referências tanto a festivais judeus bíblicos quanto extrabíblicos, apontaram os pesquisadores da Universidade de Haifa, Eshbal Ratzon e Jonathan Ben-Dov. “O calendário lunar, seguido até hoje pelos judeus, requer ação humana: os indivíduos devem olhar para as estrelas e para a Lua e reportar suas observações e outra pessoa, que detém um certo poder, deve decidir o início de um novo mês e chegada de um ano bissexto. Ao contrário dele, ter um calendário de 364 dias seria perfeito, pois, como esse número é divisível por 4 e por 7, as ocasiões especiais acabam sempre caindo no mesmo dia. Isso evita a necessidade, por exemplo, de se decidir quando será o período sabático, como costuma acontecer no uso do calendário lunar”, esclareceram os pesquisadores no artigo que escreveram sobre a descoberta.

Validade dos Rolos

Lamar Cooper, professor da Faculdade Teológica de Criswell, que ajudou a escavar uma caverna onde alguns Rolos do Mar Morto foram localizados, acredita que a última tradução “realmente entusiasma” porque revalida a utilidade dos Rolos do Mar Morto.

“Quando esses pergaminhos foram encontrados pela primeira vez [em 1947], as pessoas pensavam que não tinham valor”, disse Cooper, erudito em Antigo Testamento e arqueologia bíblica. “Ao longo dos anos, tudo o que aparece [dos Pergaminhos do Mar Morto] confirma o que a Bíblia diz”.

Os Pergaminhos (ou Rolos) do Mar Morto são manuscritos que foram encontrados entre as décadas de 1940 e 1950 em mais de dez cavernas na região de Qumran, próximas ao Mar Morto.

Os cerca de 900 pergaminhos foram registrados em papiro, pele de animal e cobre. Muitos acabaram com o tempo se quebrando em milhares de fragmentos. Seu conteúdo varia, incluindo relatos sobre as tradições, histórias e crenças judaicas, bem como livros do Antigo Testamento e relatos sobre a vida dos essênios.

Fonte: gospelprime.com.br

fevereiro 2, 2018

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O que a mudança brusca de temperatura durante o eclipse da superlua pode ajudar a revelar?

Os eclipses lunares como o que se viu nesta quarta-feira (31) são um grande espetáculo.  Quem observou o céu conseguiu apreciar uma lua mais brilhante e maior, conhecida como superlua, que também coincidiu com um eclipse, com uma lua azul e uma lua de sangue, que resultou em imagens incríveis.

Mas os cientistas que investigam as características do satélite natural da Terra ganharam mais um presente. Eclipses como o de quarta-feira são uma oportunidade perfeita para estudar a Lua usando uma câmera térmica astronômica, de acordo com a agência espacial norte-americana Nasa. “Durante um eclipse lunar, a oscilação da temperatura é tão dramática que é como se a superfície da Lua passasse de um forno a um freezer em poucas horas”, explica o cientista Noah Petro, do Orbitador de Reconhecimento Lunar da Nasa. A temperatura na superfície lunar durante um eclipse varia entre 93°C e -128°C.

O regolito

A mudança de temperatura é extrema e ocorre em um período relativamente curto. Do Observatório Haleakala, na Ilha de Maui, no Havaí, pesquisadores americanos fizeram testes medindo comprimentos de ondas invisíveis para detectar o calor. O principal objetivo foi estudar as características do regolito, a camada que recobre as rochas tanto na Lua quanto na Terra – formada por materiais diferentes em cada um desses astros -, diz a Nasa.

Ter uma compreensão clara de qual é a composição do solo na Lua é valioso para que as futuras missões tripuladas localizem pontos confiáveis para fazer um pouso lunar. “Se você quiser pousar em um ponto, você quer ter certeza de que é um lugar seguro e relativamente livre de rochas”, disse o cientista da Nasa Rick Elphic à NPR (Rádio Pública Nacional dos Estados Unidos, na sigla em inglês). “Um lugar onde suas botas não vão afundar em 18 polegadas (45 cm) ou algo assim”, diz ele.

O lado escuro das crateras

O eclipse desta quarta-feira também ajudou no mapeamento da superfície lunar, uma tarefa que centros como o Orbitador de Reconhecimento Lunar têm a oportunidade de realizar uma ou duas vezes por ano, quando ocorrem eclipses lunares totais. “Toda a natureza da Lua muda quando é observada com uma câmera térmica durante um eclipse”, diz Paul Hayne, do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial da Universidade de Colorado Boulder. Como explica a Nasa, quando ocorre um eclipse, crateras desconhecidas ficam expostas, uma vez que as rochas perdem calor com mais ou menos rapidez, dependendo de seu tamanho. “Algumas crateras começam a brilhar porque as rochas das quais são formadas ainda estão quentes”, diz Hayne.