julho 29, 2017

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Astrônomos ficam surpresos com descoberta em ‘berçário’ estelar

Nebulosa de Órion/foto internet

Nebulosa de Órion/foto internet

Astrônomos ficaram surpresos ao encontrar estrelas de três idades diferentes em um “berçário” estelar na Via Láctea, pondo em questão o consenso científico sobre como as estrelas se formam.

O Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile, identificou três grupos distintos de estrelas bebê na nebulosa de Órion – a “fábrica” de estrelas mais próxima da Terra -, informou uma equipe de cientistas nesta quarta-feira (26/7).
“Olhar para os dados pela primeira vez foi um daqueles momentos ‘uau!’ que ocorrem apenas uma ou duas vezes na vida de um astrônomo”, disse em um comunicado o astrônomo do ESO Giacomo Beccari.
As imagens revelam “sem dúvida que estamos vendo três populações distintas de estrelas nas partes centrais de Orion”, acrescentou.
Anteriormente, acreditava-se que todas as estrelas em uma jovem nebulosa se formavam simultaneamente. Agora, parece que o nascimento das estrelas ocorre em irrupções, “e mais rapidamente do que se pensava”, disse a equipe.
Com base no brilho e na cor das estrelas na nebulosa de Órion, a equipe determinou que três grupos diferentes de estrelas nasceram dentro de um período de três milhões de anos.
As nebulosas são nuvens maciças de gás e poeira onde as estrelas se originam. A mais conhecida é a nebulosa de Orion, a 1.350 anos-luz da Terra.
Ela é visível a olho nu como o ponto mais brilhante ao redor do “cinturão” da constelação de Órion.

julho 25, 2017

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Robson rodovalho e Gerald Schroeder lançam livro Comentários Científicos de Gênesis

Por que existe algo em vez de nada? Não há nenhuma explicação científica para isso. A única explicação que temos é a Bíblia, porque há um Deus que trouxe existência em Seu ser. Quer saber mais?  Confira no mais novo livro de Robson Rodovalho e Gerald Schroeder – Comentários Científicos de Gênesis. Uma explicação dos fenômenos científicos à luz do hebraico original e da cosmologia moderna.

“Por meio de uma análise detalhada da Bíblia, vemos que a ciência está em alinhamento com a mesma. Esse alinhamento não nos surpreende, pois o mesmo Autor que criou o Universo nos presenteou com o texto bíblico”, destacam os autores. 

Para saber onde encontrar acesse www.sarabrasil.com.br e ou vá a uma loja SBE mais próxima!

julho 21, 2017

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Estudo revela ter sido encontrado vestígios de sangue no Santo Sudário

Recentemente um estudo publicado revelou ter encontrado vestígios de sangue no Santo Sudário. Para uma parte dos cristãos trata-se do pano que envolveu Jesus Cristo em seu sepultamento. A pesquisa foi realizada por uma equipe liderada por Elvio Carlino, do Instituto de Cristalografia, em Bari, Itália.

 As informações divulgadas na revista científica PlosOne demonstram que o sangue presente no tecido comporta indícios de creatinina e ferritina. “A presença destes dois elementos ocorre em casos de poli-traumatismo grave”, indica a pesquisa.

O estudo que foi publicado com o nome ‘Estudos de resolução atômica detecta novas evidências biológicas  no Sudário de Turim’, reafirma investigações anteriores, que já indicavam para uma “morte violenta”.

“As partículas muito pequenas aderidas às fibras do linho do sudário registaram um cenário de grande sofrimento da vítima que estava envolvida no pano funerário”, observa Elvio Carlino, especialista do Instituto de Cristalografia. Ele ainda afirma que “estas descobertas só poderiam ser reveladas pelos métodos recentemente desenvolvidos no campo da microscopia eletrônica”.

 As nanopartículas encontradas no material tinham uma estrutura, tamanho e distribuição peculiares. Giuliu Fanti, professor da Universidade de Pádua, baseado nos resultados também afirma a existência de “uma morte violenta do homem envolvido no Sudário”.

O Santo Sudário de Turim

O pano de linho com 4 metros e 36 centímetros de comprimento por 1 metro e 10 centímetros de largura foi submetido, em 1989, ao teste do Carbono-14 em três laboratórios da Suíça, Estados Unidos e Reino Unido, cujos resultados datavam o tecido como sendo do período 1260 a 1390.

 Em 2011, no entanto, a agência italiana para as novas tecnologias e desenvolvimento sustentável (ENEA) anunciou as conclusões de um trabalho de cinco anos sobre a formação da imagem que se vê no Sudário, tentando a sua reprodução.

“A imagem dupla (frente e verso) de um homem flagelado e crucificado, pouco visível no pano de linho do Sudário de Turim, tem muitas características físicas e químicas (…) é impossível de obter em laboratório”, afirmaram os especialistas da ENEA.

O Centro Português de Sindonologia, associação cultural sem fins lucrativos dedicada ao estudo e divulgação do Santo Sudário de Turim, refere em comunicado enviado à Agência Ecclesia que “a imagem tem atributos ímpares, tais como comportar-se como um negativo fotográfico e possuir codificação ‘3D’ só extraível por métodos de processamento informático de imagem existentes em finais do século XX”.

Fonte: gospelprime.com.br

julho 18, 2017

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Estudo revela que praticar atos de generosidade traz felicidade

felicidade

Segundo estudo, atos de generosidade levam à felicidade (Foto: Reprodução/Flickr/Goutler Rodrigues)

O que inspira os humanos a praticarem atos de generosidade? Economistas, psicólogos e filósofos refletem sobre esta questão há milênios.

Se pressupormos que o comportamento humano é motivado principalmente pelo interesse pessoal, parece ilógico sacrificar voluntariamente os recursos pelos outros.

Na tentativa de resolver esse paradoxo, alguns especialistas formularam a teoria de que doar ou presentear satisfaz o desejo de elevar a posição do indivíduo em um grupo.

Outros sugeriram que o ato promove a cooperação tribal e a coesão – um elemento-chave na sobrevivência dos mamíferos. Outra explicação é que doamos apenas porque esperamos receber algo em troca.

Um estudo publicado nesta terça-feira (11) sugere que a resposta pode ser muito mais simples: doar nos deixa feliz.

Os cientistas realizaram um experimento em um laboratório em Zurique, na Suíça, com 50 pessoas que relataram seus próprios níveis de felicidade após atos de generosidade. Consistentemente, eles indicaram que doar era uma experiência de bem-estar.

Imagem do cérebro

Ao mesmo tempo, os exames de ressonância magnética revelaram que uma área do cérebro ligada à generosidade desencadeou uma resposta em outra parte relacionada à felicidade.

“Nosso estudo fornece evidências comportamentais e neurais que apoiam a ligação entre generosidade e felicidade”, escreveu a equipe na revista científica “Nature Communications”.

Os pesquisadores informaram aos participantes que cada um deles teria à disposição um valor de 25 francos suíços (US$ 26) por semana durante quatro semanas.

Metade dos participantes foram convidados a se comprometer a gastar o dinheiro com outras pessoas, enquanto o resto poderia planejar como gastariam o dinheiro com eles próprios. Nenhum dinheiro foi realmente recebido ou gasto por nenhum dos dois grupos.

Depois de se comprometerem com os gastos, os participantes responderam às perguntas enquanto seus cérebros estavam sendo examinados. As perguntas evocaram cenários que opunham os próprios interesses dos participantes contra os interesses dos beneficiários da sua generosidade experimental.

Os pesquisadores examinaram a atividade em três áreas do cérebro – uma ligada ao altruísmo e ao comportamento social, uma segunda à felicidade e uma terceira área envolvida na tomada de decisões.

A equipe descobriu que o grupo que se comprometeu a doar o dinheiro relatou estar mais feliz do que os que iam gastar a quantia com eles próprios.

As descobertas têm implicações para a educação, política, economia e saúde pública, segundo os pesquisadores. “A generosidade e a felicidade melhoram o bem-estar individual e podem facilitar o sucesso social”, escreveram.

Fonte: g1.globo.com

julho 14, 2017

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Nasa divulga imagens da Grande Mancha Vermelha de Júpiter

Fonte: internet

Fonte: internet

Miami, Estados Unidos – A Nasa divulgou na quarta-feira (13/7) uma série de impressionantes imagens da tempestade de Júpiter conhecida como Grande Mancha Vermelha, obtidas através de uma sonda não tripulada. A sonda Juno, da agência espacial americana, sobrevoou a tormenta na segunda-feira, oferecendo a visão mais próxima desta icônica característica do maior planeta do nosso sistema solar.

“Durante centenas de anos os cientistas têm observado e teorizado sobre a Grande  Mancha Vermelha de Júpiter”, destacou Scott Bolton, principal pesquisador da Juno no Southwest Research Institute, em San Antonio. “Agora temos as melhores imagens da história”. As imagens podem ser vistas em https://www.missionjuno.swri.edu/junocam/processing

Os pesquisadores esperam saber mais sobre o que impulsiona esta tempestade, e Bolton avaliou que levará algum tempo para analisar os dados capturados por oito instrumentos de Juno quando sobrevoou a tormenta, a 9.000 km de altitude.
A Grande Mancha Vermelha tinha 16.350 km de largura no dia 3 de abril passado. O fenômeno é monitorado desde 1830 e existe, possivelmente, há mais de 350 anos. A Nasa tem fotografado o fenômeno ao longo dos anos através de telescópios e sondas.
Juno partiu em 5 de agosto de 2011 de Cabo Canaveral, Flórida, e orbita Júpiter há pouco mais de um ano. “Estas imagens tão esperadas da Grande Mancha Vermelha de Júpiter são a ‘tempestade perfeita’ de arte e ciência”, opinou Jim Green, diretor de ciência planetária da Nasa. “Estamos encantados de compartilhar a beleza e a emoção da ciência espacial com todos”.

julho 11, 2017

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Cientistas do CERN descobrem nova partícula de matéria

Os físicos da Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (CERN) descobriram uma nova partícula no Grande Colisor de Hádrons (LHC). Chamada de Xicc++, ela é feita de três quarks, os menores elementos básicos da matéria. Um estudo descrevendo a descoberta foi enviado para ser revisado e publicado no periódico Physical Review Letters.

A nova partícula faz parte da família dos bárions, partículas subatômicas que compõem quase tudo de que se tem conhecimento — prótons e nêutrons, por exemplo, são bárions. Estes, por sua vez, são feitos de quarks.

Como existem seis tipos de quarks (up e down são os mais comuns no universo e os charm, strange, bottom e top só são produzidos por meio de colisões de alta energia), várias combinações são possíveis para formar bárions. Quase todos observados até então eram compostos apenas por um tipo de quark. A Xicc++, no entanto, é feita de três quarks: dois do tipo charm e um do tipo up. É a primeira vez que uma partícula do tipo foi detectada.

A existência da Xicc++ foi demonstrada em experimentos feitos no Grande Colisor de Hádrons (LHC). Localizado na fronteira entre França e Suíça, o acelerador de partículas realiza colisões de alta energia.

Ao estudar a nova partícula, os físicos conseguirão entender como um sistema do tipo funciona. “Diferente dos outros bárions, nos quais os três quarks fazem uma dança elaborada uns em volta dos outros, um bárion duplamente pesado pode agir como um sistema planetário”, afirma Guy Wilkinson, porta-voz da descoberta. “Neste caso, os dois quarks pesados agem como estrelas pesadas orbitando uma em volta da outra, enquanto o quark mais leve orbita esse sistema binário.”

Os cientistas do CERN pretendem continuar estudando a Xicc++ para entender mais sobre o campo da cromodinâmica quântica, que analisa essas várias partículas, e esperam detectar novos tipos de bárions parecidos com ela no futuro.

Fonte: revistagalileu.globo.com

julho 7, 2017

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Como um bispo medieval adiantou a teoria do Big Bang no século 13

Ilustração de Julius Schnorr von Carolsfeld (1852-60)
Direito de imagemGETTY IMAGES O primeiro dia da criação em ilustração de Julius Schnorr von Carolsfeld (1852-60)

O livro bíblico do Gênesis, no capítulo 1, versículo 3, conta: “E Deus disse: faça-se a luz! E a luz foi feita”.

Mas esse foi apenas o começo da criação do universo. Isso, de acordo com a Bíblia, é o que Deus fez depois da luz:

“E disse Deus: Haja luzeiros no firmamento do céu para dividir o dia e a noite, e para sinais e para estações, e para dias e anos;

e sirvam de luminares no firmamento do céu para alumiar a terra. E assim foi.

E fez Deus os dois grandes luminares, o luminar maior para governar o dia e a luz menor para governar a noite; fez também as estrelas.

E Deus os pôs no firmamento do céu para alumiar a terra, e para governar o dia e a noite, e para separar a luz das trevas. E Deus viu que isso era bom.”

Desenho de Robert Grosseteste em livro medieval
Direito de imagemCREATIVE COMMONS
Image captionRobert Grosseteste era um bispo curioso pela origem do universo

No século 13, um estudioso inglês da ordem dos franciscanos mergulhou nesse tema.

Robert Grosseteste trabalhou em um dos grandes centros de aprendizagem em Oxford, local que as pessoas já tinham começado a chamar de “faculdade”.

Para Grosseteste, tudo tinha a ver com a luz, até o ato divino primordial da própria criação.

Mas como exatamente Deus fez a criação?

A resposta do religioso foi a primeira tentativa de descrever os céus e a Terra usando um conjunto de leis.

Do ponto de vista de Grosseteste, tudo começou com a luz e a matéria explodindo a partir de um centro: uma versão medieval do Big Bang.

Sua história mostrou como a fé em princípios científicos, combinada com a crença em um cosmos ordenado por Deus, resultou em uma ideia surpreendentemente profética.

Inicia com luz…

A Coroação da Virgem, 1635-1648Direito de imagemGETTY IMAGES
Image captionA luz sempre foi um elemento presente no cristianismo

Mas o que é a luz? Essa pergunta nunca foi simples.

Alguns dos primeiros escritores cristãos pensavam que havia dois tipos diferentes de luz.

A lux, como era chamado em latim, era o que Deus usou para fazer o cosmos, uma espécie de força criativa divina, quase uma manifestação do próprio Deus.

A outro era lúmen, luz comum que emana de corpos celestes e nos permite ver as coisas.

Essa visão fica evidente para qualquer pessoa que tenha estado em uma catedral gótica inundada pela luz que entra através dos vitrais das janelas.

Sacerdotes e teólogos pensavam que, ao contemplar a bela lúmen da igreja, os fiéis seriam atraídos pela lux bendita de Deus.

Religião e ciência

Obra de James Barry, 1795.
Direito de imagemWELLCOME IMAGES
Image captionEm obra de 1795, um arcanjo releva a natureza física do universo a um grupo de filósofos; entre eles, Robert Grosseteste

Embora hoje pareça haver um conflito entre ciência e religião, durante grande parte da história a religião foi uma grande motivação para a busca de conhecimento no mundo.

Nas escolas das catedrais dos séculos 11 e 12 – predecessoras das universidades – alguns estudiosos pensavam que era seu dever aprender mais sobre o universo que, para eles, havia sido criado por Deus.

Eles não consultavam apenas a Bíblia: liam os escritos dos antigos gregos como Platão, Aristóteles e Hipócrates, que tinham sido preservados em traduções feitas por escritores islâmicos.

O aprendizado sobre o mundo natural floresceu na era das grandes catedrais góticas, e muitos historiadores falam de um primeiro Renascimento no século 12.

A mais bela das entidades

Vitral con o nome de GrossetesteDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionGrosseteste nasceu por volta de 1175 em Suffolk, na Inglaterra, e morreu em 1253.

Robert Grosseteste nasceu em meio a essa época emocionante.

No início do século 13, ele era um professor proeminente, erudito e, como todos os pesquisadores em Oxford, cristão devoto. Em 1235, tornou-se bispo de Lincoln, na Inglaterra.

Para ele, a luz era uma das mais maravilhosas criações de Deus.

“A luz física é a melhor, a mais deleitável, a mais bela de todas as entidades que existem. A luz é o que constitui a perfeição e a beleza de todas as formas físicas”, escreveu.

Mas Grosseteste não se conformava com apenas apreciar a luz que entrava pelas grandes janelas da catedral gótica de Lincoln. Ele começou a estudá-la como um cientista.

Analisou, por exemplo, a passagem da luz através de um copo de água.

Ele percebeu que lentes poderiam ampliar objetos, e quando alguém lê o que o bispo escreveu sobre o assunto, começa a se perguntar por que demorou mais de 300 anos para que telescópios e microscópios fossem inventados.

“Esta parte da ótica, quando bem compreendida, mostra-nos como podemos fazer as coisas que estão a uma distância muito grande parecerem como se estivessem muito próximas, e as coisas grandes que estão perto parecerem muito pequenas, e como podemos fazer as pequenas coisas que estão distantes parecerem de qualquer tamanho que queremos, de modo que poderia ser possível ler as letras mais pequenas a distâncias incríveis ou contar a areia ou sementes ou qualquer tipo de objetos minúsculos”, escreveu Grosseteste.

Um dos primeiros telescópiosDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionApesar de descobertas de Grosseteste adiantarem mecanismo de telescópios, eles só foram inventados 300 anos depois

Além disso, ele notou que a luz muda de trajetória ao passar do ar para a água, um efeito chamado de refração.

Como outros antes dele, Grosseteste viu que a luz poderia dividir-se em um espectro colorido como um arco-íris, e escreveu um tratado sobre o fenômeno, no qual chegou perto de explicar sua origem: pensou que as nuvens agiam como uma lente gigante que refratava a luz e a enchia de cor.

“De luce”

Em 1225, Grosseteste reuniu o que havia concluído sobre a luz em um livro chamado “De Luce” (Sobre a Luz).

Era uma mistura de teologia, ciência, metafísica e especulação cósmica.

Mas tratava, em particular, da questão de como Deus fez todo o cosmos usando a luz.

Em vez de tratar a criação como uma espécie de ato mágico, Grosseteste começou a transformá-la em um processo natural, algo que hoje chamaríamos de “estudo científico”.

Como muitos de seus contemporâneos, ele acreditava que Deus trabalhava com princípios simples, baseados em regras que a humanidade poderia compreender pela lógica, geometria e matemática.

“Todas as causas de efeitos naturais devem ser expressadas por meio de linhas, ângulos e figuras, porque caso contrário seria impossível ter conhecimento da razão destes efeitos”, escreveu.

E como o universo era governado pela matemática, era também ordenado e racional – e seria possível deduzir suas regras.

Na verdade, a descrição de Grosseteste da criação divina é tão precisa, que pode ser expressada em um modelo matemático, algo que historiadores e cientistas da Universidade de Durham, no Reino Unido, fizeram com a ajuda de um computador.

A máquina do mundo

Ilustração do universo geocêntrico
Direito de imagemGETTY IMAGES
Image captionNa época do bispo, a Terra ainda era o centro do universo

Para Grosseteste e seus contemporâneos, o universo consistia na Terra, que ficaria no centro, e todos os corpos celestiais – o Sol, a Lua, os sete planetas conhecidos e as estrelas que giravam ao seu redor em círculos perfeitos.

Mas, para ele, tudo começou com uma espécie de Big Bang, no qual uma explosão de luz – do tipo lux – fez com que uma densa esfera da matéria se expandisse, tornando-se cada vez mais leve e diluída.

“Essa expansão dispersaria a matéria ‘dentro de uma esfera do tamanho da máquina do mundo’, que é como ele chama o cosmos”, diz Tom McLeish, um dos físicos da Universidade de Durham que traduziu a teoria cosmológica de Grosseteste para um modelo matemático.

“Mas logo encontra um problema: (a matéria) não pode se expandir infinitamente, porque nessa época o universo era enorme, mas finito. Como pará-lo? Com uma brilhante ideia científica. Pensando como um físico, recorre a algo simples para explicar não apenas como (o universo) deixa de expandir, mas como as esferas são formadas.”

Uma luz brilhante na escuridão

“Se você não pode alcançar o vazio, porque a natureza tem aversão a ele”, reflete Grosseteste, “deve haver uma densidade mínima, e quando chega-se a ela, a (matéria) tem que cristalizar”.

Seguindo essa linha de raciocínio, isso ocorreria em primeiro lugar na parte mais distante: o firmamento. Esse se cristaliza primeiro e se aperfeiçoa, adquirindo luz – lúmen-, que também empurra a massa, neste caso, para dentro, e, portanto, são criadas as esferas nas quais residem os planetas, o Sol, a Lua e a Terra.

Robert Grosseteste
Direito de imagemCREATIVE COMMONS
Image captionRetrato de Robert Grosseteste como bispo de Lincoln, dando as benções com a mão direita

“Outro pensamento moderno que ele teve foi que, quando olhamos para o céu, o universo que vemos de alguma forma contém os rastros ou eco dos processos que o formaram”, disse McLeish.

“Isso é precisamente o que os cosmólogos pensam hoje em dia. Lembre-se da busca por microondas no eco do Big Bang”, acrescentou com entusiasmo.

“A única parte obscura da Idade das Trevas (entre a queda de Roma e o Renascimento) é a nossa ignorância sobre essa época. Grosseteste é um pensador impressionante”, disse McLeish.

“A história que me contaram quando era jovem era que antes de 1600 não havia mais do quemisticismo, teologia e dogmatismo. E de repente apareceram Galileu, Kepler, uau! Tudo é luz e iluminação, e voltamos a andar com a ciência “, diz o físico.

“Mas a verdade é que a ciência não funciona assim. Todos nós damos pequenos passos e, como disse Isaac Newton, todos nós subimos nos ombros de gigantes. E Grosseteste é um daqueles gigantes em cujos ombros subiram os primeiros cientistas modernos.

julho 4, 2017

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Estudo observa algo inédito em dois buracos negros: um orbita o outro

2017. Crédito: Josh Valenzuela/UNM/Divulgação. Ciência. Reconstituição artística dos buracos negros gravitando próximos.

2017. Crédito: Josh Valenzuela/UNM/Divulgação. Ciência. Reconstituição artística dos buracos negros gravitando próximos.

A aproximadamente 750 milhões de anos-luz da Terra, há uma gigantesca e abaulada galáxia, com dois supermassivos buracos negros no centro. Eles estão entre os maiores objetos celestes do tipo já encontrados, com massa combinada 15 bilhões de vezes maior que a do Sol. Uma nova pesquisa dOKa Universidade de Stanford publicada no Astrophysical Journal usou observações de longo prazo para mostrar algo inédito: aparentemente, um orbita o outro.

Esse também foi o menor registro de movimento de um objeto pelo céu, também conhecido como movimento angular. “É algo como um caracol se movendo a 1cm por segundo na órbita do planeta recém-descoberto Proxima Centauri. É esse o tipo de movimento angular que estamos lidando aqui”, comparou Roger W. Romani, professor de física em Stanford e coautor do artigo.

Deslocamento

De acordo com ele, os ganhos técnicos dessa medida são, sozinhos, motivo de celebração. Mas os pesquisadores também esperam que a descoberta ofereça ideias sobre como os buracos negros se deslocam e de que forma esses deslocamentos afetam a evolução das galáxias que orbitam.
Ao longo de 12 anos, cientistas liderados por Greg Taylor, professor de física e astronomia na Universidade do Novo México, têm tirado fotos da galáxia 0402+379, que contém os dois buracos negros, com um sistema de 10 radiotelescópios que vão das Ilhas Virgens norte-americanas ao Alasca. Ela foi descoberta em 1995. Em 2006, pesquisadores confirmaram a existência do sistema binário de buracos negros supermassivos com uma configuração diferenciada.
“Os buracos negros estão separados por sete parsecs (cada parsec é 3,26 anos-luz), o que é o mais próximo que dois buracos negros supermassivos já foram flagrados”, diz Karishma Bansal, estudante de graduação do laboratório de Taylo e principal autora do estudo.
Com esse artigo, a equipe reporta que um dos objetos se moveu a uma taxa de apenas 1 microarcsegundo por ano, um ângulo cerca de 1 bilhão de vezes menor do que a mais ínfima coisa visível a olho nu. Baseado nesse movimento, os pesquisadores hipotetizaram que um deve estar orbitando o outro há pelo menos 30 mil anos.
Embora essa seja a primeira medição direta do movimento orbital dos buracos negros, outros sistemas binários do tipo já foram encontrados. Contudo, os pesquisadores acreditam que os objetos da 0402 379 são especiais. “Minha esperança é de que essa descoberta inspire as pessoas a procurarem outros sistemas que estejam ainda mais próximos e, assim, façam sua movimentação em uma escala de tempo mais humana”, diz Romani. “Eu ficaria feliz se encontrássemos um sistema que completa uma órbita dentro de poucas décadas, de forma que poderíamos realmente ver os detalhes das trajetórias dos buracos negros”, completa.