abril 28, 2017

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Engenheiros criam método para fabricar tijolos com o solo de Marte

Captura de Tela 2017-04-27 às 18.54.40Graças a uma técnica desenvolvida por pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego, o projeto de explorar Marte está mais perto de se tornar possível. Uma equipe liderada pelo professor de engenharia Yu Qiao conseguiu fazer tijolos com solo idêntico ao marciano utilizando recursos muito simples. O novo método foi descrito na revista “Scientific Reports” nesta quinta-feira (27).

“As pessoas que irão para Marte serão incrivelmente corajosas. Serão pioneiras. E eu ficaria honrado em fazer seus tijolos”, disse Qiao. O método desenvolvido pelos pesquisadores consiste em colocar um solo que simula o marciano em um tubo flexível de borracha e, em seguida, submeter essa terra a uma pressão forte o suficiente. Para fazer uma pequena amostra, por exemplo, a pressão necessária é equivalente a derrubar um martelo de 4,5 kg de uma altura de um metro.

Captura de Tela 2017-04-27 às 18.54.02

O método levou à produção de pequenos discos de 2,5 cm de espessura que podem ser cortados em formato de tijolo. Não é necessário usar um forno nem acrescentar aditivos químicos. Segundo os pesquisadores, o óxido de ferro, que dá ao solo marciano sua cor vermelha característica, age como uma liga. O próximo passo é conseguir aumentar o tamanho dos tijolos produzidos.

A descoberta é importante no contexto em que a Nasa tem planos de levar o homem para Marte na década de 2030. Recentemente, o presidente americano, Donald Trump, assinou uma lei que definiu o objetivo central da Nasa para as próximas décadas: missões tripuladas para o espaço distante, com o planeta Marte na mira.

abril 25, 2017

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Estudo aponta que as formigas inventaram agricultura para combater a seca antes do homem

Para lutar contra a seca, as formigas inventaram a agricultura, milhões de anos antes do homem, segundo um estudo publicado na quarta-feira (12) na revista científica britânica “Proceedings of the Royal Society B”.

“As formigas cortadeiras representam um dos raros grupos de animais que desenvolveram a agricultura”, disse à AFP Michael Branstetter, do Museu Nacional de História Natural Smithsonian nos Estados Unidos, coautor do estudo.

Em seus formigueiros, criam campos subterrâneos onde cultivavam os cogumelos que formam a maior parte da sua dieta.

As capacidades precoces de algumas formigas na agricultura já eram conhecidas pelos pesquisadores. Mas continua sendo um mistério a forma como esses minúsculos insetos que não são “seres conscientes como os humanos” começaram a cultivar cogumelos milhões de anos antes do homem descobrir a agricultura.

Inicialmente, pensava-se que a uma primeira formiga, de forma fortuita, conseguiu uma colheita e seus descendentes perpetuaram sua técnica. Mas a realidade é mais complexa, dado o nível de conhecimento alcançado por esses insetos.

As formigas “agricultoras” são capazes de proteger seus cultivos das doenças, dos parasitas e da seca em uma escala e em um nível de eficácia que rivaliza com a agricultura humana. Elas inclusive criaram novas espécies de fungos que não poderiam sobreviver sem seus cuidados, em estado selvagem.

Ao analisar o DNA de 119 espécies de formigas, os pesquisadores americanos criaram “a primeira árvore completa da evolução das formigas cortadeiras” e identificaram o ancestral mais antigo dessas cultivadoras.

“Descobrimos que as formigas provavelmente se iniciaram na agricultura nos habitats secos da América do Sul”, em áreas onde os fungos, que necessitam de umidade, não poderiam crescer em estado selvagem, disse Michael Branstetter.

“Também descobrimos que o cultivo de cogumelos começou há 30 milhões de anos, durante um período no qual o planeta estava esfriando e as zonas secas iam se estendendo”, acrescenta o pesquisador.

Fonte: g1.globo.com

abril 21, 2017

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Cientistas descobrem super-Terra considerada promissora para a busca de sinais de vida

A última edição da revista “Nature” apresenta a descoberta de LHS 1140b, um planeta que circunda a estrela LHS1140, na constelação de Cetus, a 39 anos-luz de distância do nosso Sistema Solar, e apresenta características que o tornam um forte candidato para que os cientistas o explorem mais detalhadamente atrás de evidências de vida extraterrestre.

A órbita do planeta é vista praticamente de perfil aqui da Terra e os cientistas são capazes de analisar detalhes de sua composição quando ele passa em frente à LHS1140, bloqueando um pouco de sua luz, o que acontece a cada 25 dias.

Para a existência de vida da forma como nós a conhecemos, um planeta deve ter água líquida na superfície e manter uma atmosfera. O planeta LHS1140b está no meio da chamada “zona habitável” de sua estrela, onde é possível existir água líquida.

A LHS 1140 é uma anã vermelha, menor e mais fria do que o nosso Sol. Assim, embora o LHS 1140b esteja dez vezes mais próximo da sua estrela do que a Terra do Sol, ele recebe apenas metade da luz solar que recebemos aqui. Quando estrelas vermelhas anãs são jovens, elas emitem uma radiação que pode ser prejudicial para as atmosferas dos planetas que as orbitam. Mas, no caso da LHS1140, sua radiação é menor que a de outras estrelas de pouca massa.

Maior que Terra

Os astrônomos estimam que a idade do planeta deve ser de pelo menos 5 bilhões de anos. Eles também concluíram que ele tem um diâmetro 1,4 vez maior do que o da Terra – quase 18 mil quilômetros. Mas com uma massa em torno de sete vezes maior que a Terra e, portanto, uma densidade muito maior, isso implica que o exoplaneta é provavelmente feito de rocha, com um núcleo de denso de ferro.

O tamanho grande do planeta significa que ele pode ter tido um oceano de magma fervente em sua superfície por milhões de anos. Este mar fervente de lava poderia produzir vapor para a atmosfera muito tempo depois que a estrela perdeu brilho, reabastecendo a superfície do planeta com água.

Para os autores, esta super-Terra pode ser o melhor candidato para futuras observações para estudar e caracterizar sua atmosfera, se ela de fato existir. “É o exoplaneta mais emocionante que vi na última década,” disse o autor principal Jason Dittmann do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica. “Dificilmente poderíamos esperar um alvo melhor para realizar uma das maiores procuras da ciência – buscar evidências de vida além da Terra”.

“As condições atuais da anã vermelha são particularmente favoráveis – a LHS 1140 gira mais lentamente e emite menos radiação de alta energia do que outras estrelas similares de baixa massa”, explica outro membro da equipe, Nicola Astudillo-Defru, do Observatório de Genebra, na Suíça.

Fonte: g1.globo.com

abril 18, 2017

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Cientistas querem clonar Jesus a partir de ossos de João Batista

A ideia de fazer um clone de Jesus Cristo já foi proposta alguma vezes desde que procedimentos de clonagem foram bem-sucedidos. Alguns sugeriram tentar fazê-lo a partir do DNA encontrado no Santo Sudário, algo rejeitado pela Igreja Católica, guardiã do material. A proposta mais recente vem de George Busby, da Universidade de Oxford, Inglaterra.

 Ele publicou recentemente um artigo na revista acadêmica “The Conversation” onde mostra que os cientistas estão muito próximos de encontrar amostras de DNA de Jesus Cristo. Com isso, seria possível clonar seu material genético. A fonte usada para comparação seria a descoberta de uma ossada que pertenceria a João Batista, primo de Jesus.

Os arqueólogos búlgaros Kazimir Popkonstantinov e Rossina Kostova dizem ter achado parte do esqueleto durante uma escavação em uma antiga igreja em Sveti Ivan, uma ilha no Mar Negro. O professor Busby argumenta no artigo: “Eu fiquei interessado nas análises de DNA que podem nos dizer muito sobre esses ossos. Quando Kasimir abriu mais tarde o relicário, ele encontrou cinco fragmentos de ossos. O epitáfio encontrado na caixa menor era provavelmente usado para carregar os ossos de quando ele estava viajando e são as pistas chave da evidência que leva ele a acreditar que os ossos podem ser de São João Batista”.

De fato, lembra, avanços científicos têm permitido que cientistas tenham acesso a sequência de DNA de centenas de pessoas que viveram há muitos séculos. Para eles, isso está se tornando primordial para a compreensão da história humana. A questão central é comprovar se os fragmentos de ossos encontrados realmente pertenceram a João Batista. Busby insiste que os estudiosos permanecem otimistas. “Esse achado é extremamente importante, parte porque João Batista era tanto discípulo de Jesus quanto seu primo, significando que eles podem compartilhar DNA”, completou.

O History Channel mostrará toda o projeto ambicioso da equipe de Busby no documentário “Jesus Strand”, que estreia em 16 de abril. Nele, é possível ver que sua proposta de sequenciamento genético é apoiada por outros cientistas. O professor conversou com os responsáveis por extrair várias amostras de DNA diferentes do Sudário de Turim.

Também contatou a equipe está trabalhando na análise de DNA do Ossuário de Tiago, outra descoberta controversa de um ossuário de pedra do primeiro século que poderia conter os restos mortais de Tiago, irmão de Jesus.

Apesar do imponderável, Busby racionaliza: “Vamos supor que a contaminação poderia ser completamente descartada e que uma análise demonstrasse que o DNA do Sudário tem uma correspondência familiar com o DNA do Ossuário de Tiago e que ambos estão relacionados com os ossos achados pelos búlgaros. Não teríamos então o DNA de Jesus e de sua família?”.

Fonte: gospelprime.com.br

abril 14, 2017

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Nave espacial Cassini encontra gás hidrogênio nas plumas da lua Encélado

Em mergulho mais profundo da nave espacial Cassini, que está em missão pela Nasa ao redor de Saturno há 13 anos, instrumentos detectaram a presença de gás hidrogênio nas plumas da lua Encélado, o sexto maior satélite ao redor do planeta. A descoberta foi publicada pela revista “Science”. A agência espacial fez uma transmissão ao vivo para detalhar descobertas nesta quinta-feira (13).

Os resultados são relatados pelo astrônomo Hunter Waite e seus colegas, que continuam a demonstrar que a única fonte plausível desse gás hidrogênio são reações entre pedras quentes e o oceano, abaixo da superfície gelada da lua. De acordo com a Nasa, a pequena lua Encélado tem a maioria das condições necessárias para ter vida.

“Os resultados de Waite e colegas representam um avanço importante na avaliação da habitabilidade da Encélado”, sugere Jeffrey Seewald, do Instituto de Oceanografia Woods Hole.

Oceano da Encélado está sob camada de gelo - rachaduras exteriorizam substâncias em plumas (Foto: Nasa)Oceano da Encélado está sob camada de gelo - rachaduras exteriorizam substâncias em plumas (Foto: Nasa)

Oceano da Encélado está sob camada de gelo – rachaduras exteriorizam substâncias em plumas (Foto: Nasa)

O voo rasante ocorreu em 2015, quando a nave conseguiu “sugar” amostras das plumas, gases que saem entre as fendas da lua. A Encélado tem um oceano subterrâneo coberto por uma camada de gelo, com líquidos e gases escapando pelas rachaduras.

Durante sua longa missão em torno de Saturno, a Cassini fez descobertas importantes, como a existência desse vasto oceano abaixo a superfície gelada da Encélado, assim como mares de metano líquido em Titan, outro satélite de Saturno.

Nesta quinta-feira, a Nasa também anunciou que há eviências de plumas e vapores na lua Europa, de Júpiter, capturadas pelo telescópio Hubble.

Fotografia mostra a lua Encélado à frente da lua Titã. Entre elas aparecem os famosos aneis de Saturno. A fotografia foi feita pela sonda espacial Cassini em 12 de março e divulgada nesta quinta-feira (10) pela Nasa. (Foto: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute)Fotografia mostra a lua Encélado à frente da lua Titã. Entre elas aparecem os famosos aneis de Saturno. A fotografia foi feita pela sonda espacial Cassini em 12 de março e divulgada nesta quinta-feira (10) pela Nasa. (Foto: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute)

Fotografia mostra a lua Encélado à frente da lua Titã. Entre elas aparecem os famosos aneis de Saturno. A fotografia foi feita pela sonda espacial Cassini em 12 de março e divulgada nesta quinta-feira (10) pela Nasa. (Foto: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute)

Sobre a Cassini

A sonda Cassini da Nasa, na órbita de Saturno desde 2004, está pronta para iniciar as manobras para mergulhar na atmosfera do planeta gigante de gás em 15 de setembro.

Com 12 instrumentos científicos, a sonda realizará no próximo dia 26 de abril a primeira descida ao espaço inexplorado de 2.400 km que há entre Saturno e seus anéis, destacou a Nasa.

“Nenhuma sonda se aventurou nesta região única que vamos tentar cruzar 22 vezes”, explicou Thomas Zurbuchen, da direção de missões científicas da Nasa. “O que aprendermos das últimas órbitas da Cassini nos permitirá aperfeiçoar nossa compreensão da formação e evolução dos planetas gigantes e dos sistemas planetários em geral”, destacou o especialista.

Fonte: g1.globo.com

abril 11, 2017

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Deserto do Atacama vira campo de testes para busca de vida em Marte

O deserto do Atacama, no Chile, o mais árido e antigo do planeta, esconde as respostas que poderão revelar os mistérios de Marte, dando pistas para eventuais formas de vida no Planeta Vermelho. O vasto deserto, onde se percorre quilômetros sem avistar nada além de rochas e areia, com temperaturas que podem variar até 40 graus entre o dia e a noite, é um dos lugares mais parecidos com Marte na Terra.

Com uma umidade de 2% a 3%, que a torna uma das zonas mais áridas do mundo, lá se desenvolveram formas extremas de vida que os cientistas acreditam que podem guardar segredos da evolução e da sobrevivência tanto na Terra como em outros planetas, como Marte.

São micro-organismos (arqueas, bactérias e cianobactérias) que desenvolveram adaptações muito específicas para viver em condições extremas: praticamente sem água, com uma altíssima radiação solar e uma presença de nutrientes quase nula.

Sua resistência intriga os pesquisadores, que realizam testes em uma zona conhecida como Estação Yungay, no meio deste deserto de 105 mil km² no norte do Chile. “Se conseguimos entender como estes micro-organismos vivem, como obtém umidade, como se adaptam a estas condições, provavelmente em um futuro, quando tivermos informação de formas de vida em outros planetas, tenhamos um correlato aqui na Terra”, diz à AFP a bióloga Cristina Dorador, enquanto quebra pequenas pedras de sal sob um sol inclemente e um vento forte.

 E se no lugar mais parecido com Marte na Terra existe vida nestas condições, acredita-se que formas similares poderiam ser encontradas no planeta vermelho.

“Se existisse vida lá, provavelmente seria muito similar a esta”, reitera Dorador, acadêmica da Universidade de Antofagasta, que analisa as amostras em um laboratório móvel instalado em uma caminhonete, com a qual percorre zonas áridas em busca de micro-organismos também conhecidos como “extremófilos”.

Bom lugar para praticar

Marte, um dos planetas mais próximos à Terra, há décadas chama a atenção dos cientistas – um interesse alimentado também pela ficção científica.

O robô Curiosity da Nasa busca há quatro anos diferentes formas de vida em Marte, enviando à Terra imagens da superfície do Planeta Vermelho muito similares às do Atacama, com extensas planícies desertas nas quais só sobressaem formações rochosas em tons de cinza.

Outro robô da Nasa, o Krex-2, completou em fevereiro sua segunda temporada de testes perfurando os solos nas proximidades de Yungay, uma missão em que participam pesquisadores do Chile, França, Estados Unidos e Espanha e que tem previsto se prolongar até 2019.

“As condições extremamente secas persistiram no Deserto do Atacama por ao menos 10 a 15 milhões de anos, e possivelmente muito mais. Isto, somado à forte radiação ultravioleta do sol, significa que a escassa vida que existe no Atacama é em forma de micróbios que vivem sob a terra ou nas rochas”, explicou a Nasa em um comunicado.

“Do mesmo modo, se a vida existe ou alguma vez existiu em Marte, a secura da superfície do planeta e a exposição à extensa radiação provavelmente a levaria para baixo da terra. Isso faz com que lugares como o Atacama sejam bons para praticar a busca de vida em Marte”, acrescentou.

Missões tripuladas

“Estudar Marte é, talvez, entender como a vida nasceu na Terra”, um dos grandes mistérios da humanidade, explica à AFP o astrônomo francês Christian Nitschelm, professor de astrofísica da Universidade de Antofagasta.

Diferentemente da Terra, Marte é um planeta que parece congelado no tempo, uma espécie de estado bloqueado em uma época do sistema solar, afirma o astrônomo, de modo que eventuais descobertas de vida fóssil poderiam dar pistas sobre a origem do nosso próprio planeta.

Algumas descobertas recentes de vestígios de água e gás metano alimentam as esperanças de encontrar alguma forma de vida, algo que no entanto não foi possível comprovar.

Nitschelm é categórico: “Se não há vida em Marte, é certo que não há vida em outro lugar” do sistema solar.

Desde que a União Soviética enviou, em 1960, uma primeira sonda a Marte, várias expedições de sondas e robôs foram enviadas para desentranhar seus segredos, e apesar de que até agora não se conseguiu os resultados esperados, o interesse da comunidade científica pelo planeta vizinho não diminui.

A Nasa anunciou o envio em 2018 de um novo robô, o InSight, e a missão russo-europeia Exomars planeja enviar em 2020 outro robô para perfurar o solo marciano.

Em setembro passado, o então presidente americano, Barack Obama, anunciou sua intenção de enviar humanos ao Planeta Vermelho na década de 2030, uma possibilidade referendada por seu sucessor, Donald Trump, que recentemente definiu como objetivo central da Nasa as missões tripuladas ao espaço distante, com o planeta Marte na mira.

Fonte: g1.globo.com

abril 7, 2017

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Telescópio russo para mapear lixo espacial é inaugurado em Brazópolis (MG)

O telescópio russo que vai mapear detritos espaciais foi inaugurado na tarde de quarta-feira (5) em Brazópolis (MG). O projeto é resultado de um acordo entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a estatal russa Roscosmos para monitoramento do céu. Este é o primeiro telescópio deste tipo instalado no Brasil, que também é o primeiro país a receber o projeto da Rússia. Durante a inauguração, a comitiva que representou o governo russo anunciou que mais duas estações de monitoramento deverão ser instaladas no Brasil.

A cêrimonia aconteceu na tarde desta quarta-feira no observatório Pico dos Dias, em Brazópolis (MG), e reuniu representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, com a presença do secretário Álvaro Prata, o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Coelho, o diretor executivo da Fundação de Pesquisa e Assessoramento à Indústria de Itajubá (Fupai-MG), Plínio Ribeiro Leite, o diretor da Agência Espacial Federal Russa (Roscosmos), Igor Komarov, e o diretor da OJC “RPC” “PSI” (Research and Production Corporation “Precision Systems and Instruments”), Yuri Roy.

O investimento no projeto do telescópio de Brazópolis foi de cerca de R$ 10 milhões feito todo pela Agência Espacial Federal Russa. Parte da verba, utilizada no Brasil para construção do prédio que abriga o telescópio e logística da obra, foi gerenciada pela Fupai-MG, onde fica a sede do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA). Os russos forneceram o equipamento e fizeram a instalação do telescópio. A obra teve início em novembro do ano passado, e em março, as primeiras imagens de teste já foram geradas.

Telescópio que vai monitorar lixo espacial é inaugurado em laboratório de Brazópolis (Foto: Samantha Silva / G1)Telescópio que vai monitorar lixo espacial é inaugurado em laboratório de Brazópolis (Foto: Samantha Silva / G1)

De acordo com o presidente da AEB, a necessidade da Rússia instalar o telescópio no Brasil criou uma ocasião favorável para o país obter uma melhora nas pesquisas acadêmicas na área. Agora outras duas estações terrenas devem ser instaladas em território nacional. “Aprendi que necessidade e oportunidade são dois conjuntos que geram sucesso na vida da gente”, afirmou Coelho.

“A Agência Espacial Russa tem dois projetos principais na área de monitoramento com o Brasil”, explica Bruno Castilho, diretor do LNA. “Um são as estações que ajudam a melhorar a precisão do sistema de posicionamento global deles (Glonass), que é similar ao GPS americano. Dessas estações, já tem quatro instaladas no Brasil, na UNB (Universidade de Brasília), no Recife (PE) e em Santa Maria (RS). E tem os planos para instalar mais duas dessas estações, que são estações que medem a altitude dos satélites através de radar e laser. E o outro é esse que está iniciando hoje que é monitoramento de detritos espaciais.”

Chamado de Panoramic Electro Optical System (PanEos), o telescópio russo foi planejado para rastrear o lixo espacial. Ao determinar a órbita desses detritos com precisão, a agência russa gera um mapa de área segura para lançamento de novos satélites.

Autoridades durante inauguração de telescópio russo em Brazópolis (Foto: Samantha Silva / G1)Autoridades durante inauguração de telescópio russo em Brazópolis (Foto: Samantha Silva / G1)

O acordo entre as Roscosmos e a AEB para instalação do telescópio no Brasil foi assinado no dia 7 de abril de 2016 em Brazópolis. Segundo Castilho, a Rússia já tinha um acordo desde 1997 com a Agência Espacial Brasileira para uso pacífico do espaço, na área de satélites, e como eles precisavam de um telescópio no hemisfério Sul, eles procuraram primeiro o Brasil.

O diretor da estatal russa, Roscosmos, afirmou que a poluição espacial é um problema internacional. “A importância de ter um telescópio que usa tecnologias inovadoras para detectar detritos espaciais é muito importante, e aqui no Brasil, também é muito importante que esse tipo de tecnologia está sendo introduzida com base em universidades. Isso vai possibilitar que jovens aprendam sobre o espaço, pode apoiar o desenvolvimento tecnológico e científico do Brasil”, destacou Komarov.

Instalação
Logo após a assinatura do acordo em 2016, os dois países iniciaram a instalação do telescópio em Brazópolis. Empresas brasileiras ficaram com a construção do prédio que abriga o equipamento, fazendo a estrutura de concreto e a parte de alvenaria. Já as peças e equipamentos que fazem parte do telescópio vieram todos da Rússia.

Segundo o diretor do LNA, a carga chegou ao Brasil em outubro de 2016 e a montagem teve início no dia 20 de novembro. No começo deste ano, duas equipes russas se revezaram instalando a parte eletrônica, óptica e computadores do telescópio. As primeiras imagens de testes foram geradas no final de março.

Autoridades durante inauguração de telescópio russo em Brazópolis (Foto: Samantha Silva / G1)
Autoridades durante inauguração de telescópio russo em Brazópolis (Foto: Samantha Silva / G1)

Mapeamento
O telescópio instalado no Brasil vai trabalhar junto com outro equipamento praticamente idêntico que já está instalado na Rússia, nas montanhas Altai na Sibéria, a cerca de 15 mil quilômetros de distância e a 73 graus de latitude de diferença. O observatório onde o telescópio foi instalado no Brasil fica a 1.864 metros de altitude entre os municípios de Brazópolis e Piranguçu, no Sul de Minas Gerais.

Castilho explica que os dois telescópios vão fazendo imagens em sequência de várias partes do céu, e todo pedaço de detrito que aparecer é mapeado. Com os equipamentos localizados nos dois hemisférios, é possível fazer imagens de uma área maior e completar a órbita dos detritos com mais precisão.

Segundo o diretor da OJC, o telescópio é da mais alta tecnologia russa, com equipamentos inovadores e complexos, capazes de detectar objetos entre 12 e 50cm a uma altura de 120 a 50 mil quilômetros, sendo possível localizar até 800 itens em uma noite. Além disso, como o sistema é bastante automatizado, é necessária pouca mão de obra. A lista de alvos a serem analisados é preparada na Rússia e enviada por e-mail aos operadores brasileiros, que então fazem as observações solicitadas.

Os dados ficam armazenados temporariamente no Brasil e, posteriormente, são enviados para o telescópio gêmeo, em Moscou, onde são analisados. Ao comparar as novas imagens com as antigas, já geradas pelo telescópio russo, os técnicos têm a localização exata dos destritos e também podem descobrir novos. “Eu gostaria de ressaltar que acredito que esse equipamente vai trazer grandes possibilidades para Brasil e Rússia”, completou Yuri Roy.

Imagem teste gerada pelo telescópio russo PanEos em Brazópolis; lentes permitem ver objetos no espaço de poucos centímetros (Foto: PanEos/LNA/Divulgação)Imagem teste gerada pelo telescópio russo PanEos em Brazópolis; lentes permitem ver objetos no espaço de poucos centímetros (Foto: PanEos/LNA/Divulgação)

Projetos futuros
Este é o quinto telescópio instalado no Observatório Pico dos Dias, em Brazópolis, mas como explica Castilho, todos os equipamentos brasileiros têm um campo de visão pequeno. A contrapartida do acordo é que o telescópio russo vai permitir pesquisas no Brasil que ainda não eram possíveis, como localização de estrelas variáveis, novos asteroides e supernovas que aparecerem.

O telescópio instalado no Brasil vai trabalhar junto com outro equipamento praticamente idêntico que já está instalado na Rússia, nas montanhas Altai na Sibéria, a cerca de 15 mil quilômetros de distância e a 73 graus de latitude de diferença.

“Como serão feitas muitas imagens do céu, a Agência Espacial Russa só vai procurar pelos detritos espaciais, mas o LNA vai ficar com cópias dessas imagens. Qualquer astrônomo brasileiro que quiser usar essas imagens pra pesquisar em astronomia, vai poder. Então a contrapartida deles pra nós é oferecer essas imagens para pesquisas científicas.”

Assim que o telescópio russo começar a funcionar, Castilho conta que será feita uma análise das primeiras imagens para verificar a qualidade delas e avaliar as possibilidades de pesquisa. “Pra gente ver a diferença da quantidade de luz que chegou da estrela e o ruído de fundo, e perceber até que estrela que dá pra observar, qual o tamanho que a estrela fica na imagem”, explica. Essas informações serão publicadas posteriormente no site do LNA e ficarão disponíveis para que os astrônomos brasileiros possam usá-las.

Telescópio que vai monitorar lixo espacial é inaugurado em laboratório de Brazópolis (Foto: Samantha Silva / G1)Telescópio que vai monitorar lixo espacial é inaugurado em laboratório de Brazópolis (Foto: Samantha Silva / G1)

Colaboração científica
Castilho ressalta ainda que o projeto reforça o acordo do Brasil na área de ciência com o BRICS (grupo político de cooperação formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que foi assinado no fim de 2015 pelos ministros de ciência dos cinco países.

“A Rússia é um país que tem uma tradição de tecnologia e de ciência muito grande, e hoje em dia, o Brasil tem colaborações pontuais com a Rússia, alguns pesquisadores, mas poucas colaborações institucionais. A gente fazendo esse acordo, mostra que é possível, é viável e outros acordos na área científica e tecnológica podem acontecer”.

abril 4, 2017

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Pesquisadores tentam entender como se espalham as notícias falsas

4O grande volume de notícias falsas na internet e sua crescente velocidade de disseminação em redes sociais já é alvo de estudos científicos há alguns anos. Diante das evidências de que esse tipo de informação pode ter consequências impactantes para a sociedade, os especialistas querem entender melhor como as pessoas consomem e distribuem as informações.

Veja abaixo as conclusões de quatro estudos recentes sobre as chamadas “fake news”:

Uma pesquisa feita pela agência Associated Press e o American Press Institute concluiu que o fato de uma pessoa que compartilhou uma notícia ser considerada confiável influencia mais na confiança que o leitor deposita na informação que a fonte primária de uma notícia.

No estudo, as pessoas pesquisadas avaliaram de forma muito diferente as notícias compartilhadas por personalidades em que confiavam, como a apresentadora Oprah, por exemplo, em comparação com notícias de alguém em quem não confiavam.

No entanto, não fizeram muita diferença em relação a se estavam publicadas no site de um veículo de confiabilidade reconhecida, como o da própria Associated Press, ou um site qualquer inventado. Para testar isso, os autores do estudo criaram uma página fictícia chamada DailyNewsReview.com, mas isso pouco afetou na impressão dos entrevistados sobre as notícias que liam.

O teste foi feito usando celebridades como fontes de notícias, mas é de se imaginar que o mesmo valha para pessoas não famosas que compartilham informação em redes sociais. Ou seja, o usuário tende a valorizar bastante a notícia compartilhada por um familiar em quem confia mais, por exemplo. O que, evidentemente, pode ter implicações se esse familiar “confiável” compartilha notícias falsas.

Jovens estudantes também não têm muita clareza sobre a credibilidade da informação na internet

Pesquisadores da Universidade Stanford, nos EUA, aplicaram questionários a alunos de ensino fundamental, médio e superior, e analisaram mais de 7.800 respostas para chegar à conclusão de que, de modo geral, eles apresentam pouco discernimento sobre o que é uma fonte de informação que pode ter credibilidade, e não separam o que é conteúdo jornalístico de conteúdo patrocinado, mesmo quando isso está claramente escrito.

“Muitos assumem que, por serem fluentes nas mídias sociais, os jovens são igualmente espertos em relação ao que encontram por lá. Nosso trabalho mostra o contrário”, dizem os autores. Mais de 80% dos jovens pesquisados acharam que um conteúdo patrocinado era uma nota jornalística.

Uma seção “Sobre o autor” bem escrita e com aparência profissional é o suficiente para convencer os jovens americanos de que um site é neutro e tem credibilidade. Eles também não questionam a veracidade de fotografias e a maioria não consegue avaliar se um tuíte é parcial ou tem isenção.

Exclusão social tem relação com propensão a acreditar em conspirações

Um trabalho da Universidade de Princeton concluiu que o sentimento de exclusão social pode levar as pessoas a buscar significado em histórias mirabolantes que podem não ser verdadeiras.

Esse pensamento conspiratório leva a um ciclo perigoso. Quando as pessoas com ideias conspiratórias compartilham suas crenças, podem se afastar mais da família e dos amigos, provocando ainda mais exclusão. Isso pode levá-los a se juntar a comunidades que compartilhem as teorias da conspiração, onde se sentem bem-vindos, o que, por sua vez, irá reforçar ainda mais suas crenças.

“Tentar interromper este ciclo pode ser a melhor aposta para alguém interessado em contrariar as teorias de conspiração no nível da sociedade”, diz Alin Coman, professor-assistente de Psciologia em Princeton. “Caso contrário, as comunidades poderiam se tornar mais propensas a propagar crenças imprecisas e conspiratórias.”

As pessoas podem ser ‘vacinadas’ contra as notícias falsas

Cientistas das Universidades de Cambridge, no Reino Unido, e Yale e George Mason, nos Estados Unidos, propuseram uma espécie de “vacina” para imunizar as pessoas contra boatos.

Fazendo testes com um grupo de pessoas, eles notaram que uma notícia verdadeira, ao ser contraposta a uma mentirosa, muitas vezes é “anulada” — a mentira, para um leitor desavisado, tem tanto peso quanto a verdade.

Os pesquisadores, então, tentaram expor as pessoas de forma preventiva a pequenas doses da informação mentirosa, como uma forma de alerta, avisando-as, por exemplo, que existem pessoas espalhando boatos sobre determinado assunto. Expostos a essa “vacina”, posterioremente, quando confrontados com uma notícia verdadeira e uma mentirosa sobre um mesmo assunto, os participantes da pesquisa já não deram tanto valor à falsa.

Segundo os pesquisadores, técnicas de “inoculação psicológica” como essas foram utilizadas no passado pelas indústrias do tabaco e do petróleo para abalar um consenso científico junto à opinião pública.

Fonte: g1.globo.com