dezembro 30, 2016

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Cientistas identificam som intrigante do ponto mais fundo do mar

No ponto mais profundo do oceano, chamado Fossa das Marianas, cientistas ouviram um som intrigante no início deste ano. Agora, eles acreditam ter descoberto de o que fez esse barulho. Possivelmente, trata-se de uma nova espécie de baleia, que emite um som ouvido pela primeira vez na gravação abaixo. Ainda não se sabe a razão da emissão sonora do animal.

O clipe de áudio tem 3,5 segundos, mas contém cinco tipos de sons distintos, variando entre ruídos metálicos a biológicos. O som foi ouvido no outono de 2014 e na primavera de 2015. O som abrange frequências de 38 Hz a 8.000 Hz, ou seja, ele é extremamente grave e muito agudo. “A parte do gemido de baixa frequência é típica das baleias, e é esse tipo de som que o torna realmente único. Não é comum encontrarmos muitos novos chamados de baleias”, de acordo com Sharon Nieukirk da Universidade Estadual de Oregon, nos Estados Unidos. A pesquisa foi publicada no The Journal of the Acoustical Society of America.

Os pesquisadores acreditam que o som não foi provocado por nenhum animal conhecido nem por terremotos os pistolas sísmicas usadas para encontrar petróleo no oceano. O estudo indica que o som metálico ouvido na gravação se assemelha ao emitido pela baleia Minke anã (subespécie da Balaenoptera acutorostrata), cujo chamado é comparado a efeitos sonoros da saga cinematográfica Star Wars.

No futuro, a investigação continuará para encontrar os animais que fizeram o intrigante som na Fossa das Marianas, bem como para entender o motivo dessa emissão sonora.

Fonte: exame.abril.com.br

dezembro 29, 2016

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A incrível nova descoberta na mecânica quântica: Físicos criam holograma quântico

Até recentemente, os cientistas não achavam que isso poderia ser feito. Eles pensavam que as leis fundamentais da física proibiam. Mas um grupo persistente de cientistas da Universidade de Varsóvia, na Polônia, conseguiu o impossível: eles criaram um holograma de uma única partícula de luz. Essa conquista está inaugurando uma nova era de holografia quântica, o que dará aos cientistas uma nova maneira de olhar para fenômenos quânticos. Ao contrário da fotografia, a holografia recria a estrutura espacial dos objetos, dando-nos as suas formas 3D. A técnica tira proveito de algo chamado de interferência clássica, que é quando duas ondas se encontram e formam uma nova onda.

Mas a interferência clássica é impossível com fótons uma vez que suas fases (uma propriedade das ondas) estão em constante flutuação. Assim, os físicos de Varsóvia tentaram dar aos hologramas quânticos um gosto de seu próprio veneno: eles usaram a interferência quântica, na qual as funções de onda dos fótons (que têm a ver com a probabilidade da partícula estar em um estado particular) interagem.

“A função de onda é um conceito fundamental na mecânica quântica e o núcleo de seu princípio mais importante, a equação de Schrödinger”, de acordo com o site Phys.org. “Nas mãos de um especialista físico, a função pode ser comparada a massa nas mãos de um escultor. Quando usada habilmente, ela pode ser usada para “moldar” um modelo de um sistema de partículas quânticas”.

Por que fótons?

Enquanto filmavam os pares de comportamento de fótons, Radoslaw Chrapkiewicz e Michal Jachura, dois dos pesquisadores, notaram algo chamado de interferência de dois fótons. Na interferência de dois fótons, pares de fótons distinguíveis agem aleatoriamente ao entrar em um divisor de feixe (que divide um raio de luz).

Mas os fótons não distinguíveis apresentam interferência quântica, o que afeta seu comportamento. Os pares são sempre ou transmitidos ou refletidos juntos.

“Após esta experiência, fomos inspirados a perguntar se a interferência quântica de dois fótons poderia ser usada de forma semelhante à interferência clássica na holografia, a fim de usar fótons de estado conhecido para ganhar ainda mais informações sobre fótons de estado desconhecido”, explica Chrapkiewicz.

Como o entrelaçamento quântico construiu o tempo

“Nossa análise nos levou a uma conclusão surpreendente: descobrimos que quando dois fótons apresentam interferência quântica, o curso desta interferência depende da forma de suas frentes de onda [uma superfície imaginária que une todos os pontos adjacentes com a mesma fase]”.

Compreender a mecânica quântica

Esta experiência tem enormes implicações para a nossa compreensão das leis fundamentais da mecânica quântica, um campo da física que tem deixado cientistas perplexos há mais de um século. Ela permite aos cientistas obter informações valiosas sobre a fase da função de onda de um fóton.

“Nossa experiência é uma das primeiras que nos permite observar diretamente um dos parâmetros fundamentais da função de onda do fóton – a sua fase – trazendo-nos um passo mais perto de compreender o que a função de onda realmente é”, diz Jachura.

Os pesquisadores esperam aplicar este método para criar hologramas de objetos quânticos mais complexos, que possam ter implicações que se estendem para além da ciência fundamental, chegando em aplicações do mundo real.

Teoria das cordas poderia ser o fundamento da mecânica quântica

“Todos nós, físicos, devemos primeiro colocar nossas cabeças em torno desta nova ferramenta”, disse Konrad Banaszek, pesquisador do experimento.”É provável que as aplicações reais da holografia quântica não apareçam por algumas décadas ainda, mas se há uma coisa que podemos ter certeza, é que elas serão surpreendentes”.

Fonte: Hype Science

dezembro 26, 2016

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25 de dezembro é bem o dia em que Jesus nasceu

O Natal católico é celebrado no dia 25 de dezembro. Mas há vozes, não raramente protestantes, falsamente ecumênicas ou anticristãs, que questionam a historicidade dessa data. Elas arguem que na primeira metade do século IV a Igreja substituiu a celebração pagã Dies natalis Solis invicti (o deus persa/hinduísta/greco-romano Mitra?) por uma memória cristã do solstício de inverno (21-22 de dezembro). E, portanto, não seria uma data histórica mas uma cristianização de uma festa pagã. Essa posição é de molde a gerar confusão. E muitos gostarão ver a clareza do fundamento para comemorar a festa de Natal em 25 de dezembro.

Diferenças entre os calendários judeus e romano

A dificuldade tem azo na diversidade dos calendários.Os romanos usavam o seu, o calendário juliano, que continha defeitos, mas que nós herdamos. Hoje é usado pelo mundo ocidental e pelos países civilizados após a sábia reforma do Papa Gregório XIII. Por isso é chamado de calendário gregoriano. Mas, no tempo de Nosso Senhor, os judeus usavam um calendário completamente diferente, que era o calendário do Templo, aliás mais preciso que o romano daquela época. Nos Evangelhos todas as datas são referidas usando esse calendário do Templo.

 

Quais são essas datas e ao que correspondem em nosso calendário?

O professor Pier Luigi Guiducci, historiador da igreja, esclareceu para a agência Zenit, as dificuldades da datação. Mas, o professor apontou que a principal referência a uma data se encontra no Evangelho de São Lucas. Este Evangelho de Lucas traça a genealogia de Jesus até Adão, passando pela Anunciação e por seu nascimento virginal.São Lucas narra que o anjo Gabriel anunciou ao velho sacerdote Zacarias que sua esposa Isabel, estéril e idosa, havia concebido um filho, destinado a preparar o povo para aquele que estava por vir (Lc 1,5-25).

 

E São Lucas acrescenta que esta miraculosa comunicação aconteceu seis meses antes da Anunciação a Maria (Lc 1,26-38). Lucas sublinha que Zacarias pertencia à “classe [sacerdotal] de Abias” (Lc 1,5), e que a aparição de São Gabriel aconteceu enquanto “exercia a função de sacerdote na ordem de sua classe” (Lc 1,8). Esse dado especifica uma data precisa de acordo com o calendário do Templo que os judeus conheciam perfeitamente. A Lei Mosaica era muito exigente em matéria de dias e datas e os judeus observantes faziam questão de obedecê-las à risca. Eles sabiam precisamente o dia que significavam e pautavam por eles os eventos fundamentais de sua vida, como sacrifícios, apresentação da criança ao Templo [prefigura do batismo], etc.

 

E no Templo de Jerusalém, os sacerdotes eram divididos em classes que deviam desempenhar os ofícios em 24 turnos (1Cr 24,1-7.19). Essas “classes”, se revezavam na ordem, porque deveriam prestar serviço litúrgico por uma semana, “de sábado a sábado”, duas vezes ao ano. A versão hebraica do Antigo Testamento segundo o texto da Septuaginta indica que a classes sacerdotais, até a destruição do Templo (70 d.C) se revezavam conforme segue:

 

I) Iarib; II) Ideia; III) Charim; IV) Seorim; V) Mechia; VI) Miamim; VII) Kos; VIII) Abia; IX) Joshua; X) Senechia; XI) Eliasibe; XII) Iakim; XIII) Occhoffa; XIV) Isbosete; XV) belga; XVI) Emmer; XVII) Chezir; XVIII) Afessi; XIX) Fetaia; XX) Ezekil; XXI) Jaquim; XXII) Gamoul; XXIII) Dalaia; XXIV) Maasai. E Zacarias pertencia ao “turno de Abia”, o oitavo.

 

Descobertas arqueológicas permitem precisar as datas

O arqueólogo escocês Sir William Ramsay, uma das maiores autoridades na matéria, escreveu que “Lucas é um historiador de primeira classe, não só suas afirmações sobre os fatos são dignas de fé… ele deve ser posto entre o grandíssimos historiadores”. Cfr “Luke the Evangelist”, Wikipedia.

A composição do Evangelho de Lucas aconteceu no início dos anos 60 d.C. Portanto São Lucas, escrevia quando o Templo ainda estava em atividade e todos os sacerdotes conheciam suas funções, classes e datas. O rodízio referido se repetia duas vezes por ano e o evangelista não anota em qual dos dois turnos anuais Zacarias recebeu o anúncio do anjo.

Porém, em 1953 a especialista francesa Annie Jaubert, vasculhou o calendário do Livro dos Jubileus, [apócrifo hebraico do século II a.C.] e publicou os resultados no artigo: Le calendrier des Jubilées et de la secte de Qumran. Ses origines bibliques [em “Vetus Testamentum”, suppl. 3, 1953, pp. 250-264]. Por outro lado, Shemarjahu de Talmon, especialista da Universidade Hebraica de Jerusalém auscultou os documentos de Qumran que incluem o Calendário dos Jubileus. Os resultados de Talmon foram publicados no artigo ‘The Calendar Reckoning of the Sect from the Judean Desert. Aspects of the Dead Sea Scrolls’ (em “Scripta Hierosolymitana”, vol. IV, Jerusalém 1958, pp. 162-199).

Os dois chegaram a conclusões convergentes. Assim Talmon foi capaz de precisar a sucessão da ordem de 24 turnos sacerdotais no Templo, no tempo de Jesus. O estudioso judeu estabeleceu que o ‘turno de Abia’ acontecia a primeira vez, do dia 8 ao dia 14 do terceiro mês do calendário hebreu. A segunda vez acontecia de 24 a 30 do oitavo mês do calendário do Templo, período que correspondia à última semana de setembro no calendário romano. Antonio Ammassari [‘Alle origini del calendario natalizio’ em “Euntes Docete” 45 (1992) pp. 11-16], mostra que São Lucas indicando o “turno de Abia” fornece a sucessão das datas históricas.

 

Cronologia da Encarnação e do Nascimento de Jesus

Desta maneira ficou esclarecido que o anúncio divino a Zacarias da concepção de São João Batista tem uma data histórica precisa: 24 de setembro do nosso calendário gregoriano do ano 7-6 a.C. E o nascimento de São João Batista nove meses depois como escreve São Lucas (Lc 1,57-66), aconteceu o dia 23/25 de junho. É portanto, uma data histórica, explicou o professor Guiducci. A Anunciação a Maria e a Encarnação do Verbo “no sexto mês” depois da concepção de Isabel registrada no evangelho de São Lucas (1,28), aconteceu portanto no dia 25 de março. E é também uma data que tem certeza histórica.

Cumpridos os nove meses chegamos a 25 de dezembro.

O professor Pier Luigi Guiducci, historiador da igreja, conclui que “podemos dizer que é histórico o nascimento do Senhor a 25 de dezembro, 15 meses após o anúncio a Zacarias, nove meses após a Anunciação a Maria, seis meses após o nascimento de João Batista”. O professor judeu Talmon baseado no calendário do Templo, reconstitui a mesma sucessão de fatos que conduzem a 25 de dezembro. Portanto a festa nesse dia não foi fixada ao acaso e está fundada na tradição judeu-cristã da Igreja primitiva de Jerusalém, escreveu Vittorio Messori: Jesus nasceu verdadeiramente em 25 de dezembro”, em Il Corriere della Sera, 9 de julho de 2003.

 

A circuncisão e a apresentação ao Templo concordam

Guiducci acrescentou que a data da circuncisão [prefigura do batismo] no dia 1º de janeiro também é histórica. Pois a prescrição de Moisés ordenava ser feita dentro do oitavo dia do nascimento. E o oitavo dia após o 25 de dezembro é o 1º de janeiro. “A circuncisão, oito dias após seu nascimento, é uma data histórica”, conclui. “Completados que foram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, como lhe tinha chamado o anjo, antes de ser concebido no seio materno” (Lucas 2:21).

Mais ainda, a apresentação da criança no Templo e a purificação da mãe devia acontecer dentro do 40º dia após o nascimento segundo lei de Moisés. Segundo o costume, a mãe se apresentava ao templo com uma vela acesa. E os quarenta dias se cumprem na festa de Nossa Senhora da Candelária. “Então, quarenta dias após o nascimento, dia 2 de fevereiro, a Apresentação do Senhor no Templo, é uma data histórica”, diz também o professor.

 

O censo de César Augusto

O evangelho de São Lucas menciona o censo ordenado pelo imperador César Augusto, como sendo a época em que aconteceu o nascimento do Redentor. Na Palestina, o censo foi efetivado por Quirino prefeito da Síria (7-6 a.C). No site Católicos online podemos ler o erudito trabalho de Dom Estêvão Bettencourt O.S.B., que esclarece os vários censos ordenados naquela época em anos diversos pelo imperador César Augusto. O autor foi um dos mais destacados teólogos brasileiros do século XX, monge da Ordem dos Beneditinos do Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro.

Num erudito, denso e sábio trabalho ele ordena e esclarece as intrincadas dificuldades a propósito dos vários censos na Terra Santa e a ele remetemos os leitores interessados. Veja: O Recenseamento sob César Augusto e Quirino (Lc 2, 1-5). Comparando com rica documentação tirada dos historiadores Tito Lívio, Suetônio, Flávio José, Strabo e de inscrições antigas o douto autor confirma a historicidade do texto de Lucas.

O imperador Augusto três vezes promoveu o recenseamento dos cidadãos de seu Império entre 28 a.C. e 14 d.C. E Quirino, que foi governador da Síria desde o ano 6 a.C até 12 d.C, foi o executor de um desses recenseamentos nas regiões confiadas à sua jurisdição, para sujeição e lealdade a César Augusto

 

Precisando o ano do Natal

O recenseamento referido por São Lucas efetivou-se cerca de um ano antes da morte de Herodes. Isso aponta o nascimento de Cristo no ano 5 a.C. No cálculo atual, seria outono de 1 a.C, mas segundo explicou o professor Pier Luigi Guiducci, a partir do século VI houve um erro de cerca de seis ou cinco anos da data real do ano do nascimento do Senhor.

O ano do nascimento de Cristo esclarecido por Dom Estêvão Bettencourt OSB. No século VI o monge Dionísio o Exíguo ou Pequeno (+556), desejoso de calcular a data de Páscoa para os anos subsequentes, conjeturou o ano se baseando em datas históricas romanas e chegou ao ano que ele indicou como sendo o do nascimento de Cristo e o inicio da era cristã, ainda hoje em voga.

Dionísio, porém, enganou-se. Dionísio não levou em conta a noticia consignada por Mt 2,1: Jesus nasceu antes do falecimento do rei Herodes. Ora Herodes passou doente os últimos meses de sua vida em Jericó, ao passo que os Magos ainda o encontraram em Jerusalém (cf. Mt 2,3). Disto se conclui que a visita destes personagens a Herodes se deve ter dado, pelo menos, por volta do ano 5 a.C.

Note-se outrossim que Herodes mandou matar todos os meninos que tivessem até dois anos de idade: supunha, portanto, que Jesus pudesse ter nascido havia dois anos. Admitindo que o monarca haja feito um cálculo largo, teremos que recuar um ano ou mais para além do ano 5º a. C., a fim de chegar ao ano em que Cristo nasceu. É o que leva os melhores exegetas a admitir que Jesus tenha vindo ao mundo por volta do ano 6° antes da era cristã, ou seja, cerca de 748 da era de Roma.

 

Outras datas chaves solidamente definidas

A pregação de João Batista teria começado no ano XV do império de Tibério César (cerca de 27-28 d.C). São Lucas também registra que “Jesus, quando começou o seu ministério, tinha cerca de 30 anos” (Lc 3,23). A relação entre a pregação dos dois é preciosa para acertar as datas. A principal datação histórica sobre a vida do Senhor está centrada no evento-chave: a sua morte ocorreu às 15 horas da sexta-feira, 7 de abril de 30 d.C. E isto é astronomicamente certo. Pois São Lucas nos ensina que antes de Nosso Senhor lançar um grande brado e entregar a alma “em toda a terra houve trevas”.

44. Era quase à hora sexta e em toda a terra houve trevas até a hora nona.

45. Escureceu-se o sol e o véu do templo rasgou-se pelo meio.

46. Jesus deu então um grande brado e disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, dizendo isso, expirou. (São Lucas, 23, 44-45)

E isto se deu por um eclipse de sol acontecido nesse dia e nessa hora, não tendo acontecido outro eclipse igual em algum outro ano próximo, verificável por cômputos astronômicos, inclusive digitais. Define-se a partir daqui outras datas históricas, notadamente a Ressurreição que aconteceu na madrugada de domingo, 9 de abril do ano 30 d. C., data astronômica também certa, portanto.

Fonte: Blog Ciência Confirma Igreja 

dezembro 24, 2016

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Câncer transmissível é fenômeno “comum” em oceano, diz pesquisa

Pesquisadores descobriram que células cancerígenas podem se espalhar (como um vírus) entre mariscos de diferentes espécies no oceano. A descoberta, feita por uma equipe internacional de pesquisadores e publicada na última quarta-feira (22) na revista Nature, identificou que células cancerígenas transmissíveis estavam migrando entre três diferentes tipos de mariscos no oceano. Segundo os especialistas, isso sugere que esse tipo de câncer transmissível não é tão raro quanto se pensava – pelo menos, não no fundo do mar.

Câncer – A comunidade científica classifica como raros os casos de células cancerígenas que são transmitidas de um indivíduo para outro. Isso porque o câncer se instaura no organismo a partir de uma descontrolada divisão celular que gera células anômalas. Ao se multiplicar, essas células “defeituosas” causam danos ao corpo. Dessa forma, não é comum que o câncer migre de um organismo para o outro. Até agora, esse tipo transmissível da doença era considerado algo extremamente raro, atingindo apenas cães, morcegos da Tasmânia e um molusco da espécie Mya arenaria. No entanto, o comportamento visto pelos especialistas no fundo do mar pode levantar novos pontos de vista para análises da doença.

Os pesquisadores, liderados pelo biólogo molecular Stephen Goff, da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, identificaram quatro tipos de câncer transmissíveis que não eram previamente conhecidos. Um deles afeta um mexilhão (Mytilus trossulus) encontrado na província canadense Colúmbia Britânica, dois atingem os berbigões (Cerastoderma edule) e e outro afeta espécies de amêijoas (Polititapes aureus, também conhecidas como vôngole) encontradas na costa Ibérica. Esses mariscos haviam morrido em decorrência de severos tumores.

Ao realizar análises genéticas das células que mataram os mariscos, Goff percebeu que as amostras de DNA apresentavam genética diferente de seu hospedeiro – ou seja, as células vinham de um “intruso”. Em muitos casos, a similaridade genética dos tumores era vista em outros indivíduos da mesma espécie; no entanto, um caso excepcional chamou atenção dos pesquisadores.

No caso das amêijoas, a amostra genética das células cancerígenas não era compatível nem mesmo com a própria espécie, mas sim, outro tipo de molusco. Assim, os pesquisadores chegaram à conclusão que uma mesma célula cancerígena havia contagiado outras espécies. “Esses cânceres transmissíveis constituem uma classe distinta de agentes infecciosos e mostram uma grande habilidade dos tumores em promover sua própria propagação e sobrevivência”, afirmam os pesquisadores no estudo. “Esta é a primeira vez que vemos algo desse tipo”, afirmou Goff à Nature.

Mesmo assim, o pesquisador tranquiliza os amantes de mexilhões (ou do mar): não existe a possibilidade das células cancerígenas vistas nos mariscos serem transmitidas para humanos – seja por meio da ingestão dos mexilhões, ou por nadar no oceano.

Novas pesquisas – De acordo com Elizabeth Murchison, pesquisadora da Universidade de Cambridge que publicou um artigo comentando a pesquisa de Goff, como essas células conseguem sair do hospedeiro e os mecanismos de transmissão do câncer ainda são questões que não estão claras.

“O potencial das células cancerígenas de se tornarem agentes infecciosos ativos levanta questões sobre as implicações transmissões de câncer entre humanos”, afirma a pesquisadora. Murchison sinaliza que casos em humanos de células cancerígenas que foram contraídas como um vírus são bastante raros e nunca se espalham para mais de um indivíduo; mas existem – ano passado foi registrado um caso de um paciente com Aids que, com o sistema imunológico fragilizado, foi infectado por células cancerígenas de uma tênia.

“Mesmo que transmissões de células cancerígenas de pessoa-para-pessoa terem sido registradas em casos de transplantes de órgãos, gravidez, tratamentos experimentais e acidentes cirúrgicos, elas são raras e nunca se estendem para além dos dois indivíduos infectados. De maneira intrigante, no entanto, a recente descoberta de células cancerígenas de uma tênia que se espalharam no corpo do indivíduo que a hospedava consolida os resultados da atual pesquisa, de que o câncer pode invadir novas espécies hospedeiras”, disse Murchison no comentário.

“A descoberta de cânceres transmissíveis que se espalham nos oceanos é um avanço excitante e abre portas para novas vias de pesquisas sobre a doença”, afirmou.

dezembro 24, 2016

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Tranquilizante de cavalo vai virar antidepressivo

Um pózinho amarelo que fazia sua alma descolar do corpo. Essa era o slogan do Special K nos anos 90, uma droga chegava aos narizes dos festeiros das ruas refinada a partir de tranquilizantes usados em cavalos e gatos. Duas décadas depois, é essa a substância que promete mudar a vida de muita gente que sofre com depressão e revolucionar o tratamento da doença.

A ketamina é um anestésico relativamente barato que também pode ser usado em humanos em hospitais. Mas o negócio ficou famoso mesmo nas baladas. Ao contrário de drogas como o ecstasy, que são estimulantes, a ketamina é um depressor do sistema nervoso. O resultado é que a pessoa, por dentro, está vivendo uma fantasia incrível, cheia de alucinações – podendo até dançar pessoalmente com a Madonna – enquanto por fora, ela está parada, quase babando. Exagerar no Special K tinha um efeito tão assustador que ganhou o apelido de K Hole, o buraco de onde é difícil de sair e no qual fica difícil de reconhecer a realidade.

Só que da experiência das ruas começaram a aparecer histórias de gente que se curou da depressão com a ketamina. E a indústria farmacêutica começou a levar a história a sério e a pesquisar os efeitos da droga.

A busca por um remédio mais eficiente foi o que fez os laboratórios olharem mais de perto para a ketamina. O efeito da droga é imediato. Uma dose é sentida pelos pacientes em minutos e o resultado como antidepressivo pode durar por semanas.

A ketamina tem dois obstáculos importantes a ultrapassar para chegar nas farmácias. Em primeiro lugar, a parte recreativa precisa ir embora. Não tem condições de um alucinógeno ser aprovado como remédio de uso frequente por agências reguladoras (para a tristeza de algumas pessoas). Para isso, alguns laboratórios estão testando a esketamina, um isômero óptico da ketamina que tem os mesmo efeitos antidepressivos, mas sem visões e experiências metafísicas.

Outro problema é econômico. A ketamina já foi patenteada anos atrás. O tempo passou, a patente caiu e qualquer um pode produzir a substância, diminuindo bastante o potencial de lucro da empresa farmacêutica que desenvolver um remédio com ela. Mas também tem formas de contornar isso, criando melhorias patenteáveis, como novas formas de administração da droga (que não seja intravenosa, como nos hospitais, nem cheirada em pó, como nas festas).

A verdadeira revolução que o Special K pode provocar, porém, não é a criação de um único remédio novo. O principal mecanismo de ação da droga é completamente diferente dos antidepressivos convencionais como Prozac. Os remédios atuais são inibidores seletivos de recaptação de serotonina. O uso deles se baseia na hipótese de que existe um desequilíbrio químico de serotonina no cérebro que causa a depressão. Aí a produção desse neurotransmissor bomba e as pessoas se sentem melhor. O problema é que o efeito no cérebro é imediato, mas o quadro de depressão em si demora umas duas semanas para aliviar. Isso quando dá certo – o tratamento só funciona para 58% dos pacientes.

Já principal mecanismo de ação da ketamina não tem nada a ver com as monoaminas, grupo de substâncias da qual a serotonina faz parte – o que põe em cheque a hipótese atual sobre o que a depressão de fato faz no cérebro. O estudo da explosão que o Special K causa no cérebro pode então revelar neurotransmissores que ninguém nunca tinha associado com a depressão. A notícia é boa para os 42% que nunca se acertaram com o Prozac: tem muito mais “pílulas da alegria” vindo por aí.

Fonte: Revista Superinteressante

dezembro 23, 2016

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Com participação de brasileiros, grupo internacional faz teste inédito com anti-hidrogênio

Cinquenta cientistas de 11 países, incluindo quatro brasileiros, conseguiram criar, isolar e agora medir a energia de um átomo de anti-hidrogênio no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern), na Suíça. O trabalho foi publicado na revista “Nature”.

A antimatéria é formada por antipartículas. Em teoria, para cada partícula de matéria no mundo, há uma antipartícula associada com as mesmas propriedades, uma espécie de simetria descrita em um teorema chamado de CPT. Entretanto, quando a antimatéria entra em contato com a matéria, ela é instantaneamente desintegrada. É isso é o que faz ser tão difícil estudá-la.

Na pesquisa publicada nesta semana, o grupo de pesquisadores conseguiu criar átomos de anti-hidrogênio. Depois, o isolou com a ajuda de forças magnéticas – justamente para evitar que fosse aniquilado. Finalmente, jogou um feixe de raio laser na partícula com o objetivo de fazer uma medição conhecida como espectroscópica. O objetivo é testar se a antimatéria tem as mesmas características da matéria.

Com a chegada do laser ao átomo, ele se “agita” e os cientistas podem medir sua energia, entendendo melhor suas características. Se, ao contrário do que se espera, o antiátomo se comportar diferente do átomo, essa pode ser uma grande novidade. Por enquanto, no entanto, o grupo ainda está na fase de testes, analisando os resultados.

“Estamos testando a simetria jogando um feixe de laser numa nuvem de átomos de anti-hidrogênio, comparando os níveis de energia do anti-hidrogênio com os do hidrogênio. O teorema CPT diz que eles precisam ser absolutamente iguais. Se medirmos alguma diferença, significa que a teoria precisa ser revista”, explica Daniel de Miranda Silveira, um dos quatro pesquisadores brasileiros envolvidos.

23O teorema CPT conversa com a ideia mais aceita sobre o início do universo, a teoria do Big Bang, segundo a qual uma grande expansão de matéria ocorreu há bilhões de anos. De acordo com uma das mais importantes teorias da física, o Modelo Padrão, no momento dessa “explosão” teria sido surgido a mesma quantidade de matéria e antimatéria.

“O grande mistério é o que aconteceu com a antimatéria no início no universo, quando deve ter sido formada a mesma quantidade de antimatéria e matéria, já que todo o universo que a gente conhece atualmente é feito de matéria”, explica o brasileiro Cláudio Lenz Cesar, um dos primeiros a participar da pesquisa no Cern. As agências espaciais, como a Nasa, tentam procurar respostas para esse pergunta também no espaço, num experimento na Estação Espacial Internacional (EEI).

Além de Silveira e Cesar, os brasileiros Rodrigo Sacramento e Bruno Alves também estão entre os 50 cientistas no experimento.

Fonte: g1.globo.com

dezembro 23, 2016

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ONU promete combater resistência antimicrobiana

Os países membros das Nações Unidas se comprometeram pela primeira vez nesta quarta-feira (21) a tomar medidas globais para enfrentar a ameaça de organismos resistentes a medicamentos. A proposta para combater a proliferação de bactérias, vírus e parasitas desse tipo abrange uma regulamentação mais rígida para o uso de drogas contra patógenos e estudos na área de medicina antimicrobiana.

O compromisso foi firmado durante a Assembleia Geral da ONU depois de anos de alertas de autoridades de saúde global sobre o aumento de infecções resistentes a medicamentos, que ameaçam acabar com todos os antibióticos e antifúgicos, deixando o mundo mais vulnerável a esses organismos.

“A resistência antimicrobiana representa uma ameaça fundamental à saúde humana, ao desenvolvimento e à segurança”, a diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan.

Estima-se que 700 mil pessoas morram anualmente devido ao fenômeno conhecido como resistência antimicrobiana. Bactérias, vírus, parasitas e fungos podem se tornar residentes a medicamentos e defensivos agrícolas, devido ao uso excessivo e incorreto das drogas que deveriam combatê-los.

Dessa maneira, o combate a infecções comuns como pneumonia e gonorreia, a infecções pós-operatórias, tuberculose e ao vírus HIV está se tornando cada vez mais difícil.

“Se falharmos na resposta rápida e abrangente a esse problema, a resistência antimicrobiana tornará o fornecimento de uma cobertura de saúde universal de alta qualidade mais difícil e minará a produção sustentável de alimentos”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Na declaração adotada, governos se comprometem a desenvolver planos nacionais de ação para o combate a esse problema, tendo com base o plano global OMS desenvolvido em 2015. Além disso, os países irão melhorar o monitoramento e regulamentação do uso medicamentos antimicróbicos nos setores de saúde e agricultura.

Fonte: Portal G1

dezembro 23, 2016

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Pesquisa da Nasa diz que ‘motor espacial impossível’, que opera sem combustível, funciona

Os resultados da equipe da Nasa acabam de ser publicados num periódico com revisão por pares, o “Journal of Propulsion and Power”, do importante AIAA (Instituto Americano para Aeronáutica e Astronáutica). É a primeira vez que o tema controverso ganha as páginas de uma revista científica com esse sistema de controle de qualidade.

De acordo com os resultados obtidos, o dispositivo gerou um impulso bastante modesto, mas, para algo que não usa propelente algum, trata-se de um resultado surpreendente e extremamente animador. No fim das contas, pode vir a ser a tecnologia que viabilizará viagens interestelares, algo que está totalmente fora do alcance dos métodos de propulsão tradicionais — pelo simples fato de que é impossível levar combustível suficiente para realizar a viagem.

Claro, fale para a imensa maioria dos físicos que algo vai se acelerar no vácuo sem uma massa propelente que seja capaz de gerar um jato de exaustão na direção oposta, e eles dirão que isso é impossível, pois contraria as leis da física. Um dos princípios mais elementares é a famosa conservação do momento.

Não, não é quando a gente tira uma foto para ter um momento guardado para sempre. Em física, momento é tão somente a quantidade de movimento, expressa pela multiplicação da massa pela velocidade de um objeto. Em tese, você pode transferir momento de um objeto a outro. Mas as coisas, em tese, não deveriam funcionar se você tenta acelerar sem “roubar” momento de algum outro lugar. Por tudo que sabemos das leis da natureza, não se pode criar mais momento do nada.

Por esse pequeno grande detalhe sempre houve — e continua a haver, sejamos francos — muita desconfiança por trás do conceito, desde que ele foi apresentado, no começo dos anos 2000.

Os próprios pesquisadores da Nasa (liderados por Harold “Sonny” White, chefe do laboratório Eagleworks, instalado no Centro Espacial Johnson, em Houston) mantêm uma postura agnóstica com relação à tecnologia controversa, noves fora os resultados positivos. Em seu artigo, eles listam exaustivamente todas as fontes experimentais de erro que poderiam explicar os resultados. Eles particularmente não acreditam que alguma delas esteja gerando um falso positivo, explicando detalhadamente o que fizeram para mitigar os problemas em seu experimento. Mas também admitem que não podem descartar completamente boa parte delas — e sempre pode ser algo em que eles sequer pensaram. De toda forma, um item dessa lista já pôde ser completamente descartado: o ar não tem participação no modesto impulso gerado.

Os testes foram feitos com a acoplagem do dispositivo a um pêndulo de torção, mantidos numa câmara a vácuo. O motor em si lembra basicamente uma secção transversal de um cone. Em seu interior, uma fonte de energia elétrica gera radiação eletromagnética em micro-ondas (o EM do nome), e é isso que, de algum modo, geraria a propulsão. No experimento, esse dispositivo foi alimentado com eletricidade, com diferentes níveis de potência: 40, 60 e 80 watts. A ideia básica do experimento era medir qualquer propulsão que alterasse o padrão de movimento do pêndulo.

Para se certificar de que estavam medindo mesmo o motor em funcionamento, testes foram feitos para gerar propulsão à frente, para trás e nula (usando, ainda, em outra configuração um peso morto equivalente ao dispositivo ligado ao pêndulo para efeito de controle).

“Os dados de impulso para frente, para trás e nulo sugerem que o sistema estava funcionando com uma taxa de empuxo por potência de 1,2 milinewton (mais ou menos 0,1 milinewton) por quilowatt”, escreveram White e seus colegas.

CERTO. SE FUNCIONA, COMO FUNCIONA?
Há duas formas de responder a essa pergunta, a curta e a longa.

A curta é: ninguém sabe.

A longa é: mesmo entre os entusiastas do EM Drive não há acordo. Um de seus primeiros proponentes, o britânico Roger Shawyer, sempre defendeu que não há mistério e que seu propulsor sem combustível não viola as leis da física.

O que ele diz é que é possível configurar a cavidade (a secção do cone) de forma que um bate-rebate das micro-ondas em seu interior trocasse momento com o fundo do dispositivo, gerando propulsão. A imensa maioria dos físicos — inclusive o pessoal da Nasa — diz que isso não faz o menor sentido.

Contudo, eles também mediram alguma propulsão, e acham que não é erro experimental: precisa ser explicado, portanto.

White, que é formado em engenharia mecânica com doutorado em física, também acredita que o dispositivo não viola as leis da física, mas por outro motivo: segundo ele, o EM Drive interage de uma forma exótica com a energia do próprio vácuo. Uau.

Pois é, foi-se o tempo em que o vácuo era um “nada” puro e absoluto. Hoje sabemos que mesmo o mais vazio dos vazios tem alguma coisa — ele tem energia, ou, mais precisamente, tem a probabilidade, por menor que seja, de não ser vácuo.

Uma das demonstrações mais chocantes da mecânica quântica é que essa probabilidade não é mero artefato teórico. Ela se realiza de fato na natureza, gerando no vácuo um mar de partículas virtuais. Elas são em tudo similares às partículas convencionais, que formam tudo que existe no Universo, com uma diferença essencial: elas aparecem e desaparecem numa fração de segundo e, por isso, não afetam o balanço total de energia do Universo. (Partículas que aparecessem no vácuo e não desaparecessem mais violariam outro princípio de conservação, o da energia.)

Usando interpretações menos comuns da mecânica quântica, White e seus colegas sugerem que o tal EM Drive estaria interagindo com esse mar de partículas virtuais e, de algum modo, é delas, em sua fugidia existência, que o dispositivo “roubaria” o momento para produzir sua propulsão, sem violação das leis físicas.

Faz algum sentido? Hm, ótima pergunta. Se eu soubesse a resposta, poderia me tornar o primeiro especialista reconhecido em EM Drives. Como esse cara ainda não existe, vamos ter de conviver com a dúvida, pelo menos por enquanto.

E O TAMANHO DA REVOLUÇÃO?
Bem, vamos supor que, independentemente de como funcione, o negócio pelo menos funcione de fato. Falamos lá em cima do impulso medido: 1,2 milinewton por quilowatt. Como comparamos isso com outras formas de propulsão mais conhecidas?

Não podemos colocar isso lado a lado com um foguete de combustão química, porque não tem nem comparação. O foguete ganha de lavada. Os ônibus espaciais americanos, por exemplo, tinham um pico de empuxo de 30,1 meganewtons. Saltamos dos mili (milésimos) para os mega (milhões).

Precisamos de um coice desses, como o do ônibus espacial, para vencer o campo gravitacional terrestre. Então você não pode imaginar decolar do chão com um EM Drive — ao menos não com esse desempenho medido. Seria como tentar soprar numa nave para ela subir.

Em compensação, em dez minutos de propulsão o ônibus espacial esgota seu combustível, atinge uma órbita e está à mercê da inércia, sem capacidade de acelerar mais. É nessa hora que o EM Drive, em tese, brilharia. Como ele não usa combustível, poderia acelerar indefinidamente — é o famoso “devagar e sempre”.

Uma tecnologia avançada e recente que mistura um pouco de cada coisa — usa combustível, mas é econômica, e tem empuxo fraco, porém duradouro — é a chamada propulsão iônica. Ela já foi usada com sucesso em algumas espaçonaves, como a sonda Dawn, que está neste momento explorando o planeta anão Ceres, no cinturão de asteroides.

White compara o desempenho do EM Drive medido no laboratório deles com o de um propulsor iônico de última geração. Enquanto cada quilowatt de eletricidade gera 1,2 milinewton de impulso com o EM Drive, um motor de íons geraria 60 milinewtons. Ou seja, uma tecnologia como a embarcada na Dawn é umas 50 vezes melhor que esse EM Drive aí.

E a Dawn, não custa lembrar, levou quatro anos para ir da Terra até o cinturão de asteroides, que fica aquém da órbita de Júpiter — logo ali na esquina, se estamos sonhando em voo interestelar.

Então, importante, pelo menos no momento, a gente não se prender muito a números incríveis que têm sido atirados por aí, como ir à Lua em quatro horas, a Marte em 70 dias e a Plutão em 18 meses. Calma lá.

De onde a galera tira esses números, então?

De uma extrapolação que White e sua equipe fizeram em outro momento, supondo que se pudesse chegar a um nível de propulsão de 0,4 newtons por quilowatt — um desempenho pouco mais de 300 vezes maior que o medido.

Com esse mesmo desempenho, ir até Proxima Centauri, a estrela mais próxima, a 4,25 anos-luz, levaria 122 anos. Se fosse possível melhorar o desempenho por um fator de dez, para 4 newtons por quilowatt, a viagem levaria 29,9 anos.

Legal, né? Mas é 4.000 vezes mais do que o desempenho medido, e esse desempenho ainda pode nem ser real!

Moral da história: ainda temos um longo caminho a percorrer.

A boa notícia é que, como nem sabemos como isso poderia funcionar, no momento em que descobrirmos, teremos capacidade de projetar essas coisas para funcionarem com mais eficiência. E aí talvez descubramos que é possível fazer esse salto de 4.000 vezes no desempenho. 

Por ora, no entanto, a aposta mais segura para missões interestelares é a tecnologia de velas com propulsão a laser, desenvolvida pelo projeto Breakthrough Starshot. Pelo menos, ela não envolve nenhuma física maluca. E, de toda forma, é muito legal vermos diferentes alternativas aparecendo. Sinal de que, cedo ou tarde, vamos matar essa charada e descobrir como viajar entre as estrelas.

Quem sabe até mais depressa que a própria luz? Harold White também trabalha numa linha de pesquisa que tenta criar uma dobra espacial, encolhendo a distância entre dois pontos, à moda de “Star Trek”. Mas o progresso aí é ainda mais lento que o dos EM Drives. Ou seja, não prenda a respiração.

Fonte: Folha de São Paulo

dezembro 22, 2016

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Alinhamento de cinco planetas no céu será visível até setembro

Após ter sido observado no início deste ano, o incrível alinhamento dos cinco primeiros planetas do nosso Sistema Solar poderá ser visto a olho nu no horizonte novamente. A partir desta semana, astrônomos e entusiastas poderão observar Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno visíveis no céu pouco depois do pôr do sol, por volta das 18h30. O fenômeno deve se repetir até a primeira semana de setembro e promete ser um belo espetáculo celeste.

“A grosso modo esse é o mesmo fenômeno visto em janeiro, pois os cinco planetas visíveis a olho nu também estavam no céu todos ao mesmo tempo. A diferença é que em janeiro essa configuração aconteceu no final da madrugada, antes de amanhecer, e agora acontece logo após o entardecer”, afirmou Gustavo Rojas, astrônomo e físico da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). Este, no entanto, não é um alinhamento “clássico”, em que as órbitas dos planetas se aproximam e eles parecem estar “chegando mais perto” no céu, quando vistos da Terra – a aproximação é sempre aparente, pois os planetas estão a milhões de quilômetros de nós. Dessa vez, os planetas parecem estar “enfileirados”, um efeito visual causado pela perspectiva que temos do Sistema Solar.

De acordo com Rojas, os observadores devem olhar para a faixa entre os horizontes Oeste e Leste do céu para ver o espetáculo. “Cerca de meia-hora depois do Sol se pôr será possível ver Mercúrio, Vênus e Júpiter perto do horizonte, na constelação do Leão, enquanto Marte e Saturno estarão no alto do céu na constelação do Escorpião. Isso se repetirá durante todo o mês de agosto e início de setembro”, afirma o astrônomo.

“Para garantir uma boa observação, procure um local com vista desimpedida do horizonte Oeste (onde o Sol se põe), caso contrário não será possível visualizar Mercúrio e Vênus. Se esse local for afastado de iluminação artificial, melhor ainda”, diz Rojas. De acordo com o astrônomo Daniel Mello, do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o melhor momento para observação ocorrerá entre o início e meados de agosto, quando as condições para a observação de Mercúrio serão mais favoráveis.

Identificando os planetas

No horizonte Oeste estarão Mercúrio, Vênus e Júpiter – sendo os últimos dois mais brilhantes que qualquer estrela, e bastante fáceis de identificar (Vênus é o mais brilhante e vai estar mais perto do horizonte). Já Mercúrio será mais difícil de ver, pois seu brilho não é tão grande. Segundo Rojas, o planeta estará entre Vênus e Júpiter durante boa parte do mês, e no dia 4 de agosto a Lua ficará bem ao seu lado, facilitando a identificação.

“Marte e Saturno estarão no alto do céu durante o começo da noite, na constelação de Escorpião, a Leste. Marte é o astro mais brilhante nessa região do céu, com coloração levemente avermelhada. Ele não deve ser confundido com a estrela Antares, a mais brilhante de Escorpião, que também tem um tom levemente avermelhado. Saturno parece formar um triângulo com Marte e Antares, e seu brilho é comparável ao de Antares”, afirma Rojas.

Mesmo assim, de acordo com Mello, caso os observadores não consigam distinguir os planetas apenas olhando para o céu, os aplicativos podem dar um bom auxílio. “Em geral planetas são mais brilhantes que as estrelas e estão localizados em uma faixa no céu chamada eclíptica – a faixa que delimita o caminho da Lua e do Sol durante os dias e durantes os meses do ano. Se o observador não conseguir identificar por esses meios, pode consultar algum aplicativo estelar como Google Sky Map, Sky View ou Stellarium”, afirma o astrônomo.

Uma configuração planetária bastante parecida com essa poderá ser vista novamente em outubro de 2018, sendo diferente da que deve ocorrer em 2042. “Em julho de 2042 a configuração dos planetas será diferente. De qualquer forma, em 2018 teremos uma configuração de posição planetária muito parecida com a que teremos agora em agosto”, afirmou Mello.

Fonte: Revista Veja

dezembro 20, 2016

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Estudante cria fórmula química e credita feito a Deus: “Ele me enviou o número certo”

Ele tem apenas 16 anos, mas ao contrário de muitos alunos, Kelvin Márcio Sales Pereira tem um apreço pela área de exatas. Tanto que já é detentor de sua própria fórmula química registrada em cartório, a Fórmula de Kelvin.

O aluno cristão criou uma fórmula química para encontrar o Nox de um metal eletrolisado, a massa eletrolisada ou a massa atômica do mesmo. O NOX é o número de oxidação que indica o número de elétrons que um átomo ou íon perde ou ganha para adquirir estabilidade.

De acordo com Kelvin, a fórmula que já foi registrada em cartório deverá ser encaminhada para avaliação do Conselho Internacional de Química. O estudante também já está aprovado para o 3º ano do Ensino Médio no Colégio Militar da Polícia Militar Waldocke Fricke de Lira (3º CMPM), na comunidade Parque São Pedro.

Veio de Deus

Em entrevista para a Veja, o jovem afirma que foi Deus quem lhe enviou o número certo para chegar à fórmula. “Estava estudando sobre eletrólise no meu curso pré-vestibular. Durante a resolução de um exercício, percebi uma lógica entre a massa atômica, a massa eletrolisada e o NOX do metal. Gosto de tentar encontrar maneiras mais simples de resolver os problemas. Então, criei um macete, que resultou na fórmula”, explicou.

“Em um primeiro momento, cometi um erro, multiplicando por um número inadequado. Ainda assim, eu sabia que poderia chegar em uma resposta e, então, acredito que Deus me enviou o número certo e eu cheguei à fórmula final”, disse. Ele coloca o crédito em Deus por obter a equação. “Tive uma inspiração divina”, completa o aluno que ainda não acredita ter sido o autor da fórmula. “A ficha ainda não caiu. Não esperava alcançá-la pois é uma coisa demorada para conseguir”, pontuou Kelvin que é da Igreja Adventista.

Utilidade da fórmula

Ele ainda explica como a fórmula pode facilitar as coisas. “A fórmula é de extrema importância na área industrial porque pode ser utilizada na produção de alumínio na etapa da redução eletrolítica da alumina (óxido de alumínio, composto químico usado na produção de alumínio, abrasivos, refratários, isolantes elétricos e como catalisador em cromatografia), mas também para outras funções como folhagem de joias e revestir materiais para protegê-los da corrosão”, explanou.

Fonte:vejadetudo.com.br