novembro 29, 2016

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Jejum faz suas células se comerem; e isso te renova, diz Nobel de medicina

Não é dieta ou regime. Os cientistas estão pesquisando como o jejum ou o corte radical de calorias pode promover o aumento da expectativa de vida. A alimentação equilibrada e rica em nutrientes é fundamental para uma boa saúde. Porém, já é sabido que a privação de alimentos de forma controlada pode ativar mecanismos de autodefesa das células que garantem a elas maior longevidade. É isso que se traduz em benefícios para todo nosso organismo.

Tudo por causa da autofagia. Ela é um mecanismo importante de autolimpeza que existe em todas as células de nosso corpo. Os genes que regulam essa reciclagem de organelas velhas ou malformadas foram identificados por Yoshinori Ohsumi, ganhador do Nobel de medicina deste ano.

A redução da autofagia leva ao acúmulo de componentes danificados, o que está associado à morte das células e ao desenvolvimento de doenças. Assim, manter o mecanismo ativo seria uma forma de prevenir problemas futuros.

A autofagia é ativada quando a célula está em situações de estresse. Por exemplo, quando o indivíduo fuma um cigarro ou deixa de se alimentar. Para sobreviver, a célula passa a “comer” partes internas, degradando tudo o que tem de ruim. Quanto mais o mecanismo funciona maior a faxina interna.

A autofagia não fica ativa o tempo todo. Mas a restrição de nutrientes é uma forma de burlar isso”

Luciana Gomes, pesquisadora do Laboratório de Reparo de DNA da USP

“O jejum induz a autofagia, isso é sabido. Também sabemos que a autofagia induz a longevidade. A busca agora é entender a conexão entre a autofagia ativada pelo jejum e a longevidade das células”, explica Soraya Smaili, professora livre-docente da Escola Paulista de Medicina. Segundo ela, a maioria dos estudos feitos até hoje foi com animais.

Comer menos calorias também pode aumentar longevidade

Outra forma de ativar a autofagia e propiciar benefícios para o organismo é com a restrição do consumo de alimentos. Para funcionar, a redução de calorias ingeridas dever variar entre 20% e 60%, de acordo com as pesquisas. “Não é o jejum, é a diminuição prolongada de consumo de nutrientes. A autofagia é aumentada”, explica Luciana Gomes. A redução ocorreria principalmente no consumo de carboidratos e proteínas.

Contudo, se a privação de nutrientes for muito longa, os efeitos passam a ser negativos. Nesse caso, a célula poderia começar a degradar componentes bons, que funcionam. O ideal seria conseguir estimular a faxina interna em tempo certo, sem excessos. Para isso, os cientistas pesquisam qual seria o tempo de jejum e o nível de redução calórica que garantiriam os efeitos benéficos sem causar prejuízos.

Smaili diz que há estudos feitos em humanos que mostram que o jejum, se bem conduzido e monitorado, traz benefícios a longo prazo. “Não é um jejum prolongado. É de 12 e no máximo 24 horas. E pode ser específico, de alguns nutrientes, como carboidratos e proteínas”, afirma.

Durante o jejum, seria importante manter o consumo de água e de sais, para não provocar aumento da pressão arterial ou desidratação. Um soro pode cumprir essa função. E o jejum só poderia ser feito por pessoas saudáveis.

Fazer jejum ou reduzir alimentação, o que você prefere?

Para garantir o aumento da expectativa de vida a longo prazo, o jejum precisaria ser feito de forma periódica. “Não adianta fazer um hoje e outro no ano que vem”, diz a farmacóloga da Unifesp.

Já a redução calórica precisaria ser permanente para produzir efeitos. “Como é difícil ter essa disciplina, surgiu a busca para confirmar se jejum intermitente conseguiria levar aos mesmos efeitos”, complementa a biomédica da USP.

As pesquisas existentes ainda não possuem resultados que permitam traçar uma indicação de frequência do jejum. Quanto à restrição calórica, Gomes explica que em testes com animais os melhores resultados ocorreram entre os que foram mantidos em restrição calórica desde o nascimento. O aumento da expectativa de vida chegaria, nesses casos, a 30%.

Fonte: uol.com.br

novembro 22, 2016

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Cientistas descobrem área do cérebro que tira dor no “efeito placebo”

Cientistas identificaram pela primeira vez a região do cérebro responsável pelo “efeito placebo” no alívio da dor. Essa sensação acontece quando os pacientes recebem um remédio e sentem que as dores estão melhorando, quando na verdade tomaram apenas pílulas de açúcar.

Em dois ensaios clínicos envolvendo 95 pacientes com dor crônica causada por osteoartrite (doença das articulações que resulta da degeneração da cartilagem e do osso), pesquisadores da Northwestern Medicine e do Instituto de Reabilitação de Chicago (RIC) identificaram que o efeito placebo acontece na parte frontal do cérebro, chamada de giro frontal médio, região que também tem papel importante nas emoções.

Os primeiros resultados, da pesquisa divulgada pela PLOS Biology, sugerem que o efeito placebo é predeterminado pela biologia do cérebro, mas os pesquisadores ainda não sabem por que ele acontece.

Informação pode melhorar testes de remédios

A partir do grupo original de voluntários, os cientistas selecionaram aleatoriamente 39 pessoas para receber a pílula placebo. Foram feitas ressonâncias do cérebro desses voluntários. Nas imagens, os pesquisadores perceberam a região do cérebro com grande atividade por conta da pílula. 

Com isso, os pesquisadores acreditam que possam usar essa informação para excluir esses pacientes de ensaios clínicos e obter resultados mais exatos sobre a eficácia dos remédios testados.

A pesquisa ainda está no início. De acordo com os cientistas, é necessário um número muito maior de voluntários para confirmar a descoberta.

Fonte: uol.com.br

novembro 14, 2016

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Pesquisa com DNA revela pista de como cachorros se tornaram ‘melhor amigo do homem’

Uma nova pesquisa reforça a teoria de que cães podem ser sido domesticados a partir de lobos que frequentavam os primeiros assentamentos humanos procurando por restos de comida.

De acordo com provas obtidas a partir de DNA, o estudo sugere que cães desenvolveram a habilidade de digerir alimentos ricos em amido durante a revolução agrícola há milhares de anos.

Os cachorros modernos podem tolerar dietas ricas em amido, algo que os lobos, carnívoros, não fazem. Isto foi comprovado em um estudo anterior que encontrou no cão moderno genes para a digestão de amidos.

Um estudo do DNA extraído dos ossos e dentes de cães antigos em sítios arqueológicos na Europa e na Ásia sugere que a habilidade de tolerar alimentos com amido já existe há milhares de anos, talvez há 7 mil anos.

A pesquisadora Morgane Ollivier, da École Normale Supérieure (ENS), de Lyon, na França, disse que o desenvolvimento cultural humano influenciou a domesticação do cachorro.

Amostras de DNA com idades entre 8 e 4 mil anos mostram que a habilidade dos cães de digerir o amido é antiga, da época em que as sociedades de caçadores-coletorers adotaram a agricultura.

“Como (as provas) estavam ausentes de contextos dos caçadores-coletores, ligamos (o desenvolvimento da habilidade de digerir amido) ao desenvolvimento da agricultura nas primeiras sociedades agrícolas”, explicou Ollivier à BBC.

“Isto provavelmente constituiu uma vantagem seletiva importante para os cachorros que se alimentavam dos restos deixados por humanos em um contexto mais agrícola.”

“É um exemplo incrível de evolução paralela da cultura humana (surgimento da agricultura) e do genoma do cachorro”, acrescentou.

Lobos domados

Existe uma divisão entre cientistas sobre como os cães foram domesticados a partir dos lobos.

Uma sugestão é que os antigos caçadores-coletores usavam os lobos como companheiros de caçadas ou como cães de guarda primitivos, gradualmente conseguindo treinar e domar estes lobos.

Mas outros argumentam que a domesticação começou mais tarde, quando os lobos passaram a roubar restos de comida dos assentamentos e começaram a viver junto dos humanos.

A nova pesquisa da ENS de Lyon, publicada na revista especializada Royal Society Open Science, analisou o DNA de ossos de cães em oito sítios arqueológicos espalhados pela Europa e no Turcomenistão.

E as conclusões dão mais peso à teoria de que os cães foram domesticados quando entraram nos assentamentos humanos para roubar comida, evoluindo aos poucos a habilidade de sobreviver se alimentando da dieta humana.

A estimativa de cientistas é de que os cães começaram a se desenvolver como subespécie (Canis lupus familiaris) da espécie Canis lupus há cerca de 15 mil anos.
Mas ainda não está exatamente claro como e quando a relação entre a humanidade e os cachorros começou.

Alguns cientistas até apoiam a ideia de que a domesticação dos cães pode ter ocorrido em várias ondas, em ocasiões diversas durante a história.

Fonte: uol.com.br

novembro 7, 2016

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Cientistas brasileiros descobriram dois novos planetas ao redor de uma estrela muito similar ao Sol

A pesquisa, divulgada pela revista Astronomy & Astrophysics, apresenta dois exoplanetas orbitando a estrela HIP 68468. Eles são um super-Netuno e uma super-Terra. A estrela tem 6 bilhões de anos e fica a uma distância de 300 anos-luz da Terra. O super-Netuno, chamado de HIP 68468c, tem 26 vezes a massa da Terra, mas, enquanto Netuno está cerca de 30 vezes mais longe do Sol do que nosso planeta, o HIP 68468c está a uma distância de 98.734.595 km de sua estrela, quase tão próximo quanto Vênus em relação ao Sol.

A super-Terra, chamada de HIP 68468b, tem uma massa quase 3 vezes maior do que a da Terra e está a uma distância de 4.487.936 km, bem pertinho de sua estrela. Se a descoberta for mesmo confirmada, será o primeiro planeta semelhante à Terra orbitando em torno de um gêmeo do Sol, dizem os pesquisadores.

O estudo, realizado com o auxílio do telescópio do ESO (Observatório Europeu do Sul), no Chile, foi liderado pelo astrônomo Jorge Melendez, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP). Para realizar a descoberta os astrônomos “seguiram” a estrela HIP 68468 por 43 noites espalhadas ao longo de quatro anos. Melendez explica que não é possível observar os planetas.  Assim como o planeta orbita a estrela pelo efeito gravitacional, ele também faz com que ela se movimente.

“Observamos o movimento da estrela e assim conseguimos saber qual a orbita do planeta”, diz Melendez. Os cientistas também analisaram os ruídos da estrela, emitidos por conta da atividade magnética, para ter certeza de que é um planeta e não apenas atividades normais do astro. Para ser confirmado oficialmente, o planeta precisa ser acompanhado por anos e ter registros regulares.
O próximo passo da pesquisa é continuar com observações para tentar descobrir que outros tipos de sistema solar existem e se são similares ao nosso. A médio prazo a ideia é detectar outros pequenos planetas. Para isso, os cientistas reforçam que não são necessários apenas anos de observação, mas investimentos tecnológicos.
Em 2010, o Brasil foi convidado a ser o primeiro país não-europeu a integrar o ESO (Observatório Europeu do Sul), grupo de 15 países que opera telescópios no deserto do Atacama, no Chile. No entanto, o Brasil não ratificou o acordo que liberaria 270 milhões de euros, parcelados em 10 anos, que o incluiria no programa.
“É um favor o ESO disponibilizar o observatório para os pesquisadores sem o Brasil ser membro”, diz Melendez. O observatório está construindo o que deve ser o maior telescópio do mundo com um espelho principal de 39 metros. De acordo com o ESO o instrumento poderá captar mais luz do que todos os telescópios de 8 a 10 metros no planeta somados.
“Infelizmente se o Brasil não ratificar o acordo ficaremos de fora da maior aventura da astronomia da atualidade, que vai permitir identificar objetos que ainda não podem ser encontrados atualmente, com imagens de melhor qualidade”, explica o pesquisador.