setembro 30, 2016

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Você sente enjoo no carro? Seu cérebro acha que está sendo envenenado

enjoocarroÉ bem provável que você conheça alguém que não consegue entrar na estrada sem passar mal (aqueles saquinhos não estão no ônibus à toa). Agora, depois de incontáveis paradas no acostamento, a ciência finalmente descobriu o motivo disso tudo: para seu estômago, andar de carro pode ser bem parecido com ser envenenado.

Do ponto de vista evolutivo, faz pouco tempo que a humanidade trocou os calcanhares pelos motores e nossa biologia ainda não é completamente adaptada para essa nova realidade. A verdade é que andar de carro confunde sua cabeça, literalmente: o cérebro recebe sinais de que está se mexendo e que está parado, ao mesmo tempo.

O ouvido interno é responsável por manter o equilíbrio do corpo. Para isso, ele conta com líquidos que se movimentam de acordo com seu movimento – é por isso que, mesmo vendado, você sabe se está deitado ou de pé, reto ou inclinado. O movimento do carro faz com que os líquidos do ouvido interno se desloquem, e, com isso, o corpo sabe que não pode estar parado.

Mas os seus olhos e seus músculos dizem outra coisa. Especialmente para quem está sentado no banco de trás, tudo que os olhos veem é o interior do carro, sem movimento algum. Suas pernas também não se mexem. Então por que tem um rebuliço no ouvido dizendo que você está a 70 km/h?

O juíz responsável por dar o veredito sobre o seu movimento é uma parte do cérebro chamada tálamo, como explica o neurocientista Dean Burnett à rádio NPR. E para responder à pergunta “como estou me mexendo sem me mexer”, a resposta que o tálamo encontra é que você está doidão.

O cérebro lê a confusão dos sentidos como sintoma de um possível envenenamento. Em termos evolutivos, as causas mais prováveis de desencontro dos sentidos, ao menos na natureza, são neurotoxinas. É por isso que o estômago acaba envolvido em um problema de equilíbrio e movimento. Se existe uma chance de que o corpo tenha sido contaminado, a reação de emergência do cérebro é forçar o corpo a botar para fora o veneno e diminuir os danos.

Para Burnett, olhar pela janela ajuda a equilibrar os estímulos contrários que o corpo recebe, enquanto focar em um pedaço estático de papel (ou seja, ler) aumenta a discordância de opiniões entre sua visão e seu ouvido interno – e faz seu cérebro neurótico sentir mais vontade de “desintoxicar”.

setembro 26, 2016

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Estudo aponta que reduzir número de calorias ingeridas pode fazer bem para o cérebro

Estudos com diferentes espécies animais sugerem haver uma relação entre comer menos e viver mais. Porém, ainda não são bem compreendidos os mecanismos moleculares pelos quais a restrição calórica pode proteger contra doenças e aumentar a longevidade. Novas pistas para ajudar a solucionar o mistério foram apresentadas em artigo publicado este mês na revista Aging Cell pela equipe do Centro de Pesquisa em Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) da Fapesp.

Por meio de experimentos in vitro e in vivo, os cientistas observaram que uma redução de 40% nas calorias da dieta aumenta a capacidade da mitocôndria (organela celular responsável pela produção de energia) de captar cálcio em algumas situações nas quais o nível desse mineral no meio celular encontra-se patologicamente elevado. No cérebro, isso pode ajudar a evitar a morte de neurônios associada a doenças como Alzheimer, Parkinson, epilepsia e acidente vascular cerebral (AVC), entre outras.

“Mais do que promover as vantagens de comer pouco, nosso objetivo é compreender os mecanismos que fazem com que não exagerar na ingestão de calorias seja melhor para a saúde. Isso pode apontar novos alvos para o desenvolvimento de drogas contra diversas enfermidades”, comentou Ignacio Amigo, pesquisador do Instituto de Química da USP.

A pesquisa

Conforme explicou o pesquisador, o cálcio é uma molécula que participa do processo de comunicação entre os neurônios. Porém, doenças como o Alzheimer podem causar uma superativação dos receptores para o neurotransmissor glutamato nos neurônios, resultando em uma entrada excessiva de íons de cálcio na célula. Tal condição é conhecida como excitotoxicidade e pode causar danos e até mesmo a morte de neurônios.

Com o objetivo de verificar o efeito da restrição calórica em uma condição de excitotoxicidade, os cientistas do Redoxoma compararam dois grupos de camundongos. O controle recebeu ração à vontade durante 14 semanas e, no final do experimento, estava com excesso de peso. O outro grupo experimental, durante o mesmo período, recebeu uma quantidade de ração controlada, com redução de 40% nas calorias ingeridas.

“Calculamos quantas calorias, em média, os animais controle ingeriam diariamente e oferecemos para os demais 40% a menos. Eles não ficavam abaixo do peso, estavam saudáveis, mas suplementamos com algumas vitaminas e minerais que ficariam abaixo do ideal com a diminuição na quantidade de comida”, contou Amigo.

A restrição calórica induziu um aumento nos níveis de proteínas que fazem as mitocôndrias captarem mais cálcio. Nas mitocôndrias do grupo submetido à restrição houve aumento de algumas enzimas antioxidantes. Segundo os cientistas, tais resultados sugerem um aumento na capacidade cerebral de lidar com o estresse oxidativo – condição que participa da gênese de várias doenças degenerativas.

“Dados preliminares sugerem que a mudança no transporte de cálcio mitocondrial induzida pela restrição calórica pode acontecer também em outros tecidos, além do cerebral, com diferentes repercussões. Parece ser algo importante e pretendemos investigar melhor”, comentou.

Fonte:uol.com.br

setembro 19, 2016

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Teletransporte quântico caminha pra melhorar sua internet no futuro

Já ouvi falar em teletransporte quântico? No lugar da transmissão de dados por meio eletromagnético (bits por cabos telefônicos, por exemplo), os cientistas pretendem usam partículas de luz (fótons) para enviar informações codificadas.

Funciona assim: bits são transportados de um lugar a outro instantaneamente devido a um fenômeno chamado emaranhado quântico, que é quando duas partículas ligadas trabalham como gêmeas mesmo ao serem separadas, o que faz com que as informações de uma sejam compartilhadas com a outra sem a necessidade do toque.

Parece uma realidade muito distante do nosso cotidiano, mas cientistas avançam cada vez mais nas pesquisas da internet quântica, que, no futuro, pode significar uma rede mais segura e de melhor qualidade. Segundo estudos publicados nesta segunda-feira (19) na revista Nature Photonics, dois grupos conseguiram, separadamente, enviar dados por vários quilômetros de uma metrópole, usando fibra ótica –um em Hefei (China) e outro em Calgary (Canadá).

Isso quer dizer que as distâncias alcançadas pela nova tecnologia estão cada vez maiores. Em 2014, os pesquisadores usaram fótons emaranhados para enviar dados via fibra ótica por 25 quilômetros.

Até agora o desafio era conseguir deixar as fontes independentes, ou seja, o feixe de luz de uma fonte deve manter-se indistinguível do feixe de outra após transitar por vários quilômetros de fibra e mudar de ambiente. Para isso, as pesquisas mais recentes criaram vários mecanismos de feedback e de sincronização.

Os chineses usaram luz em um mesmo comprimento de onda usado em redes de telecomunicações atuais para minimizar a taxa de perda do sinal de luz na fibra. E os canadenses usaram fótons tanto no comprimento de onda de telecomunicações quanto em um comprimento de onda de 795 nm (nanômetros), o que permitiu que o teletransporte quântico corresse mais rápido do que a experiência dos chineses, mas com uma fidelidade reduzida.

A nova tecnologia inviabiliza a interceptação dos dados e funciona como uma espécie de criptografia de última geração.

Em um artigo na revista “News & Views”, o especialista em física quântica Frédéric Grosshans escreveu:

“Combinadas, essas duas experiências mostram claramente que o teletransporte em distâncias metropolitanas é tecnologicamente viável, e, sem dúvida, muitos experimentos interessantes de informação quântica no futuro serão construídos sobre este trabalho.”

 

Fonte: uol.com.br

setembro 12, 2016

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Varíola, cólera, antraz… Doenças que assolaram a humanidade podem voltar?

hospitaldoencasPeste negra. Varíola. Tuberculose. Gripe espanhola. Só o nome destas doenças já causa arrepios e remete a momentos da história em que fomos derrotados pelas epidemias. Elas causaram milhões de mortes, mas hoje estão controladas ou extintas. Mas será que podem voltar

Recentemente, cientistas russos fizeram um alerta: as mudanças climáticas estão derretendo uma camada de gelo na Sibéria que contém vírus nocivos, como a varíola, guardados ali há milênios. O temor surgiu depois que uma criança morreu e outras 23 pessoas foram contaminadas no norte do país por antraz, uma bactéria que estava desaparecida fazia 75 anos.

Para os pesquisadores, o ressurgimento da infecção aconteceu provavelmente porque um cadáver de rena morta por antraz há décadas foi descongelado na região.

O médico sanitarista Rodolpho Telarolli, da Faculdade de Ciências Biológicas da Unesp (Universidade Estadual Paulista), diz que a OMS (Organização Mundial de Saúde) pode avaliar melhor o risco dessas doenças voltar, mas defende que hoje existem técnicas mais eficazes para combater a varíola, por exemplo.

Para ele, muito mais perigoso é um novo vírus nascer:

Em termos de letalidade, uma nova doença, como ebola e zika, é pior. A ciência já sabe tudo sobre as velhas. Se for para acontecer algo ruim, seria uma nova doença

Além disso, temos muitas doenças “vivas”, como a gripe e a Aids, que ainda são um motivo real de preocupação.

setembro 5, 2016

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Diagnóstico precoce poderia evitar cegueira em pelo menos 77 mil crianças

Cerca de 77 mil crianças de até 14 anos estão cegas ou têm deficiência visual grave por doenças oculares que, em sua maioria, poderiam ter sido evitadas. A estimativa é do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, que lançou no último sábado (03) o livro Prevenção da Cegueira e Deficiência Visual na Infância, no 60º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, em Goiânia.

O estudo aponta para a retinopatia da prematuridade, catarata, toxoplasmose e glaucoma congênito como as principais causas da cegueira infantil. Em todos esses casos, o diagnóstico e a intervenção precoce podem reduzir o dano ou evitar a cegueira. A essas causas já conhecidas, estudadas pelos médicos, somam-se ainda as sequelas da infecção por zika na gravidez.

O problema é que não há uma rede de atenção estruturada, em que os pais recebem encaminhamento para o especialista, após identificado o problema, aponta a oftalmologista pediátrica Andrea Zin, uma das coordenadoras da publicação e pesquisadora do Instituto Fernandes Figueiras (IFF), ligado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Nem mesmo o diagnóstico é garantido – o Teste do Reflexo Vermelho, conhecido como Teste do Olhinho, que permite identificar se a criança tem algum problema de visão, só é obrigatório em 16 Estados e no Distrito Federal.

“A visão exerce papel importante no desenvolvimento geral. Quando você intervém precocemente, evita que crianças sejam desnecessariamente cegas. Mas o teste do Reflexo Vermelho, que é de triagem, não é uma lei federal. Você tem dez Estados em que essa questão não está regulamentada”, afirmou Andrea.

Em alguns casos, como o da catarata congênita, a criança precisa ser operada nos primeiros três meses de vida para evitar a cegueira. Em outros, como a retinopatia da prematuridade, o tempo é ainda mais exíguo – o médico tem até 72 horas depois de identificado o problema. A retinopatia afeta bebês prematuros em que vasos sanguíneos dos olhos cresceram de forma irregular e podem acabar forçando o descolamento da retina, o que leva à cegueira irreversível. Quando há esse crescimento irregular, é preciso fazer uma cirurgia a laser para retirar esses vasos.

Foi o que aconteceu com Gabriel, de 4 meses, nascido na 24.ª semana de gestação, com 614 gramas e 30 centímetros. Internado no IFF, passou por 16 exames até que o crescimento irregular dos vasos pudesse ser identificado. A cirurgia ocorreu a tempo. “Levei um susto quando a médica disse que ele poderia ficar cego. Fiquei com medo de deixar fazer a cirurgia e ao mesmo tempo que ele ficasse cego. Mas deu tudo certo. Ele vai ter acompanhamento e talvez tenha de usar óculos”, disse a dona de casa Tássia da Conceição Marques, de 20 anos.

Tássia vive em Carmo, cidade serrana a 190 km da capital fluminense, e foi encaminhada para o IFF. “Existem bolsões de assistência, como Rio e São Paulo. Mas é preciso estruturar a rede pública, pois o pediatra não sabe para onde encaminhar a criança”, disse Andréa.

Zika

Segundo a especialista, a zika será causa importante de cegueira infantil. O IFF tem programa de pesquisa para acompanhar 1 mil crianças cujas mães contraíram zika, mesmo que os bebês não tenham microcefalia. A médica tem encontrado alterações no nervo óptico que podem levar à cegueira.

Fonte:uol.com.br