novembro 28, 2014

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Cientistas descobrem barreira que protege Terra de radiações

Cientistas identificaram uma barreira quase impenetrável ao redor da Terra que impede que elétrons ultra-energéticos atinjam o planeta. Esse escudo fica no Cinturão de Van Allen, uma camada formada por partículas eletricamente carregadas mantidas no lugar pelo campo magnético terrestre.

Esse cinturão – formado por um cinturão interno (que fica entre 640 e 9,6 mil km acima da superfície terrestre) e outro externo (que fica entre 13,5 mil e 57 mil km) – foi descoberto em 1958. Sabe-se que eles são capazes de se expandir e de encolher e que se mantêm separados por alguma força.

Quando observações mostraram que elétrons muito energéticos mantinham-se sempre a uma certa distância da Terra, descobriu-se que a borda interna do cinturão mais externo de Van Allen funciona como uma fronteira que esses elétrons não conseguem penetrar em condições normais.

Os pesquisadores acreditam que a chamada plasmasfera, uma nuvem gigante de partículas carregadas que fica a cerca de mil km da superfície terrestre, estendendo-se até o cinturão mais externo de Van Allen, pode ser a responsável por esse escudo.

As partículas na borda externa da plasmasfera fazem com que as partículas do cinturão externo se dispersem e passem a se movimentar rapidamente ao redor do nosso planeta. Esse movimento é capaz de repelir os elétrons mais energéticos que tentam se mover na direção da Terra. Caso não fossem impedidos de chegar ao seu destino, esses elétrons poderiam ser prejudiciais.

“Essa barreira para elétrons ultrarápidos é uma característica notável dos cinturões”, disse Dan Baker, cientista da Universidade do Colorado em Boulder. “Conseguimos estudá-la pela primeira vez porque nunca tivemos medidas tão precisas desses elétrons de alta energia.”

A descoberta foi publicada na edição desta quinta-feira (27) da revista “Nature”.

novembro 24, 2014

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Astrônomos encontram sistema planetário que não deveria existir

Um grupo internacional de astrônomos identificou um sistema planetário que, em tese, não deveria existir.

A descoberta, publicada no periódico “Astronomy and Astrophysics”, pode aumentar ainda mais as chances de se encontrar outros planetas com condições similares às da Terra no Universo.

O par de planetas foi descoberto pelo satélite Kepler, da Nasa, em torno de uma estrela similar ao Sol, mas ligeiramente maior e mais velha, com cerca de 6 bilhões de anos. (Para efeito de comparação, o Sistema Solar tem 4,6 bilhões de anos).

Os dois mundos descobertos em nada se assemelham aos do Sol, pois ambos giram em órbitas muito próximas de sua estrela. O mais interno deles, Kepler-101b, completa uma volta em 3,5 dias terrestres. O mais externo, Kepler-101c, em seis dias.

Por isso, ambos são quentes demais para abrigar vida. Mas o que mais chama atenção é que o planeta mais próximo é um gigante gasoso, pouco menor que Saturno, e o segundo parece ser rochoso, como a Terra.

NO LUGAR ERRADO

Uma configuração como essa, em princípio, não deveria existir. Segundo as teorias de formação planetária, planetas gigantes gasosos surgem mais distantes da estrela, e os rochosos, mais perto.

Sabe-se que, em alguns sistemas, planetas gigantes gasosos podem migrar logo após seu nascimento, até se estabelecer perto da estrela.

Mas, ao realizar essa travessia para as regiões mais internas do sistema, o planeta gigante deveria destruir ou ejetar quaisquer mundos que existissem por ali.

É aí que o sistema Kepler-101 parece contrariar a lógica. De algum modo, o planeta rochoso não só sobreviveu à migração do planeta gasoso como conseguiu trocar de lugar com ele.

Já está claro pelas estatísticas que essa é uma configuração rara. “A arquitetura do sistema Kepler -101 não segue as tendências”, diz Aldo Bonomo, do Observatório Astrofísico de Turim, na Itália, primeiro autor do trabalho.

Mas o fato de ela existir reabre a possibilidade de que sistemas que tenham um Júpiter Quente (um gigante gasoso colado à estrela) ainda assim podem ter mundos como a Terra em regiões propícias para a existência de vida.

“Até agora não foi observado nenhum sistema desse tipo, com um Júpiter Quente e um rochoso na zona habitável, mas o Kepler-101 mostra que talvez existam sistemas assim”, diz Jorge Melendez, astrônomo da USP que não participou da pesquisa.

A caracterização dos dois mundos foi possível porque os cientistas combinaram as observações do Kepler, que fornecem o diâmetro dos planetas, a medições feitas em solo, que propiciam uma estimativa da massa.

novembro 21, 2014

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Ciência brasileira fica em 23º lugar em ranking da revista ‘Nature’

Em 2013, pesquisadores brasileiros publicaram 670 artigos nas revistas científicas mais importantes do mundo, o que levou o país a ficar em 23º lugar em um ranking de desenvolvido pela prestigiosa revista “Nature”. A primeira edição do suplemento “Nature Index Global” – que reuniu informações sobre 100 países e suas instituições que contribuíram com as pesquisas mais relevantes de 2013 – foi publicada na semana passada.

O índice levou em conta somente os artigos publicados em 68 periódicos científicos de grande impacto. Essa lista foi definida por pesquisadores independentes que responderam em qual revista eles gostariam de publicar suas pesquisas mais significativas.

Entre os países da América Latina, o Brasil foi o melhor colocado no ranking, seguido por Argentina (31º lugar) e México (34º lugar). Os três países foram responsáveis por 92% do total de investimento em ciência e tecnologia na região, segundo o suplemento. O relatório observa que o Brasil foi o único país latino-americano que investiu mais de 1% de seu produto interno bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento e que a Universidade de São Paulo (USP) foi a instituição que mais publicou artigos em 2013.

A taxa de colaboração internacional do Brasil, porém, foi considerada baixa em comparação a outros países da América Latina. Se no Brasil essa taxa é de 2,2, no México, é de 2,7 e, no Chile, de 4,3. O programa Ciência sem Fronteiras foi citado como uma estratégia do país para promover esse tipo de colaboração.

Brasil teve melhora de 17,3%
Para compor o ranking, o número avaliado não é o total de artigos publicados por país, mas o de “contagem fracionada ponderada” (WFC, na sigla em inglês). Esse índice leva em conta a porcentagem de autores de cada país e o número de instituições afiliadas em cada artigo. Também apresenta uma correção para diminuir o peso dos artigos na área de astronomia e astrofísica, já que o número de publicações nestas áreas é muito maior do que em outros campos do conhecimento cobertos pelo índice da “Nature”.

No caso do Brasil, foram 670 artigos que tiveram ao menos um autor brasileiro. O índice de WFC, por sua vez, foi de 233,81. O país teve um aumento de 17,3% nesse índice entre 2012 e 2013. No caso dos Estados Unidos, que ficaram em primeiro lugar, foram 27.355 artigos publicados com ao menos um autor americano. Já o índice de WFC dos EUA foi de 18.642,88.

O Brasil ficou atrás de países como Austrália, Índia e Rússia e à frente de países como Portugal, Argentina e Chile.

novembro 17, 2014

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Cientistas desvendam como o cérebro identifica sabores

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, diz ter começado a responder a questão de como o cérebro recebe e processa o sabor dos alimentos. A equipe levantou ainda a possibilidade de que a descoberta ajude a reverter a perda de paladar em idosos.

Os pesquisadores, que publicaram um artigo na revista científica Nature sobre o tema, dizem que o cérebro tem neurônios especializados para cada uma das cinco categorias do gosto – salgado, amargo, ácido, doce e o chamado umami (gosto associado aos glutamatos, presente, por exemplo, em carnes e legumes).

Sensores de sabor distintos espalhados sobre a língua teriam parceiros correspondentes no cérebro e enviariam mensagens para eles quando comemos. A ideia de que só sentimos o gosto doce na ponta da língua seria falsa. De acordo com os pesquisadores, cada uma das cerca de 8 mil papilas gustativas espalhadas pela língua seria capaz de sentir todas essas cinco categorias de sabores.

A especialização, na realidade, ocorreria dentro das papilas, onde haveria cinco tipos de células diferentes capazes de detectar os cinco sabores.

A mensagem seria, em seguida, enviada para o cérebro, embora ainda não esteja claro de que forma essas informações são processadas após serem coletadas pelos neurônios.

Benefício a idosos

A nova teoria foi desenvolvida a partir de experiências com ratos. A equipe da Universidade de Columbia preparou os cérebros dos animais para que seus neurônios ligados ao processamento do sabor dos alimentos ficassem fluorescentes ao serem ativados.

Os animais foram, então, alimentados com produtos químicos de gostos diferentes. E ao monitorarem as reações dos seus cérebros, os pesquisadores concluíram haver uma ligação forte entre as células da língua e os neurônios cerebrais.

“As células estavam bastante sintonizadas com as categorias gustativas. E tivemos um encaixe perfeito entre a natureza das células ativadas na lingua e as suas correspondentes (no cérebro)”, disse à BBC Charles Zuker, professor da Universidade de Columbia.

Como tal descoberta poderia ajudar idosos com perda de paladar? Segundo Zuker, tal perda ocorreria por problemas nas células gustativas. Na língua, há células-tronco que produzem novas células gustativas a cada quinze dias. Mas esse processo perde força com a idade.

“Alguns idosos não sentem mais prazer em comer e isso é devastador para eles”, diz o professor. “Mas ao desvendarmos como o sabor é processado pelo cérebro, podemos imaginar formas de melhorar essa função.”

Segundo Zuker, uma das alternativas para se tentar amenizar o problema seria aumentar a sensibilidade das células da língua, para que elas enviem sinais mais fortes para o cérebro ao serem acionadas.

Fonte: BBC

novembro 14, 2014

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Unesco lança biblioteca científica gratuita e multilíngue para estudantes

Unesco anunciou na última segunda-feira (10/11) o lançamento de uma biblioteca científica, de forma gratuita e multilíngue, a estudantes de todo o mundo, além da comunidade científica, por ocasião da jornada mundial da ciência ao serviço da paz.

Este instrumento, batizado como Biblioteca Mundial de Ciência (WLoS, por sua sigla em inglês), conta com a parceria e patrocínio da revista científica “Nature” e do laboratório farmacêutico “Roche”, indicou em comunicado a Agência da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Seu objetivo é “dar acesso a estudantes do mundo inteiro, sobretudo nas regiões mais pobres, às informações mais recentes sobre a ciência”.

Além disso, “os estudantes terão também a possibilidade de compartilhar suas experiências e lições através de debates com outros estudantes em um contexto de ensino compartilhado”.

Por enquanto, a WLoS conta com mais de 300 artigos de referência, 25 livros e mais de 70 vídeos, cedidos pela “Nature”.

“O mundo necessita de mais ciência e cientistas para enfrentar os desafios atuais”, indicou a diretora geral da Unesco, Irina Bokova, que pediu “uma educação científica mais apropriada e acessível”.

Com este instrumento, a Unesco pretende favorecer a igualdade de oportunidades, melhorar a qualidade do ensino, reforçar a ciência e a educação, promover o uso de conteúdos educativos de livre acesso e fomentar a criação de comunidades de estudantes e docentes.

Fonte: Revista Galileu

novembro 10, 2014

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Futuro das religiões é tema discutido em conferência universitária

O futuro das religiões esteve em discussão na reitoria da Universidade do Minho, em Portugal. Assinalando o fim do ciclo de conferências comemorativas do 40º aniversário da UMinho, “UM futuro para as religiões” que contou com a presença do cónego José Paulo Abreu e do médico e  judeu Joshua Ruah. Representando as religiões católica e judaica, respetivamente, os oradores convidados debateram a importância da ciência e da religião para a prosperidade social.

Na primeira parte, discutiu-se a possibilidade de convivência entre a ciência e religião. Joshua Ruah afirmou que o conflito entre a ciência e a fé nunca existiu na comunidade judaica. “Deus, que criou o universo e nos trouxe a Lei, é exatamente o mesmo Deus que nos deu a inteligência e a possibilidade de criarmos”, justificou.

Outro dos assuntos que mereceu mais atenção na discussão refere-se aos limites da ciência. Em concordância, os dois oradores partilham a opinião de que o único limite para a criação científica é o respeito pelos princípios básicos da vida e da integridade humana. José Paulo Abreu adiantou mesmo que, em defesa do direito à vida, a religião é capaz de conviver “sabiamente com a ciência, aceitando tudo o que ela possa oferecer para o bem-estar e melhor qualidade de vida do ser humano”.

Já o judeu e médico Joshua Ruah reforçou o papel da ciência na tradição judaica, e explicou que esta é entendida como “uma forma de continuidade da criação que Deus delegou nos Homens”.

Sobre a eventualidade de existir uma faculdade de Teologia nas universidades públicas, os dois convidados não veem qualquer problema. No entanto, José Paulo Abreu questiona se será realmente necessário, uma vez que a Igreja criou as suas próprias instituições.

Quanto ao futuro das religiões na Europa, José Paulo Abreu e Joshua Ruah não têm dúvidas de que é possível uma coexistência pacífica entre a ciência e a religião. Ainda assim, alertaram para o facto de a Europa não estar preparada para travar um expansionismo, através da força, por parte da religião Islâmica. Neste ponto, Ruah destacou um crescimento exacerbado da religião Muçulmana, que compreende, atualmente, 40 milhões de europeus.

Fonte: Portal Comum

novembro 7, 2014

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Supertelescópio colhe imagem inédita de ‘nascimento’ de planeta

Um supertelescópio no Deserto do Atacama, no Chile, flagrou uma imagem que revela detalhes sobre a formação dos planetas. As antenas do observatório Alma (Atacama Large Millimeter Array) apontaram para a estrela HL Tauri, localizada a 450 anos-luz de distância, que se encontra rodeada por um disco de poeira.

A imagem mostra uma série de anéis brilhantes enigmáticos nesse disco – que seriam os corpos planetários em formação.

Essas são as mais nítidas imagens obtidas até hoje com o Alma. Segundo os pesquisadores, representam um enorme passo no estudo do desenvolvimento de discos planetários e na formação de planetas.

“Assim que vimos a imagem, ficamos impressionados, sem palavras. A HL Tauri não tem mais do que um milhão de anos e, ainda assim, parece que o disco em volta dela já está repleto de planetas em formação”, explica Catherine Vlahakis, cientista do Alma.

“Só esta imagem já é suficiente para revolucionar as teorias de formação planetária.”

Detalhes reveladores
De acordo com os pesquisadores, o disco de poeira em torno da HL Tauri parece estar muito mais desenvolvido do que o esperado para um sistema com essa idade.

Por conta disso, eles concluem que o processo de formação planetária deve ser muito mais rápido do que o que se supunha até o momento.

“Temos quase certeza de que essas estruturas são o resultado de jovens corpos do planetários se formando no disco”, disse Stuartt Corder, diretor-adjunto do Alma.

“Isso é surpreendente, porque não se espera que estrelas jovens como essa possuam na sua órbita corpos planetários suficientemente grandes, capazes de produzir as estruturas observadas na imagem.”

Por causa das muitas colisões que sofrem, as partículas de poeira vão se juntando em volta das estrelas, crescendo em aglomerações que têm o tamanho de grãos de areia.

Nesse processo, podem se formar asteroides, cometas e até planetas no disco.

No caso de jovens planetas, eles quebram o disco e dão origem a anéis, espaços e buracos vazios, como esses que foram flagrados na imagem do Alma.

A investigação desses discos de formação planetária seria crucial para descobrir como a Terra se formou no Sistema Solar.

Para os cientistas, as observações dos primeiros estágios de formação planetária em torno da HL Tauri podem ajudar a entender como o próprio sistema planetário da Terra teria sido há mais de quatro bilhões de anos, na época da sua formação.

“A maior parte do que sabemos hoje se baseia em teoria. Imagens com esse nível de detalhe têm se resumido até agora a simulações de computador e concepções artísticas”, esclarece Tim de Zeeuw, Diretor Geral do ESO (Observatório Europeu).

Fonte: Portal G1

novembro 3, 2014

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Psiquiatra americano Dan Blazer fala sobre a relação da ciência e religião

Em recente passagem por Brasília, para participar do 32º Congresso Brasileiro de Psiquiatria, Dan Blazer, psiquiatra americano e cristão, concedeu entrevista ao jornal Correio Braziliense e falou sobre religião e psiquiatria, dois campos que domina com propriedade.

Quando perguntado se a psiquiatria e teologia são conceitos opostos, disse. “Prefiro vê-los como complementares. Só quando nos recolhemos em um único modo de olhar o mundo, com pouco respeito por outros pontos de vista, os dois campos entram em conflito. Quando a psiquiatria tem uma visão totalmente materialista da humanidade, quando se descarta a importância da natureza espiritual das pessoas, ela certamente será contrária à teologia. Quando a teologia não reconhece que Deus dá as ferramentas que a psiquiatria usa para curar o sofrimento emocional, quando a teologia não considera as realidades do sofrimento humano através das doenças psiquiátricas, então ela certamente vai se opor à psiquiatria”.

Para Blazer, psiquiatras e teólogos, devem abrir suas mentes para as opiniões dos outros e não descartá-las. “Freud, psiquiatra e ávido ateu, não descartou a teologia. Ao contrário, ficou intrigado com a teologia e, talvez, a levou consigo em sua amizade que mais durou, com um ministro presbiteriano que estava interessado em psicanálise, Oscar Pfister. Precisamos continuar essas relações entre líderes espirituais, como Pfister, e psiquiatras, como Freud. Eles podem não concordar, podem até parecer estar em extremos opostos, mas, se conversarem, se compartilham ideias, se fizerem um esforço para entender um ao outro, então eu acredito que muito do conflito desaparecerá”, destacou.

Durante a entrevista, citou como equilibra a psiquiatria e religião em sua vida. “A psiquiatria em nenhum momento me fez duvidar da minha fé. Como um psiquiatra acadêmico, eu sei que nunca encontrarei todas as respostas e, na verdade, minha carreira seria muito chata se não houvesse perguntas restantes no horizonte para perseguir. Como cristão, eu acredito que Deus está acima de tudo e em todos. Não posso “cavar” as profundezas de sua sabedoria e poder. Em vez disso, fico maravilhado com sua criação. Por isso, em muitos aspectos, acho que minha vida como psiquiatra acadêmico e cristão não está em conflito; é uma vida significativa de admiração e louvor. Minha fé só fez crescer nesses anos de psiquiatria. E espero e confio que me tornei um psiquiatra cada vez mais competente e solidário por causa da minha fé.

Sobre o papel da religião e da espiritualidade no tratamento de transtornos psiquiátricos destacou: “Não podemos entender a dor infligida por um distúrbio como depressão crônica se não entendermos como a dor é sentida, espiritual, psicológica e fisicamente. Uma vez que entendemos o componente espiritual da dor, podemos recorrer aos recursos espirituais da pessoa que sofre, bem como os recursos da comunidade de fé a que pertence a pessoa, se ela pertencer a alguma (e a maioria tem um relacionamento com uma comunidade de fé)”.

Na entrevista observou ainda que a religiosidade excessiva pode ocasionar transtornos mentais, especialmente entre pessoas que se ligam a um movimento de culto e transferem todo o controle de suas vidas para outra pessoa, sob o pretexto de desenvolver uma vida espiritual mais profunda. “Muito dano pode ser feito a pessoas suscetíveis a transtornos mentais pelos chamados líderes espirituais, que não reconhecem isso e prejudicam o bem-estar psicológico das pessoas que colocaram sua fé em tais líderes. No entanto, devemos reconhecer que os transtornos mentais por si só podem (sem qualquer coerção externa) se manifestar através da espiritualidade excessiva”.

Sobre o fato do ser humano estar mais melancólico e depressivo, Blazer comentou que o problema existe desde os primórdios da civilização. “Nossa sociedade é muito complexa. Isso aumenta nosso estresse percebido, um estresse que não diminui ao longo de grandes períodos de tempo. O estresse e a ansiedade resultante que sentimos, eventualmente, podem causar depressão grave ou melancolia. Além disso, em muitos lugares, as pessoas não se sentem seguras. O constante estado de vigilância, tentando evitar a violência, certamente pode aumentar a frequência de depressão. A ameaça de violência é sentida não só por aqueles em perigo imediato, mas também pela maioria de nós por meio das imagens que vemos quase que instantaneamente na mídia”.

Quando perguntado se tivesse que escolher entra Darwin ou Gênesis, o psiquiatra foi enfático. “Sou grato de não precisar ter que escolher. Em minha opinião, a mensagem fundamental do Gênesis é que Deus criou o mundo, criou o homem à sua imagem, e continua a sustentar a sua criação, eventualmente, para resgatá-la. O Gênesis não é um tratado científico, mas é interessante notar que o surgimento da “teoria do big bang” sobre a origem do universo coincide com a ordem de Deus para que haja luz, nos primeiros versículos de Gênesis. Acredito que aprendemos muito sobre como a vida na Terra mudou ao longo do tempo, mas ainda sabemos pouco sobre como a vida surgiu, especialmente a existência humana. E eu acredito que a teoria da evolução nos proporcionou uma estrutura para entender muito dessa mudança ao longo do tempo. Podemos ver a evolução como um processo ainda hoje, quando vemos como mutações e/ou variações genéticas de organismos podem ser adaptáveis a determinados ambientes. No entanto, estamos diante de uma tarefa muito mais difícil quando tentamos olhar para trás, para as origens. Deus é o criador, eu sou a criatura. Não estou preocupado de não conseguir explicar em detalhes os mecanismos das minhas próprias origens ou as do universo. As escrituras dizem que “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem”. Eu posso viver com o mistério”.

Fonte: Correio Braziliense