agosto 14, 2013

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Estudo mostra que açúcar, mesmo em doses consideradas normais, pode fazer mal à saúde

Quando alimentados com uma dieta rica em açúcar, camundongos apresentaram uma taxa de mortalidade maior e se reproduziram menos

 

Diversos estudos já mostraram que açúcar em excesso é prejudicial à saúde, mas uma nova pesquisa fornece evidências que ele pode ser tóxico também em quantidades consideradas normais por organizações de saúde. Pesquisadores da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, analisaram os efeitos do consumo de açúcar equivalente a três latinhas de refrigerante por dia, acompanhadas de uma dieta saudável e balanceada, em um grupo de camundongos.

Apesar de não poderem ser diretamente transpostos para os seres humanos, os resultados são preocupantes: as fêmeas que receberam a dieta açucarada apresentaram uma taxa de mortalidade duas vezes maior do que o normal. Entre os machos, não houve mudança na expectativa de vida, mas sua capacidade de manter territórios e se reproduzir foi afetada. Os resultados foram descritos em um estudo publicado nessa terça-feira no periódico Nature Communications.

Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores dividiram 158 camundongos em dois grupos. Os dois foram alimentados de forma balanceada e saudável, mas um dos grupos recebeu 25% das calorias em forma de açúcar – metade glicose e metade frutose.

Wayne Potts, professor de biologia da Universidade de Utah e um dos autores do estudo, explica que o Conselho Nacional de Pesquisa dos Estados Unidos recomenda que não mais do que um quarto das calorias consumidas deve vir de açúcar adicionado – aquele que é acrescentado aos alimentos durante o processo de fabricação. Não entram nessa conta os açúcares naturais, presentes em frutas e outros alimentos não processados. De acordo com o pesquisador, de 13% a 25% dos americanos consomem a dose de açúcar utilizada no estudo, que equivale, por dia, ao açúcar presente em três latas de refrigerante.

Instinto natural – Um detalhe importante deste estudo é o fato de que ele não foi feito com animais de laboratório. Como muitos ratos vivem dentro de casas, eles acabam compartilhando de certa forma os hábitos alimentares dos humanos, o que os torna um bom modelo para estudos relacionados à alimentação. “Eles têm vivido com o mesmo tipo de alimentação que nós desde a revolução agrícola, 10 000 anos atrás”, diz Potts.

Os camundongos de laboratório em geral vêm de longas linhagens de animais criados em cativeiro, o que faz com que eles não tenham a mesma necessidade de explorar territórios como a encontrada em camundongos que vivem em liberdade. Por esse motivo, os pesquisadores utilizaram no estudo camundongos descendentes de animais “selvagens”, e não animais de laboratório, como acontece na maior parte das pesquisas.

O instinto de explorar território era uma característica necessária devido à configuração do estudo. Os ratos foram colocados em uma sala apelidada de “estábulo de camundongos”, contendo diversas caixas que serviam como ninhos. A ideia era criar um ambiente mais próximo da realidade do que as pequenas gaiolas em que eles costumam viver durante experimentos científicos. Dessa forma, os animais puderam competir naturalmente por parceiros e territórios, revelando então os efeitos da dieta em seu desempenho.

“Eles são muito competitivos no que se refere a comida, ninhos e território”, afirma Potts. “E essa competição demanda um grande esforço físico, então, se existe um defeito em algum sistema fisiológico, eles tendem a se sair pior na competição”, explica o pesquisador.

Antes de serem colocados no “estábulo” para o experimento, os animais foram mantidos em gaiolas por 26 semanas, durante as quais receberam a alimentação designada para o grupo ao qual pertenciam – com ou sem o açúcar adicionado. Quando foram colocados no ambiente de teste, todos passaram a receber a alimentação açucarada, de forma que o estudo avaliasse apenas as diferenças causadas pelas dietas diferentes durante aquelas 26 semanas anteriores.

 

Resultados – Após 32 semanas no “estábulo”, 35% das fêmeas que estavam no grupo da dieta com açúcar morreram – quase o dobro do número de mortes entre fêmeas do grupo que recebeu a dieta saudável, que foi de 17%. Já entre os machos, não houve diferença no número de mortes entre aqueles que receberam ou não o açúcar extra.

Em compensação, os machos que foram alimentados com mais açúcar conseguiram 26% menos territórios do que os demais e se reproduziram 25% menos.

Os pesquisadores não encontraram diferenças entre os dois grupos no que se refere a obesidade e níveis de insulina, glicose e triglicérides em jejum. “Nosso estudo mostra que os efeitos negativos de uma dieta rica em açúcar adicionado não poderiam ser detectados por testes convencionais”, afirma Potts.

agosto 8, 2013

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Cientistas afirmam terem encontrado o código genético de Adão e Eva; Relatório divulgado confirma narrativa bíblica

Adão e Eva, os primeiros seres humanos criados por Deus segundo a Bíblia, podem ter sido encontrados por cientistas da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

A informação de que os geneticistas liderados pelo pesquisador David Poznik teriam descoberto o código genético dos primeiros seres humanos foi divulgada recentemente pela revista Science, especializada em pesquisas científicas.

O método científico usado pelo grupo de pesquisa foi analisar o DNA de 69 pessoas diferentes, de diversas partes do mundo. A partir do estudo nesses dados, descobriu-se denominadores comuns no genoma, que pertenceriam ao que eles chamaram de “pais da humanidade”.

O estudo levou em conta o princípio científico de que homens de diferentes partes do mundo possuem mutações genéticas específicas, como por exemplo os índios da América, que possuem certas características em seu DNA que não existem em pessoas de outros lugares do planeta.

A partir daí, a análise excluiu as particularidades e conseguiu determinar o código genético base que é compartilhado por todos os grupos analisados. Através de uma espécie de marcadores de tempo existentes no genoma humano, os cientistas explicaram que é possível determinar a distância temporal entre a origem e o acúmulo de mutações genéticas.

Os pesquisadores estimam que Adão e Eva tenha vivido na África, entre 120 e 156 mil anos atrás e 100 e 148 mil anos, respectivamente. A pesquisa, embora esbarre na narrativa de tempo bíblica, reforça os relatos do Gênesis, de que Deus teria criado Adão e posteriormente Eva.

Por Tiago Chagas, para o Gospel+

agosto 8, 2013

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Calmaria no Sol intriga cientistas

A estrela está no ápice das atividades, mas a intensidade desse período é a menor registrada por astrônomos nos últimos 100 anos. O descompasso, segundo especialistas, pode alterar o clima da Terra

Em pleno auge do seu ciclo, quando deveria apresentar maior atividade de manchas e tempestades solares, o Sol se comporta com uma calma fora do normal. Tão incomum que o máximo solar, quando ocorre o pico de atividades, é o menor dos últimos 100 anos. Os cientistas ainda não sabem o que pode ter causado tamanha timidez do astro em 2013. Alguns apostam que o comportamento discreto seja uma tendência que se repetirá nos próximos ciclos e não descartam que a mudança provoque efeitos no clima terrestre.

 

“Se essa tendência continuar, não haverá quase manchas no ciclo 25 e nós podemos entrar em outro Mínimo de Maunder”, especula Marshal Penn, do National Solar Observatory, nos Estados Unidos. O episódio a que Penn se refere aconteceu entre 1645 e 1715, quando foram registradas baixíssimas manchas solares que coincidiram com uma onda de frio em toda a Europa. Joaquim Eduardo Rezende Costa, chefe da Divisão de Astrofísica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), conta que, nessa época, a contagem de manchas ficou quase em torno de zero.

 

“Isso durou cerca de 50 anos, período que compreendeu cinco ciclos solares. Há menções históricas de que a Europa viveu invernos rigorosos, e essa época ficou conhecida como pequena idade do gelo. Pode ser que o comportamento do Sol tenha tido influência, mas existem teorias que contestam isso”, pondera.

 

Os episódios, conhecidos como ciclo solar de Schwabe, são marcados por períodos de calmaria e atividade intensa. Segundo o astrônomo Alexandre Humberto Andrei, pesquisador do Observatório Nacional e do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a duração varia conforme o tamanho da estrela e da quantidade de elementos pesados que a constituem. “Uma estrela do tamanho e da idade do nosso Sol tende a ter ciclos de 11 anos, mais ou menos, e um não é igual ao outro.”

 

Outra anormalidade do ciclo 24, que se encerra neste ano, é a época em que se deu o ápice. O auge das atividades era esperado no ano passado. “O atraso de um ano ainda está dentro da normalidade, ainda que não seja comum que se atrase tanto”, acredita Andrei. Segundo o astrônomo, as mudanças começaram a partir do ciclo solar 22, que teve início em setembro de 1986 e se encerrou em outubro de 1996. Isso, supostamente, revelaria uma tendência. No Observatório Nacional, os pesquisadores acompanharam pequenos aumentos no tamanho do Sol, além de progressivas igualdades de temperatura nas manchas solares, que apresentaram diminuição. Apesar disso, a ciência ainda não tem mecanismos que consigam desvendar a razão que desencadeou tal comportamento.

 

Andrei cogita que é possível que os ciclos de 11 anos pertençam a eventos maiores, que agrupam uma série de ciclos menores. “O problema é que não contamos com nenhum mecanismo totalmente aceito pela comunidade heliofísica que possa confirmar esse comportamento. Então, a gente vê uma coisa que parece um fenômeno, mas não há um modelo claro que possa explicar isso”, ressalta o astrônomo.

 

Giuliana de Toma, do High Altitude Observatory, nos Estados Unidos, aposta nessa explicação. Segundo ela, registros históricos revelam ciclos fracos na virada do séculos 19 e 20, o que poderia indicar que esses ciclos mudam a cada século. “Não é fácil estabelecer uma teoria de que o os ciclos mudam nessas grandes escalas de tempo, e a comunidade científica ainda tenta compreender o que está acontecendo”, justifica.

 

Impacto na eletricidade

Além de efeitos no clima, o comportamento do Sol pode interferir nos sistemas elétricos. Quando o astro apresenta grande atividade, gera explosões que são capazes de até arrancar grandes pedaços de sua superfície. Eles viajam pelo sistema solar e, por vezes, chegam à Terra. “Esses pedaços interagem com o campo magnético da Terra, o que tem impacto na nossa eletricidade, já que essa força tem ligação com o magnetismo”, explica Andrei.

 

Mas o fato de o Sol apresentar baixa atividade, como agora, não garante a inexistência de problemas nos aparelhos tecnológicos, desde os mais avançados satélites até transformadores domésticos. Quando o astro está com o campo magnético desfigurado, ele apresenta buracos coronais — pedaços em que não há campo magnético e com pouca densidade de matéria. Nos ventos solares, há uma grande quantidade de partículas que não conseguem ser domadas pela estrutura magnética. “É como se fosse um cano com um pequeno furo pode onde a água consegue fugir. Um fluxo desse escapando também pode gerar tempestades geomagnéticas”, ilustra Andrei.

 

Para o especialista, mesmo que o comportamento tímido do Sol diminua em menos de 1% a energia que normalmente envia à Terra, ainda não é impossível imaginar como isso poderia afetar a vida aqui embaixo. Talvez, atenue os efeitos do aquecimento global e dê início a uma nova era climática, mas, por enquanto, nada pode ser confirmado.

 

“Não há modelos que possam explicar tudo. No entanto, há 20 satélites que captam diversos pontos de vista e, com isso, o Sol está sendo mais observado do que nunca. Isso é válido para a compreensão da ciência, pois podemos aproveitar a grande massa de dados para traçar análises e correlações que possam nos dar mais respaldo para interpretar essas mudanças”, avalia Andrei.

 

 

 

 

Palavra de especialista

 

Polo magnético 

muda direção

 

“Ao fim desses 11 anos, o que muda é o sentido do polo magnético. Ele estava em uma direção, podemos dizer grosseiramente que estava alinhado ao polo norte terrestre, mas agora está apontado para o sul. A rotação do Sol é desigual. Então, o seu equador gira mais rápido do que os polos. No interior da estrela, há uma curva na variação da velocidade. Imagine uma cebola em que cada uma das cascas gira em velocidade diferente. Isso gera um campo magnético que se desfaz no máximo solar, mas que se reconstrói lentamente. Quando o campo é desfeito, durante o máximo solar, aparecem as manchas e as ejeções coronais explosivas. Portanto, quando há o máximo solar, há o mínimo de campo magnético.”

 

Alexandre Humberto Andrei,  astrônomo

 

Fonte: Correio Braziliense