abril 5, 2013

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Brasileiros vão estudar produção de energia das explosões solares

 

Equipe vai lançar balões sobre a Rússia e Antártica para obter detalhes.
Pesquisa conta com a colaboração de cientistas de outros dois países.

Da EFE

Uma equipe de cientistas brasileiros vai estudar a produção de energia das explosões solares através de equipamento de observação que será enviado a40 quilômetros da superfície da Terra, em voos de longa duração a bordo de balões estratosféricos.

Os especialistas observarão a faixa dos terahertz (THz) do espectro eletromagnético, situada entre as micro-ondas e o infravermelho próximo, foi praticamente desconsiderada até recentemente, de acordo com a “Agência Fapesp”.

Segundo o coordenador do projeto, Pierre Kaufmann, é necessária a análise estratosférica, pois a atmosfera terrestre é opaca para essas ondas de alta frequência. A meta, de acordo com o cientista do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (Craam) da Universidade Presbiteriana Mackenzie, é “compreender melhor a produção de energia em explosões solares”.

A equipe comandada por Kaufmann analisa realizar dois voos de longa duração com balões, com a esperança de capturar alguma explosão solar. “São poucas as oportunidades”, admitiu o pesquisador.

Está previsto que o primeiro desses voos tenha duração de entre 7 e 10 dias, e se realize em julho ou agosto de 2014 sobre a Rússia. O segundo voo poderia ser de duas semanas de duração, em 2015 ou 2016, sobre a Antártica. A pesquisa conta com cooperação do Instituto de Física Lebedev de Moscou e da Universidade da Califórnia em Berkeley.

 

abril 5, 2013

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Possível sinal de matéria escura é detectado

SALVADOR NOGUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Um experimento de raios cósmicos na Estação Espacial Internacional pode ter obtido a chave para resolver o mistério da matéria escura.
O grupo responsável pelo equipamento, que opera no espaço desde maio de 2011, apresentou ontem, no Cern (Centro Europeu para Pesquisa Nuclear), seus primeiros resultados científicos.

Fruto de 18 meses de observação de raios cósmicos, o trabalho achou um excesso de pósitrons, partículas em tudo iguais aos conhecidos elétrons, mas com carga positiva em vez de negativa.

A Estação Espacial Internacional, em órbita da Terra, onde está o detector usado no experimento (no centro, acima)

A Estação Espacial Internacional, em órbita da Terra, onde está o detector usado no experimento (no centro, acima)

Componentes da chamada antimatéria, os pósitrons são raros e só podem aparecer quando produzidos por algum evento ocorrido na própria Via Láctea.

Especula-se que esses detectados pelo instrumento tenham sido gerados pela colisão de partículas de matéria escura nas bordas da galáxia.

Se for esse o caso, será possível usar sua prevalência para discriminar entre as várias teorias sobre este que é um dos maiores mistérios da física moderna: do que seria feita essa substância presente nas regiões mais externas das galáxias e que não pode ser detectada diretamente, pelo simples fato de não interagir com a matéria convencional, exceto pela gravidade.

DÚVIDAS

Contudo, ainda não há certeza de que os pósitrons captados pelo instrumento, chamado AMS (Espectrômetro Magnético Alfa), tenham origem na colisão de partículas de matéria escura.

“Nos próximos meses, o AMS será capaz de nos dizer se esses pósitrons são um sinal da matéria escura ou se eles têm outra origem”, afirma Samuel Ting, pesquisador do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e um dos autores do estudo, publicado no periódico “Physical Review Letters”.

Uma possibilidade mais prosaica para explicar o excesso de pósitrons seria imaginar que eles são formados nos arredores de pulsares (cadáveres de estrela de alta massa) e então ejetados a grandes velocidades.

“Se for mesmo matéria escura, os cientistas devem observar uma queda abrupta na produção de pósitrons na faixa mais alta de energia”, diz Ronald Shellard, físico do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas) não ligado ao estudo. “Há um indício de que isso esteja acontecendo, mas ainda é preciso mais dados para confirmar.”

Quanto mais energia tem o pósitron, mais raro ele é, por isso é preciso muito tempo de observação para detectar essas partículas em quantidade suficiente para obter significância estatística.

A boa notícia é que o AMS deve continuar operando por mais de uma década, tempo de sobra para resolver de uma vez por todas o enigma da matéria escura –ou não.