janeiro 23, 2013

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Em 10 anos, DNA poderá ser o novo pendrive

Pesquisadores britânicos conseguiram armazenar arquivos digitais em um DNA sintético feito de polímero

Maria Fernanda Ziegler – iG São Paulo

 European Molecular Biology Laboratory.  Nick Goldman analisa a DNA sintético usado para armazenamento de dados digitais

 
Em vez de pen drives, CDs ou discos rígidos, a próxima mídia de armazenamento de dados pode ser o ácido desoxirribonucleico, também conhecido como DNA. Os cientistas Nick Goldman e Ewan Birney, do Instituto Europeu de Bioinformática, anunciaram nesta quarta-feira (23) conseguiram armazenar uma variedade de arquivos, entre eles um trecho do discurso em MP3 do famoso discurso “I have a dream” (em inglês, “Eu tenho um sonho”) de Martin Luther King e os154 sonetos de Skakespeare, em um DNA sintético, feito de polímeros.

Goldman acredita que a invenção pode servir para armazenar informações digitais de alto valor e que precisam ser preservadas com segurança para a posteridade como, por exemplo, a Biblioteca do Congresso Americano ou a Biblioteca Britânica. “O DNA é muito mais longevo que o disco rígido e será legível depois de milhares de anos”, disse Goldman ao iG .

De acordo com cálculos da equipe, é possível armazenar dois bilhões de megabytes, ou o mesmo que um milhão de CDs, em um grama de DNA. Mas se engana quem pensa que o novo método poderá arquivar dados como se fossem fatores genéticos nas pessoas e assim criar novos seres vivos mutantes. “Usamos o DNA como uma molécula química de armazenamento de informações e inventamos um novo código para isso. Os códigos são completamente diferentes dos genes e as células do organismo não compreenderiam esta informação,” afirmou.

Para tal codificação, eles precisaram converter os arquivos binários de zeros e uns para AGCT (adenina, guanina, citosina e timina), os quatro ácidos nucleicos que compõem o filamento do DNA, que se justapõem. “O DNA é um pedaço muito denso de dados armazenados, com milhões e milhões de bits. O DNA é surpreendentemente estável, por isso vai durar milhares de anos, sob condições simples, de baixo custo e que não exigem energia”, concluiu Nick Goldman.

Embora seja considerado muito mais estável que outros dispositivos de armazenamento de dados, o DNA pode sofrer pequenas mutações ao longo dos séculos. Para isto, a equipe teve o cuidado de fazer o que chama de redundância na linguagem de programação para que o método funcionasse.

O problema é que ainda é caro criar DNA sintético, fora isso, há ainda um custo alto para “escrever” e “ler” a informação no DNA. Os pesquisadores estimam que seu experimento custou cerca de 10 mil dólares (em torno de 20 mil reais). “Nosso próximo passo é conseguir baratear o desenvolvimento de DNA sintético para que seja viável e massivo. Acredito que isto vá ocorrer em um período de 10 anos”, disse Goldman. O estudo que descreve a inovação será publicado na edição desta semana do periódico científico Nature .

janeiro 17, 2013

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Nos bastidores da ciência

Durante a semana passada, vários cientistas tiveram um surto de honestidade e usaram o Twitter para contar detalhes de suas pesquisas que jamais entrariam nos periódicos científicos. O resultado, além de divertido, é revelador

 

Um surto de sinceridade varreu a comunidade científica durante a semana passada. Normalmente, os periódicos científicos exigem uma postura impessoal, linguagem técnica e precisão absoluta para publicar um estudo. Por causa disso, dificilmente captam o que acontece de verdade nos laboratórios. Os trabalhos parecem ser feitos por seres geniais, incapazes de errar. Os cientistas, no entanto, resolveram quebrar esse véu de silêncio e mostrar as verdadeiras práticas por trás de suas pesquisas. No Twitter, eles criaram a hashtag  #overlyhonestmethods (métodos honestos demais, em inglês) e começaram a postar mensagens revelando o que deveria estar escrito em muitas pesquisas científicas se elas exigissem honestidade absoluta.

Tudo começou com duas postagens de uma neurocientista e blogueira conhecida apenas como @dr_leigh, publicadas na segunda feira. “Nós fizemos o experimento número 2 porque não sabíamos o que fazer com o resultado do experimento número 1 #overlyhonestmethods”, escreveu.  Em seguida, postou: “A incubação durou três dias porque esse é o tempo pelo qual o estudante esqueceu o experimento na geladeira #overlyhonestmethods.” Como se fosse uma verdade há muito tempo presa na garganta dos cientistas, o uso da hashtag explodiu, gerando milhares de mensagens na rede social.

Com isso, escancararam para o mundo o que antes era uma piada interna da comunidade científica. Algumas das postagens brincavam com a própria linguagem usada nas pesquisas, citando truques e macetes empregados para agradar os revisores e chamar atenção para a pesquisa.

 

“Dois dias para isolar a proteína, cinco semanas para pensar em um hilário nome de duplo sentido para o gene.”

@drugmonkeyblog

“Nós usamos jargão em vez de inglês simples para provar que uma década de pós-graduação e pós-doutorado nos tornou espertos.”

@eperlste

Imperfeições — Os tuítes serviram para mostrar que o trabalho científico nem sempre acontece de modo tão objetivo quanto o citado nos periódicos. Os experimentos, por exemplo, podem ter resultados diferentes do esperado, e a hipótese inicial tem de ser alterada. Os erros e os improvisos, muitas vezes, são mais importantes que os acertos. No entanto, as publicações costumam tratar o cientista como se ele tivesse domínio completo de todos os passos do experimento. “Ao publicar um artigo queremos parecer controladores totais do universo. Mas às vezes é o acaso que nos leva a descobrir algo que não estamos procurando”, diz Leandro Tessler, professor do Instituto de Física da Unicamp.

 

“Queríamos saber o que aconteceria se fizéssemos X, só pela diversão. Grande explosão! Nós criamos a hipótese depois.”

@BoraZ

“As fatias foram deixadas em um banho de formol por mais de 48 horas, porque eu as coloquei ali na sexta-feira e me recuso a trabalhar nos finais de semana.”

@aechase

“As amostras foram preparadas por nossos colegas do MIT. Nós assumimos que não havia nenhuma contaminação porque, bem… eles são do MIT.”

@paulcoxon

É claro que nem todas as histórias citadas aconteceram de verdade, mas são reveladoras das condições enfrentadas pelos pesquisadores em seu cotidiano. Os tuítes foram sintomáticos da falta de dinheiro para pesquisa, dos equipamentos defasados e do improviso generalizado — o que não impede o trabalho de ser feito. “Mesmo em laboratórios muito ricos, às vezes é mais prático usar material improvisado. As fitas dupla-face, por exemplo, são conhecidas como as melhores amigas do cientista ótico, pois ajudam a montar as diversas partes dos equipamentos”, diz Tessler.

“Nós não lemos metade das pesquisas que citamos porque elas estão atrás de um paywall (sistema de assinatura de algumas publicações científicas).”

@devillesylvain

“Deveríamos ter feito mais experimentos, mas nosso financiamento acabou e publicamos o estudo mesmo assim.”

@ScientistMags

“As amostras de sangue foram giradas a apenas 1.500 rotações por minuto porque a centrífuga fazia barulhos assustadores a velocidades maiores.”

@benosaka

Demasiado humano — As mensagens também foram reveladoras da personalidade de alguns pesquisadores. Em vez de ser movidos pelos propósitos científicos mais nobres, eles também podem ser guiados pela inveja, ambição e mesquinharia — como qualquer ser humano. Isso acaba dificultando o trabalho em equipe.

 

“Nós decidimos dividir o papel de autor principal do estudo porque essa é uma decisão menos sanguinária do que duelar.”

@eperlste

“Nós não demos a referência para determinada informação porque ela vem de uma pesquisa de nossos arquirrivais.”

@AkshatRathi

“Eu usei estudantes como objetos de pesquisa porque os ratos são caros e costumamos ficar muito ligados a eles.”

@oprfserious

Em vez de depor contra o método científico, o fenômeno #overlyhonestmethods pode ter ajudado o público a compreender o que, de fato, acontece nos laboratórios. Segundo Tessler, a cultura popular cultiva uma imagem equivocada dos pesquisadores. A ideia do cientista maluco, controlador, descabelado e genial surge da própria maneira de se ensinar ciência nas escolas. “Ao ler alguns livros didáticos de física, temos a impressão de que Isaac Newton formulou todas as suas teorias logo após sentir a maçã caindo em sua cabeça”, afirma Tessler.

Com os tuítes, os cientistas mostraram que são pessoas comuns, passíveis de falhas, atos de egoísmo e até donos de algum senso de humor. E essas características, ao invés de atrapalhar, podem ajudar a chegar a novas descobertas científicas. Não espere ver, porém, essa honestidade aparecer tão cedo nos periódicos científicos.

 

“Os cérebros foram removidos e dissecados, em média, em 58 segundos. Sabemos disso com essa precisão por causa de uma competição em nosso laboratório.”

@SciTriGrrl

“Não sabemos como os resultados foram obtidos. O aluno de pós-doutorado que fez todo o trabalho abandonou os estudos para abrir uma padaria.”

@MrEpid

“Não posso enviar os dados originais porque não me lembro o que significam os nomes dos meus arquivos no Excel.”

@mangoedwards

“Os locais onde colhemos amostras coincidiram com resorts tropicais porque o trabalho de campo não precisa ser somente lama e agonia.”

@Myrmecos

“Os dados usados estão velhos porque, no tempo entre escrever o trabalho e fazer a revisão, eu tive um filho.”

@researchremix

 

Fonte: Veja

janeiro 15, 2013

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Astrônomos descobrem maior estrutura já vista no Universo

 

Do G1, em São Paulo

Grupo de quasares tem dimensão de 4 bilhões de anos-luz, diz estudo.
Descoberta desafia princípio cosmológico, afirmam cientistas internacionais.

 

Uma equipe internacional de astrônomos liderada pela Universidade de Central Lancashire (UCLan), no Reino Unido, identificou a maior estrutura já vista no Universo. A descoberta foi publicada na edição online do periódico científico da Sociedade Astronômica Real (RAS, na sigla em inglês).

Os pesquisadores, liderados por Roger Clowes do Instituto Jeremiah Horrocks da UCLan, observaram um grupo grande de quasares – núcleo galáctico alimentado por um buraco negro de grande massa, muito brilhante e distante da Terra.

Os quasares tendem a se agrupar em estruturas de tamanhos surpreendentemente grandes, formando grupos enormes chamados de Large Quasar Group (LGQ).

Astrônomos descobrem maior estrutura já vista no Universo (Foto: Divulgação/UCLan/Roger Clowes)

Astrônomos descobrem maior estrutura já vista no Universo (Foto: Divulgação/UCLan/Roger Clowes)

“Embora seja difícil entender a dimensão desse LQG, podemos dizer com certeza que é a maior estrutura já vista em todo o Universo. Isso é extremamente excitante, até porque vai contra a nossa compreensão atual do Universo, que não parece ser tão uniforme quanto pensávamos”, afirma Clowes.

Segundo o astrônomo, a estrutura é tão grande que uma nave espacial, viajando à velocidade da luz no vácuo (300 mil km/s), gastaria cerca de 4 bilhões de anos para atravessá-la.

Para colocar isso em perspectiva, a distância entre a nossa galáxia, a Via Láctea, e a galáxia vizinha mais próxima, Andrômeda, é de cerca de 2,5 milhões de anos-luz. Já os LQG podem ter 650 milhões de anos-luz de diâmetro ou mais.

Princípio cosmológico
A equipe de Clowes identificou na estrutura um tamanho tão significativo que desafia o princípio cosmológico, que consiste na suposição de que o Universo, quando visto em uma escala suficientemente grande, parece o mesmo, independentemente do ponto de observação.

Com base nesse princípio, aceito desde Albert Einstein, e na teoria moderna da cosmologia, cálculos sugerem que os astrofísicos não deveriam ser capazes de encontrar uma estrutura maior do que 1,2 bilhão de anos-luz.

Astronomos descobrem maior estrutura já vista no Universo (Foto: Divulgação/RAS)

Distribuição dos grupo de quasar, em preto, em comparação com um grupo menor com 34 quasares, em vermelho. (Foto: Divulgação/RAS)

No entanto, a estrutura descoberta pelos cientistas da UCLan “tem uma dimensão típica de 1,6 bilhão de anos-luz. Mas porque ele é alongado, sua maior dimensão é de 4 bilhões de anos-luz, ou seja, cerca de 1.650 vezes maior do que a distância entre a Via Láctea e Andrômeda”, afirma Clowes.

“Nossa equipe também tem olhado para casos semelhantes que adicionam mais peso ao desafio, e vamos continuar a investigar esses fenômenos fascinantes “, concluiu o pesquisador.

A equipe da UCLan trabalhou em conjunto com cientistas das universidades do Chile e de Oxford, no Reino Unido, e do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech).

 

janeiro 12, 2013

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Satélite capta a maior galáxia em espiral já registrada

DA BBC BRASIL

A equipe de astrônomos, que conta com profissionais brasileiros, descobriu por acidente a colisão entre duas galáxias.

Um satélite captou, por acidente, a maior galáxia em espiral já registrada por astrônomos. As imagens mostram uma explosão de luzes ultravioleta que indicam uma colisão com uma galáxia vizinha menor.

NASA
 Galáxia NGC 6872, com 522 mil anos-luz, tem cinco vezes o tamanho da nossa, a Via Láctea
Galáxia NGC 6872, com 522 mil anos-luz, tem cinco vezes o tamanho da nossa, a Via Láctea

A equipe, que reúne cientistas da Nasa (agência espacial americana), do Observatório Europeu do Sul no Chile e da USP (Universidade de São Paulo), buscava dados sobre a formação de novas estrelas nas bordas da galáxia NGC 6872.

As imagens foram captadas pelo satélite Galex (Galaxy Evolution Explorer).

“Não estávamos buscando por uma espiral. Foi um presente”, diz Rafael Eufrásio, da Universidade Católica da América e membro do Goddard Space Flight Center, da Nasa.
A galáxia NGC 6872, que fica a 212 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Pavo, já era conhecida por ter uma grande espiral.

A espiral recorde, no entanto, resulta provavelmente de uma colisão com a galáxia vizinha IC 4970.

A galáxia em espiral possui, segundo estimativas dos astrônomos, um tamanho cinco vezes maior que a Via Láctea, que engloba a Terra.

A descoberta foi comunicada à Sociedade Astronômica Americana.

COLISÃO
O Galex, um telescópio espacial especializado em descobrir novas estrelas, mostrou que a colisão tornou a galáxia NGC 6872 ainda maior.

A equipe usou ainda dados de outros telescópios e concluiu que estrelas mais jovens, que ficam nas bordas da espiral, se movem em direção ao centro da galáxia à medida que ficam mais velhas.

“A galáxia que colidiu com a NGC 6872 espalhou estrelas por toda a parte – em 500 mil anos luz de distância”, explica Eufrásio.

Ele diz que a descoberta mostra como as galáxias podem mudar radicalmente de tamanho com as colisões.

“Mostra a evolução das galáxias em um contexto muito maior do universo, como as grandes galáxias que temos ficaram maiores com pequenos rearranjos no universo”, diz.

 

 

janeiro 12, 2013

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Peter Higgs critica “fundamentalismo” antirreligioso de Richard Dawkins

ALOK JHA
DO “GUARDIAN”

Em se tratando de desentendimentos públicos, poucos já puderam se vangloriar de ter antagonistas que batem tão pesado.

De um lado está Richard Dawkins, o célebre biólogo que fez uma segunda carreira demonstrando seu épico desdém pela religião. Do outro está o físico teórico Peter Higgs, que em 2012 se tornou figura corriqueira nas apostas para um futuro Prêmio Nobel, depois que cientistas do Cern, em Genebra, demonstraram que estava correta sua teoria sobre como as partículas fundamentais obtêm sua massa.

Fabrice Coffrini/France Presse

O escocês Peter Higgs (à dir.) e seu colega belga, François Englert, que contribui para a teoria do bóson

O escocês Peter Higgs (à dir.) e seu colega belga, François Englert, que contribui para a teoria do bóson

A discussão deles gira em torno de nada menos que a coexistência entre religião e ciência. Higgs decidiu-se por coroar seu notável 2012 com mais um estrondo, ao criticar a abordagem “fundamentalista” adotada por Dawkins no trato com os crentes religiosos.

“O que Dawkins faz muitas vezes é concentrar seu ataque nos fundamentalistas. Mas há muitos crentes que simplesmente não são fundamentalistas”, declarou Higgs em entrevista a Pablo Jáuregui, do jornal espanhol “El Mundo”. “O fundamentalismo é outro problema. Quer dizer, Dawkins de certa forma é ele mesmo quase um fundamentalista, de outra espécie.”

Ele concordou com algumas das ideias de Dawkins sobre as consequências infelizes que resultaram de crença religiosa, mas estava descontente com a abordagem do biólogo evolucionista ao lidar com os crentes, e se disse de acordo com aqueles que consideraram tal abordagem “embaraçosa”.

Dawkins, autor do best-seller “Deus, Um Delírio”, já foi muitas vezes acusado de adotar posições fundamentalistas. Em um texto publicado em 2007 no seu site, intitulado “Como vocês ousam me chamar de fundamentalista?”, Dawkins escreveu: “Não, por favor, não confundam paixão, que pode mudar de ideia, com fundamentalismo, que nunca irá [mudar]. Paixão por paixão, um cristão evangélico e eu podemos estar equiparados. Mas não somos igualmente fundamentalistas. O verdadeiro cientista, por mais apaixonadamente que possa ‘acreditar’, na evolução, por exemplo, sabe exatamente o que o faria mudar de ideia: provas! O fundamentalista sabe que nada o fará mudar de ideia.”

As críticas não levaram o biólogo a abrandar sua posição sobre a religião. Em uma recente entrevista à Al Jazira, ele insinuou que ser criado no catolicismo é pior para uma criança do que sofrer abusos físicos de um padre. Respondendo a uma pergunta direta do entrevistador Mehdi Hassan, Dawkins relatou a história de uma mulher dos EUA que lhe escrevera contando o abuso que ela sofrera quando criança nas mãos de um padre, e a angústia mental por ouvir que uma amiga sua, uma menina protestante, arderia no inferno.

“Ela me contou que, desses dois abusos, superou o abuso físico, que foi nojento, mas ela superou. Já o abuso mental de falarem a ela sobre o inferno, esse ela levou anos para superar”, disse Dawkins. “Dizer a crianças assim que elas realmente acreditam que as pessoas que pecam vão para o inferno e assam para sempre, que sua pele cresce de novo quando você a arranca, me parece intuitivamente inteiramente razoável que isso seja uma forma pior de abuso infantil, que vai causar mais pesadelos, porque elas realmente acreditam.”

Dawkins não respondeu a um pedido para comentar diretamente a acusação de “fundamentalista” feita por Higgs.

Na entrevista ao “El Mundo”, Higgs argumentou que, embora não seja um crente, considera que ciência e religião não são incompatíveis. “O crescimento da nossa compreensão do mundo por meio da ciência enfraquece parte da motivação que torna as pessoas crentes. Mas isso não é a mesma coisa que dizer que elas são incompatíveis. Só acho que algumas das razões tradicionais para a crença, que remontam a milhares de anos, ficam bastante prejudicadas.”

“Mas isso não encerra com a coisa toda. Qualquer um que seja um crente convencido, mas não dogmático, pode continuar tendo a sua crença. Isso significa que eu acho que você precisa ser bem mais cuidadoso a respeito de todo o debate entre ciência e religião do que algumas pessoas foram no passado.”

CHORO

Ele disse que muitos cientistas na sua área possuem crenças religiosas. “Eu por acaso não sou um deles, mas talvez seja mais uma questão da minha origem familiar do que haver alguma dificuldade fundamental em conciliar as duas coisas.”

Em 1963, Higgs previu a existência de uma partícula portadora de força, parte de um campo energético invisível que preencheu o vácuo por todo o universo observável. Sem esse campo, ou algo parecido, não estaríamos aqui. O campo se agarra às menores partículas fundamentais e lhes dá massa. O campo, acionado momentos depois do “big bang”, permitiu que as partículas se unissem e formassem todos os átomos e moléculas que estão por aí hoje.

Na entrevista, o físico falou sobre o anúncio feito em 4 de julho de que o bóson de Higgs havia sido finalmente encontrado. Ele contou que dias antes havia recebido um telefonema de um colega no Cern, dizendo que ele se arrependeria se não comparecesse. Na hora do anúncio, Higgs começou a chorar.

“O que foi tão avassalador realmente foi a reação da plateia no Cern. Não era como um seminário científico, era como o final de uma partida de futebol quando o time da casa ganhou, e foi isso que foi tão avassalador para mim, fazer parte disso… Foi [caindo em prantos] uma reação às emoções ao meu redor, e o sentimento de que, bom, finalmente chegou! Foi difícil de lidar.”

Muitos cientistas acreditam que a descoberta coloca Higgs como franco favorito para um futuro Prêmio Nobel. Ele ficou aliviado, no entanto, pelo fato de o comitê do Nobel ter ignorado a descoberta no seu prêmio de física em 2012. “Fiquei aliviado, simplesmente porque desde o começo de julho ando ocupado demais lidando com solicitações para fazer isso e aquilo, a ponto de ficar feliz por não ter isso também na minha agenda, então descrevi isso como um alívio.”

Tradução de RODRIGO LEITE.

janeiro 10, 2013

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Físicos alemães conseguem atingir temperatura abaixo do zero absoluto

Equipe usou lasers e magnetismo para criar gás com átomos de potássio. Pesquisadores atingiram bilionésimos de grau abaixo de -273,15ºC.

Termômetro (Foto: Comstock Images/Jupiterimages/Arquivo AFP)

Físicos da Universidade Ludwig Maximilian, em Munique, alcançaram pela primeira vez uma temperatura abaixo do zero absoluto, ao criar um gás quântico ultrafrio feito de átomos de potássio, usando lasers e magnetismo.

Os pesquisadores conseguiram chegar apenas alguns bilionésimos de 1 Kelvin – unidade básica internacional que mede a temperatura de um objeto – abaixo do zero absoluto (o equivalente a -273,15º C). Os resultados estão publicados na edição desta sexta-feira (4) da revista “Science”.

A nova técnica criada pelos alemães abre portas para o desenvolvimento de dispositivos quânticos e materiais com temperatura abaixo de 0 Kelvin.

O novo gás também imita o comportamento da “energia escura” – força misteriosa que leva o Universo a se expandir a uma taxa cada vez mais rápida contra a força da gravidade – e poderia ajudar os astrônomos a entender a origem e a evolução do Universo.

Temperatura e energia de um gás
Em meados de 1800, o físico e engenheiro irlandês William Thomson, conhecido como Lorde Kelvin, definiu a escala de temperatura absoluta, que começa numa temperatura equivalente a -273,15º C.

Mais tarde, cientistas perceberam que a temperatura de um gás está relacionada com a energia média de suas partículas. O zero absoluto, portanto, corresponde ao estado teórico em que as partículas não têm nenhuma energia – e as temperaturas mais altas equivalem às energias mais altas.

Apesar disso, na década de 1950, os físicos começaram a perceber que isso não é sempre verdade. Isso porque, normalmente, a maioria das partículas tem uma energia média ou próxima dela – apenas algumas apresentam alta energia. Na teoria, se a situação fosse inversa, com mais partículas concentrando alta energia, a temperatura absoluta passaria de um resultado positivo para um negativo.

Fonte: G1

 

janeiro 8, 2013

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Novo telescópio de raios X revela imagem inédita de buracos negros

 

Primeiras imagens captadas pelo observatório NuSTAR, lançado em junho, foram divulgadas em encontro na Califórnia.

 

Da BBC

Supernova Cassiopeia A, cuja imagem foi captada pelo NuSTAR, fica a 11 mil anos-luz da Terra (Foto: NASA/JPL-Caltech/DSS)

Supernova Cassiopeia A, cuja imagem foi captada pelo NuSTAR, fica a 11 mil anos-luz da Terra (Foto: NASA/JPL-Caltech/DSS)

O observatório espacial de raios X de mais alta energia já lançado começou a compartilhar sua visão única do cosmos.

Duas imagens feitas pelo NuSTAR, lançado em junho de 2012, foram divulgadas por pesquisadores durante a reunião semestral da Sociedade Astronômica Americana, na Califórnia.

Uma delas detalha os restos da supernova de Cassiopeia A, e a outra mostra uma nova visão de dois buracos negros na galáxia espiral IC 342.

A missão NuSTAR tem como objetivo captar raios com energia mais alta do que os telescópios espaciais Chandra, dos Estados Unidos, e o europeu XMM-Newton, ambos lançados em 1999.

A equipe de pesquisadores do NuSTAR, liderados pela astrônoma Fiona Harrison, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, divulgou as imagens como uma demonstração prévia da capacidade do observatório.

“Essas imagens têm uma combinação de nitidez e sensibilidade que é de várias ordens de magnitude melhor do que jamais foi conseguido nessa região do espectro eletromagnético”, afirmou Harrison.

Imagens de buracos negros na galáxia espiral IC 342 são mais vivas que de outros com tamanhos semelhantes (Foto: NASA/JPL-Caltech/DSS)

Imagens de buracos negros na galáxia espiral IC 342 são mais vivas que de outros telescópios com tamanhos semelhantes (Foto: NASA/JPL-Caltech/DSS)

Segundo ela, os pesquisadores ainda estão se acostumando com a arquitetura própria do telescópio, que tem seus equipamentos óticos de raios X em um braço flexível a cerca de 10 metros do detector. O observatório tem uma órbita de 90 minutos ao redor da Terra.

“Estamos aprendendo como apontá-lo, e estamos lidando com o fato de que, conforme contornamos a Terra, entramos e saímos da sombra”, afirma.

“O braço se move e temos um sistema de metrologia complicado que remonta todas as imagens para formar as imagens nítidas”, diz.

A imagem da Cassiopeia A, localizada a 11 mil anos-luz de distância da Terra, mostra um anel de raios X de alta energia em torno dos dados existentes em comprimentos de onda visíveis ao olho humano, e dos raios X de baixa energia captados pelo Chandra.

A outra imagem, dos dois buracos negros inicialmente detectados pelo Chandra, são extraordinariamente vivos em raios X de alta energia captados pelo NuSTAR.

Eles aparecem muito mais claramente do que buracos negros de tamanhos semelhantes – provendo o primeiro dos muitos mistérios que a equipe do NuSTAR espera resolver.

 

 

janeiro 8, 2013

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Asteroide Apophis se aproxima da Terra na quarta sem oferecer perigo

 

Corpo celeste deve passar a 14,4 milhões de quilômetros da Terra.
Descoberto em 2004, objeto tem 270 metros de diâmetro.

 

Do G1, com informações da AFP

Asteróide Apophis passa pela Terra sem oferecer perigo nesta quarta-feira (Foto: HO / NASA/JPL UH/IA / AFP)

Probabilidade de asteroide colidir com a Terra em 2036 é de 1 em 250 mil.

(Foto: HO / NASA/JPL UH/IA / AFP)

O asteroide Apophis, que deve passar rente à Terra em 2029 e pode eventualmente atingi-la em 2036, se aproxima do planeta nesta quarta-feira (9). De acordo com as previsões dos astrônomos, o corpo celeste irá passar a 14,4 milhões de quilômetros da Terra.

Num primeiro momento, os cientistas avaliaram em 2,7% (uma em 45) a probabilidade de uma colisão catastrófica com a Terra em 2029. Descoberto em 2004, o asteroide tem 270 metros de diâmetro, o equivalente a três campos de futebol. O nome Apophis foi inspirado em um demônio da mitologia egípcia.

No entanto, novos cálculos feitos pela NASA em 2009, após um sobrevoo perto do asteroide, preveem a passagem de Apophis a 22.208 quilômetros da Terra no dia 13 de abril de 2029. Trata-se da menor distância observada nos tempos modernos.

Já a chance de colisão com a Terra em 2036 é de 1 em 250 mil, de acordo com novos cálculos realizados por Steve Chesley e Paul Chodas, do Jet Propulsion Laboratory (Laboratório de Propulsão a Jato) da NASA, em Pasadena, na Califórnia, com base em novas técnicas de análise de dados. A estimativa anterior falava em 1 em 45 mil.

Grande parte dos novos dados que permitiram recalcular a órbita do Apophis foi obtida a partir de observações feitas pelo astrônomo Dave Tholen e sua equipe, no Instituto de Astronomia da Universidade do Havaí.

A passagem do asteroide na quata-feia pode ser acompanhada em tempo real pelo site slooh.com.

 

janeiro 4, 2013

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Sonda da Nasa flagra erupção solar com 20 vezes o diâmetro da Terra

 

Evento ocorreu no dia 31 de dezembro e teve duração de quatro horas.
Fenômeno se estendeu por mais de 257 mil quilômetros fora do Sol.

Do G1, em São Paulo

Uma sonda da agência espacial americana (Nasa) captou uma erupção solar de “pequenas proporções” com 20 vezes o diâmetro da Terra. O evento ocorreu nesta segunda-feira (31) e durou quatro horas.

Abaixo, aparece uma imagem em escala do nosso planeta, para dar uma noção do tamanho da erupção solar, que se estendeu por mais de 257 mil quilômetros além do Sol.

Erupção solar (Foto: Nasa/SDO/Steele Hill)

Erupção solar registrada na segunda é comparada acima ao tamanho da Terra (Foto: Nasa/SDO/Steele Hill)

Como identificou a sonda Solar Dynamics Observatory em luz ultravioleta extrema, forças magnéticas impulsionaram o fluxo de plasma do Sol, mas sem força suficiente para vencer a gravidade, razão pela qual a maioria do plasma caiu novamente sobre a estrela.

 

janeiro 3, 2013

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Correntes de gás formam e ‘nutrem’ planetas gigantes, aponta estudo

Astrônomos de 5 países fizeram obervações com telescópio Alma, no Chile.
Equipe analisou estrela e identificou fase crucial no nascimento de planetas.

Do G1, em São Paulo

Um supertelescópio por ondas de rádio que está sendo construído no Chile identificou correntes de gás capazes de formar e “alimentar” planetas. A descoberta está descrita em um artigo publicado na revista “Nature” desta quarta-feira (2).

As análises do Alma (sigla para Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) permitiram que astrônomos do Observatório Europeu do Sul (ESO), do Observatório de Genebra, na Suíça, e de universidades e institutos do Chile, dos EUA, da França e Alemanha estudassem uma fase crucial no nascimento de planetas gigantes.

ESO Alma (Foto: Alma (ESO/NAOJ/NRAO)/M. Kornmesser (ESO)/Nick Risinger)

Concepção artística mostra o disco de gás e poeira cósmica em volta da estrela jovem HD 142527, observada pelo supertelescópio Alma (Foto: Alma (ESO/NAOJ/NRAO)/M. Kornmesser (ESO)/Nick Risinger)

Esses corpos engolem o gás que flui dentro de um disco ao redor de uma estrela jovem e, assim, aumentam de tamanho. Segundo o líder da pesquisa, Simon Casassus, da Universidade do Chile, essa é a primeira vez que cientistas veem diretamente essas correntes de gás – apesar de já saberem da existência delas.

Durante o trabalho, a equipe analisou a estrela HD 142527, que fica a mais de 450 anos-luz de distância da Terra e é cercada por um disco de gás e poeira cósmica. Cada disco tem uma parte interna e outra externa. A primeira apresenta uma dimensão que, no nosso Sistema Solar, vai do Sol até Saturno. Já a área exterior começa 14 vezes mais longe e tem a forma de uma ferradura, provavelmente causada pela gravidade dos planetas na órbita da estrela.

De acordo com a teoria dos astrônomos, esses planetas gigantes crescem à medida que capturam o gás do disco exterior, em correntes que formam “pontes” entre as partes interna e externa. O grupo de pesquisadores também observou gás difuso entre os discos e duas correntes densas de gás que fluem do disco exterior, passam pelo espaço vazio e chegam até o disco interior.

ESO Alma (Foto: Alma (ESO/NAOJ/NRAO), S. Casassus et al.)

Disco de gás e poeira cósmica ao redor da estrela jovem. A poeira no disco externo aparece em vermelho, a parte verde é formada por gás denso e o azul é gás difuso (Foto: Alma (ESO/NAOJ/NRAO), S. Casassus et al.)

A estrela HD 142527 também se alimenta do material captado no disco interior, e os “restos” que os planetas deixam é justamente o necessário para que o astro se mantenha em crescimento.

Segundo Sebastián Perez, também da Universidade do Chile, planetas gigantes “escondidos” no interior do disco podem dar origem a essas correntes. Esses corpos são camuflados pelas correntes de gás – que são opacas –, razão pela qual ainda não puderam ser detectados de forma direta. Perez, porém, acredita que no futuro, ao estudar a quantidade de gás restante na região, talvez se possa estimar a massa desses planetas.