dezembro 27, 2012

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Veja ‘estranhos’ planetas descobertos nos últimos 20 anos

 

Projeção feita pela Nasa mostra o planeta Cancri (esq.) ao lado da Terra Foto: AFP

Projeção feita pela Nasa mostra o planeta Cancri (esq.) ao lado da Terra
Foto: AFP

Nos últimos 20 anos, astrônomos de todo mundo catalogaram cerca de 850 planetas fora do nosso Sistema Solar. A busca por mundos que orbitem outras estrelas tem levado à descoberta de alguns planetas estranhos, desde um gigante de gás quente, mais escuro que carvão, até um planeta com quatro sóis. Abaixo, alguns dos exemplos mais estranhos.

Quatro sóis

Em uma cena do filme da saga Star Wars, quando o personagem Luke Skywalker olha para o horizonte, vê dois sóis se pondo no planeta Tatooine. Os astrônomos já descobriram vários sistemas parecidos com o da ficção, nos quais os planetas orbitam estrelas duplas. Mas, em 2012, uma equipe de voluntários e astrônomos profissionais encontrou um planeta iluminado por quatro astros, o primeiro desse tipo.

O mundo distante fica na constelação de Cygnus, orbita um par de astros e um segundo par gira em volta deles. Ele fica a 5.000 anos-luz da Terra e seu raio é seis vezes maior do que o do nosso planeta (do tamanho de Netuno).

E, apesar de ser puxado por quatro forças gravitacionais diferentes, o planeta PH1 consegue manter uma órbita estável. A descoberta foi feita por voluntários que usavam o site Planet Hunters, junto com uma equipe de institutos científicos da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos. O nome PH1 veio do site.

Na época da descoberta, Chris Lintott, da Universidade de Oxford, disse à BBC que a descoberta “não era, em absoluto, algo que estávamos esperando”.

 Escuridão

Em 2011, um grupo de astrônomos americanos anunciou que um exoplaneta – mundo localizado fora do nosso Sistema Solar – do tamanho de Júpiter e conhecido como TrES-2b era o mais escuro já descoberto, refletindo apenas 1% da luz que o atingia.

O TrES-2b é ainda mais escuro do que tinta acrílica preta e mais preto do que qualquer planeta ou lua do nosso Sistema Solar. Ele fica a 718 anos-luz da Terra e sua massa e raio são quase os mesmos que os do planeta Júpiter. A distância entre o TrES-2b e sua estrela pode ser um dos fatores responsáveis por essa escuridão.

Em nosso Sistema Solar, Júpiter é coberto por nuvens brilhantes de amônia que refletem mais de um terço da luz do Sol que o alcança.

Mas o TrES-2b orbita a uma distância de apenas 4,83 milhões de quilômetros de seu astro. A energia intensa do Sol esquenta o planeta a mais de 1.000ºC, o que o torna muito quente para a formação de nuvens de amônia. A atmosfera do TrES-2b também tem elementos químicos que absorvem ao invés de refletir a luz.

Mas esses fatores não conseguem explicar totalmente a extrema falta de luz no planeta. Um dos autores do estudo sobre o TrES-2b, David Spiegel, da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, afirma que o planeta é tão quente que “emite um brilho vermelho fraco, muito parecido a uma brasa ou à espiral de um forno elétrico”.

 Diamante

Um planeta próximo na constelação de Câncer pode ter uma composição peculiar. O corpo celeste, conhecido como 55 Cancri E, “provavelmente é coberto de grafite e diamante em vez de água e granito”, segundo o astrônomo Nikky Madhusudhan, da Universidade de Yale.

O 55 Cancri e pertence à classe de mundos conhecida como planetas-diamante e acredita-se que seja rico no elemento carbono, que pode existir em várias formas estruturais, como grafite ou o diamante. Planetas ricos em carbono contrastam muito com a Terra, cujo interior tem, relativamente, pouco deste elemento, mas é rico em oxigênio.

Ele fica a 40 anos-luz da Terra e o raio do planeta é duas vezes o tamanho do raio da Terra. Em 2012, Madhusudhan e seus colegas publicaram as primeiras medidas do raio do exoplaneta. Estes novos dados, combinados com as estimativas mais recentes da massa 55 Cancri E, permitiram que os cientistas deduzissem a composição química.

Para fazer isto, eles usaram modelos em computadores do interior do planeta e calcularam as possíveis combinações de elementos e compostos que poderiam ter as características observadas. Os resultados sugerem que o 55 Cancri E é, em sua maior parte, composto de carbono (na forma de grafite e diamante), ferro, carboneto de silício e, potencialmente, silicato.

Os cientistas estimam que pelo menos um terço da massa do planeta seja de diamante, o equivalente a três vezes a massa da Terra.

Engolido
Localizado na constelação de Auriga (também conhecida como Cocheiro), a 600 anos-luz da Terra, o planeta Wasp-12b está sendo devorado lentamente pela sua estrela, a Wasp-12.

O planeta gigante orbita tão próximo à estrela semelhante ao Sol que sua temperatura chega a 1.500ºC. Ele está sendo distorcido, chegando à forma de uma bola de rúgbi, devido à gravidade da estrela.

A grande proximidade entre o Wasp-12b e a estrela levou a atmosfera do planeta a se expandir a um raio três vezes maior que a de Júpiter. Material proveniente dela está “vazando” para a estrela.

“Vemos uma grande nuvem de materiais em volta do planeta, que está escapando e será capturado pela estrela”, disse a astrônoma Carole Haswell, da Open University britânica.

Haswell e sua equipe usaram o telescópio Hubble para confirmar estimativas anteriores a respeito do planeta e divulgaram a descoberta na publicação científica The Astrophysical Journal Letters. Os pesquisadores dizem que o planeta pode ainda existir por mais 10 milhões de anos antes de se apagar.

Fonte: AFP

 

 

 

dezembro 21, 2012

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Bóson de Higgs é eleito a descoberta do ano pela “Science”

Folha de S.Paulo

RAFAEL GARCIA
EM WASHINGTON

A detecção do bóson de Higgs, a partícula elementar que confere massa à matéria, chegou ao fim de 2012 no topo da lista da revista “Science” que elege as descobertas mais importantes do ano.

Editada pela AAAS (Associação Americana para o Avanço da Ciência), a revista também destacou o pouso do jipe Curiosity em Marte e o experimento que usou células-tronco para criar óvulos de camundongos.

A escolha do bóson de Higgs pelo comitê da AAAS que determina a lista era esperada.

A revista, porém, deu boa parte do crédito pela descoberta a físicos teóricos que previram as manifestações da partícula -trabalho feito ao longo de 40 anos.

A detecção do bóson no acelerador de partículas LHC, anunciada na Suíça em julho, foi o ápice de uma empreitada que completou, finalmente, o Modelo Padrão, a teoria que explica as partículas elementares, como o elétron e o fóton (partícula de luz). O bóson foi a última peça da teoria a ser observada.

“A descoberta não foi uma surpresa, porque era o que se esperava achar. Ela veio mais como um alívio”, diz Robert Coontz, vice-editor da “Science”, sobre as razões da escolha do prêmio. “Se o bóson não tivesse sido encontrado, seria preciso repensar tudo seriamente.”

Editoria de Arte/Folhapress

Logo após o anúncio, especulou-se que o Prêmio Nobel em Física de 2012 seria dado a Peter Higgs e aos outros cientistas responsáveis pela previsão teórica da partícula, o que não ocorreu.

Os físicos já sabem que o bóson de Higgs existe, mas ainda não têm dados suficientes para saber quais exatamente são as propriedades da partícula.

A despeito da importância da descoberta, esse tipo de incerteza costuma impor uma certa lentidão à escolha do Nobel.

Em 2013, de qualquer forma, o LHC passará por um processo de manutenção que permitirá dobrar sua potência.

Espera-se que, quando o acelerador de partículas estiver produzindo colisões mais fortes, novas descobertas fiquem ao alcance dos físicos.

ENGENHEIROS EM MARTE

O único item da lista da “Science” que denota mais um sabor de ansiedade do que de vitória foi a escolha do jipe Curiosity como um dos destaques do ano.

Havia grande expectativa de que os cientistas do projeto anunciariam a descoberta de moléculas orgânicas complexas no solo marciano, o que não ocorreu.

Apesar de o principal objetivo científico da missão marciana ainda estar em aberto, o sucesso da meta de engenharia do projeto -pousar um jipe de 3,3 toneladas em Marte- foi comemorado com estardalhaço.

A Nasa já fala em enviar a Marte um jipe similar, mas com instrumentos científicos diferentes.

 

dezembro 21, 2012

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Técnica ‘Cavalo de Troia’ elimina câncer em camundongos

Especialistas comemoram resultados da técnica que usa o prórpio sistema imunlógico humano, mas alertam para necessidade de testes em humanos.

 

Um tratamento experimental usando uma técnica de “Cavalo de Troia” eliminou totalmente o câncer de próstata em camundongos. O estudo, realizado na Grã-Bretanha, enviou uma espécie de agente invasor disfarçado ao interior de células doentes.

A equipe escondeu uma série de diferentes vírus capazes de matar células cancerígenas dentro do sistema imunológico dos roedores com o objetivo de introduzí-los dentro de tumores.

Uma vez no interior, dezenas de milhares de cepas destes vírus foram liberados para tentar “matar o câncer”.

Os resultados, publicados no periódico científico Cancer Research, mostram que o grupo foi bem sucedido. Embora analistas tenham classificado a pesquisa como “animadora”, testes em humanos ainda são necessários antes de qualquer posicionamento definitivo.

O nome da técnica faz Técnica referência à mítica batalha em que os gregos adentraram o território inimigo da cidade de Troia escondidos no interior de um grande cavalo.

‘Surfando na onda’

A técnica de “Cavalo de Troia” no tratamento médico não é nova. Cada vez mais cientistas têm-se valido deste recurso mas, segundo eles, o principal desafio é a profundidade necessária dentro do tumor para que os vírus sejam eficazes o suficiente.

“O problema é a penetração”, diz Claire Lewis, professora da Universidade de Sheffield. Ela lidera um estudo em que glóbulos brancos são usados como “Cavalos de Troia” para abrigar os vírus em sua jornada ao interior dos tumores.

Ela explica que seu grupo também trabalha com a lógica de uma “onda”.

Após tratamentos com radioterapia e quimioterapia, os tecidos do paciente ficam danificados, e uma grande quantia de glóbulos brancos é enviada ao local para ajudar a reparar o estrago.

“Estamos surfando nesta onda para introduzir o número maior possível de glóbulos brancos levando os vírus capazes de explodir os tumores até o coração desses tumores”, explica a cientista.

Sua equipe injetou glóbulos brancos contendo poucos de vírus nos camundongos dois dias após um ciclo de quimioterapia. Após entrarem no tumor, os vírus se replicam e em apenas 12 horas os glóbulos brancos explodem e expelem mais de 10 mil vírus cada, infectando e matando as células cancerígenas.

Eliminação dos tumores

Ao final do ciclo de 40 dias do estudo, todos os camundongos que receberam o tratamento ainda estavam vivos e sem sinais dos tumores.

Em comparação, aqueles sob outros esquemas de tratamento viram seu câncer se espalhar e depois morreram.

“[O tratamento] elimina completamente o tumor e impede que ele volte a crescer”, diz a cientista Claire Lewis, acrescentando tratar-se de um conceito “revolucionário”. Mas ela lembra que outros avanços do tipo acabaram sendo completamente inúteis quando testados em humanos.

Ela espera começar os testes em pacientes no próximo ano.

Radioterapia e quimioterapia

Para Emma Smith, do Cancer Research UK (Instituto de Pesquisas do Câncer do Reino Unido), o estudo mostra que a quimioterapia e a radioterapia, tratamentos tradicionais contra o câncer, podem tornar-se mais eficientes com a ténica do “Cavalo de Troia”.

“Equipar o próprio sistema imunológico do corpo para levar um vírus mortal aos tumores é uma tática animadora que muitos cientistas estão pesquisando. Este estudo mostra que tem o potencial de transformar a quimioterapia e a radioterapia em armas mais eficientes contra o câncer”, diz.

Kate Holmes, chefe de pesquisas do Prostate Cancer UK, diz que se os estudos em humanos forem bem-sucedidos a técnica pode vir a ser um “divisor de águas” no tratamento do câncer de próstata.

“Se este tratamento tornar-se um sucesso em humanos, poderia se revelar um progresso substancial em encontrar melhores tratamentos para homens com câncer de próstata, quando este já se espalhou pelos ossos”, avalia.

BBC Brasil – Todos os direitos reservados.

 

dezembro 19, 2012

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Descoberto planeta em zona “habitável” em órbita de estrela

Notívagos e astrônomos acreditavam há muito tempo que Tau Ceti, estrela visível a olho nu da Terra, brilhasse solitária na noite, mas cientistas acabam de descobrir cinco planetas em sua órbita, um deles situado em uma zona “habitável”, segundo um estudo publicado esta quarta-feira. Tau Ceti, que faz parte da Constelação da Baleia, não é apenas próxima do nosso sol (fica a 12 anos-luz), mas também é muito semelhante, em massa e irradiação.

No passado, muitos olhares se voltaram para ela, em vão, em busca de vida extraterrestre. Nenhum planeta fora detectado no entorno de Tau Ceti até que uma equipe internacional teve a ideia de testar nesta estrela sua nova técnica de coleta de dados astronômicos, capaz teoricamente de detectar sinais duas vezes mais potentes. “Nós escolhemos Tau Ceti (…) porque achamos que ela não comportaria nenhum sinal. E ela é tão brilhante e similar ao nosso sol que constitui uma cobaia ideal para testar nosso método de detecção de planetas de pequena proporção”, explicou em um comunicado Hugh Jones, da Universidade britânica de Hertfordshire. Os astrônomos descobriram cinco planetas, com massa compreendida entre duas e seis vezes a da Terra. Um deles encontra-se na zona “habitável”, nem muito quente, nem muito fria, permitindo a existência de uma atmosfera, de água em estado líquido em sua superfície, e portanto, talvez uma forma de vida. “Tau Ceti é uma de nossas vizinhas cósmicas mais próximas, tão brilhante que nós poderíamos chegar a estudar as atmosferas de seus planetas em um futuro não muito distante”, afirmou James Jenkins, da Universidade do Chile, que participou do estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics.

Esta descoberta confirma a nova ideia “que quase todas as estrelas têm planetas e que a galáxia deve, portanto, conter um grande número de planetas potencialmente habitáveis de tamanho próximo do nosso”, acrescentou Steve Vogt, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz. O Observatório Europeu Austral (ESO, na sigla em inglês) estimou recentemente que bilhões destes planetas existiriam na Via Láctea, dos quais uma centena na vizinhança do nosso sol.

Por

dezembro 16, 2012

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Cientistas iniciarão testes com células-tronco reprogramadas em humanos

Empresa de biotecnologia espera iniciar os testes clínicos já no ano que vem.

Cientistas iniciarão testes com células-tronco reprogramadas em humanos

(Fonte da imagem: shutterstock)

De acordo com o The Wall Street Journal, a empresa de biotecnologia Advanced Cell Technology pretende iniciar testes clínicos com células-tronco reprogramadas — se possível — até o final no ano que vem, e já solicitou o consentimento às autoridades competentes nos Estados Unidos para isso.

Segundo a publicação, as células-tronco que serão utilizadas nos testes não serão obtidas a partir de embriões humanos — que é uma técnica envolta em muita polêmica —, mas sim por meio de outro método, que implica em utilizar outras células do corpo, que são modificadas geneticamente para voltar ao estágio embrionário.

Os experimentos servirão para que a empresa desenvolva tratamentos mais eficazes para tratar pacientes que sofrem de anemia e leucemia, criando plaquetas a partir do sangue dos próprios doentes. Conforme explicou a companhia, esses pacientes precisam receber infusões de plaquetas frequentemente, e algumas vezes o organismo pode se tornar resistente ao sangue doado. O novo tratamento serviria para contornar esse problema.

Fonte: The Wall Street Journal

dezembro 14, 2012

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Descoberta de fóssil contesta árvore da vida como a conhecemos

AFP 

Organismos que há muito se pensava serem os ancestrais de criaturas marinhas remotas na verdade viveram em terra, indica o estudo de um fóssil, divulgado nesta quarta-feira, que pode motivar uma revisão da árvore da vida animal.

Se estiver correta, a descoberta poderá desafiar a teoria comumente aceita de que a vida floresceu nos oceanos por centenas de milhões de anos antes de se espalhar para a terra.

Os fósseis, apelidados de Ediacaranos, datados de 542 a 635 milhões de anos atrás, foram escavados no sul da Austrália em 1946 e há muito tempo se pensava serem vestígios de águas-vivas, minhocas e criaturas do leito marinho similares a flores conhecidas como penas-do-mar.

Agora, um geólogo da Universidade do Oregon, usando avançadas técnicas de análises químicas e microscópicas, concluiu que os fósseis provavelmente pertenceram a organismos terrestres e não eram animais.

Podem ter sido líquens – uma combinação de fungo e algas ou bactérias – ou colônias de microorganismos. “A descoberta tem implicações para a árvore da vida porque retira os fósseis Ediacaranos da ancestralidade dos animais”, disse Gregory Retallack, autor do estudo publicado na revista científica Nature.

Os fósseis representam “uma radiação evolutiva independente da vida na terra que precedeu em pelo menos 20 milhões de anos a explosão evolutiva cambriana de animais no mar”, escreveu. Retallack acrescentou que isto não significou que todos os fósseis Ediacaranos em toda a parte eram terrestres.

Se esta teoria estiver correta, indicaria que alguns organismos controlaram a transição da vida marinha para a não marinha muito mais cedo do que se pensava anteriormente, disse Paul Knauth, da Escola de Exploração da Terra e do Espaço da Universidade do Estado do Arizona, em um comentário do estudo.

Pode, ainda, “sustentar a possibilidade de que a transição ocorreu da forma inversa”. Em um comentário em separado, Shuhai Xiao, do departamento de geociências da Virginia Tech, referiu-se à proposição como dúbia, reforçando que “representaria uma mudança fundamental em nossa imagem da evolução”. “A evidência não é convincente”, redigiu Xiao.

 

dezembro 13, 2012

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Sonda acha maior sistema de rios fora da Terra

Terra

Ao contrário de água, rio em Titã tem hidrocarbonetos em estado líquido Foto: Divulgação

Ao contrário de água, rio em Titã tem hidrocarbonetos em estado líquido

Foto: Divulgação

A sonda Cassini, das agências espaciais Europeia (ESA, na sigla em inglês) e americana (a Nasa), registrou o que parece ser um rio na lua Titã, de Saturno. O curso seguiria por cerca de 400 km, afirmam os cientistas.

Titã é o único corpo do Sistema Solar, além da Terra, a ter líquidos estáveis em sua superfície. Só que, ao invés de água, a lua tem hidrocarbonetos – como etano e metano – em seus rios e lagos.

Segundo a missão, é a primeira vez que se registra um sistema de rios tão grande e complexo fora do nosso planeta. Os cientistas acreditam que os hidrocarbonetos líquidos preenchem o curso porque ele aparece escuro nos registros do satélite. O rio acaba no mar Kraken que, em tamanho, estaria entre os mares Cáspio e Mediterrâneo.

“Apesar de alguns desvios pequenos e locais, a relativa linearidade do vale do rio sugere que ele segue o trajeto de ao menos uma falha (geológica), similar a outros grandes rios na margem sul do mesmo mar de Titã”, diz Jani Radebaugh, do time de pesquisadores da missão.

Outros registros interessantes sobre o ciclo dos hidrocarbonetos líquidos de Titã já foram feitos. Em 2010, por exemplo, o registro de regiões escurecidas na superfície da lua indicava que havia ocorrido uma recente pancada de chuva no local. Em 2008, a Cassini confirmou a existência de um lago de etano líquido no hemisfério sul.

“Esta imagem nos dá uma vista de um mundo em movimento. A chuva cai, e rios movem essa chuva para lagos e mares, onde ela evapora e começa o ciclo todo de novo. Na Terra, o líquido é água; em Titã, é metano, mas em ambos os casos, isso afeta quase tudo que ocorre”, diz Steve Wall, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa.

 

 

 

dezembro 12, 2012

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Universo está parando de fabricar novas estrelas, mostra levantamento

SALVADOR NOGUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Já não se fazem mais estrelas como antigamente. Um novo estudo mostra que 95% de todas elas já nasceram.

Também, pudera. Lá se vão 13,7 bilhões de anos, dos quais durante todo o tempo, salvo os 500 milhões de anos iniciais, o Cosmos vem fabricando novas estrelas.

A essa altura, a matéria-prima para a formação estelar –nuvens de gás– está em vias de se tornar insuficiente para novas fornadas.

O trabalho, sob a batuta de David Sobral, da Universidade de Leiden (Holanda), teve observações de três diferentes instalações: o Ukirt e o Subaru, no Havaí, e o VLT (Very Large Telescope), no Chile.

Graças a essa combinação, astrônomos conseguiram observar diversas amostras de galáxias. Embora seja difícil distinguir estrelas individuais nesses casos, é possível analisar o espectro (a “assinatura” de luz) e identificar o nível de formação estelar.

 Editoria de Arte/Folhapress

E, como a luz desses objetos que chega até nós tem velocidade finita, viajando a 300 mil km/s, quanto mais longe olhamos, mais velha é a luz (o que permite estudar estados antigos do Universo).

“Obtivemos amostras grandes e robustas de galáxias que correspondem a 4,2 bilhões, 7 bilhões, 9,2 bilhões e 10,6 bilhões de anos atrás”, diz Sobral. Seu artigo foi aceito pela publicação “Monthly Notices of the Royal Astronomy Society”.

A referência buscada no espectro é uma emissão na chamada linha H-alfa do hidrogênio. “É a mais confiável de todas”, afirma Laerte Sodré Junior, do IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas) da USP.

Segundo ele, as principais conclusões estão de acordo com outros trabalhos. “Todos eles sugerem que a ‘época de ouro’ da formação estelar ocorreu há muito tempo e, essencialmente, em todo o intervalo de tempo coberto pelo estudo, a taxa de formação estelar vem decrescendo.”

Não deixa de surpreender o fato de que restam só 5% para que o “download de estrelas” seja completado. Dali para frente, o Universo terá de se resignar a, calma e lentamente, se encaminhar para um tedioso apagar das luzes. Isso se a tendência for mantida, diz Sodré.

dezembro 10, 2012

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Cientistas reprogramam células de urina para gerar neurônios

Pesquisa chinesa pode ser útil no tratamento de doenças como Alzheimer e Parkinson.

Da BBC

Células urina (Foto: Lihui Wang/Guangjin Pan/Duanqing Pei)

Células progenitoras neuras derivadas de urina
(Foto: Lihui Wang/Guangjin Pan/Duanqing Pei)

Cientistas chineses afirmam ter conseguido reprogramar células de urina humana em células cerebrais (progenitoras neurais), em uma pesquisa que pode contribuir para futuros avanços no tratamento de males degenerativos como Alzheimer e Parkinson.

A pesquisa, publicada na mais recente edição do periódico “Nature Methods”, diz que células de urina foram isoladas de três doadores, de 37, 10 e 22 anos, e reprogramadas para produzir células progenitoras neurais (NPCs), que são precursoras das células cerebrais. Essas NPCs, por sua vez, foram capazes de se subdividir e “gerar com eficiência neurônios funcionais” distintos in vitro.

No ano passado, os mesmos cientistas haviam identificado que a urina humana contém células do rim “que podem ser reprogramadas em células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs)”. Agora, eles afirmam ter avançado nesse método.

Ainda faltam análises, mas reportamos que as células sobrevivem e se dividem quando transplantadas para o cérebro de um rato recém-nascido”, diz o estudo, liderado por Duanquing Pei, da Academia Chinesa de Ciências.

Células progenitoras neurais são potenciais fontes de neurônios para pesquisa, com a vantagem de se dividirem e, por conta disso, poderem ser “expandidas” em laboratório antes de serem divididas em neurônios.

Pesquisa e teste de medicamentos
“Há um grande interesse em gerar progenitoras neurais de indivíduos com doenças degenerativas”, diz um comunicado da “Nature Methods”.

“E como as células a serem reprogramadas são derivadas de (processos) não-invasivos, da urina de doadores, os autores da pesquisa propõem que o procedimento deve ser praticável para gerar progenitoras neurais específicas para determinadas doenças”, acrescenta a publicação.

“Neurônios derivados dessas células podem ser úteis para pesquisas em males neurodegenerativos e para o teste de novos medicamentos”, conclui o texto.

A pesquisa de Duanquing Pei lembra que ainda não há medicamentos eficientes para combater diversas doenças neurológicas. Há importantes avanços no campo de células-tronco, mas o método é alvo de questionamentos por alas mais conservadoras, porque as células são obtidas de embriões humanos. Existe também o risco de rejeição do sistema imunológico. A vantagem da pesquisa chinesa é evitar esses dilemas.

Além disso, uma reportagem da revista “Nature” aponta que o estudo pode ajudar pesquisadores a produzir mais rapidamente células específicas para cada paciente, em um número maior.

“Progenitoras neurais proliferam em cultura, então os pesquisadores podem produzir diversas células para seus experimentos”, diz a reportagem.

Um geneticista consultado pela “Nature” afirma que outra vantagem de obter células dessa forma é que a urina pode ser coletada de quase qualquer paciente.

dezembro 7, 2012

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Cientistas criam gel com capacidade para neutralizar vírus da aids

EFE – Agência EFE

 

Uma equipe de pesquisadores de vários centros científicos com sede na França criaram um gel microbicida capaz de neutralizar o vírus da aids (HIV). Este novo produto, desenvolvido por cientistas da Comissão de Energia Atômica (CEA), do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) e da Universidade Paris Sul, demonstrou ter uma “grande eficácia” ao ser testado “in vitro” e com primatas.

O gel contém um tipo de composto químico chamado péptido que imita a molécula receptora do vírus da aids no corpo (CD4). Assim, quando o bacilo se enxerta nos péptidos para penetrar no sistema imunológico, é destruído.

Após os primeiros testes em provetas, os pesquisadores provaram o gel com seis macacas, às que foi aplicado o produto para depois serem expostas a “altas doses” do HIV. Cinco delas conseguiram superar o procedimento sem serem infectadas (os animais não podem ser soropositivos nem contrair a doença).

Estes tipos de tratamentos destinados a reduzir o risco de contágio durante o ato sexual estão sendo desenvolvidos paralelamente à busca de uma vacina definitiva contra a afecção, explicaram os três centros em comunicado conjunto.

Os cientistas que participaram deste trabalho, publicado na revista PLoS Pathogens, consideraram que o resultado constitui uma “via de prevenção promissora”, apesar de ressaltarem que se trata de uma descoberta ainda em fase de teste e que é necessário “ir muito mais longe” para conseguir uma aplicação concreta.

Segundo a agência das Nações Unidas contra a aids (Unaids), 34,2 milhões de pessoas viviam com o HIV no mundo em 2011, um número recorde.