março 31, 2012

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Cientista responsável pelo experimento fracassado com neutrinos pede demissão

 

 

O físico italiano Antonio Ereditato, porta-voz do experimento Opera, que detectou neutrinos que supostamente viajavam mais rápido do que a luz, algo que contradizia a Teoria da Relatividade de Einstein, apresentou sua demissão.

 

O anúncio foi divulgado nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Nacional de Física Nuclear (INFN) italiano, cujo vice-presidente, Antonio Masiero, indicou que a entidade “tomou conhecimento da renúncia do professor Antonio Ereditato como porta-voz do experimento Opera”.

 

A decisão de Ereditato foi tomada depois que alguns de seus colegas no projeto apresentaram uma proposta na qual defenderam sua demissão e apesar de não ter sido aprovada, gerou uma divisão entre os pesquisadores que levou o cientista italiano a apresentar a renúncia, segundo a imprensa italiana.

Em setembro, os responsáveis do experimento Opera confirmaram ter constatado a existência de neutrinos, um tipo de partículas subatômicas, que viajavam a uma velocidade superior à da luz, algo que a física considerava impossível até o momento.

O experimento consistiu em lançar feixes dessa partícula subatômica por terra do Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), em Genebra, para o italiano de Gran Sasso, situado a 730 quilômetros de distância, com o qual foi obtida em várias ocasiões uma conclusão surpreendente: os neutrinos chegavam 60 nanossegundos antes da luz.

No entanto, em fevereiro, os responsáveis do Opera no CERN advertiram que as conclusões do experimento que questionou a Teoria da Relatividade de Einstein poderiam ter sido produzidas por uma série de problemas técnicos nos aparelhos.

Um mês depois, um novo experimento do laboratório italiano de Gran Sasso refutou as conclusões preliminares do Opera e confirmou que os neutrinos não são mais velozes do que a luz.

EFE

março 20, 2012

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Nicolelis anuncia descoberta do “tato virtual”

O grupo coordenado por Miguel Nicolelis deu mais um passo em direção ao objetivo de fazer um tetraplégico andar, utilizando uma veste robótica, no projeto conhecido como Walk Again. Se antes o neurocientista tinha feito um macaco movimentar um robô apenas com a força do pensamento, agora, segundo estudo publicado na revista Nature, o primata consegue sentir aquilo que toca com um “braço virtual”. De acordo com Nicolelis, esse é um passo fundamental para a concretização do projeto Walk Again, que será sediado em Natal, segundo anúncio a ser feito na próxima semana pelo Governo Federal.

Os resultados divulgados hoje pela revista científica Nature demonstram uma via de mão dupla na interação cérebro-máquina. Até então, os cientistas da Universidade de Duke, coordenados por Miguel Nicolelis, haviam conseguido fazer uma macaca movimentar um robô “com a força do pensamento”. Da mesma forma como o cérebro do macaco “ordenava” o movimento de suas próprias pernas, ele enviava as informações através de um computador para um robô, que executava o movimento. Tratava-se da mente enviando informações para uma espécie de prótese, um aparelho externo. Dessa vez, deu-se o contrário.

Uma macaca conseguiu identificar uma textura através do movimento de uma mão virtual no computador. Ao invés de somente enviar a informação, a macaca conseguiu receber e processar uma informação do ambiente através de uma “prótese”. Dessa forma, fica estabelecida uma “mão dupla”, onde o cérebro interage com o ambiente, enviando e recebendo informações a partir de um aparato estranho ao seu próprio corpo.

Na experiência anterior, a prótese era um robô. Na pesquisa divulgada ontem, uma mão virtual numa tela de computador. “O cérebro conseguiu processar informações a partir de um canal tátil artificial”, explicou Miguel Nicolelis em entrevista à TRIBUNA DO NORTE. O cientista que chegou a denominar o feito de descoberta de um “sexto sentido”.

Além disso, o resultado significa mais uma fase alcançada para a concretização do projeto Walk Again. Para entender melhor: como poderíamos caminhar, por exemplo, sem conseguir sentir o chão sob nossos pés? Como poderíamos segurar um copo sem sentir a resistência do material para poder aplicar a força necessária? Miguel Nicolelis afirma que um paciente tetraplégico poderia recuperar a “sensação” das mãos e pés através de uma veste robótica. Diz o texto enviado à Nature: “Aqui nós demonstraremos uma experiência com uma interface cérebro-máquina que pode restabelecer o sentido de tato nos seres humanos”. Dessa forma, o usuário da veste robótica poderia identificar o terreno no qual está pisando ou o objeto que está segurando.

A intenção é utilizar o mesmo princípio para dar mais complexidade à experiência. Os cientistas já conseguiram provocar movimentos e “criar” uma sensação tátil. A esses dois atributos, pode-se adicionar a capacidade de perceber a temperatura do ambiente, por exemplo, tornando a interação com o ambiente a partir de uma prótese mais próxima da experiência direta do corpo humano com o mundo ao seu redor.

O Projeto Walk Again é realizado numa parceria entre cientistas brasileiros, norte-americanos, britânicos e suíços. A demonstração de um adolescente brasileiro com a veste robótica será realizada na abertura da Copa do Mundo de 2014, segundo intenção de Miguel Nicolelis e de seu grupo de pesquisas

Instituto no RN

O Instituto Internacional de Neurociências de Natal surgiu há seis anos e abriga em seus centros de pesquisa projetos científicos em abarcam praticamente todas as áreas da neurociência, além de projetos de educação científica. As pesquisas no Instituto de Neurociências vão desde os aspectos moleculares e celulares do neurônio até a articulação do comportamento humano com o funcionamento cerebral, passando pela comunicação entre os neurônios e o funcionamento dos circuitos neuronais.

Além dos centros de pesquisa em Natal e Macaíba e do Campus do Cérebro, ainda em construção numa parceria com a UFRN e instituições federais, o Instituto mantém, através da Associação Alberto Santos Dummont de Apoio à Pesquisa, duas escolas de educação científica, com alunos da rede estadual de ensino. São 600 crianças atendidas dentro do modelo estabelecido por Miguel Nicolelis.

A intenção, ao escolher Natal como sede de um instituto de pesquisa de ponta, era descentralizar a produção de ciência no Brasil. A UFRN é a principal parceira do Instituto Internacional de Neurociências.

União e IINN firmam nova parceria na próxima semana

Um outro anúncio importante para viabilizar o projeto Walk Again será realizado Governo Federal na próxima semana, segundo declarou o neurocientista Miguel Nicolelis. Ele não deu detalhes do anúncio, mas disse que ele colocará Natal como “capital da Neurociência no Brasil”. A capital potiguar será a sede mundial do projeto nos próximos anos e a parte das pesquisas que cabe ao Brasil, dentro do consórcio com os EUA, a Alemanha e a Suíça, será realizada unicamente no Campus do Cérebro pelo Instituto Internacional de Neurociências de Natal.

Segundo o diretor do IINN, o Walk Again terá Natal como sede. “O Instituto de Neurociências de Natal será a sede mundial do Projeto Walk Again e na próxima semana teremos um anúncio importante nesse sentido, mas eu não posso comentar ainda o teor desse anúncio”, diz (veja entrevista). E complementa: “Esse projeto será o maior projeto de pesquisa do Brasil nos próximos três anos e terá mais de 70 pesquisadores trabalhando integralmente nele, muitos deles no Brasil. A parte brasileira da pesquisa será exclusiva e totalmente feita em Natal”.

O Walk Again começou a virar realidade em janeiro de 2008, quando a equipe de cientistas liderada por Miguel Nicolelis fez  uma macaca movimentar um robô no Japão estando nos Estados Unidos. Adquirir a capacidade de sentir objetos foi o passo seguinte, anunciado ontem. O seguimento da pesquisa que poderá resultar em um tetraplégico andando será realizado principalmente em Natal.

Bate-papo: Miguel Nicolelis, neurocientista

“O IINN será a sede mundial do Walk Again”

A pesquisa divulgada hoje teve a participação do Instituto Internacional de Neurociências de Natal?

Teve a minha participação, que sou diretor de pesquisas do Instituto de Neurociências. A pesquisa foi feita na Universidade de Duke, nos Estados Unidos, mas foi escrita em Natal. Escrevi essa pesquisa olhando para o mar em Natal.

O Governo Federal irá fazer um anúncio acerca do apoio ao Projeto Walk Again em Natal?

O Instituto de Neurociências de Natal será a sede mundial do Projeto Walk Again e na próxima semana teremos um anúncio importante nesse sentido, mas eu não posso comentar ainda o teor desse anúncio.

Qual a relevância desse trabalho para o Instituto de Natal?

Esse é um trabalho que muda todo o campo de estudos interação cérebro-máquina. Isso porque ninguém nunca tinha conseguido mandar uma mensagem elétrica para o cérebro ao mesmo tempo em que extraía comandos motores para controlar um corpo virtual. Isso revoluciona toda a pesquisa na área, tanto que é manchete em todas as revistas de ciência do mundo. Essa pesquisa transforma o Instituto de Neurociências de Natal em uma referência mundial na área da interface cérebro-máquina e por isso irá capitanear o projeto para fazer um brasileiro voltar a andar aqui no Brasil.

A pesquisa do Projeto Walk Again será feita principalmente em Natal?

Esse projeto será o maior projeto de pesquisa do Brasil nos próximos três anos e terá mais de 70 pesquisadores trabalhando integralmente nele, muitos deles no Brasil. A parte brasileira da pesquisa será exclusiva e totalmente feita em Natal. Natal será a capital da neurociência brasileira.

Fonte: Tribuna do Norte

março 17, 2012

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Neutrinos podem transmitir mensagens através da Terra

Já imaginou querer enviar uma mensagem para a Austrália ou para o Japão, e simplesmente virar sua antena para o chão?

Cientistas do Projeto Minerva demonstraram na prática que isto é possível: eles fizeram a primeira transmissão de uma mensagem usando neutrinos.

E como neutrinos são capazes de atravessar virtualmente qualquer coisa, isto significa que as mensagens podem ser enviadas diretamente através da Terra.

Neste experimento pioneiro, a palavra “neutrino” foi transmitida a uma distância de 1 km, incluindo 210 metros de rocha sólida.

Comunicação direta

A esfericidade da Terra exige múltiplas torres de repetição para a transmissão de dados por ondas eletromagnéticas.

Se remetente e destinatário estiverem longe o suficiente, a solução mais viável é transmitir a mensagem para um satélite artificial, que está alto o suficiente para “ver” os dois e servir de ponte para a comunicação.

Uma alternativa é ligar todos os pontos por redes de fibras ópticas.

Mas uma mensagem de neutrinos pode ser enviada diretamente, simplesmente mirando na posição do destinatário e disparando o feixe, não importando se há montanhas, oceanos, ou mesmo se o destinatário está do outro lado da Terra.

Neutrinos podem transmitir mensagens através da Terra

O gigantesco detector Minerva serviu como antena para a transmissão binária de neutrinos. [Imagem: Fermilab]

Antena de neutrinos

Neutrinos são partículas eletricamente neutras e quase sem massa – sua massa é tão desprezível que um neutrino é capaz de atravessar um cubo de chumbo sólido, com 1 ano-luz de aresta, sem se chocar com um só átomo.

Isso, obviamente, impõe um desafio para uma futura comunicação por neutrinos: construir uma antena capaz de detectá-los.

Felizmente os físicos vêm fazendo isso há anos, para criar os observatórios que permitam estudá-los.

Ainda são detectores muito sensíveis, que precisam ser instalados em compartimentos subterrâneos, capazes de isolá-los de outros tipos de radiação.

Neste experimento, os cientistas usaram como antena de recepção o detector Minerva, que pesa nada menos do que 170 toneladas. O transmissor foi o feixe de neutrinos NUMI (Neutrinos Main Injector).

Ambos são parte do acelerador de partículas Fermilab, nos Estados Unidos.

Comunicação por neutrinos

Embora pareça interessante, dificilmente as mensagens por neutrinos terão uso prático: a velocidade atingida na transmissão foi de 0,1 bit por segundo.

Ou seja, levou mais de duas horas para que a palavra “neutrino” fosse transmitida.

A mensagem foi codificada de forma binária, onde transmitir neutrinos significava 1, e não transmitir neutrinos significava 0.

Embora o feixe de transmissão dispare trilhões de neutrinos de cada vez, o detector só raramente consegue detectá-los.

A palavra neutrino consistia de 25 pulsos, separados entre eles por um período sem transmissão de 2 segundos. Isso foi repetido 3.500 vezes ao longo de 142 minutos.

Em média, a “antena” detectou 0,81 neutrino a cada pulso, com uma taxa de erro de 1% – apenas 1 em cada 10 bilhões de neutrinos foi detectado.

março 16, 2012

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Pesquisadores descobrem gene que combate e estimula tumores

O trabalho, publicado no Journal of Experimental Medicine, estuda a função do Chk1, um gene conhecido até agora por sua capacidade para evitar que uma célula se torne cancerígena

Cientistas espanhóis descobriram um gene que pode proteger contra o câncer, mas que também é capaz de promover seu crescimento, um efeito contraditório que poderia ocorrer em outros tipos de genes. “Trata-se de um gene que atua como Doutor Jekyll ou como Mister Hyde, já que pode nos proteger da aparição de tumores ou favorecer seu crescimento”, explica o líder do grupo autor da pesquisa, Óscar Fernández Capetillo, do Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas (CNIO).

O trabalho, publicado no Journal of Experimental Medicine, estuda a função do Chk1, um gene conhecido até agora por sua capacidade para evitar que uma célula se torne cancerígena. O gene Chk1 é o que Fernández-Capetillo classifica como “um guarda do genoma, um gene que mantém nosso genoma livre de mutações e que, portanto, nos protege do desenvolvimento de tumores”.

Os pesquisadores queriam estudar se este efeito poderia ser potencializado, por isso criaram um rato com três cópias do gene Chk1 ao invés de duas. E em seguida, extraíram e cultivaram suas células e as transformaram em tumores. O que encontraram foi inesperado: as células se tornavam malignas mais facilmente nos ratos que tinham uma cópia adicional de Chk1.

A explicação para o paradoxo é que o Chk1 tem um efeito benéfico sobre as células sadias, mas também atua positivamente nas cancerígenas quando elas aparecem no organismo. “A princípio, o Chk1 previne a aparição do tumor, já que limita as mutações espontâneas que ocorrem em nossas células”. No entanto, os tumores avançados sofrem altas quantidades de danos em seu DNA, e o Chk1 “favorece o tumor diminuindo os danos que este sofre em seu genoma”, explica Fernández-Capetillo.

O Chk1 atua protegendo as células do chamado estresse replicativo, que é um tipo de lesão que se produz no material genético das células quando estas se dividem. Assim, há tumores que sofrem de maneira contínua um alto número de lesões em seu genoma devido a suas altas taxas de divisão.

“O crescimento deste tipo de tumor pode ser favorecido pela presença de guardiães do genoma como o Chk1, já que aliviam em parte a carga de danos que sofrem”, explica o pesquisador. “Este trabalho ajuda a entender por que o Chk1 se encontra sobre-expressado em muitos tumores, quando o intuitivo é que seja a perda deste tipo de genes protetores o que favorece o desenvolvimento do câncer”, conclui o pesquisador.

 

Fonte: Terra

março 15, 2012

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Biblioteca Nacional de Israel diponibiliza manuscritos teológicos de Isaac Newton

GOSPEL Foto/Imagem Biblioteca Nacional de Israel diponibiliza manuscritos teológicos de Isaac Newton Noticia religião

Conhecido por seus estudos científicos que revolucionaram a Física, a Matemática e a Astronomia nos séculos XVII e XVIII, Isaac Newton era também um estudioso em um campo de conhecimento que não o deu tanta visibilidade na história: a teologia.

Além de estudos conhecidos como as três leis do movimento, que são a base dos estudos da mecânica e levam seu nome, Newton deixou uma grande coleção de escritos sobre teologia. Como teólogo ele aplicou a abordagem científica ao estudo das Escrituras e do misticismo hebreu e judeu.

O legado teológico do cientista britânico está reunido em uma coleção de cerca de 7.500 páginas escritas a mão. Essa coleção pertence à Biblioteca Nacional de Israel que, de acordo com a Associated Press, digitalizou todo essa material e o disponibilizou online. Os textos abordam assuntos como interpretações da Bíblia, teologia, a história de culturas antigas, o tabernáculo e o templo judeu. Entre estes textos está a famosa previsão de Newton do apocalipse em 2060, que ele teria calculado com base em informações coletadas no Livro de Daniel.

De acordo com o curador da coleção de Ciências Humanas da Biblioteca Nacional de Israel, Milka Levy-Rubin, Newton era um cristão devoto que abordou muito mais a Teologia do que a Física, e que acreditava que a Bíblia fornecia um “código” para o mundo natural. O curador afirma também que, diferente da forma com que fazemos distinção entre essas áreas hoje, ciência e fé “para Newton era tudo parte de um mesmo mundo”. “Ele acreditava que o estudo cuidadoso dos textos sagrados era um tipo de ciência, que se analisado corretamente poderia prever o que estava por vir”, completou o curador.

Esses textos se tornaram propriedade da biblioteca israelense de uma maneira, no mínimo, curiosa: Anos após a morte de Newton em 1727, seus descendentes doaram seus manuscritos científicos à sua alma mater, a Universidade de Cambridge. Porém a universidade rejeitou os seus manuscritos não científicos, que foram leiloados na casa de leilões Sotheby’s em Londres em 1936. Como outra casa de leilões famosa de Londres, a Christie’s, estava oferecendo uma coleção de arte impressionista que chamou muito mais atenção, apenas dois lançadores sérios se interessaram pela coleção de Newton naquele dia. Os escritos teológicos foram arrematados por Abraham Shalom Yahuda, um pesquisador de estudos orientais judaicos.

A coleção de Yahuda foi legada à Biblioteca Nacional de Israel em 1969, anos após sua morte. Em 2007, a biblioteca exibiu os papeis pela primeira vez, e agora elas estão disponíveis para todos online.

Levy-Rubin afirma que os textos mostram que “no que diz respeito a Newton, sua abordagem da História era tão ciência quanto à da Física. Sua visão de mundo era que o seu ‘laboratório’ para entender a história era a Bíblia”. O curador disse ainda que, para Newton, “sua fé não era menos importante para ele do que sua ciência”.

Fonte: Gospel+

março 11, 2012

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Tempestade solar se dissipa sem afetar redes de comunicações

No dia 19 de janeiro, a Nasa já havia registrado uma erupção do Sol

Uma tempestade solar anunciada como a mais forte em cinco anos se dissipou sem afetar a rede elétrica e os modernos sistemas de navegação, afirmaram nesta quinta-feira especialistas dos Estados Unidos. Nesta semana, uma série de erupções no Sol emitiu radiação e plasma solar a grande velocidade na direção da Terra. Mas, por fim, a tempestade geomagnética registrou o nível mais baixo, G1, em uma escala que vai até cinco. No entanto, o impacto ainda pode piorar nas próximas 24 horas, enquanto a tempestade continuar.

Confira a escala das tempestades geomagnéticas

“Nossos meteorologistas realmente tiveram que lidar com isto”, disse Joseph Kunches, cientista da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), entidade que havia previsto que a tempestade poderia alcançar um nível “forte”, e que seria a pior desde 2006. A agência espacial americana (Nasa) havia informado, inclusive, que poderia ser “grave”.

“É muito difícil para os meteorologistas, literalmente quase impossível, enquanto observam a ejeção de massa coronal que sai do Sol, poder prever a orientação do campo magnético intrínseco”, disse. Kunches declarou que não houve informações de interrupção dos sistemas de geoposicionamento global (GPS), nem de problemas de energia elétrica, e que a aurora boreal será visível mais ao norte do inicialmente previsto pela NOAA.

A NOAA e a Nasa advertiram na quarta-feira que a tempestade poderia afetar os sistemas de navegação GPS, satélites e redes de energia, e que o fenômeno já tinha levado algumas companhias aéreas a mudar as rotas de voo próximas aos polos. Segundo a Nasa, os astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS) não foram afetados pela tempestade de radiação.

As tempestades geomagnéticas e de radiação são cada vez mais frequentes na medida em que o Sol passar de seu período de atividade mínima para máxima nos próximos anos, mas as pessoas estariam protegidas pelo campo magnético da Terra. No entanto, alguns especialistas estão preocupados porque, como a dependência da tecnologia de navegação GPS é maior do que era durante o último máximo de atividade solar, poderia haver mais transtornos na vida moderna.

A perturbação começou na noite de domingo em uma região ativa do Sol denominada 1429, com uma grande labareda solar associada a uma rajada de vento solar e plasma, conhecida como ejeção coronal de massa, que se precipitou para a Terra a 6,4 milhões de km/h. Duas erupções solares e uma ejeção coronal de massa na madrugada da quarta-feira desencadearam em seguida forte radiação solar e tempestade geomagnética, ambas no nível três em uma escala de cinco.

A Nasa indicou que a primeira dessas duas erupções – classificadas na potente classe X e dirigidas diretamente para a Terra – foi a maior deste ano e uma das maiores deste ciclo conhecido como mínimo solar, que começou no início de 2007. De fato, só foi superado por uma mais forte, em agosto passado.

As labaredas solares só causaram breves apagões de raio de alta frequência, segundo a NOAA. Kunches disse que os meteorologistas estavam tentando equilibrar a necessidade de alertar as pessoas e, ao mesmo tempo, não dar prognósticos que provoquem falsos alarmes. “Como dar uma boa informação aos usuários para protegê-los e que lhes permita tomar medidas de precaução, sabendo que na realidade poderia chegar a não ser tão grave como se poderia pensar?”, questionou. “Realmente nos preocupa dar falsos alarmes”, acrescentou.

 

Fonte: FNP

março 9, 2012

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Cientistas comprovam que campo magnético da Terra é vital para atmosfera

Marte, diferentemente da Terra, não possui campo magnético tão eficaz em desviar ventos solares. O próximo passo é estudar Vênus

A ilustração mostra como as rajadas de vento solar atingem as magnetosferas da Terra (acima) e de Marte (abaixo), sendo a do primeiro planeta maior e mais eficaz

A passagem de uma rajada de vento solar durante um alinhamento planetário ocorrido em janeiro de 2008 permitiu que cientistas do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar, na Alemanha, comparassem os efeitos deste fenômeno nas atmosferas da Terra e de Marte. Com isso, a equipe conseguiu confirmar que a magnetosfera do nosso planeta é fundamental para proteger a atmosfera. As informações são da Agência Espacial Europeia (ESA).

MAGNETOSFERA
A magnetosfera é a região formada pelo campo magnético que envolve um astro, constituindo a parte exterior da atmosfera. Ela funciona como um escudo, que desvia as partículas carregadas eletricamente provenientes de tempestades solares. Assim, é responsável por proteger a atmosfera, além de mantê-la em sua posição.

A partir de dados sobre a Terra e Marte fornecidos, respectivamente, pelas sondas Cluster (quatro satélites que estudam o campo magnético da Terra) e Mars Express, os cientistas compararam a perda de oxigênio das atmosferas dos dois planetas ao serem atingidos pela mesma rajada de vento. A análise permite uma avaliação direta da eficácia dos campos magnéticos de cada planeta em sua atmosfera. As medições demonstraram que a atmosfera de Marte perdia dez vezes mais oxigênio que a terrestre (Marte tem oxigênio, mas a quantidade é mil vezes menor que na Terra).

Esta diferença teria um impacto dramático ao longo de bilhões de anos, levando a grandes perdas na atmosfera de Marte, sugerem os cientistas. Por outro lado, o resultado comprova a eficácia do campo magnético terrestre em desviar o vento solar e proteger nossa atmosfera. A ideia é realizar o estudo também em Vênus, por meio da sonda Venus Express, já que, assim como Marte, o planeta não conta com um campo magnético significativo, mas possui um tamanho comparável ao da Terra e a atmosfera mais densa entre os três planetas.

Em breve, os cientistas terão uma boa oportunidade de realizar tal estudo. “Durante os próximos meses, ocorrerá um bom alinhamento entre o Sol, a Terra, Vênus e Marte, em que aproveitaremos para coordenar uma série de observações”, diz Olivier Witasse, cientista do projeto Mars Express, missão cujo objetivo é explorar a superfície e atmosfera marcianas.

Além disso, os pesquisadores estão interessados em observar como o aumento da atividade solar pode afetar a perda de partículas atmosféricas nos três planetas

março 3, 2012

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Autores de artigo sobre infanticídio publicam pedido de desculpas

Acadêmicos pediram desculpas por ofensas causadas pelo texto. “Discussão deveria ter ficado dentro da esfera acadêmica”, afirmaram

Uma semana depois da publicação do controverso artigo que discute se pais podem tirar a vida de filhos recém-nascidos, os autores Alberto Giublini e Francesca Minerva divulgaram uma carta aberta. Ambos filósofos da Universidade de Melbourne, da Austrália, ganharam manchetes ao redor do mundo durante a semana por causa do artigo After-birth abortion: why should the baby live? (Aborto pós-natal: por que o bebê deveria viver?, em tradução literal). O paper foi publicado no periódico britânico Journal of Medical Ethics. Nele, os filósofos defendem que, se o aborto é permitido em alguns casos, a vida do recém-nascido poderia ser terminada nas mesmas condições.

O que normalmente fica restrito ao ambiente acadêmico e aos leitores dos periódicos científicos, ganhou grande repercussão ao se espalhar pela internet. Na carta aberta ao público e publicada no blog do periódico, contudo, Giublini e Francesca se defendem dizendo que não faziam ideia de que o artigo levantaria um debate tão acalorado.

“O artigo deveria ter sido lido por outros profissionais de bioética que já estão familiarizados com o assunto e com os argumentos”, escreveram. O editor-chefe do periódico, Julian Savulescu, partiu em defesa dos autores, explicando em um editorial que o debate existe “há milhares de anos e está ativo há 40.” De acordo com Savulescu, pelo menos 100 papers foram publicados sobre infanticídio na história do periódico, alguns defendendo a prática e muitos contra.

Giublini e Francesca argumentaram que o artigo parte da definição de pessoa introduzida em 1975 por Michael Tooley, doutor em filosofia pela Universidade de Princeton e atual professor na Universidade de Colorado, nos Estados Unidos. A partir daí, a dupla de filósofos tentou definir conclusões lógicas derivadas dessa premissa. “Era para ser um exercício de pura lógica: se X, então Y”, afirmaram. “Esperávamos que outros estudiosos fossem desafiar seja a premissa ou o padrão lógico que seguimos, porque isso é o que acontece em debates acadêmicos.”

Os autores afirmaram que não sugeriram que tirar a vida de recém-nascidos se torne uma coisa legal. “Isso não ficou suficientemente claro no artigo”, admitiram. “As leis não consistem apenas de argumentos éticos racionais, pois existem aspectos mais práticos, emocionais e sociais que são relevantes na formulação de políticas”, continuaram. “Não somos legisladores, somos filósofos, e lidamos com conceitos, não com política.”

John Harris, um dos pensadores citados no artigo como defensor da ideia de que é eticamente aceitável tirar a vida de recém-nascidos em certas ocasiões, afirmou que existe uma distinção entre uma discussão que pretende filosofar e outra que aponta políticas públicas foi feita por . “Sempre defini uma linha clara entre o que chamo de ‘relatório verde’ e ‘relatório branco’ na ética”, disse em post publicado no blog do Journal of Medical Ethics. “Os verdes são discussões intelectuais sobre problemas, os brancos são propostas de políticas públicas. Nunca advoguei ou defendi o infanticídio como uma proposta política”, defendeu-se. Harris é diretor do Instituto para Ciência, Ética e Inovação da Universidade de Manchester, Inglaterra.

Os autores terminam a carta se desculpando “pela ofensa causada pelo artigo”. Afirmaram: “Sentimos muito que muitas pessoas, que não compartilham a bagagem da audiência intencionada para o paper, sentiram-se ofendidas, ameaçadas ou escandalizadas. Pedimos desculpas, mas não pudemos controlar a forma como a mensagem foi propagada pela internet e transmitida pela mídia. Esperamos que a nossa carta ajude as pessoas a entender a diferença essencial entre o que poderia ser discutido em um artigo acadêmico e o que poderia ser legalmente permissível.”

Autor: Marco Túlio Pires

Leia também: Blog Reinaldo Azevedo — Eles chegaram lá: dupla de especialistas defende o direito de assassinar também os recém-nascidos